Poemas sobre a Ironia do Sorte
Sobre a Vaidade da Sabedoria
A sabedoria não leva a nada.
Como morre o tolo, morre o sábio.
Tudo o que o sábio sabe é, em última instância,
para alimentar a própria vaidade —
para poder se orgulhar do que supõe ter entendido.
É verdade que, às vezes, a sabedoria o livra
de certos abismos onde o tolo cai sem perceber.
Evita-lhe perigos, enganos, precipícios.
E o tolo, ignorante de tais ciladas,
paga caro — muitas vezes com a própria vida,
morrendo antes da hora,
ceifado pela própria inconsequência.
Contudo, nem isso é razão suficiente
para que o sábio receba honras imerecidas
por seu árduo trabalho em busca do saber.
Pois todo conhecimento, por mais vasto,
se perde no tempo e no espaço,
como areia que escapa por entre os dedos
do homem que acreditava segurá-la.
RIO DE JANEIRO
Evan do Carmo
Que poeta passaria sobre ti, adormecido
em tuas ruas estreitas, a um mar imenso?
Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.
Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.
Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.
Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?
Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.
Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?
Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.
Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.
Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.
Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?
Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.
Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?
Tese sobre o Caos e a Consciência
Antes da inteligência humana, havia o caos — não mero desarranjo, mas um abismo fecundo, um entrelaçar de forças indomáveis e silenciosas que pulsavam sem testemunha. A expansão do universo — efeito da grande explosão — moveu massas, gerou órbitas, incendiou estrelas; e ao longo de milênios incontáveis, dessas forças surgiu uma ordem apenas aparente: uma harmonia caótica, tão tênue quanto ilusória.
Os humanos, criaturas de um lampejo tardio de consciência, acreditam enxergar perfeição onde há apenas fluxo, perceber mistério onde existe apenas processo, e, com vaidade, tentam nomear o que escapa a toda nomeação. A inteligência, ainda jovem, nasce dos erros involuntários do próprio caos, e é com ela que se edifica a pergunta — não a resposta.
A consciência — esse clarão que se anuncia no “penso, logo existo” — produziu infindáveis interrogações. Mas que respostas poderia oferecer a criatura que emergiu de uma ignorância tão profunda? É impossível que uma mente tão jovem compreenda o abismo anterior a si mesma, o princípio inominável de onde tudo se ergueu, o silêncio primordial que, ao se desfazer, fez nascer não apenas o universo, mas também a angústia de quem o contempla.
— Evan do Carmo, 14-10-205
Sobre hoje, no café, e no mundo, escrevo para aliviar a tensão.
O café esfriava lentamente, como se também estivesse cansado de notícias. Ao redor, pessoas falavam baixo, riam por educação, mexiam no celular como quem procura abrigo. O mundo ardia do lado de fora, mas ali dentro o tempo ainda fingia normalidade. Há algo de profundamente humano nesse gesto pequeno de segurar uma xícara enquanto impérios se movem, fronteiras tremem e homens decidem destinos como quem move peças distraídas num tabuleiro gasto.
Vivemos dias em que o poder voltou a falar alto, sem pudor, sem metáfora. A força reaprendeu a se chamar virtude, e a violência se veste novamente de salvação. Enquanto isso, o cidadão comum segue escolhendo o pão, pagando o café, tentando manter a sanidade intacta. O contraste é obsceno: o mundo range, e nós respiramos como podemos.
Escrever, hoje, não é vaidade nem ofício. É necessidade fisiológica. É a forma mais discreta de resistência. Uma maneira de dizer a si mesmo que ainda há pensamento, ainda há silêncio possível, ainda há um intervalo entre o caos e a consciência.
Termino o café. O mundo continua.
Mas, por alguns minutos, a escrita cumpriu sua função essencial:
não salvou nada — apenas **impediu que tudo desabasse por dentro**.
Diferenças podem ensinar
Algumas lições sobre o amor
Porque a igualdade se revela
No respeito que é oferecido
Àquilo que não é entendido
À escolha do amigo...
Igualdade se constrói
Na humildade demonstrada
Na gentileza compartilhada
Quando a infeliz disputa
Pelo melhor ponto de vista
Não é mais incentivada.
Se é para ser intolerante
Que seja a toda mente fechada
Que julga sem ter conhecimento
Que quer ser idolatrada
Que diferenças dialoguem
E que qualquer pessoa seja respeitada.
Senhor,
Tu que disseste ao infante,
“Dominai sobre todas as criaturas”,
Fazei-me forte de corpo e alma,
Dai-me a graça de saber lutar com lealdade,
E vencer com justiça,
Mas se não merecer a vitória,
Morrer com dignidade,
Infantaria! Brasil!
Existem momentos em nossas vidas que o peso do mundo caí sobre nossas costas, o cansaço nos aflige de maneira cruel e mesmo que todos não acreditem mais em sua capacidade, não desista...siga em frente e se for preciso coloca o mundo sobre os ombros e subi a íngreme montanha da vida, FAÇA!
Só assim todos verão sua força, hombridade e sobre tudo sua capacidade de superação!
Por~Tiago Maia
Com seus cabelos sobre o rosto posso perceber
De fato sua beleza uma alegria e até tristeza.
Posso ver.
Que o seu interior é ainda mais belo do que posso imaginar
Logo comparo com a poesia que vem a me encantar.
Porque nela fugimos da razão
Deixamos a insegurança de lado posso até segurar tua mão.
Viver realmente oque nos interessa
Sem a afobação que nos estressa.
