Poemas Nao quero dizer Adeus

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Vergonha

Tenho vergonha de ter acreditado em quem eu não podia
Tenho vergonha de ter reverenciado perante mentes frouxas
Tenho vergonha de me ter deixado iludir
Tenho vergonha de não ter compreendido no momento
Tenho vergonha de ter amado o ser fracassado
Tenho vergonha de ter fraquejado perante o simplório
Tenho vergonha de ter sido cúmplice de algumas pessoas
Tenho vergonha de ter sido substituída pelo vulgar
Tenho vergonha da minha falta de esperteza
Tenho vergonha de não saber decifrar no tempo certo
Tenho vergonha dos meus momentos de ignorância
Tenho vergonha de ter dito verdades a quem não merecia
Tenho vergonha de ter tentado fazer crescer quem não queria
Tenho vergonha de ter tirado o prazer de pessoas fora do meu alto nível
Tenho vergonha de ter feito sofrer por isso
Tenho vergonha de ter investido mal os meus sentimentos.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Casamento

Hoje resolvi me casar
Não com gente
Gente é coisa indecente
Magoa, fere e mata.

Não faz companhia quando se necessita
Perturba na hora do silêncio
Bate a porta no momento indevido
Tira a concentração.

Gente é dependente
É o mais para o menos
Condiciona o pensamento
Subtrai o pouco que tenho.

Principalmente determinadas gentes
Que são as agentes sanguessugas
Que não leem os parênteses
No seu claustro foge pela tangente.

Casarei-me com a literatura
De todos os tipos
As de brilho às aventuras
Àquelas que desafiam o pensamento.

Essas sim são de grande valia
Causa provocação ao sentimento
Faz crescer e desenvolve muito
Muito o conhecimento.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Novos tempos

Não estamos mais no tempo dos coronéis
Naquele tempo que o homem tudo podia
Em que as mulheres escravizadas
Aceitavam as regras por intimidação,
As pobres Amélias consumidas.
Ainda existe por aí, homens coronéis,
Que vivem no passado
Achando que indo aos bordéis
Ainda serão reverenciados.
Pobres ignorantes do planeta
Irão ficar somente embriagados.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Naipe

Não fuja, não fique desesperado
sou bem grandinha, madurinha
estudei durante anos
o seu presente, passado
a sua casta, portanto
conheço seu desejo à intimidade
Só não aceito suas fanfarras
quando agrega as sarnas
na mesma esfera
da mãe que está na sala
e outras I-Lentes familiares,
podem ficar doentes
ou são todos da mesma laia?
É mistura de muita gente
muita saia, pouco garbo
totalmente demente
fadado a morrer em meio
ao triste fado.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Esterco

Disseste bem
Não valho um esterco
Foste o esterco falaz
que tentara adubar e adular
a mim, essa linda roseira
germinada entre as duras rochas.
O esterco há tempo
fora perdendo os atributos
as particularidades
propriedades
penetrabilidade
Hoje tu, esterco
só aduba e lisonjeia
ervas daninhas.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Toque

Um hangout ao alcance de um clique
Um contato na lista que os olhos não piscam
Uma vontade de falar que desequilibra
Um medo generalizado de dar o grito
E assim se sacrifica
Enche o raio do saco e
Desliga.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Breu

Desiludi as brancas folhas
gastei tinta
foi apenas premonição
os oráculos não respondiam
foram-se as folhas
foi-se a tinta
não havia inspiração.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Liberdade 2019

Não estava escrito no céu
Não estava escrito nas estrelas
Estava escrito no muro
Já escurecido pelo tempo
Arruinado pelo pó e pela chuva
Era o limo que escondia a palavra
Ela se fazia resistente as intempéries
A LIBERDADE em estrangulamento, fato
Muita gente passa é já não mais a observa
É só um muro sujo que precisa ser demolido
Mas, para os meus olhos, ela salta em 3D
Tenta se desgarrar como a alma
de um corpo morto que não quer deixá-la ir
A LIBERDADE é persistente
Ela sabe que um dia o muro irá cair
Ela se desprenderá
Levará a vida ao arrepio da Lei
Que perdeu a sua essência
Lei que levanta muros
Lei dos incultos
Lei da unicidade
Lei de atos inseguros
Lei da obstinação
Por melhor que seja
A LIBERDADE não irá se fixar nem no céu
Nem nas estrelas
Não, LIBERDADE não é presa
LIBERDADE é excelência
Expurga a comedida paciência.

Inserida por MariadaPenhaBoina

⁠A Vida

A vida não é assim
Com beleza maquiada
Para demonstrar felicidade
Muito além do normal,
Viver de trocas
Inventar novos passeios
A tentar preencher o vazio do peito
Ilusão afoita do esperançado perfeito
No desencontro do próprio eu,
Os olhos passam a carregar um olhar cansado
O corpo a ficar esquálido
E o sorrir constante e aberto
Sem alegria,
Bonito talvez fosse
Abstrair-se do imaginário
E internalizar que a felicidade
Pode vir de uma vida minimalista, serena
Mais real e plena.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Eu queria ter vivido
Eu queria ter vivido
quando o tempo era manso
e as palavras não corriam
numa tela sem trato.
Quando o vento escrevia
nas janelas abertas,
e o silêncio trazia
respostas concretas.
Eu queria ter vivido
onde o olhar era carta,
onde o encontro não era
só um nome sem face.
Quando a praça era o mundo,
o degrau era escola,
e a verdade não vinha
mastigada em retórica.
Eu queria ter vivido
num instante sem pressa,
onde a vida pulsava
no compasso das eras.
Mas vivo no ruído
de um tempo sem tato,
onde o toque é um vulto
e a alma, um contrato.⁠

