Poemas Góticos
Silencio a mente, renuncio ao excesso.
Cumpro meu dever com o coração puro.
Ofereço palavras que curam.
Esqueço o Eu e abraço o Todo.
Sou vazio para receber a sabedoria.
O mundo em silêncio diante da natureza
Enquanto não ouvirmos o canto da natureza, viveremos numa era de ferro sem alma."
Trecho do eBook Calendário Sagrado: A Jornada dos 12 Portais, disponível em Archive.org..
Ressonância Noturna
Em meu lar, ressoa a voz, Do vizinho que não guarda o tempo. No silêncio, ecoam palavras, Que invadem, perturbam o momento.
Alugado o espaço onde vive, Enquanto o meu é minha morada. São pequenos e próximos lares, Mas a paz, por ele, é roubada.
O síndico espera por vozes, De outros que se sintam oprimidos. Mas os corajosos se foram, E o silêncio dos justos, vencidos.
Há noites em que o descanso reina, E noites que em vigília me encontro. O relógio, sem leis ou limites, Transforma em tormento o meu sono.
Buscar consolo na casa materna, Um lar que já não me pertence, Bagunçaria minha rotina, Em uma fuga que não convence.
É aqui que vivo, é aqui que insisto, Na luta por um pouco de paz. Pois cada eco, cada grito, É um apelo que não se desfaz.
Ecos da Alma
No silêncio profundo da existência, A alma brilha em pura ressonância, Liberdade dança em suaves fragrâncias, Paz interior, uma eterna constância.
Nos jardins secretos do ser, Onde a luz do espírito floresce, Gentileza se espalha ao amanhecer, A alma, em seu esplendor, agradece.
A felicidade verdadeira é sutil, Não grita, mas sussurra ao coração, Nos gestos simples, no amor gentil, Na beleza da pura contemplação.
Caminha a alma, livre, leve, Entre o céu azul e a terra calma, Em cada passo, um sonho se atreve, A manifestar a graça que acalma.
Solitude Serenata
Entende o segredo dos solitários, Quem no silêncio encontra a paz, A alma dança ao som do vácuo, A luz que ninguém mais traz.
Não teme o peso do abandono, Nem se curva à solidão. O que busca o próprio sono, Encontra abrigo em seu coração.
A companhia é ofertada, Não mendigada, não em vão, Pois em si, a mente é fortificada, Fortaleza na imensidão.
Se entende a solitude serena, Encontra vida em seu universo, A existência se torna plena, Na calma de um verso.
Ouvindo a Voz do Silêncio
Já vivi na correria, e minha vida não tinha alegria. Quando eu queria descansar, não podia parar. Tinha contas para pagar. Honestidade sempre foi meu nome, e ficar devendo nunca fez parte de mim. Enfim, eu não vivia como queria.
Hoje eu caminho devagar e sem pressa de chegar. Adoro observar cada lugar por onde eu passo. Sinto o calor do sol acariciar minha pele e o perfume sutil das flores que enfeitam o caminho. Em todo canto há uma história; todo lugar tem memórias que sussurram ao vento, convidando-me a escutar.
O passado era obscuro. No presente e no futuro, tudo pode acontecer. Eu fluo com a vida, sentindo a brisa tocar meu rosto como um afago suave e o gosto fresco da natureza a me alimentar, como se cada sopro de ar fosse carregado de energia vital.
Amo ficar dentro de mim, olhando para fora, da janela da minha alma. Com calma e serenidade, vejo as árvores dançando ao som do vento, e as cores do céu pintando quadros únicos a cada pôr do sol. Assim, vivo de verdade a verdadeira felicidade.
O Chamado da Alma
Na quietude da madrugada, quando o silêncio se torna um portal para o infinito, fui envolvida por uma força que transcende a lógica humana. Naquele instante, compreendi que minha existência não era apenas uma sucessão de eventos, mas uma jornada conduzida por algo maior.
