Poemas quando eu me Amei de Verdade
Assim eu fui criado, se estivesse com bermuda ou camiseta, nem perto eu chegava do que era sagrado...
Com boné, nem pensar, pois seria um absurdo entrar na Igreja assim para rezar...
Uma reverência eu fazia, me curvava com respeito e devoção, mostrava apenas meu olhar, isso quando não me lembrava de alguma oração...
Tempos de fé e de emoção, de pedir a benção ao Padre, de dar valor em receber a Santa Comunhão...
Ao passar em frente a uma bela Igreja, em sinal de respeito, fazia um poderoso sinal com a minha mão, pensando em Cristo e em seu sagrado manto, em formato de Cruz: Pai, Filho e Espírito Santo.
DESEJO ABSURDO:
Eu desejei ser adulto, crescer e ser respeitado, entendido e valorizado...
Eu desejei ser adulto, para adentrar em outra realidade, ser um senhor de verdade, deixar o meu mundo de criança, para criar e poder modificar a minha própria esperança...
Eu desejei ser adulto, para abandonar a imaturidade, viver de forma séria, alterando a verdade, criando expectativas e modificado a minha própria realidade...
Que desejo absurdo, deixar aquele mundo de fantasias, de vitórias e conquistas, de descobertas e expectativas, de brincadeiras divertidas...
Ah, se eu pudesse no tempo voltar, desfazer aquele desejo de ser adulto e poder crescer devagar, aproveitar cada segundo e com a vida não me preocupar...
Que desejo absurdo, pois hoje crescido e adulto, sonho com o que tinha, pois tenho saudade das brincadeiras e dos amigos pestinhas, de chutar bola e apertar campainhas, de sair correndo e brigar na escolinha...
O que eu tinha era a verdadeira felicidade, por isso, mesmo adulto de verdade, me sinto ainda uma criança, pois o meu desejo agora, é de voltar para aquela realidade.
MEU EU
Em relação a sentimentos, eu sempre me entreguei demais, seja em relações amorosas ou mesmo de amizades.
Quando menino, eu me doava, minha vida de bandeja eu entregava, demais eu cofiava, deste modo, sempre acreditei em tudo, no amigo que dizia ser parceiro, na menina que dizia que me amava.
Por acreditar demais, as decepções vinham em dobro, de um lado, era o amigo que mentia, do outro, era a menina que me traía, deste modo, a vida, pouco a pouco eu conhecia.
Eu chorava, eu sofria, mas dia após dia, entre decepções e amarguras, eu crescia.
Eu chorei, em meu rosto a lágrima descia, era doloroso, dentro da minha alma, doía, era o mundo se apresentando, estava aprendendo com a vida.
Ainda hoje sou assim, acredito, confio e me entrego, mas tenho algo diferente, o que conquistei com anos de estrada, a experiência, algo que me deixou com a visão muito mais aguçada.
Vejo melhor e percebo a maldade, isto eu conquistei com a vivência da idade, não quer dizer que não me decepcione, pois esta fraqueza ainda tenho, mas não demonstro como antes, ainda choro, ainda sinto a dor, acredito haver em cada ser humano a presença do verdadeiro amor.
Meus sentimentos são os mesmos, mas a minha força e confiança, esta mudou!
(Jean Carlos de Andrade)
Eu andei léguas ansioso eu superei novamente meu medo eu consegui mover meus pés...
Nossa como estou orgulhoso de mim, eu coloquei de novo para fora eu consegui sabe, eu amei intensamente eu quis dar-te todo o prazer na cama beijei como deve-se beijar, abracei como deve-se abraçar, o Amor a ti bela flor perdi o pudor, perco tudo seja lá quantas vezes preciso for...
Mas me sinto impossibilitado pelo descaso isso me leva ao fracasso?...
BATALHA DAS IDEIAS
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Eu também quero me manifestar
Contra o que está a me incomodar
Neste País e também no Planeta
Uns marcham com gritos de guerra
Outros brigam como se fossem feras
E eu me manifesto com a caneta.
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Criticamos os desvios do erário
Nas construções dos estádios
De futebol para a Copa
Mas só tem direito de criticar
Aquele que se põe a gritar
Estando do lado de fora.
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Todo aquele que vai às arenas
É conivente com a triste cena
Do roubo do dinheiro do povo
Quem grita das arquibancadas
Não tem direito a mais nada
Além de considerar-se um bobo.
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Eu quero um País sem corrupção
No qual a pacífica população
Possa ter acesso às riquezas
Traduzidas na saúde, educação
Segurança, transporte, recreação
E ao bom alimento na mesa.
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Mas rechaço o oportunismo
De podres partidos políticos
Que promovem a baderna
Transformando as manifestações
Cheias de boas intenções
Em verdadeiros cenários de guerra.
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Todo ato violento deve ser reprovado
Seja ele do povo ou do Estado
Para que a vitória se eternize
Porque as lutas inteligentes
Fazem surgir nas mentes
As mais profundas raízes.