Inserida por MariadaPenhaBoina

Metamorfose por completude

Querer ser é humano
Ser per se stante
Não, é perjúrio introspecto

Professa com imprudência
valores internalizados
avivados de senso comum

Sem moral e com medo
ceifa a consciência
alivia a vergonha, silencia

Apartado de si e sem ser
não persuade
debalde luta pela plenitude

Certo da incompletude
metamorfoseia-se algures
abasta-se com qualquer ser

Inserida por MariadaPenhaBoina

A morte do amor

Para que o amor não fique insosso
Não dure somente uma canção
Não passe de uma paixão
Sou capaz de planejar anos e anos em solidão
Multiplicar tudo que for tangível
Segurança à união
Depois, concretar a alma e o coração
Alicerce para uma duradoura relação
Os desatinados não acreditam nisso
Acham que, se existe amor, mora-se até no lixo
Não existe amor que dure
Quando falta o tostão
Dói tanto outros órgãos do corpo
Que se esquece o coração
Morre a afeição.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Abichornado

Se você acha que não te dei
tudo aquilo que queria,
eu digo a você
te dei amor, carinho e poesia
mas não era o que você pretendia
dinheiro era a sua inquietação
minha vida, servidão
não importava a você
o cansaço, o desgaste
no semblante da menina
então eu tomei de você
muito mais do que podia
tirei o seu sono e a sua fantasia
deixei para você
a saudade da mordomia.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Essencial

Seu moço,
você não gosta da semideusa
observe quem você ama
a deusa seminua
que toda a gente aclama
Você alcoviteiro perverso
nem se ressente
inevitavelmente, conivente.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Esquecimento

Não me lembro mais das aventuras que tive
O cheiro não chega mais com o soprar do vento
Tento através de um esforço hercúleo
relembrar dos sorrisos, dos gestos
e dos sons das palavras ditas
e não me lembro
Tentei eternizar o efêmero
foi a minha mais pura tolice
Nasci com inclinação para o imortal sentimento,
me traí, mas não me repreendo.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Desequilíbrio

Eu não sabia onde estavam as fotografias
sempre me perguntava em que lugar estavam
eu não entendia a pergunta
eu não sabia sobre quais fotografias
Também me perguntava sobre o edifício
se tinha elevador ou era de escada
para mim não fazia sentido
esqueceu do meu grau de exigência
já não me conhecia
Eram questionamentos estranhos
sobre meus carros, trabalhos, números de assoalhas,
piscina, festas e alegrias...
mas, do meu eu, do meu interior
não queria saber nada
Através das perguntas insensatas
me subjulgava
como uma mandriona interesseira
eu já não valia nada
As minhas fotos sem filtro
meu rosto sem maquiagem
meu corpo não é malhado
e sem bronzeado
Minha vida é trabalho
meu espaço de lazer é tomado por livros
Como consequência, homeostasia
Só bem mais tarde eu entendi
que ele tinha outras fotografias
subia de escadas e nem era da própria casa
pois casa, já não possuía
seu carro uma lata velha desengonçada
seu trabalho acabou em nada
em festas não encontrava alegria
Tentou outras mulheres que me substituísse
as perguntas eram para as sua comparações
que tolice...
O que ele pretendia de mim se desacreditava?
O que vale a estética?
Vale um alto grau de entropia.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Alarico
"foi mau" não ter escutado
a experiência do seu pai
ele sempre lhe dizia
- tenha a sua única flor
que, para se ter muitas
tem que ser mais que um bom procriador
Aqui, Alarico, já é outono
mais um outono sem cor
Então, curta a sua primavera
comece deste agora, polinizar todas as flores
para que elas transmutem em glória
e façam a corte nas jarras de opulentos soberanos.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Recôndito

Não pega na minha mão em público
Nega o meu beijo na praça
Tem medo de fazer juras
Mas, diz acreditar em disco voador

Secretamente, no lusco-fusco
amor selvagem, abrasador
Veja a loucura
desse fugidio senhor

Encobre-se por todos os cantos
quando o momento é para o amor
Mas, para destroçar o encanto
profere à luz do mundo
blasfêmias com fervor.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Útil

Não sofra se uma dia compreender
o quanto é manipulado e usado
Absorva como mérito
por ser um idiota útil
A maioria dos seres humanos são idiotas
e passam a suas vidas
sem nada prover.

Inserida por MariadaPenhaBoina

O diálogo em 22/05/2016

O telefone toca pelas 14:11 horas, ligação privada
não atendi
O telefone toca pelas 14:13; 17:00 e 17:42 horas, ligação privada
não atendi
já havia uma ligação pelas 14:10, tinha o telefone marcado
não atendi, pois o telefone não toca, o número é bloqueado
Pelas 17:43 horas o telefone toca, ligação privada
atendi
- Alô
- Olá, como estás?
- Bem, e você?
- ...
- És um falsete
- Não estou entendo...
- Nunca entendes nada, nunca entendestes nada
- Não, nunca entendo nada, nunca entendi nada
O silêncio tomou conta e o telefonema terminou.
O telefone toca pelas 19:58 horas, ligação privada
atendi
- Alô
- Desculpa por estar a ligar-te
- Tudo bem...
- Achei que tivesses mudado
- Não, não mudei , continuo aqui no mesmo lugar
- É que sonhei contigo, achei que tivesse acontecido alguma coisa
- Não aconteceu nada, estou bem
Silêncio...
- Como foi o sonho?
- Sei lá, um gajo sonha de noite e quando acorda já não se lembra...
- Ok
- Não irei mais telefonar, não desejo perturbar a paz do seio familiar (ironia)
- Ok.
Será o que o pobre diabo queria?
Ah! Eu nunca entendo nada, nunca entendi nada.

Inserida por MariadaPenhaBoina