Sempre que ponho a cabeça sobre o travesseiro
Lembro de você em vestido azul, batom e o brilho da luz em seu cabelo vermelho
E deitado olho sua foto em frente ao espelho.
Sobre meus 18 anos
Sei que já sorri várias vezes
Sei que a minha vida foi estressante
Sei também que a minha história
Não fora assim tão interessante
As vezes paro e penso
Que um dia eu chorei sem motivo
E que julguei sem as pessoas sem consenso
Mas hoje olho para traz com um olhar agradecido
E como num passe de mágica
Só tenho a agradecer por minha família e amigos meus
E vejo a minha vida como um dádiva de Deus
Como o que se arrisca numa descida íngreme, sobre uma bicicleta mal ajustada e sem freios; assim é aquele que segue sem a direção do seu Criador.
Cedo ou tarde, arrebentar-se-á, precipício abaixo.
(Fabi Braga, 20/05/2015)
QUADRAGÉSIMO SÉTIMO HEXÁSTICO
Deixa-te voejar sobre o caos
há nele visível beleza
toda representação há
seja sagrada ou profana
não o olhes com tua indiferença:
caos requer visibilidade
Estive pensando sobre a "espera"...
Eu a conheci e nos apaixonamos, mas não era a hora certa e nos separamos. Então, anos depois, temos a chance de nos reencontrarmos.
Contudo, eu me pergunto: Será que já se passou tempo demais? Será que não esperamos muito? Não seria tarde demais... como é que pode dar certo?
Sozinhos, já chegamos tão longe! Se bem que, começando de novo, poderíamos chegar a um outro lugar. Você acredita em segundas chances?
”Sobre ela e eu”
Inútil seja meu paladar vazio
Hoje pensei ter certeza de tudo
Perguntas, cavavam o próprio abismo
Beiravam a ira de um absurdo
Acena com calma, respira
Fecha o olho, ainda é dia
Não me respondo como antes
Meus dedos frios são poesias quente
Já nem entendo meus sujeitos mortos
Agarro um álcool e um inconsequente
Um sonho lúcido e um precipício
Salto de peito e espero meu guia
Sorrindo com frio na barriga, caía
Armado ao amargo fato, dizia
O sorriso é uma falha no caminho
A vida, consciência de uma faixa
O choro é a verdade de um sorriso
E a morte, é um gato numa caixa
”O paradoxo dos olhos abertos”
Sobre vida, interceda o mar que me deu
Ainda há quem diga que o vendaval sou eu?
Prepotente perante a todos
Impotente a mim mesmo
Escondo, odeio, exalto e amo
De minha verdade ser um quarto sozinho
E outras 3 perdidas por aí
Simplesmente complexo
No paradoxo dos olhos abertos
Um conto de fadas que termina em tragédia
Também é tragédia que termina em conto de fadas
Na alvorada, ao sol nascente, eu medito,
Sobre o amor, que outrora florescia tão bonito,
Mas agora, envolto em sombras, desfeito,
Por uma traição, que no peito, ferido, foi feito.
Gravada em segredo, a nossa voz, lamenta,
Um vínculo outrora forte, agora se arrebenta,
Onde outrora havia confiança e afeto,
Resta agora o vazio, o lamento, o desafeto.
Oh, como as rosas murcham em meu jardim,
E o canto dos pássaros soa triste, sem fim,
Pois a traição obscureceu o céu azul,
E o amor, que outrora brilhava, agora é nulo.
Por isso, ergo-me em meio à escuridão,
Com lágrimas nos olhos, e no coração,
Decido, nesta aurora melancólica e fria,
Encerrar esta história, que um dia foi minha.
Leve consigo as lembranças, os vestígios do que foi,
Pois não há mais lugar para nós dois, aqui, sob este céu,
Que seja livre, que siga seu caminho sem mim,
Pois neste adeus, encontro a paz, enfim.
Um poema sobre a solidão
Sou aquele amigo esquecido,
O que fica para trás na calçada
E que o amor nunca encontrou.
Sou uma biblioteca solitária
Em meio às prateleiras,
Um pequeno príncipe a sonhar.
A rosa que tanto cuidei, um dia desapareceu.
Talvez eu a tenha sufocado demais,
Talvez ela estivesse cansada,
E seus espinhos não quisessem me machucar.
Sou um pintor triste,
Canto sobre o viver e pinto a beleza da vida,
Mas os campos de girassóis parecem diferentes hoje.
Eu tentei dar a você um pouco de cor,
Mas o pincel acabou manchando seu sorriso.
E como doeu não poder repetir o que foi feito...
De esboço a esboço,
Nada pareceu perfeito.
Eu sou as paredes de madeira que me cercam,
Tentando encontrar um raio de sol que me esquente.
Mas ainda sou esquecido...
E é tão frio aqui...
Vivo nas sombras do que foi ou poderia ter sido.
Trago no peito uma rosa que nunca desabrochou,
Não por falta de sol,
Mas porque ninguém ficou tempo o bastante
Para ver o seu vermelho nascer.
Somente o espanto sobre nós dois
e o espanto sobre o homem e a mulher fez de mim um ser humano.
Eu sei agora o que nenhum anjo sabe.
Sobre o sagrado dos poetas, a bíblia também atesta,
afinal somos todos, sonhos de Deus, assim,
Deus também é um poeta!
Às vezes sinto-me tal qual
Esse papel em branco
Sobre o qual
Me arrisco, sem sucesso, a pintar
Um bem-te-vi.
Quando isso me ocorre
Imagino-me passarinho
E tudo fica muito belo.