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Grite nas ruas e sussurre aos ouvidos
Ideias que criem conceitos definitivos
Mas que a nossa luta seja harmônica
E se lembre que a arma mais eficiente
Para mudar o que nos faz descontentes
É a poderosa urna eletrônica.
Às vezes viajo no tempo,
Às vezes é o tempo que viaja em mim.
Às vezes eu paro no tempo,
Às vezes o tempo também para para mim.
Às vezes dou tempo ao tempo,
Às vezes o tempo se esquece de mim.
Às vezes envelheço no tempo,
E o tempo sempre, sempre envelhecendo dentro de mim.
Poema de minha autoria:
LSS.
NA MINHA PELE
Eu vou aprender à ler pra ensinar meus camaradas!
Na minha pele,
Na sua pele
E na pele do Lázaro Ramos.
Racista, na minha pele vai além da empatia.
Na minha pele tem dor, história,
Mas também tem prosa e poesia.
Minha pele é IMPORTANTE!
Na minha pele não só se trata de cor,
Mas der ser negro;
Negro de pele clara, negro índio, negro árabe
E sobretudo: negro de pele preta.
Somos uma negritude, misturada com África.
Na minha pele ainda sinto o chicote do racismo; do racismo político, econômico e estrutural...
Salve, Mestre Bimba,
Luís Gama,
Cruz e Souza,
Mano Brown,
Hugo Damasceno,
Carolina de Jesus,
Rosa Park,
Luther King Jr,
Bob Marley,
Malcolm X,
Daniel Pintto,
Zumbi Dos Palmares,
Noel Barbosa,
Conceição Evaristo,
Emicida,
Maria Das Dores,
Djamila Ribeiro,
Seu Jorge,
Sérgio Vaz,
Antônio Almeida Machado,
Abadias do Nascimento,
Machado de Assis e etc.
Vocês são minha pele!
AH! QUE ME DERA.
Ah! Quem me dera
Eu tivesse um pouco
De Joaquim Maria
Machado de Assis!
Eu sou apenas um Machadin
Que tenta ser acunhado com a poesia.
Machado É de Assis.
E eu SOU de Jesus.
"Primo" Assis tinha cabelo cacheado,
E eu tenho o cabelo black.
Escravo e escrevo
Você corta uma rima minha
e eu escrevo outra poesia.
Faz escuro,
mas eu recito!
Trazendo uma ideia para um novo dia.
Escravo na senzala,
mas não deixo de ser poeta.
Escrevo, escrevo...
O arame quebrado
e eu continuo a jogar capoeira.
Até na gaiola o canto do pássaro não muda.
Deus me fez aprender
Eu lhe pedi paz,
Ele me deu conflito
para que eu conseguisse a paz.
Clamei por alegria
e Ele me deu momentos tristes
para eu poder entender
o real motivo de uma alegria.
Roguei por amor
e Ele pois no meu caminho
inimigos para eu amar...
Pedi, pedi tanto para eu ter paciência
e Ele me concedeu adversidades
para eu aprender a ser paciente.
Pedi sabedoria
e Ele me fez cair e levantar
para eu ser sábio.
Esse poema não parece poema
por não ser rimado.
Mas é um discernimento que lhe passo
de que Deus não lhe dará nada
se não por maus bocados.
A árvore da ignorância
Precisa do Machado
Pra ser cortada.
Para que haja luz
Do conhecimento...
Eu sou uma mistura de
Machado de Assis e Carolina de Jesus.
Eu não crio poesia.
Ela já existe.
Eu apenas ajeito os versos.
A poesia está no sentimento quente,
Na arte,
E no amor ardente.
"AUTOBIOGRAFIA TALVEZ".
Ah, se eu pudesse nascer de novo; eu queria ser eu mesmo: Antonio Jose Machado de Jesus (sem nenhum acento mesmo). Apelidado de Toín, Goi, Totoin, Toton, Machado, Nêgo, Preto e Poeta.
Filho de Maria Das Dores Gonçalves Machado e de José de Jesus Machado. Neto de Antônio Almeida Machado, Maria Da Hora Gonçalves de Jesus, João Gonçalves e de Maria de Lourdes Saturnino Machado. (os sobrenomes são iguais, todavia, não são parentes). Eu queria nascer 10 de Dezembro, na fazenda Muribeca, em Santo Amaro da Purificação, mesmo.
Eu queria ser esse camarada tranqüilo, que não sorri muito com os dentes, e sim, com a alma. Que sonha em ser professor de Língua Portuguesa. Ah! Se eu pudesse nascer novamente, eu queria os mesmos amigos. Os mesmos professores. Os mesmos irmãos. Morar nas mesmas cidades. Estudar nos mesmos colégios. Que privilégio, eu seria "Um taco de um verso de Machado de Assis, e o outro taco, de Carolina de Jesus". Eu nasceria artista de novo! Se eu pudesse, eu reencarnaria nesse corpo negro, magro, e dourado pelo só do sertão. E com esse cabelo crespo. E a malandragem de um bom reconqueiro. Eu séria capoeirista, e sobretudo, discípulo de Jesus Cristo.
