Poemas quando eu me Amei de Verdade
Me desculpe, mas eu não acredito no amor. Eu até queria acreditar, mas a vida vem me obrigando a fazer o contrário. Quando eu acreditei que seria sincero, acabei me deparando com o que costumo chamar de “decepção” ou “tapa na cara”. Sabe aquela escorregada que você precisa dar pra aprender a levantar? Então, é disso que estou falando. E tem sido assim. Não acredito no amor, não acredito nas pessoas, não acredito em mim. As pessoas não gostam de você pelo o que você é, elas gostam pelo o que você pode oferecer a elas. Costumam chamar de “desilusão” quando descobrem que o que queriam, você não pode dar e te descartam como objetos. Então, pergunto a mim mesma: o que move o mundo, o desejo de parecer ou o desejo de ter? Indago-me algumas vezes, percebo que sou incapaz de compreender. Ao menos sei que o que move o meu mundo é o desejo de ser, ser alguém que ama e acredita, confiante, que é amado. Mas, por enquanto, continua sendo apenas um desejo.
Eu nunca sei como devo reagir, nem um pouco. Todo mundo consegue administrar isso tão bem… Mas eu não. Assim como todos riem e choram… Eu só… não consigo fazer isso bem.
E eu me dei conta com uma penetrante sensação de desespero, que não havia jeito daquela criatura divina ter sido feita para viver ao meu lado.
Eu não quero repetir a minha inocência. Eu quero o prazer de perdê-la novamente.
Eu quero é a suavidade dos gestos simples, a leveza dos risos soltos, a delicadeza que almas bonitas trazem pra minha vida.
Que o fato de eu ter passado os últimos dez meses considerando seriamente essa proposta seja um testemunho de como eu amo desesperadamente esse cara.
Se eu chorar, não me faça muitas perguntas, não precisa nem secar minhas lágrimas. Só me diz que você continuará comigo pra tudo, que tenho teu colo e teu carinho. E ainda que te doa me ver assim, me envolva nos teus braços e diga que eu posso chorar, mas que você não sairá dali enquanto eu não sorrir. Porque é isso que nos importa, não é? O sorriso um do outro.
Mesmo que não tenha sido a sua intenção, hoje eu percebi que você, assim como eu, fez a sua escolha. E não fui eu. Ser mulher também tem disso, interpretar as entrelinhas, entender o que não foi dito. Mas que bom, porque meus braços já não aguentam mais remar sozinhos.
Se eu posso ficar triste e chorar sem motivo, eu também posso ficar feliz e rir sem motivo. Direitos iguais para sentimentos diferentes.
O que eu não aceito é ter nascido num mundo tão grande e conhecer só uma pequena parte. Vou voar. Quem conseguir compreender, que me acompanhe.
Eu carrego comigo uma caixa mágica onde eu guardo meus tesouros mais bonitos. Tudo aquilo que eu aprendi com a vida, tudo o que eu ganhei com o tempo e que vento nenhum leva. Guardo as memórias que me trazem riso, as pessoas que tocaram minha alma e que, de alguma forma, me mudaram pra melhor. Guardo também a infância toda tingida de giz. Tinha jeito de arco-íris a minha.
Eu já fui, já voltei, já tentei esquecer, já me iludi, já me decepcionei, já tentei. Já vivi de muitos "já" estou cansada de tudo isso me perturbar, estou cansada de tanto sentimento pra quem não merece nem se quer um calor do momento. Estou cansada de estar pra você, de estar pra pessoas que não merecem nem um pouco de mim, e quando a gente cansa, não quer dizer que fomos idiotas todo esse tempo. Quer dizer que fomos seres humanos, diferentes e capazes de aturar isso tudo e, por fim, tudo aquilo que me faz mal eu aprendi a jogar pro alto e dar só um sorriso e tchau!
Sabe, eu brigo com o espelho toda manhã. Eu mal consigo formular palavras a desconhecidos. Eu nem mesmo acredito na minha capacidade de marcar a vida de quem eu conheço. Meu complexo de inferioridade já me fez perder noites e noites de sono à procura de respostas para medos ridículos, muitas vezes inexistentes.
Se eu vou me machucar mais do que aprender alguma lição, deixe que eu descubra no final. E, no final, se der tudo errado, quero ver quem vai voltar pra ficar do meu lado.
Não sei o que se fez ou o que eu mesmo fiz depois. Sei, e isso com certeza absoluta, que não teve a menor graça. Desde então, tenho uns agostos por dentro, umas febres. Uma tristeza que nada, nem ninguém conserta. É assim que se começa a partir?
Eu sei que muitas vezes vai dar medo, em outras, você vai pensar em desistir. Mas mudanças fazem parte do cotidiano e são elas que nos ajudam a construir nosso alicerce. Experiência não é “papo de vovó”, não. Chega um dia que a vida te cobra e vai querer saber tim-tim por tim-tim o que você fez com os obstáculos que ela colocou. E aí, você é do tipo que topa qualquer parada ou da turma dos que pedem pra descer na primeira parada?
