Poemas que falam do Silêncio
"Silêncio que arde"
Guardo teu nome no espaço
entre um suspiro e outro,
onde a voz não alcança
e o gesto fala mais alto.
Meu peito te reconhece
antes mesmo que eu pense,
mas o mundo exige calma,
exige que eu me esconda.
Então te ofereço o que posso:
um toque breve,
um olhar demorado,
um cuidado que finjo ser acaso.
É assim que te amo —
sem palavra alguma,
mas com tudo que treme
no silêncio das minhas atitudes.
E ainda que eu não diga,
meu coração te chama.
Tu não ouve, talvez,
mas eu sigo cantando baixo.
Se você soubesse o que eu sei,
e penso ao seu respeito,
Entenderia meu silêncio diante da sua latumia.
CHAMAS
Como pode alguém amar quem só retribuiu com silêncio?
Porque o amo tão intensamente e ele nem imagina...
Nem imagina que passo o dia me lembrando dos seus olhos,
da sua boca, dos seus cabelos cor de fogo e até do sorriso fofo
e do olhar que faz para mim quando quer me provocar.
Eu te amo, amo muito.
Mas, não aguento mais tanto silêncio e me questiono:
Como pode alguém não me amar?
Você fica aí pensativo, no seu trabalho, nos seus medos, na sua insegurança,
no seu mundo e nos seus flertes...
E eu aqui, te amando apesar do tempo, da distância e das tuas falhas.
Sem pedir permissão para amar sigo te amando como uma luz disposta a ser
tudo o que você um dia sonhou ter como mulher.
Como pode você não me amar?
Meu coração esquenta só de pensar no teu nome.
O choro me engasga a alma só de pensar que podemos nunca mais se
reencontrar e essa é uma dor que não sei se vou superar.
Queria ser o teu tudo, porque você foi alguém que me fez voltar a querer amar.
Porque esse amor surgiu das cinzas, do que nem achava ser mais possível
voltar a desejar.
Mas, infelizmente, não é recíproco.
Estamos em tempos diferentes...ou sei lá mais o que se utiliza como desculpa
para não se viver uma linda história de amor.
Se não me ama, eu me amo, me amo por nós dois.
E agora eu que me fecho para o meu autoamor.
Deixo então, para você, o seu silêncio que foi tudo o que me entregou.
No silêncio está a provação:
Portas vão se fechar;
Oportunidades irão escapar das suas mãos;
Pessoas que não se alinham a sua futura realidade irão se afastar;
Não tema, Deus está alinhando.
Nada é mais perigoso
que o silêncio que
existe entre
duas respirações
que se desejam.
O amor é o infinito
instante em que a
pele reconhece a alma.
Natal
Natal não é a data que aparece no calendário, mas o silêncio de alguém
que se aprende a escutar.
É pão repartido antes de ser explicado, é perdão antes de ser merecido, é a ética simples de um gesto pequeno que salva mais que discursos bem vestidos.
No ponto máximo da humanidade,
o sentido acontece.
Natal não termina à meia-noite.
Ele começa quando alguém escolhe ser luz num mundo mascarado de bondade, e o homem, por um instante, aprende que existir
é caber no outro.
Amar, depois do Natal,
é continuar o milagre de aprender
a partilhar quando o mundo grita.
Pai,
desde que partiste
há um silêncio diferente na casa
— um silêncio que tem o teu nome.
Ainda espero, às vezes,
ouvir os teus passos na porta,
como se fosses entrar
com o mesmo sorriso tranquilo
de quem sempre soube cuidar de tudo.
Faz-me falta a tua voz, pai.
Faz-me falta o teu conselho simples,
o teu abraço forte
que parecia dizer
que nenhum problema
era maior do que nós.
Levaste contigo tantas palavras
que eu ainda queria dizer.
Tantos dias que ainda queria viver
ao teu lado.
Mas deixaste tanto em mim.
Deixaste a coragem que me ensinaste,
o coração que me formaste,
e esse amor imenso
que nem a distância da morte conseguiu levar.
Há dias em que a saudade dói tanto
que parece não caber no peito.
E nesses dias eu olho para o céu
e imagino que estás ali,
orgulhoso, como sempre estiveste.
Sei que já não posso abraçar-te,
mas continuo a falar contigo
em pensamento,
como um filho que nunca deixou
de precisar do pai.
E prometo-te uma coisa:
enquanto eu viver,
irei cuidar da tua eterna amada:
a minha querida mãe,
e dos meus queridos irmãos.
Pai, tu viverás em mim
em cada passo,
em cada decisão,
em cada pedaço de amor
que aprendeste a dar-me.
Profundas saudades tuas,
meu querido pai.
Para sempre.
As minhas lágrimas
escrevem no meu rosto:
Amo-te, pai,
como sempre te amei
e como sempre te amarei.
Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.
Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.
Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.
