Poemas para Fita de fim de Curso

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⁠#QUEM ?

Quem me deu asas para sonhar?
Quem olhou em meus olhos e me apontou a direção do céu?
Aos astros me ensinou a olhar?
Quem me deu o mundo e as suas ilusões mortas?

Me pegou pela mão e junto a mim caminhou...
Corremos em verdes prados e na esquina me ensinou a decepção?

Quem roubou meus beijos?
Encheu-me de desejos?
Brincou com meus sentimentos?
Jogou-me ao esquecimento?
Dizendo me amar?

Quem me envolveu e não sabendo o que sentia agora também não sabe o que sou?
Quem muito me mentiu e causo-me tamanha dor?

Quem foi que me fez entregar-me de corpo, alma, coração aberto?
Me ensinou os caminhos do amor...
E agora...que tudo acabou...
O pouco que me resta...
O pouco sou...

Tenho fome, tenho sede do infinito...
E escondendo o meu grito...
Descobrindo a esperança, Descortinando a mentira...
Não sei por onde ando e nem para onde vou...

Sandro Paschoal Nogueira

facebook.com/conservatoria.poemas

⁠#SONHOS

Abro a minha janela...
E olho o infinito céu suspirando...
E peço licença para poder sonhar...

Sonhar em que eu tudo possa ser...
E com meus desejos assim sonhando...
Assim quero viver...

Quero me vestir de estrelas...
Nas alturas, entre às nuvens, poder me esconder...
E seguirei tecendo meus sonhos...
Um mistério a resolver...

Que a vida tenha mais cores...
Que seja uma tranquila fonte...
Onde a mentira não perdura...

E a verdade sendo límpida e bem tranquila...
Sem receios, sem pudores...
Não nos machuque por às vezes ser tão dura...

Quero pegar os raios de sol...
E onde reina a escuridão eu o plantar...
E fazer a esperança estender suas asas...
Assim como sonho...
Que você também possa sonhar...

Não me importo em saber...
Quantas guerras terei que vencer...
E, assim, que seja lá como for...
Quero ver sempre triunfar o amor...

Que a felicidade seja bem doce...
E apareça para todos aqueles que choram...
Que o futuro seja mais brilhante...
Só vivemos uma vez...
Só temos uma chance...

A ilusão quando se desfaz...
Dói no coração de quem sonhou demais...
A vida é tão curta...
Precioso diamante...
E o belo um dia também morre...
E sonhando como sonho agora...
Alcançaremos a eternidade...

Sandrinho Chic Chic

facebook.com/conservatoria.poemas

⁠#ALTURAS

Vagueia o poeta em sonhos...
Fita o céu, em reflexos, das mais variantes cores...
Lá onde os violoes choram...
Louvando a vida e os muitos amores...

Se um sonho se ergue...
Outro sonho cai...
E nesse eterno vai e vem...
O tempo passa e vai...

Desgraçado do poeta pobre...
Cujo em vida o túmulo o cobre...
Não amou...
Não foi amado...
Pela vida passou...
Ignorou e foi ignorado...

Em redoma ilusória...
Fechou-se em falsa glória...
E agora que o amor se foi...
Ninguém há de contar sua história...

O luar no céu se apagou...
As estrelas todas tombaram...
A terra abriu sua garganta...
E o poeta foi engolido...
E agora aqui, no que lhe digo...
Esse vazio medonho me espreita...
O poeta que um dia também sonhou...
Agora jaz na sarjeta...

Estrela d'Alva...
Imaculada e pura...
Faz-me novamente sonhar...
Erga-me às alturas...

Sandrinho Chic Chic

facebook.com/conservatoria.poemas

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⁠#AGUARDO

Na solidão em que sonho contigo...
Saudades dos belos dias...
Sigo agora o meu peito a doer...
Só pelos seus olhos...
Eu posso viver...

Ao menos resta ao sonhador o consolo...
De suas mãos dentro das minhas...
Suspiros, arroubos de nossa paixão...

É doce amar como os anjos...
Se aqui fomos amantes...
Seremos uma única alma no céu...

