Poemas Rubens Alves Escolas Gaiolas
INDEFINÍVEL
Não posso afirmar com certeza, que tu és indefinível, afinal defini-la como indefinível, seria um paradoxo. Mas, afirmo que tu és o ser mais lindo e mais angelical que já conheci. Tuas inseguranças, pra mim são perfeições. Embora esculpido pelo divino, não me apaixonei pelo teu corpo, e sim pela tua alma.
É inexplicável o que sinto, seria amor ? Paixão ? Desejo ? Não interessa o que seja, de qualquer forma, eu lhe venero. Teu olhar é como um abismo, onde fico tentado a cair, e aos poucos, vou me curvando, me inclinando cada vez mais, até que fico em queda livre por estes lindos olhos.
Celebro sempre que estou perto de vê-la, mas não posso cobiça-no-la, não tenho o direito de tê-la. Mas de algo podes ter certeza, se por acaso eu lhe perca, meu coração jamais vai desaprender como amá-la.
Hoje meu gatilho foi a saudade, um nó na garganta, um vazio, um silêncio...
Em saber que não verei mais seu sorriso, ter o seu abraço, jogar conversa fora, mas creio que nunca será um Adeus, e sim um até logo.
Imagine um pássaro experimentando a liberdade de um vôo, pela primeira vez, apósfugir de uma cômoda gaiola. Imaginou? Pois é esta a sensação de final de curso. Asensação de liberdade (pelo que passou) versus o medo (do que há de vir). Foi durante operíodo de vigência deste curso que sai do ninho e dei o meu primeiro vôo. Cai, algumas vezes, cortaram as minhas tenras asinhas, mas, aquele a quem me chamo de Pai(Deus) sustentou-me, tal como o lírio dos vales, e disse-me: “Ide!”. Fui. Mesmo com asensação do medo que eu sentia do ‘bicho-homem” eu voei e experimentei: lágrimas,tormentos, pavor, alegrias, amores, vida, sonhos, e, finalmente, a morte. Mas, tal comoo lendário Fênix, que renasce das cinzas, continuei e continuo a voar.
Autoria: Cláudia Valéria/ Kakal (@claudia.valeria.kakal)
Retrospectiva - as roupas das estações.
Em Março estava escrava,
vestida de razão,
coberta de desejo e nos pés:
calçados feitos de pele de mim mesma.
Em Junho me estranhei e me olvidei.
Percebi sobre mim um chapéu que desconheço,
um tecido de ansiedade e bordados de passado.
Eis que estava escrito:
na certeza do presente,
a minha floresta jaz, ardente.
Em Setembro me vi invencível,
armada, até os dentes:
de ódio, raiva e outros pensamentos descontentes.
A roupa da vez? Solidão.
No início de Outubro despi-me das pessoas e
Contei-lhes uma mentira: “está tudo bem”.
Testei as fases da água em meus olhos.
Deixei a tristeza passar do abstrato
para o estado líquido,
a saudade se converteu em lágrimas.
Autoria: Cláudia Valéria/ Kakal (@claudia.valeria.kakal)
Amante
Envereda-me em minha loucura
Beija-me
Sufoca-me
Enamorada, desvairada, louca apaixonada
Poeta delirante
Amante...
Em quarto frio de cheiros mil
numéricos
meia-luz e sordidez!
Me confundo entre odores e amores
loucura de um desejo insano
Me perco mil vezes
reconstruo e me destruo
Entre boatos e gemidos...
Poeta
Amante
viúva desvairada
Louca apaixonada
Monólogos de um amor imperfeito, pretérito perfeito
espórtula em beijos
em gemidos clandestinos
Nas ausências me despedaço e reinvento
silêncio...
Ao desejo, à certeza que todos os dias és meu
À razão, meus sonhos fragmentos sub-humanos
Viúva enamorada
Louca desvairada
Poeta delirante
Amante...
A beleza mais linda é aquela que olhos apaixonados podem enxergar e quanto mais intenso, mais incrível tudo fica, a paixão fascina, traz desejos e muitos sonhos, ter a sorte de realizar esses sonhos, é o mesmo que ter a sorte de encontrar o verdadeiro amor, te admiro e te adoro, vc é o meu melhor sonho!
P.S. Saiba que estive pensando em você! ❤️
Você é incrível SIM!
Pode olhar no espelho, você vai ver o quanto você é incrível!
Depois olha ao seu redor, veja onde conseguiu chegar e o que conquistou!
E quando olhar um pouco mais distante vai ver as pessoas que te admiram e que se espelham em você!
Vou explicar, é como morar no Interior de Minas.
