Poemas Reflexivos
Quem um dia decidiu que o mundo estava errado?
Quem viu o sol brilhar mas preferiu ficar deitado?
Quem nunca sentiu medo e abraçou o travesseiro?
Quem fez compromissos e não saiu o dia inteiro?
Quem estava gripado mas bebeu água gelada?
Quem acordou tarde porque deitou de madrugada?
Quem teve um segredo e não conseguiu guardar?
Quem gostava de uma música que não sabia cantar?
Quem recebeu um abraço na hora da despedida?
Quem já prometeu amar alguém pro resto da vida?
Quem pensou numa rima e inventou uma canção?
Quem já perdeu um amor e entrou em depressão?
Quem se trancou no quarto e chorou até dormir?
Quem nunca se sentiu feliz mas não deixa de sorrir...
Porque se olhares em mim verás...
Não sou tão má quanto pensas;
apenas não sou tão corajosa como imaginas...
Pareço forte, mas no fundo sou fraca
Fera, porém sou bela
Às vezes chata, mas no meu íntimo há sentimentos diversos
Pareço metida, porém se olhares em meu semblante com seu coração verás apenas humildade
Calma, sempre...
Posso até parecer solitária...
é que realmente tenho poucos amigos...
a diferença é que os poucos que tenho
não valem metade de um seu...
Pense nisso
depois me julgue
Lembre-se que se me julga pela aparência...
sou apenas o reflexo de sua ignorância
Sacrificar sua felicidade pela felicidade de quem se ama é, de longe, o mais puro tipo de amor.
(Itachi)
Um dia a gente cansa de amar e não ser amada
De pedir atenção
De esperar um elogio
De olhar sozinho para o horizonte
De ser desejada
De receber declarações de amor
De esperar uma atitude bonita
De ser surpreendida com uma flor, um bilhetinho, um bombom
Um dia a gente cansa de amar
Um dia... simplesmente a gente cansa!
Um sorriso
Um sorriso, apenas um sorriso. É tudo que preciso.
Teu encanto traz paz e harmonia para minha vida.
Nos momentos de desânimo, basta lembrar da tua serenidade.
Com o teu sorriso aberto e franco, tudo se transforma.
Um sorriso é contagiante.
Encontrar-te não é o bastante.
Sorria, pois sou feliz porque você existe.
O importante é amar
sem rédeas e sem censura,
mesmo que a sociedade
às vezes seja tão dura;
amar é sentir coragem!
Sem fingir, sem camuflagem,
sem medo de ser julgado,
pois quem julga um amor
Não é juiz, não sinhô,
É no fundo um mal-amado.
Toda vez que você
Diz à sua filha
Que você grita com ela
Porque a ama
Você a ensina a confundir
Raiva com bondade
O que parece uma boa ideia
Até que ela cresce
E passa a confiar em homens
que as machucam
Porque eles se parecem
Demais com você.
Noite de um inverno
De repente, sinto que estou triste.
Triste pelo que sou,
Triste por tudo que não fui.
Mas, não me aborrece
Essa tristeza ,que vem
E que flui através
Do cinza-azulado da fumaça
Do cigarro, projetada no teto
Mal pintado de meu quarto.
O silêncio amigo que habita
Meu apartamento
Divide comigo o frio da noite,
Que também se vai.
Penso em voltar, penso em partir,
Em estar contigo,
Em dividir essa tristeza
A dois…
Que grita dentro de mim,
Dentro do quarto quieto,
Frio, de ar viciado
De teto mal pintado.
Vejo as marcas incertas
Do pincel,
Como a arranharem
Também dentro de mim
A saudade do que era
E a ansiedade do que será.
Fecho os olhos,
Molhados
E penso num poema que faria,
Se meus olhos molhados
Não estivessem cansados,
Fechados,
Tentando esquecer
Essa tristeza….
Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?
Em caso de dor ponha gelo,
Ponha muito mais que isso...