Se um dia tiveres saudades...
Sabes que desde já estou aqui...
Aguardo noite a noite a lua triste...
Aguardo você em mim...

No amor basta uma noite para fazer de um homem um deus...

Sandrinho Chic Chic

facebook.com/conservatoria.poemas

.

⁠#BALANCEIO

Sou só...
Um silêncio de olhos vendados...
Cego caminhante...
De uma, duas, mil vidas...
Em erros passados...

Escondo-me...
Não porque quero...
Mas porque temo...

Sonho...
Ah...
Como eu sonho...
E me perco...
Disfarço meus desejos...
Não são puros...
Torturam meu coração...

Seu olhar sobre meu corpo...
É chicote que me fustiga...
É sofreguidão...
Que me alucina...

Não mudo...
E por você...
Me deito no chão...

Me invade...
E feliz choro...
Me entregando...
À sua devassidão...

Giro e reviro...
Arranho o chão...
Mordo meus lábios...
Enquanto lhe dou meu coração...

Amando num balanceio...
Tenho na pele o cheiro do amor...
Em você procuro aquilo que não tenho...
Enquanto satisfaço o seu anseio...
E esqueço...
A escuridão de meu peito.

Sandro Paschoal Nogueira

Caminhos de um poeta

.

⁠#SONHO

Sonho absurdo...
Chamado realidade...
Desprevenido menino...
Diante mundo de maldades...

Deixe-me ver a vida...
Tal como eu queira...
Afaste de minha essas sombras...
Que me fazem chorar...

O mundo não se modifica...
E às vezes viver cansa...
Os homens são os homens...
E os ignorando...
Teimo em sonhar...

Teimoso em viver...
Ninguém vê minhas lágrimas...
Mas eu choro ...
Confiante e ansioso por mais querer...

Melodia de silêncios...
Em meus ensandecidos pensamentos...
À procura do eterno...
Perdido...
Sem nada saber...

Tão longe de mim...
Onde meus sonhos estarão?

Paschoal Nogueira

facebook.com/conservatoria.poeta

⁠#Não #há #mais #nada #a #dizer...
Alem de um sonho...
Pintar e escrever...
O que mais pode ser?
Grande mistério é a simplicidade....
Palavras soltas e cores misturadas...
Meu mundo...
Cheio de mistérios ...
Cabem sonhos de todos os tamanhos...
Mas não cabe muita gente...
Tem espaço para a alegria...
Tem espaço para saudade...
Tem espaço para dor...
Tem espaço para felicidade...
Assim vou vivendo...
Um dia de cada vez...
Beleza da vida faço aqui...
Sou de todas as cores...
Sou de todos os tons...
Assim sou eu...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Dono de quê?
Se nem dono de mim eu sou...
Sonhos confusos...
Almejando ao coração ressuscitar...
Com tão pouco tempo a pensar...

Devaneios em barcos de desejos a qual me entrego...
Só assim me reconheço...
Quando a vida com o látego me fustiga...
Finjo não ver a realidade sentida...

Na pura ausência das coisas...
Um palco: eu e a lua...
O terror de pensar no fim da peça...
Louvando por estar em cena...
Ainda...

Mas o futuro insiste e persiste...
Em rasgar as cortinas...
Escurecer as estrelas...
Devorar a noite...
Massacrar o dia...

Na arte de perder-se não há nenhum mistério...
A cada dia um pouco perdemos...
Embora, até o momento, não percebi o quanto tenha mudado...

Quem me quiser que me chame...
Ou que me toque com a mão...
Antes que a peça termine...
E só reste silêncio e escuridão...

Sandro Paschoal Nogueira

facebook.com/conservatoria.poemas

⁠Qual é a flor do sonho?
Noite de lua cheia...
Um violão...
Uma seresta...
Ter sempre um ombro amigo...
Um cafuné a ser recebido...
Viver sem inimigos...
Estar com Deus e Deus estar contigo...
Dormir ouvindo a chuva...
Ver voando as aves do céu...
Um bilhete de amor esquecido e encontrado...
Em um velho pedaço de papel...
O tempo é algo que não volta atrás...
Ter boas recordações...
É bom, muito bom, demais...
Todo jardim começa com um sonho de amor...
Quem não tem um jardim na alma...
Sofre com dor...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Tu me procuras em seus sonhos...
E eu te guio em todos meus pecados...

