Poemas Nao quero dizer Adeus
Ainda vendo você
como a miragem
de um paraíso perdido
em meio a primeira
Lua Cheia do ano
num rumo sem receio
que para nós antevejo.
Parece que foi
ontem que cruzastes
o meu caminho
com teus akhal-tekes
de fogo hipnotizados.
Busco por antecipação
fixar extensos territórios
que serão todos nossos,
Onde haverão pedágios
feitos de beijos, abraços
que vão transitar livres
nos recônditos espaços.
Ombros, quadris,
Norma et Regula que
em ritmos inequívocos
têm nos beijado e revela
em passos cadenciados
um futuro que nos espera.
Desta vez sem erro
me propus a jogar alto,
porque a felicidade
nos encontrará cedo
ou tarde livres do medo,
É só questão de céu
e mar aberto porque
de ti sei que já pertenço.
Você me traz para dentro
quando me distraio
com este mundo sombrio,
e me faz esquecer de tudo.
Como o Sol entretendo
a Lua Cheia no Universo,
me tocas do jeito certo
e ocupa o pensamento.
Você me seduz do alto
com encanto, salto
e este jeito macio
de se tornar a urgência.
Como Galáxia Circinus
me cobrindo de carinhos,
te quero meu e rendido
com toda a competência.
Você me coloca no peito
anjo lindo, bom e divino
sempre para me acalmar,
és ímpar para ser meu par.
Como fios convergentes
e Aglomerado do Esquadro
em breve longe do passado,
juntos estaremos lado a lado.
Nada desta tragédia humana
nunca nos vestiu, a carapuça
não nos pertence: prevenidos
preservamos o melhor da gente.
Alfa Centaurídeas
no lado esquerdo
do Cruzeiro do Sul
hão de chover
do início da noite
até o amanhecer.
Pendurei cada verso
e minh'alma de cordel
no varal do Universo,
porque não quero
voltar a pisar em falso.
Porque não quero
que meu coração
de novo tropece
por quem não merece.
O amor verdadeiro
haverá de aparecer
em tempo previsto
e antes das treze luas
cumprirem o ciclo.
É assim que eu desejo,
e d'um lindo jeito será:
constelação tu me pertencerá.
Foi Deus quem criou a Terra,
Deus criou o Universo,
Ele criou o Homem,
E criou o anjos
Para proteger a criação,
Deus criou o amor e a paixão,
Para morarem no teu coração.
Os anjos nascem com asas,
Outros nascem com asas
- mais discretas.
Há quem duvide que eles existam,
E também que nas duas asas acreditam,
Quem disse que anjos só têm duas asas?
É porque nunca repararam nos anjos
que nasceram com quatro patas.
Genealogia das estrelas,
Sideradas Pinceladas,
Filha de Rosana,
Galáxia iluminada,
Genealogia Cósmica,
Artes Plásticas,
Epistemologia dourada,
Sinfonia dos cometas,
Giram os planetas,
Rosas perfumadas,
Não menos silenciadas,
Todas frondosas,
E desabrochadas,
Místicas ocultadas,
₢ores misturadas,
Todas afinadas,
Todas retratadas,
Genealogia cósmica,
- declarada -
Da artista plástica,
Poetisa,
Cheia de glória,
Contadora de histórias,
Criadora de versos,
- repletos -
De vidas próprias,
Vidas mitológicas,
Surreais lógicas,
Artísticas trajetórias,
Exaltando memórias.
Melodia llanera cantada
para todo o continente,
que em sinal de gratidão
devemos honrar quem
sempre cuidou da gente.
A ironia do destino acena,
que cada um não tema,
e levante uma bandeira
de honra e defesa
para mudar o destino
que foi pelo rumo
que não deveria ter ido.
Entregue nas mãos de Deus,
mas não deixe de fazer
a sua parte pela História,
Ele sempre contempla
por quem busca a glória,
por isso peça que se abra
as portas das cadeias
para a sacrificada tropa.