Em caso de Medo encontre a Luz,
Encontre muito mais que isso...
Em caso de tristezas mude a cor da sua roupa,
Mude muito mais que isso...
Em caso de rotina saia para admirar uma árvore,
Admire muito mais que isso...
Em caso de cansaço sorria pelo dia
Sorria muito mais que isso...
Em caso de reclamações agradeça pelas pessoas que te cerca,
Agradeça muito mais que isso...
Em caso de encontrar uma flor morrendo, plante outra no lugar,
Plante muito mais que isso...
Em caso de insônia reze pelo próximo dia,
Reze muito mais que isso...
Ponha, Encontre, Mude, Admire, Sorria, Plante, Reze,
E você terá muito mais que isso.
Às vezes...
Às vezes é preciso ser feliz, mesmo sabendo que existe perigo.
Às vezes é preciso ter coragem para enfrentar o perigo.
É preciso viver e poder dizer que tudo valeu a pena.
A ilusão da liberdade
INSÔNIA
Sozinho, reflito no frio silencioso
de meu quarto sem luzes.
Busco encontrar meu tempo
e, sem sono, me perco
a buscar o tempo passado,
mas, é o tempo que me encontra
entre os lençóis, perdido!
REFLEXÕES
Um dia, acreditei no livre-arbítrio
da natureza humana.
Pobre Joseph Nuttin, estava errado!
Somos seres sem vontade própria,
sem condições de guiar nossas vidas.
De alguma forma nascemos assim,
marcados para seguir um caminho
que não é o nosso, nos foi imposto.
Por que acontecem os fatos da vida,
fomos nós mesmos que os criamos?
ILUSÕES
A estrada nos foi adrede traçada
e não nos permite maiores desvios.
Apenas, como seres autômatos,
seguimos o roteiro do papel vivido.
Por que um não foi mais forte que o sim?
Por que apenas uma palavra mudou
tudo que pensamos verdadeiro?
Seguimos sem vida a viver a vida
em um papel que não escrevemos.
Não escolhemos onde e quando nascer,
não saberemos onde e quando morrer.
Planeta terra, onde quem berra se ferra.
O céu clama por paz, e o solo fede a guerra.
Seres distantes, sim, cada vez mais distantes, construindo muros onde deveriam haver pontes.
VOCÊ
De repente, você está fora
de qualquer razão,
de qualquer entendimento.
Você deixa de ser, de ocupar
um lugar. É um não!
Você é um enorme nada,
vazio.
Ser anti-social, desgarrada
criatura errante
na jangal dos homens,
(ou serão feras?),
desde antigas eras
amalgamadas.
Na agitação dos passos
que varrem as ruas
perdem-se suas
mais íntimas confissões,
de um homem só.
Vida marcada no compasso
da solidão e do desencontro.
Na terceira década
de sua existência,
você é um aborto,
morto!
Avança rápido na direção
do espaço infinito,
longínquo,
transcendental.
Ser espiritual
em sonhos envolvido,
perdido na irrealidade
de uma fuga patológica,
ilógica,
irreal.
Arquiteto prodigioso
de ruínas,
você é um colosso,
em tristes fantasias.
O poder, a beleza, o amor,
em rápidas braçadas
são alcançados,
ultrapassados,
no ardor freudiano
de suas compensações,
emocionais.
Este não é seu mundo,
aqui não há correspondência
para sua vida, nem clemência
para suas súplicas.
Mergulhe profundamente
em seus sonhos azuis
e esqueça.
Talvez assim, um dia,
você cresça
e se torne um homem.
Seja sempre inquieto
e vez por outra paciente.
Parece meio contraditório,
soa meio diferente,
às vezes pisar no freio
também é andar pra frente.
Central do Brasil
Que estranho grupo,
matinal,
eu vejo todos os dias
na central.