Quem mora lá não percebe as montanhas lindas e o céu estrelado que tem durante as lindas noites, a dura rotina as vezes nos fazem esquecer de coisas incríveis que sempre estiveram lá...
É só parar, orar, respirar e procurar, que sempre esteve tudo lá!
A INSANIDADE TALVEZ SEJA A CURA
Por que a insanidade é vista como mal? Ela é a chave que nos faz felizes, dá-nos importância, mesmo que só em nossa mente, onde somos donos do impossível.
Ela nos faz não temer, a não nos preocupar com nada, e, ainda assim, nos permite viver nossos próprios sonhos sem medo, sem limites.
Asas
Porque a cidade me prende com laços de asas onde os pássaros moram
O rural me despe de cintos dourados e me enche de música
É no silencio do rio na turbulencia do mar
Que as raizes de formosas arvores me alimentam as palavras
Seiva da juventude em taças de corolas
Flores de campos coloridos que me invadem
Senta-se a cidade a meu lado
Inquietação no ajuste da escolha entre a pedra e a terra
O bulício e a quietude na pele que se quer sentida
E afago o olhar nas marés de trigo e choro a selva urbana onde moram os pássaros sem asas
03/11/2022
Não chove para sempre
Lava-se a calçada de noites mal dormidas
Sob a chuva dolente num cair gemido
Num choro longo e diligente
Zelosa de angústias e desassossegos
Mas cresce no peito o novo dia
No cinzento da claridade escorregadia
Faz-se sol na vontade dos campos
Onde brilha ainda o trigo loiro
E vestem-se de gratidão os bagos da vida
Frementes de desejos impossíveis
Cálido e sagaz o fruto da abastança
Das águas correntes que banham as margens
Esquece-se a noite que foi claro dia
Sacode-se o caminho do pó da melancolia
E recorre-se à loucura do mundo para enfrentar
Todas as intempéries com ousadia
No antigo testamento
“Deus livrou”
3 rapazes numa
fornalha de fogo.
Porém,
no novo testamento
“Deus não livrou”
Tiago do martírio.
Porque antes,
Deus era visto
nas nossas conquistas.
Hoje Ele é visto
no nosso testemunho.
“Elter Alves”
Jesus multiplicou pães,
mas não transformou pedra em pães.
.
Porque a multiplicação era para o coletivo e transformar pão era para o indivíduo.
.
Quando é para si a palavra é o suficiente, quando é para a comunhão Deus também providencia o pão.
.
A multiplicação é para compartilhar!
.
“Elter Alves”
AOS POUCOS
Vi seu rosto no meu café,
O gosto do seu beijo na minha boca,
O seu toque na minha pele,
Talvez eu esteja delirando,
Ou me apaixonando aos poucos.
Esqueci sua feição,
Lembrei do quão amargo era seu beijo,
Lembrei do seu toque frio na minha derme,
Talvez eu esteja delirando,
Ou me desapaixonando aos poucos.
Procurei blindar a minha mente,
Me desapeguei do seu sabor,
Me curei das feridas,
Eu me sinto feliz novamente,
Estou me recuperando aos poucos.
Vi outro rosto no meu café,
Quero saber qual o gosto daquele beijo,
Quero sentir aquele corpo no meu,
Agora sei o que sinto,
Estou amando de novo.
AH, SE VC SOUBESSE
Eu queria que ela soubesse, que Mona Lisa não é a arte mais linda do mundo, e sim esses olhos pintados pelo divino, esse corpo entalhado pelo sobrenatural e essa boca kafkiana.
Queria também que ela dissesse meu nome, várias vezes, até que a vontade de ouvir aquela voz angelical, se esgotasse. Que ela sorrisse todos os dias de manhã quando me visse, que me beijasse ininterruptamente e secasse minha lascívia com toda essa sensualidade.
Eu queria que ela visse todos os sorrisos que esboço ao ler as cartas que ela me manda, eu não sei se é sorriso de amor, paixão, desejo. Mas uma coisa é certa, vem do coração.
Eu queria que ela me amasse, queria que me devorasse, queria que ela decorasse cada detalhe da minha alma, queria que ela me enxergasse, queria que ela soubesse que eu a amo.
ALMA QUE ME MOTIVA
Você é vício viciante que vicia,
Minha rotina começa com sua boca na minha,
O toque da minha pele na sua é tão bom que arrepia.
Chega na minha vida, e fica.
Não tem por que saída,
Vem como luz na escuridão,
E me ilumina.
Não sei como defini-la,
Você é cheia de sinônimos,
Parece poesia.
Queria te beijar, abraçar, trocar carícia.
Selar nosso amor na eternidade para que nunca se sinta sozinha.