Venerando a liberdade
em todas as instâncias,
Na voz da esposa
do Tenente Coronel
que está desaparecido,
E presente na voz da esposa
que não pode sequer
se pronunciar e ela
nem sabe que eu existo,
mas por ela sinto:
Na voz do pequeno filho
que ainda nem tem
vocabulário para falar,
E assim sou a voz
dos que não
podem ter voz,
mas justamente
todos estes me têm;
Eis me aqui a reivindicar
junto a sua consciência
para que coloque toda
essa história no lugar,
Inclusive, sou contra o feroz
bloqueio que não deveria
nem ter começado,...
Cadê a liberdade do General
que nem deveria
seguir aprisionado?
Enfim, superam cinco
centenas de discordantes
pelos cárceres,
os militares em mesma
situação há confronto
de cinco dados,
mas superam
a duas centenas;
Não dá para esperar
para trabalhar
por um país reconciliado.
Dedos apontados
para quem
se encontra
injustamente
fragilizado
porque preso
foi levado,
o destino
costuma
lecionar
a quem
'interessa'
de um jeito
preciso,
não esperado,
e jamais superado.
Não procure
provocar
aqueles que
buscam
teorias
estranhas
no subsolo
da moral,
aplaine caminhos
e apenas peça
para as estações
do tempo as conduzir,
e a solene sabedoria
do vento as carregar.
Não há o porquê
nenhum tipo
de contenda travar,
esse tipo de gente
nas próprias tramas
irão se enroscar,
porque cedo ou tarde
a vida mostra
que é assim,
enquanto vendem
aquilo que não são,
há gente cantando
na travessia,
e muitos plantando
flores no jardim
a espera do novo dia raiar.
Tudo consta que eu errei,
mas ainda prefiro pecar
pelo excesso de humanidade,
assim vou exigindo
que contem tudo sobre
a verdade, porque não
sou e nunca fui
de fácil convencimento.
Ariana liberada,
em condicional está
a liberdade,
e deixo bem aqui
a perplexidade:
a história da Capitã
está mal contada,
dizem que o filho
não foi preso,
Nina não
foi extraviada,
e ela tampouco
foi torturada.
Dizem que o único
prejudicado foi
o pobre cirurgião,
aonde está a nobreza
dessa gente que diz
que é cheia de coração?
Sigo no meio
das Mães e esposas
perseguidas
pela opressão,
quero a base
da poesia abrir
as portas da prisão.
Tudo mostra que
o desvio tem
sido certo,
falam de tudo,
menos do centauro
preso injustamente,
atitude de gente
que não me convence,
atitude de quem quer
apagar a injustiça
contra um homem correto.
Quintilis deu o seu
sinal inaugural,
abrindo as cortinas
para o próximo
capítulo e as luzes
pouco a pouco
estão sendo acesas,
não negue a justiça a lei,
se és mesmo de fina grei.
Não me negue jamais
a verdade à história,
para os poetas o quê
vale não tem a ver
com poder ou dinheiro;
e sim com a verdade
o fim da agonia,
a glória e liberdade,
a poesia sempre será
infinitamente maior
do que a crueldade.
Poesia para quê?
Para libertar
o centauro,
E todos os que
estão em cativeiro,
Poesia que grita
que a guerreira
Não recebeu trégua,
ela se encontra
Absurdamente presa,
e foi agredida.
Na tribuna
toda a poesia
que nesse mundo
há gostaria
ter seguido
com as esposas
e as famílias,
e sobretudo
ter recebido
a palavra,
mas como é
feita de letras
ela é como
a chuva caindo
no guarda-chuva
respingando
para se espalhar,
ela não para
jamais por aí,
e não há mais
como segurar.
Desde que se apossaram
do mar da Bolívia,
Eu estava lá só que
ninguém me via,
Bem no meio antiga
da tropa eu havia
sido escrita e escondida.
Fui revelada só agora
que não vou me contentar,
Enquanto não me devolverem
o General, a tropa e o mar,
Não vou parar um só dia
de espalhar a minha poesia
por todo e qualquer lugar.
Nasci sul-americana
e nenhum de vocês
a mim não me engana.
Estou espalhada pelo ar,
nasci na serra e cresci
bem no meio do mar.