Velhos mendigos, bêbados inocentes,
reticentes:
débeis mentais maltrapilhos,
prostitutas insones,
no roldão do povo
de rostos sem nome,
derramado.
O homem a bater
com a tábua
nas árvores incrédulas.
O pastor que prega,
em péssimo português,
ao povo que passa,
com pressa,
já sem convicção,
nem religião.
De quando em vez,
um ladrão!
A professora-criança
de livros e sacolas,
em demanda da escola.
Amostragem de um povo
brasileiro,
na luta sem tréguas,
do dia-a-dia.
Na busca do pão nosso
de cada dia,
em várias formas,
nos diversos caminhos,
das ilusões,
de tantos corações
que formam o grande vazio
sem esperança.
Povo-formiga, rude, grosseiro,
sujo, suado,
que não olha para trás,
mal humorado,
que cospe no chão
do vagão,
que viaja nas portas
do trem,
pingentes da morte,
no vai-e-vem
da sorte.
Povo-Brasil
amalgamado
no afã da sobrevivência.
Gado-humano a desembocar
no matadouro.
Quem crê em ti fantasma?
EU!
Ilusões (I)
Hoje, voltei dez anos
em meu passado,
e vi um sonho,
que foi presente,
mas nunca
foi futuro.
Ilusão-criança,
que brotou um dia
(eu juro)
da espontaneidade
de um ideal
(paternal).
Voltei dez anos,
de espanto
e em pranto,
estarrecido
meço a extensão
do nada.
Calculo em milhões
de números,
a multiplicação,
fantástica,
do zero pelo zero.
A imagem juvenil
do que fui, confunde-se,
desfocada, na angústia
do que sou.
Um presente-passado,
sem futuro,
a enterrar
em profundas covas
as provas
de um erro.
E do sonho
desperta a figura
de um covarde
que treme e arde
de revolta,
mas cala.
(1972)
É preciso mudar
Caminhe por outra rua
Mude os móveis de lugar
Use aquela roupa velha
Na pressa, pode esperar.
Corte, pinte seu cabelo
Sem seguir nenhum modelo
Pois é preciso mudar.
Pinte a parede da sala
Sem medo de se sujar
Devore a lasanha, a coxinha
Sem culpa por engordar.
Frequente novos lugares
E respire novos ares
Pois é preciso mudar.
Escreva uma carta à mão
E esqueça o celular
Visite alguém que faz tempo
Que não vem lhe visitar.
Fale mais, digite menos
Construa em novos terrenos
Pois é preciso mudar.
Aprenda uma nova língua
Talvez volte a estudar
Tome mais banhos de chuva
Deixe a vida lhe banhar.
Pule muros e barreiras
Crie novas brincadeiras
Pois é preciso mudar.
Há mudança até na dor
Basta a gente observar
Deixar a casa dos pais
Mesmo querendo ficar.
Ver amigos indo embora
Sentir a dor de quem chora
Sofrer também é mudar.
Perder aquele emprego
Não ter grana pra gastar
Estudar pra um concurso
E mesmo assim, não passar.
Ser largado, ser traído
Se sentir meio perdido
Sofrer também é mudar.
O vento que às vezes leva
É o mesmo vento que traz
Leva o velho e traz o novo
Se renova, se refaz.
Transforma agito em sossego
Desconforto em aconchego
Faz a guerra virar paz.
A vida, o mundo e o tempo
Nos mudam desde criança
Modificam nossos sonhos
Renovam nossa esperança.
E a mudança mais feroz
Fazendo tudo de nós
Um dia virar lembrança.
O tempo é um piloto louco
Que gosta de acelerar
Não vê placas nem sinais
E sempre vai avançar.
Modificando o sentido
Faz “viver” virar “vivido”
Basta um segundo passar.
Pra mudar basta existir
Ninguém pode controlar
Pois tudo que é vivo muda
Viver é se transformar.
Viver é evoluir
E ao deixar de existir
Até morrer é mudar.
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