Eu sou feito de ódio,
Mas você me romantiza,
Você é dia ensolarado,
Eu sou noite fria,
Você é pão com manteiga,
Eu pão com margarina,
Posso ser cético quanto a tudo,
Mas a única coisa que acredito,
É que ainda vou ter sua mão na minha.
SINÔNIMO DE AMOR
Não há nada igual que o dissabor de despertar, aquela embirração de não querer se levantar, aquele nojo de se olhar no espelho e sentir o menor nível de amor-próprio alcançável.
Tão lesivo, tão danoso, tão ácido esse amargor da vida azeda. O sentimento de perecimento da alma, a sensação de ter a energia sugada por completo, a aflição de se sentir inútil, e ao mesmo tempo, contentamento de ser desprezível.
A saudade de quando você ainda tinha um pouco de felicidade, a euforia com atos simples, o prazer do bem-estar, o entusiasmo de ver os amigos, da fome em demasia, daquela overdose de dopamina, endorfina, serotonina, ocitocina. A saudade do querer viver.
Pensar que tudo começou no coração, terminou em uma folha de papel molhada por lágrimas, começou com um gesto, terminou com uma palavra, nasceu na esperança, e morreu na depressão. Agora tenho a certeza de que sinônimo de amor, é luto.
João alertou:
.
“Não ameis o mundo
e nem as coisas que
há no mundo”
.
O diabo nos fez pensar
que era sobre festas,
amizades e afins.
.
Mas na realidade
o mundo é o que
habita em nós:
.
A luxúria e a soberba.
.
O problema foi
nos “amarmos”
demais.
.
Elter Alves
NÃO DUVIDE QUE TE AMO
Incerteza maldita, larga meu coração, deixa livre minha mente, ou até mesmo se decida. Não me faça pensar duas vezes antes de agir, queria que o trauma fosse como Deus, inexistente.
Eu tenho certeza da incerteza, entre o afago do amor e o aconchego da solidão, eu me deito na rede da segurança, o medo de que eu vá me despedaçar por inteiro é grande, mas se apenas o sonhar de ter você comigo é suficiente para que eu vibre de prazer, imagine o pertencer da minha boca na sua.
Eu quero ter um amor sereno, um amor seguro, despreocupado, bonito, engraçado. Um amor quente, daquele que no inverno me aqueça, e na cama, mais ainda. Um amor ansioso, ansioso pra te ver, ansioso pra te ter, ansioso pela eternidade ao seu lado. Um amor com vontade, com apetite e com urgência, em que ambos amem demais, mas que apenas somem, e nunca subtraiam.
E se houver dúvida, que seja respondida com uma única sentença: "eu te amo". Não quero amor proibido, onde tê-la seria pecado, e sim um amor onde ninguém se pertença, mas se tenha.
O caixão da alma
Presa em uma casca de dor,
Aprisionada em uma pele d’onde se transita flor.
Releio Augusto dos Anjos,
poeta preso em fantástico caixão alheio,
Sinto similaridade com a dor dele, hoje.
Dor, coração e um triste sossego.
Presa em teu sonho selvagem,
curto metáforas de Clarice Lispector,
repenso Antônio Nóbrega,
todos poetas que profetizaram a dor,
a morte, o caixão em badalado, triste e feio.
Presa. E estar em cárcere machuca.
É um acordo feito consigo mesma.
É um contrato social a qual a gente olha e diz:
-Por que você está destruída?
-Se sou eu a única pessoa que precisa ser salva?
Ora, por que me fazes chorar?
Suas cicatrizes são minhas, sabia?
Presa na obra de um carpinteiro,
meu corpo lança um: “não te amo, mais”,
A alma na pele que habito,
tal como Almodóvar e seu percevejo.
Presa em uma cama fria,
Em um hospital onde a morte olha, vazia.
Aprisionada entre o sim e o não,
Entre a vida e o não.
Presa em um corpo de morte,
tal como preconiza Paulo,
presa, simplesmente aprisionada,
Rousseau já dizia que por todos lados
sigo acorrentada.
Presa. Simplesmente aprisionada.
À minha alma que segue inerte,
desejando que a dor galope e não me veja.
Mas, Clarice só me apontou a hora,
e “dos Anjos” me avisou da mão que apedreja.
Presa em muros poéticos,
onde o sonho e a morte dançam e combinam,
juntas, o seu mais próspero desejo.
Presa em um caixão d’alma,
aprisionada pelo karma, ancestralidade,
herança genética, por traumas e desejos.
Morta em um vivo caixão de peles,
de feles e méis. Simplesmente, presa.
(instagram: @claudia.valeria.kakal)
