Poemas Homenagem pelo Nascimento Filha
Oportunidades não aproveitadas mudam de dono.
Oportunidades não reconhecidas são encontradas por outros.
Oportunidades estão constantemente surgindo, cumpre a você estar em constante vigília.
Não tente agradar a todo mundo.
As pessoas que não confiam em você continuarão a não confiar.
As pessoas que confiam em você continuarão a confiar, mesmo que falhe consigo mesmo, ou até com elas.
Mergulho
Algumas palavras intentam e no caminho esmaecem, mas saltam dos dedos sem preencher, a alma e os seus desencontros, desencantos, que ousa voar e salteando o impensado, traça alguns pousos, e hesita.
Um calar sentido, também cura, o silêncio, esse aliado fiel, que sem profundidade enche-se de fantasias que não preenche um vazio. É necessário seguir sem nada indagar ao indiferente tempo, e com ele à revelia… Seguir.
Assim acalentando sonhos que não desapontam… dar ênfase às decepções, ou compreender? Não importa a trajetória, mas mergulhar sem interpretações… Fugir, e fugir do seu poço profundo, busca a simplicidade que acalma, emergir.
"O fundo é o que menos espera."
"O futuro é agora."
"O mar é como um vento."
"Nada se encontra... mas você o pode sentir."
"Então o que estamos esperando?" "Nada, só se aprofundar nele."
Dia das crianças
Na festa das crianças,
num dia leve e luminoso,
lá estava eu, entre risos pequenos,
emprestando cuidado aos meus sobrinhos.
Senti três toques no ombro;
meu irmão tocava-me,
apontando,
como quem revela um segredo.
Ali estava ela
a mesma personificação do acaso,
surgindo outra vez diante de mim,
a poucos metros, próxima tal
como só esteve em meus pensamentos
Mais uma vez fiquei a observar:
estava com o cabelos soltos,
livre do icônico boné claro;
um vestido verde que parecia conversar
com a tarde que nos envolvia.
Havia no olhar
uma calma suave, quase tímida,
um silêncio que dizia mais
do que qualquer palavra ousaria.
Até então, o sarau
que era só para meus sobrinhos
virou uma festa para mim.
Não houve palavra trocada,
apenas o silêncio caminhando
entre balões, risos e canções infantis.
A jura
Te juro,
te juro guardar
somente a mim
tudo aquilo que eu queria
que pertencesse a nós.
Te juro:
não voltar a dizer
o vasto do sentir
que me atravessa.
Te juro,
te juro porque
não quero que fique mal;
pois isso só cabe a mim.
Te juro que,
por mais que queira
esta jura quebrar,
sou incapaz;
pois a você
quero bem.
Retorne a si
As andorinhas voltam
na primavera.
As tartarugas retornam
às praias onde nasceram.
A vida é um retorno:
um retorno à vida
que ainda está por vir,
não à que passou.
A vida é um retorno,
um retorno àquilo
que te faz ser quem és.
A vida é um retorno:
às boas memórias,
às boas risadas,
às boas companhias.
Retorne.
Retome.
Reajuste.
Vastidão
Seria insignificante
apenas dizer: te amo.
Seria negligente
com a vastidão inexplicável
do meu sentimento.
Assim como a imensidão
do universo desconhecido,
faltam-me palavras para
descrever o que sinto.
Teria você
que se ver pelos meus olhos,
conhecer meus pensamentos,
sentir através do meu coração
e ouvir, quando a cito,
na minha oração.
E assim, somente assim, talvez
ter uma ínfima noção.
Estações da alma
O fim não existe
enquanto há vida.
Encaramos muitos finais,
mas em cada um deles
nasce a oportunidade
de recomeçar.
Assim como as estações
mudamos ao longo da vida.
E por mais que existam
outonos e invernos,
verões e primaveras
sempre retornam.
Enquanto há vida, recomece.
Enquanto há vida, viva.
Enquanto há vida, aproveite.