Dirijo-me ao grande pátio
da vida para dialogar
com a América Latina,
há muito tempo tiraram
o mar da Bolívia,
nós sabemos muito bem
que para dominar um povo
se começa enfraquecendo
o seu território
a defesa e a polícia.
Gostaria de ser iludida,
a visita dos advogados
do General foi suspendida.
Em prol do mar,
da tropa e do General,
fazendo poesia reunida
no raiar dos giras(sóis) da lida.
Segue Juan há trinta
horas desaparecido,
Lorent não foi esquecido.
Em nome da fé
e daquilo que acredito,
dou meus versos à multidão,
porque não quero o meu
povo escravo e vendido.
Quem pensa que eu deixei
O General escanteado:
Se afogou no engano,
Apenas estava em silêncio
Ético porque assim
Estava no meu plano,
Para deixar que outras
Vozes falassem por mim.
Se equívoca quem pensa
Que estou brincando,
É bom levar a poesia a sério,
Me tragam o General com vida!
Há muito tempo venho
Pedindo o mar de volta
Para o povo boliviano,
Mas minh'alma pode pedir
De forma audaciosa
Bem mais do que imagina:
O General, o mar e a tropa
Em nome da poesia reunida.
Nessa tríade poética
cheia de maravilha
e culpa por ter feito
autoritários tropeçarem
nas próprias pernas
e se desconectarem
das obscenas idéias.
Porque com a tropa
sigo presa mesmo
que não me vejam,
podem ir atrás,
estou como serpente
invisível entre as rejas.
Dessa culpa jamais
eu hei de me livrar,
porque eu não sou
o pastor que para no
meio do caminho só
para ver o tempo passar.
Dos paisanos que estão
presos também me
encontro com eles,
se os meus poemas
estão irritando,
aprendi com o povo
que eles estão indo
bem e funcionando.
A poética nasceu culpada
antes mesmo de nascer,
obcecada pela paz
sempre caminha livre
em territórios de guerra.
Quem tem um palácio
da paz interior em si,
possui o ânimo que ajuda,
e a lucidez que sustenta.
A firme e óbvia convicção
da inocência que faz
resistir a dureza do cárcere,
é evidente e absoluta.
Mesmo que não reclame,
sente a falta de cuidado
do seu corpo castigado,
resiste estoicamente
a insanidade de quem
engendrou a prisão
notoriamente imerecida,
busca mesmo em oração
a luz da justiça perdida.
Escutei o eco do meu
clamor por liberdade,
um canto suramericano,
muito além do oceano.
Canção do interior
que não passa
e jamais passará,
da dor do General
quer saber quando
alguém cuidará.
Epopéia é o nome que
deveria se dar
ao adjetivo de quem
suporta preso e quieto.
Inocência conhecida
vítima de uma dor
que também me dói,
a verdade ninguém corrói.
Quem dera
se ao menos
tivesse a sã
doçura manuelita
para tocar no coração
de cada Comandante
e convencer
a base da rima:
a me dar a mão,
a olhar nos
meus olhos,
resgatar
os sonhos cadetes
e comigo seguir
na pátria espiritual
da poesia
onde todos
têm a mesma
cidadania,...
Bíblia, livros,
cadernos e lápis,
Para distrair
o General
até o alvorecer
da justiça,
Para ele
é o ideal
enquanto
não houver
nenhuma
previsão de tal;
Não somente
por ele,
Mas por
quem tem
a responsabilidade
pela vida dele,
E porque sempre
há de ser ideal,...
Não só por ele,
mas por todos
que estão como
e na condição dele,
Porque acima
de todos nós é
reconhecido por
Declaração Universal,
Não quero que
me interpretem mal
e nem pensem
que é afronta ou
o coisa parecida,
Apenas versos nômades
que pedem para
resgatar a harmonia.
Ser Pai é estender a mão
para erguer e proteger o pequeno,
é carregar no colo sempre
que for preciso, e sobretudo,
é carregar o mundo nas costas
mesmo estando cansado
e com aquele sorriso.