Pena que a vida é só uma... Entretanto, eu busco ser eterno. Eterno na literatura, falado nos lábios dos homens, até maus... Recitado e vestido pelo meu povo negro. Pra mim isso tá bom...
MEU CORPO ÉS UM POEMA
Eu não acho
Feio um corpo com estria.
O corpo é um verso.
E qual é o poema que não tem linha?
Infelizmente tem o analfabeto funcional
Que não sabe interpretar uma poesia.
SB
Quem tem boca, vaia Roma.
Conheci a cidade de: Santa Bárbara
Que coube no meu poema.
Mas eu não queria, camarada!
Cidade do requeijão.
Cautela, nem só de pão
Vive o homem.
Ouvi barrigas rugindo de fome.
Enquanto a burguesia fazia ceia.
Não, não existe amor em SB.
Eu como poeta,
Passeando por ela,
Encontrei: Poeta e Poetisa sem inspiração pra
recitar poesia.
Crianças amontoadas numa sala,
Porque sua escola tinha sido fechada.
E o professor com seu diploma na mão.
Esperando a próxima eleição.
O político Judas passando na casa do povo: abraçando e beijando,
E comprando seu voto com cesta básica, ou com um trocado.
O ferreiro, o vendedor ambulante; só ganha o de comprar o
seu pão.
O sambista com a coluna entrevada, pois não pode mais sambar.
O cantador de viola,
Agora passou a cantar arrocha.
Não encontrei um museu.
E a biblioteca que tinha, com os livros empoeirados.
Já vi que o artista nela não é valorizado,
E nem a cultura popular!
A censura aqui é disfarçada.
Fui no hospital, e vir a saúde na fila de espera.
Vi também; homens lavando carro, na beira da pista, por não terem emprego.
Na praça Donato José de Lima,
Encontrei vários artistas, vários;
Sem poderem exercer sua arte.
E esperando o São João para vê
um artista de outra cidade.
Coitada da Santa Bárbara,
Terá que fazer mais milagres.
-Agora, aonde se encontra o dinheiro público?
-Está guardado para o mês de outubro.
-Quando eu acordei, tudo isso não se passara de um sonho.
O amor platônico me deixa perdido,
Por não ser achado por quem eu amo.
Meu peito dói tanto
Pelo fato de não ser correspondido.
Não é uma dor que me mata.
É uma dor que me abraça,
Que me arde por inteiro,
E eu ao mesmo tempo, sinto-me bem.
Por saber que, mesmo sendo ser humano
Eu consigo amar alguém.
Trecho de um poema do meu livro: Dom Amaro.
AO NOSSO JORGE
Eu sou o sol da Jamaica,
Sou a cor da Bahia.
Eu sou você, sou você (sou você),
E você não sabia.
(Jorge Portugal & Lazzo Matumbi)
Jorge Portugal é o nosso Jorge Brasileiro, Santamarense. Nasceu em Santo Amaro da Purificação-Ba. Meu conterrâneo. Quem nasce nessa cidade é Caeta-niesse. Jorge foi o primeiro professor que me despertou para à língua portuguesa e à docência. (Pretendo estudá-lo no meu TCC) Jorge com sua voz grave, e que dava ênfase na última letra que falava; era um grande poeta: a música ‘A Massa’, ’14 de Maio’, são pura poesia. Escreveu livros, dentre eles; ‘Por que o Subaé não molha o mapa’, ‘Redação assim é fácil!’.
Um grande professor, um agitador cultural, letrista e compositor. Assistia-o quando era apresentador do programa ‘Aprovado’. Hei de sê-lo seu admirador até a consumação dos séculos. Na pandemia da Covid 19, o Brasil e mundo estavam de luto. Mas, num dado momento, Santo Amaro chorou rios de lágrimas com a partida de Jorge. Nosso cavaleiro. Que matou o dragão da alfabetização, da ignorância...
Jorge que não era São, nem Seu, nem da capadócia; mas Nosso. Escreveu à Santo Amaro de Jorge Portugal. O primeiro amor passou, o segundo também passou, mas Nosso Jorge Portugal é eterno. Existe uma Bahia, uma santamaro pós Jorge.
Jorge Portugal partiu no dia 03 de agosto de 2020.
E se vivo estivesse, no dia 05 de agosto, faria 67 anos.
No início, ninguém acreditava que eu conseguiria.
Me olhavam como mais um tentando vender casas.
Mas eu não vendo casas. Eu apresento futuros.
Em cada atendimento, deixo um pouco de mim: meu respeito, minha escuta, meu compromisso.
Já fechei contratos às pressas e também com lágrimas nos olhos.
Porque a venda é só um detalhe. O que importa é saber que alguém vai dormir tranquilo, grato por aquele novo começo.
E nisso, ninguém me ensina. É dom. É entrega. É missão.