Teus desejos afogam-se em taças de vinho que as bebo vagarosamente...

Retiro-me despido de anjo...
Embalando tuas vontades como uma serpente...
Distorçendo tuas verdades...

Brinco com tua alma...
Te convidando ao meu íntimo abismo...
Te enlaço em meu olhar...
E no instante de um tempo...
Não perdido...
Mostro-te meu veneno...
E o que sinto...

Um só caminho é o bastante...
É o suficiente...
Para te mostrar que posso ser recatado e indecente...
E pode ser que derepente...
Te conquiste...
E nos amemos eternamente...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Não eras para minha vida...
Não eras para os meus sonhos...
Não eras para os meus cantos...
Não foste digno de meus prantos...

Não eras o lume de meu coração...
Não eras o brilho de meu olhar...
Foste apenas decepção...

De todos os encantos...
Não quisestes fazer parte...
E hoje, sem nenhum alarde...
Vi que não fostes nada...
E nada fizestes para ser meu tudo...

Passaste em vão...

Não fostes feito para meus abraços...
Para nossos corpos entrelaçados...
Não comungamos em ardor...
Carinhos não me destes...
Não era para ser amor...

Tu nem mesmo fostes um vento...
Que em algum momento...
Beijou-me e mostrou-me a direção...

Tu foste apenas...
Para aqueles que te queriam um pouco...
Enquanto eu te quis tanto...

Hoje és sombra...
Sombra de nada...
Vulto sombrio...
Que vaga entre tantos tais como tu de alma deserta...

Meu último conforto...
Agora...
Apenas o frio...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Noite à fora...
Sobre uma navalha...
Ó divina esperança...
Sonho de criança...

O tempo a criar silêncio...
Tornando o sonho poeira dos tempos...
Poço imenso e fundo...
Que engoliu meus desejos...

A ver no mundo seco a seca realidade...

Dos ébrios jogados à sarjeta...
Das matronas em penunbras das ruas da esquerda...
Dos pederastas em gargalhadas...
Disfarçando as lágrimas não jogadas...
Das mocinhas vendendo favores...
Em troca de licores...
Daqueles que só encontram alegrias...
Quando deixam suas garrafas vazias...

A vã loucura a moda é prima-irmã...
Mas quando vem o senso erguer-lhe os densos véus...
Desse desgosto...
Livrai-me Deus...

Salvo o meu desejar...
Teço beleza em tudo...

No hálito podre de um sugismundo...
No idoso porchetta...
Em quem que com qualquer um se deita...

Nessa langorosa magia...
Sob a lua que irradia...
As torpes paixões...

Sigo para meu descanso...
Aguardando, quiçá ...
Outro dia...

Valei- Deus...
Ou quaisquer outros guias...
Fim de noite...
Madrugada fria...

Eu próprio me interrogo:
– Onde estou? Onde estou?
E procuro nas sombras enganosas...
Sob essas horas mortas...
As mesmas coisas repetidas...

Inúteis os sonhos e as amarras
que nos prendem ao cais...
Mas quem sou eu que não escuto meus próprios ais?

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Um dia, talvez, haverá novos sonhos...
Ouvirei com encanto alguém que não conheço...
Para mim será o começo de tudo...
O começo de um novo mundo...

Agora para mim já tão frio e já tão tarde...
E sem fazer nenhum alarde...
A minha alma não descansa...
Não sou nem mesmo uma lembrança...
Uma esquecida sombra que ninguém repara...

Todo o amor é desejar...
Embora se viva às avessas...
Se o tempo troteia...
E pesa como uma estrela...
Quão afortunados são os amantes...
Quão infelizes os ignorantes...

Estranha cousa esta...
A ventura de querer ver-te bem...
Mãos de renúncia...
Mãos de amargor...
Ao perder seu amor...