Pois enquanto houver vida,
as primaveras sempre voltam
O lugar em mim
Preciso viajar,
não para conhecer um lugar novo,
mas para reencontrar
o lugar que, em mim, outrora se perdeu.
Um lugar onde eu possa
reencontrar sonhos de infância,
momentos simples
cheios de significado.
Um lugar onde, no mesmo dia,
eu poderia ser Superman ou Batman,
ou apenas uma criança da Terra do Nunca,
onde tudo era pura diversão.
Preciso reencontrar esse lugar
e voltar a acreditar que a vida
é como uma festa de aniversário,
o Dia das Crianças
ou o encanto de se apaixonar
pela professora Helena, da novela Carrossel.
Uma vida feita
de sentimentos simples
e de uma infância feliz.
A vida que derrete nas mãos
A vida é como um pequeno e frágil cubo de gelo, segurado ao sol, que brevemente se desfaz em nossas mãos...
Tão transparente quanto nossos desejos, tão fria quanto os medos que evitamos sentir.
Tentamos moldá-la, contê-la, preservá-la, mas ela insiste em derreter; escorrer; partir.
E no fim, o que resta?
Uma lembrança úmida, uma gota, um brilho fugaz.
Numa manhã comum
Numa manhã
que parecia comum,
vislumbrou-me
um raio de sol,
igual a um pé de ipê
no meio do verde da mata.
Diante de mim,
a personificação da feminilidade,
de simplicidade e beleza.
Cabelos lisos, sob sua cabeça um boné;
alta, de saia com um tom azulado e blusa clara,
olhos escuros, tal como jaboticabas.
De onde é? Para onde vai?
Já não importa.
Somente ficar fitado, passou a fazer sentido.
E numa manhã em que tudo parecia igual,
tudo mudou.
Um misto de emoções,
certezas nas incertezas.
E, através de minha janela,
a personificação de um sonho.
Nas mãos do inevitável
Aquilo que se teme,
uma hora ou outra, chega em suas mãos.
Aquilo que aos olhos tem ternura
se vai como água ao sol ardente.
Não seria, então, crueldade
com o personagem desta trama,
ver tudo aquilo que não queria, acontecer?
Seria uma prenda?
Seria uma reorganização do destino?
Seria Deus?
Será simplesmente porque não é?
Não entendo,
ou pelo menos,
não ainda...
Ciúmes
O que nunca pertenceu, mas que foi um sentimento de emoção profunda, quando transportei o brilho da lua cheia para iluminar os voos que minha alma alçou!
Aquele... que ultrapassou os limites distantes,
para equacionar a geografia das emoções
que um dia os meus lindos sonhos de amor impossível, nele encontrou.
Imaginei um momento que jamais aconteceria,
dos tantos planos que fiz, dos abraços seus que com intensidade desejei, não havia chance nenhuma, uma vida a dois, nem por um instante sei, nunca eu teria.
O amor é feito de vontades, sem realizações e nisso tudo apesar das negações na própria e solitária emoção buscar a alegria... Mesmo morrendo e vivendo desse amor, mais triste e só é a sua triste poesia.
No mundo das suas ilusões, uma frase de amor sequer, uma esperança desiludida... amar sozinha é caminhar para um precipício, e por lá morrer de tristeza, esquecida.
Onde vocês caíram
Onde vocês caíram,
eu aprendi a sangrar em silêncio.
Onde me faltaram mãos,
eu virei abrigo.
Vocês me deixaram com o vazio,
com promessas quebradas no peito,
com noites longas demais
pra um coração tão pequeno suportar.
Mas foi nesse chão frio
que eu criei raiz.
Porque quando tudo em mim pedia pra desistir,
eu ouvi vozes pequenas me chamando de lar.
E foi ali — no olhar dos meus filhos —
que eu reaprendi a ficar de pé.
Eu fui até o fim.
Mesmo cansado, mesmo ferido, mesmo só.
