Poemas Góticos de Amor

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Esconder-se por medo de revelar o que vossa alma tem de mais sublime é o mesmo que estar morto em plena existência.

Inserida por Rita1602

Cuidado com a intensidade que você joga a bola da vida. Seu reflexo poderá cegá-lo.

Inserida por Rita1602

As religiões são vertentes para abrigar seres que procuram o caminho de encontro com eles mesmos.

Inserida por Rita1602

O que está armazenado em vosso coração poderá estar pulsando no coração de quem tanto desejais.

Inserida por Rita1602

Porque as pessoas só pensam no dinheiro, no poder e na individualidade, quando podemos plantar a semente do amor, da fraternidade e da paz...

Inserida por Rita1602

O impulso afasta aquilo que mais almejamos. A calma trará para perto de nós aquilo que jamais imaginamos.

Inserida por Rita1602

Se o silêncio é usado como forma de se comunicar, use a estratégia para que o vosso seja tão silencioso quanto a voz do silêncio angariado.

Inserida por Rita1602

Sejai humilde, tenhai paciência. A vida saberá o momento exato da vossa vitória.

Inserida por Rita1602

Quando o silêncio de vossos corações cessarem, use vossos lábios com palavras para diversão.

Inserida por Rita1602

O que está escondido em vossos corações faça aflorar, dai-vos o vosso silêncio e a vossa paz.

Inserida por Rita1602

O verdadeiro servo é aquele que faz sem esperar nada em troca. O vosso feito só terá valor perante aos olhos de Deus.

Inserida por Rita1602

O dizer e o sentir seguem caminhos paralelos, mas, existem divergências. A união do dizer e do sentir se dá para aqueles que têm caráter formado.

Inserida por Rita1602

As palavras jogadas ao vento sem conotação são levadas sem destino a um lugar incerto; as palavras pronunciadas com a intensidade do sentimento verdadeiro brotam o amor.

Inserida por Rita1602

Só poderá falar de sentimentos aquele que tem dentro de si a beleza pura da alma.

Inserida por Rita1602

Quero ter a liberdade de poder voar aonde meus pés possam atingir: o inatingível.

Inserida por Rita1602

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles
Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.

Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 1999.

Segue o teu destino...
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias

Fernando Pessoa

Nota: Trecho de poema do livro "Odes de Ricardo Reis", de Fernando Pessoa.

Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca...

Despedida

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Rubem Braga
A Traição das Elegantes, Editora Sabiá, Rio de Janeiro, 1967