Semente divina...
Que só n’alma germina...
Exalta o viver...
Em doce tortura...
Ai amor...
Que sorte de quem tem você...

Repara...
Aqui eu sem luz e sem vida...
Quando, alta noite, me reclino e deito...
Clamo por ti...

No vazio do meu leito...
Só o silêncio...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Sonhos estão fora de moda...
Construir castelos sem nos ventos pensar...

Mas não desisto...
E sigo...
Lá vou eu, nas minhas tentativas...
Quero mais é sonhar...

Tiro um arco-íris da cartola...
Abro minhas asas...
Caminho sobre as estrelas...
Vivo com desejo de amar...

Neste mundo de liberdades...
Em que tudo pode, tudo é permitido...
Tudo que se começa...
Já tem hora para acabar...

Sou pessoa de dentro para fora...
Quando sonho, sonho alto... Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar...

O problema em ser intenso...
É que intensidade assusta, afugenta, oprime...
Quem tem medo de se dar...

Amanhã, já me reinventei...
Não me dou pela metade...
Não desisto de sonhar...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Deus quer...
O homem sonha...
A vida imita a Arte...
E a obra nasce...

As tormentas passam...
O mistério se cria...
Finda a noite...
Aurora se anuncia...

O homem é pequeno...
Sua alma divina...
Os sonhos alguns haverão de ter...
Enquanto outros põe tudo a perder...

Da sorte incerta...
Manda a vontade...
Do destino que é dado...
Tudo vale a pena...
Se a alma não é pequena...

Quanto mais o tempo passa...
Mais me afasto da razão...
O amor é um feitiço...
Mostrando-nos coisas tão sortebelas...
Até que se conheça a traição...

Não tente apagar toda a dor do mundo...

Outros haverão de ter...
O que houvermos de perder...
Porque nisso está a verdade...
Até para quem não quer ver...

Nós podemos viver alegremente...
Não sei que abismo temo...
Mas sei que não podemos perder a nossa fé no Supremo...

⁠Talvez sonhasse...
Com um mundo mais culto ...
Porém menos chato...
Com pessoas que exercitassem o cérebro...
Com o mesmo afinco que fazem com seus músculos...
Diante os espelhos...
Entre as latrinas...
Nós diversos banheiros...

Ranger de nevoeiro...
Terra de escravos...
Roupas justas...
Espíritos vazios...
Para que prego?
Para quem falo?

No fundo da virtude...
A terra é triste...
Olhos opacos...
Sorrisos sem graça...
Mãos que gesticulam...
Sem nenhuma dádiva...

Tempos estranhos...
Tempos esquisitos...
E eu que a tudo observo e sinto...
Fico perdido...
Não me acho...

Eu cavo na vida a semente da libertação...
Esquivo- me de falsos abraços...
De nojentos apertos de mãos...

Partes perdidas de um só...
Que a razão despedaçou...
As aparências tornaram-se mais importantes...
Todos querem respeito...
Anseiam ao amor...
Mas estão todos perdidos...
Caminhando em direção ao abismo...
Cada um por si...
E tão só...

Deixo no ar...
Atrás de mim tão distante...
Os desejos de uma vida mais simples...

Plantar...
Cultivar e colher...
A verdade...
A sinceridade...
O amor tão escasso...
Hoje fadado ao fracasso...

Não há como encher a taça...
Tudo perdendo a graça...

A inocência é corrompida...
A dúvida disfarçada e mais sentida...
O purgatório decorado...
O túmulo é bem caiado...
Mas por dentro...
O mais fétido excremento...

Envelhecer é triste...
Não há novidade...
Tudo é tão repetido...
Até os sentimentos...
Nada se encontra...
Tudo é outrora...
Tudo já é perdido...

Há uma vaga brisa...
Soprada pela esperança de anos vividos...
Doçura dolorosa...
Independência da alma...
O mistério alegre e triste de quem chega e de quem parte...
De que sorri...
Enquanto a alma chora...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠De que te serve o mundo que desconheces?
Talvez, acabando, comeces…

Fazes falta?
Enfim fica triunfante da dúvida a tirania...
A sorte sem piedade...
Passando por ermas noites...
Renovando todos os dias...

