Poemas Góticos de Amor
O poder absoluto teme menos o homem que protesta do que o jurista que demonstra, em silêncio, que o poder está errado.
Entre o silêncio do universo e a necessidade humana de encontrar um sentido, talvez a dúvida seja a forma mais honesta de liberdade.
Talvez Deus exista; talvez o universo seja apenas matéria, tempo e silêncio. Em ambos os casos, nossa certeza é pequena demais para julgar o absoluto.
O homem teme o silêncio do universo e, muitas vezes, preenche esse silêncio com certezas que dizem mais sobre seu medo do que sobre o cosmos.
O Estado laico é o silêncio constitucional diante daquilo que nenhuma instituição humana pode provar definitivamente, inclusive a existência ou inexistência de Deus.
O agnóstico escreve petições ao silêncio não para obter uma resposta, mas para preservar juridicamente o direito de não inventá-la.
O milagre começa onde a evidência termina, mas a credulidade, incapaz de suportar o silêncio, transforma o desconhecido em testemunha.
Há perguntas diante das quais a resposta mais rigorosa não é uma sentença, mas um silêncio cuidadosamente fundamentado.
E quando as respostas acabarem, talvez ainda reste o essencial: a noite, o silêncio e aquela vontade inexplicável de continuar.
Talvez apenas o sagrado, e não a técnica, possa devolver ao homem o silêncio necessário para ouvir aquilo que sua própria civilização tornou inaudível.
A segurança nacional pode justificar o silêncio do Estado, mas não transforma o silêncio em verdade jurídica permanente.
O silêncio estatal pode proteger uma operação, mas não deveria proteger indefinidamente a ausência de explicação.
Toda certeza que desconhece os próprios pressupostos já contém, em silêncio, a semente do dogmatismo.