O amor: ensina que nada floresce
sem silêncio, e quando verdadeiro,
é sempre uma espécie de primavera interior.
Coraçãmo-te
Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.
Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.
Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.
E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.
Amar-te em Silêncio
Amar-te em silêncio é ouvir o universo respirar dentro de mim, como se cada estrela
soubesse a tua madrugada.
E cada batida do meu peito é um trovão a chamar por ti.
Ardo no espaço onde
a palavra falha e,
nesse fogo que ninguém vê,
a tua presença é chama,
o teu corpo é vertigem
e eu sou apenas o que sobra depois de te desejar até ao limite do ser. Talvez aquilo que calo consiga confessar que te procuro
não nos caminhos do mundo,
mas nos desvios da alma,
onde cada dúvida é uma porta
e a tua essência é uma resposta.
No silêncio entre dois corpos nasce um campo magnético,
onde cada gesto é promessa
e cada respiração é caminho.
A pele torna‑se horizonte,
o olhar, uma mão invisível,
e o tempo verga‑se como tecido húmido à espera de ser moldado.
Há um tremor que não é físico,
uma vertigem que não é carnal,
mas que acende o coração
como se fosse chama a acender
as constelações da alma.
E quando o silêncio desaparece,
os gemidos tornam-se linguagem.
E o ar entre nós torna‑se incenso,
lento, quente, vivo.
Uma língua feita de luz,
que só dois sabem ler.
Uma liturgia de sombra e claridade,
onde duas almas se reconhecem.
No silêncio desta
noite nos prevejo
no giro do carrousel
dos teus abraços
e adorando os seus
beijos no melado
doce dos teus lábios.
Na galáxia dos teus
olhos profundos
navego ao ponto
de perder horas a fio
nos teus castanhos
e sublimes mistérios
de nossos desidérios.
É a lembrança do
que não vivemos,
porém sentimos
como já nós nos
conhecêssemos,
e silenciosamente
nos pertencemos.
De maneira mística
a sua presença
e a ausência capto
como estivesse diante
das minhas vistas,
Não fazes nem idéia
de cada sonho que
venho embalando
e reinaugurando
o Ano Novo a todo
o romântico instante.
A verdade nós dois
sabemos o quê já
está escrito sobre
tudo aquilo que
nos faz a cada
dia mais unidos
e mais absolutos.
“O silêncio não começa como paz;
começa como o lugar onde a alma
para de mentir para si.”
E talvez seja aí
que a reconstrução comece:
não no vazio calmo,
mas no caos lúcido
de quem finalmente aceita
morrer por dentro
para se construir de novo.
Estou cansado de conversar apenas com meus pensamentos e transformar minha verdade em silêncio.
Também não quero ser visto como caos só por dizer o que penso. É só isso.
Não podemos passar o que ainda temos de vida assumindo responsabilidades que não são nossas em nome de uma aliança. A vida pede parceria, não sobrecarga. Pede reconhecimento, não teatro. Pede que o significado de um para o outro seja visto sem máscaras, sem fuga, sem deboche, sem a covardia elegante de fingir que nada aconteceu.
É isso que dita o ritmo da escolha.
Porque permanecer não pode ser apenas resistir. Permanecer precisa ter presença, reciprocidade e verdade.
No fim, o amor não se mede pelo quanto alguém suporta calado, mas pelo quanto duas pessoas conseguem se enxergar sem transformar a dor do outro em ameaça.
Imprevisível
No silêncio da redoma deste quarto
Contemplo os jornais sobre a parede
As caixas espalhadas pelo chão
Valeu a pena mergulhar nesse feitiço?
A resposta da pergunta é quase um parto
Eu bebo pra aplacar a minha sede
Camuflando as ilusões do coração
Valeu a pena desejar um compromisso?
Você é a solidão que eu descarto
A lágrima que cai do olho verde
O beijo desprovido de paixão
Valeu a pena aceitar o seu sumiço?
O passado chegou como um infarto
Rompendo as fortalezas dessa rede
Fazendo-me soltar a tua mão
Valeu a pena me perder por causa disso?
O que não me serve, não me cabe
Cansei de dar palco
pra quem só fazia silêncio.
Cansei de regar chão seco
e chamar de jardim.
Não dou mais valor
pra o que não tem valor.
Não empresto mais minha paz
pra quem vive em guerra comigo.
Vou crescer.
Vou mudar.
E se doer, que doa.
Mas que seja a dor de quem está nascendo de novo.
Deixo no passado
o que não me acrescenta.
As palavras tortas,
as meias verdades,
o peso que não era meu.
E se acham que estão me derrubando,
que pensem.
Porque eu já entendi:
opinião alheia não paga meu aluguel,
não cura minha ferida
e não constrói meu futuro.
A partir de hoje eu escolho leveza.
Escolho quem me soma.
Escolho eu.
E quem não entendeu,
ficou pra trás.