Fui além do que fizeram por mim,
além do que disseram que eu seria.
Vocês falharam comigo.
Mas eu não falhei com eles.
E se hoje ainda carrego cicatrizes,
é porque escolhi lutar
quando ninguém mais escolheu por mim.
Despedida a Isabel
Minha mui querida Isabel,
despeço-me — não apenas de vós,
mas de tudo aquilo que em vós encontrei
e em mim se perdeu.
Há muito percebo
o peso de minha presença em vossa vida,
como se meu amor vos fosse fardo,
e não abrigo.
E eu, que vos amei em silêncio e constância,
aprendi a ler nos gestos ausentes:
no rosto que se volta,
nos beijos contados,
na ternura que não mais floresce.
Assim, pouco a pouco,
fui me tornando sombra de mim mesmo,
habitando um vazio onde outrora
vivia esperança.
Se errei — e sei que errei —
não foi por desamor,
mas por não saber amar melhor
quem sempre foi tudo para mim.
Perdoai-me, pois,
se vos causei dor;
carrego comigo a culpa
e a devoção que jamais cessou.
E assim parto —
não de vós apenas,
mas do que fui
quando ainda havia nós.
Minha mui estimada Isabel,
Rogo que recebais estas humildes linhas como íntima confidência de um coração já fatigado pelas agruras do destino e pelas aflições do espírito. Há muito percebo, com silenciosa dor, que minha companhia vos tem sido mais um peso que um consolo, mais um fardo que uma ventura. Tal percepção, cruel e incessante, lançou-me em profundíssima melancolia, da qual raras vezes encontrei alívio.
Nos pequenos gestos de vossa distância — no semblante que se desviava do meu, nos beijos concedidos com parcimônia, na frieza que lentamente se instalou entre nós — fui lendo, pouco a pouco, a sentença de meu próprio desalento. E assim, consumido pela tristeza e pela solidão, tornei-me sombra daquilo que outrora fui.
Todavia, se em algum momento falhei convosco, ou se minhas ações vos causaram mágoa e injustiça, suplico-vos humildemente o vosso perdão. Jamais houve em minha alma intenção de ferir aquela a quem dediquei o mais sincero e devotado amor. Reconheço minhas faltas com resignação cristã e aceito, sem queixa, o peso de minhas culpas.
Pois, ainda que os caminhos da vida nos conduzam por veredas distintas, levarei comigo a certeza de que vos amei com toda a força de meu espírito e com toda a fidelidade de meu coração.
Vosso, em eterna saudade e devoção.
Cartas para um coração ausente
Todos os dias, suas palavras parecem certas…
mas seus sentimentos caminham na direção contrária.
Diga-me, minha querida:
o que foi que eu fiz de tão errado?
Todos os dias se tornaram a mesma mentira, repetida incontáveis vezes, como se tentasse me iludir e, ao mesmo tempo, enganar a si própria.
Mas, no fundo, eu sei…
você não me ama.
E cada gesto seu, cada pequena atitude, transforma-se em uma lâmina silenciosa que me faz sangrar por dentro.
Houve um tempo em que eu acreditava nas suas palavras de amor.
Acreditei em cada promessa doce, em cada frase dita com ternura, porque elas tinham o poder de acalmar meu coração.
E eu me entreguei por completo a essa ilusão.
Mas a realidade é cruel demais para ser escondida eternamente.
Hoje, encontro-me perdido entre lágrimas e pensamentos, tentando compreender em que momento me tornei tão indigno do seu amor.
Diga-me, minha querida…
o que foi que eu fiz para merecer o desprezo silencioso do seu coração?
Porque suas palavras ainda são doces…
mas já não carregam verdade alguma.
Tornaram-se apenas mentiras delicadas, destinadas a iludir um coração que um dia acreditou sinceramente em você.”
O bom caminhar
Nessa vida
Requer
Uma alma preparada.
Distante do ódio
Que sempre nos espreita
a jornada.