Há momentos que são quase esquecimentos...

Prometem-me uns vãos cuidados...
Promessas de outros mundos perdidos...
E assim consigo...
Possuir em sonho o que morreu...
Fingir que tudo está bem...

Mas para quem finjo afinal?
Por que enganar-me nesse mal?
Medo do vazio...
Ou do que não é preenchido?

Mas olha, tal qual é...
Que pouco ou muito é dito...
Não sei se sei o que digo...
Tem hora que nem sei o que sinto...

O segredo da vida é a inquietação...
Ser isto ou aquilo ou então não ser...
Perguntas sem
resposta...
Onde em cada instante...
Pensar é não compreender...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Por que vieste?
Já nada é o que foi...
Conheço os começos...
E sei como serão os fins...
Rasgas-te o meu peito em pedidos...
Disses-tes a mim o que há muito não ouço e nem sinto...
Destes a minha vida novo sentido...
E partis-tes deixando-me sem abrigo...

Ah...
O medo vai ter tudo...
E cada um por seu caminho...
Minha vida em desalinho...
Sem ti...
Agora tão sozinho...

Vida parada antes de ti...
Eram inúteis e magoadas as noites da minha rua…
Já me bastava tudo isto...
E com tão pouco importava-me...

Me custa acreditar...
Que infelizmente eu não posso amar...
Sou a cada instante o que já não sou...
Mas tu vieste...
E acendeste a chama...

Agora sou saudade...
Ânsia do longe...
Alma sonâmbula...
Cada parte minha permanece quieta...
Vivendo apenas no sonhar...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Talvez seja breve...
A recordação de um sonho...
E um desejo pontuado de estrelas...

Talvez seja breve...
O barulho que fazem os sentimentos...
A lógica do presentimento...
A razão perdida...
A dor da ferida...

Talvez seja breve...
O agora donde se murmura a vida...
A chegada...a partida...
A glória e a ruína...

Talvez seja breve...
A memória acalentada...
Ou a memória sendo esquecida...

Talvez seja breve...
A paixão não correspondida...
O amor jurado ser eterno...
A dor do peito...
O flagelo...

Talvez seja breve...
A falsa ou verdadeira promessa...
O brilho de uma jura...
Feito em dias claros...
Ou na noite mais escura...

Talvez seja breve...
A alegria ou a tristeza...
A maldade de uma língua...
O bem e o amparo de mãos sofridas...
O medo e talvez o desejo do desconhecido...
Talvez mais breve seja o espamo de um grito...

Talvez seja breve...
O tempo que escoa...
A doença que se avizinha...
A morte que clama...
O silêncio que murmura...
O convite ou a recusa de deitar-se na cama...
O momento de se achar tudo perdido...

Mas que não seja breve...
O seu olhar sobre mim...
Seguido por um sorriso...
De que estás a pensar...
1001 maneiras de poder me amar...
Que me alegre...
Que não consegues disfarçar...

E se tudo que foi breve...
Que muito tenha valhido a pena...
Pois é vivendo que se aprende...
E aprendendo que se vive...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠De tudo houve um começo...
De asas abertas...
Alguém que nunca voou...

Rios que perdi sem os ver chegar ao mar…
Tudo o que guardo...
São muitas palavras de ilusão...

Quando eu sonhava de amor...
Quando em sonhos me perdi...
Eternamente em fuga como as ondas dos mares...
A ti mostrei o meu olhar...

Mas serei sempre o que sou...
Meu destino esconde-se entre a bruma...
Achando sem nunca achar o que procuro...
Onde tenho a alma...
Mãos alheias não tomam...

O amor eterno que te ouvi jurar?...
Diga-me, agora, onde está...

Mãos de renúncia que não puderam me entender...
Este abandono custa...
Poque estou contigo e tu não...

Mas não sei trocar a minha sorte...
Quando o que há é só o agora...
Como existir no esquecimento?
Fugindo com o vento sem ter onde pousar?

Sandro Paschoal Nogueira