O mundo material sempre me ensinou a acreditar no que os olhos podem ver, no que as mãos podem tocar, mas naquele momento, o véu da ilusão se desfez. Fui chamada para algo além da compreensão, a travessia para um conhecimento que exige coragem, renúncia e entrega.
As palavras que chegaram até mim não eram apenas um conselho, mas um convite. Um chamado para abandonar certezas rígidas e adentrar o fluxo dinâmico da verdade espiritual. A jornada não prometia facilidade, nem recompensas imediatas, apenas a certeza de que, ao cruzar esse limiar, eu jamais seria a mesma.
Entendi que os desafios não são obstáculos, mas degraus que elevam a alma. O ego resistiu, tentando me prender ao conhecido, mas minha essência pulsava em outro ritmo. A cada passo, percebia que não caminhava sozinha—uma força maior guiava meus movimentos, sussurrando verdades ancestrais que despertavam algo profundo dentro de mim.
A partir daquele momento, minha vida tomou um novo curso. Cada escolha, cada renúncia, cada aprendizado passou a fazer parte desse caminho de expansão e transcendência. O nome que carrego hoje reflete essa metamorfose, a chama que ilumina o percurso e me lembra que sou movimento, fluidez e transformação.
Agora, sigo a jornada com gratidão, sabendo que cada passo ressoa no universo e que, na simplicidade da entrega, encontro a verdadeira grandeza do ser.
Quem eu sou...
Através de mim você não vê. Pois se me calo, o silêncio lhe é incógnita. Se o gesto me escapa, de ti escapa o entendimento. Resta apenas que o tempo acabe por mostrar o
segredo que em minh’alma descansa e que não tem pressa de desvendar.
É o mar...
Quando há vento,
o silêncio é interrompido
pelo cadenciar das ondas
em eterno vai e vem...
Com a tempestade
há a tormenta
e na ausência do vento
a calmaria vem.
É o mar...
Há dias em que o sol parece distante,
e o mundo pesa nos ombros como chumbo.
A alma, em silêncio, não encontra direção,
e tudo em mim grita por pausa.
Mas sigo.
Não porque tenho forças,
mas porque aprendi que parar também dói.
Sigo porque a estrada só se revela a quem anda,
mesmo quando o passo arrasta,
mesmo quando o coração hesita.
Nem sempre é coragem,
às vezes é apenas necessidade.
Outras, é a esperança escondida
num fio de luz que insiste em não apagar.
E sigo.
Com os olhos cansados,
com o peito em desalinho,
mas com a certeza de que a vontade
nem sempre é companhia
mas o caminho,
ah, o caminho ainda é meu.
Ela se foi!
Ela simplesmente se foi sem deixar rastros, sumiu, ficou em silêncio, observando de longe e tentando de alguma forma chamar atenção.
Ela não tem sabedoria para lidar com tudo isso, impulsiva, age com imaturidade, quer provocar ciúmes, tenta com todas suas armas e só recebe neste momento o famoso"silêncio".
Meu silêncio é muito relativo quando eu estou magoada, quando eu me fecho na minha bolha, quando eu deixo de gostar, quando não me faz falta, quando eu percebo que eu não fui prioridade na vida dela e sendo assim... Silêncio! xiiiiiiiii Melhor não retribuir os julgamentos!
Ela se foi, mas prefiro assim!
Ela se foi, mas deixou marcas, feridas e incertezas!
Ela se foi, mas me deixou um aprendizado!
Ela se foi, mas prefiro assim!
Nada novo, tudo é habitual e efêmero.
Devo ficar no meu silêncio e esperar passar... Ou devo permanecer na insistente saber o que está acontecendo e dizer que estou aqui?!
Nós somos criaturas que sentem, seres humanos sentem, assim como seres humanos pensam. É simplesmente como as coisas são.
E sendo assim sentimento dolente, sem razão aparente, com visões e vivências diferentes.
E ainda bem que muda...
Imagina que terrível seria se tivéssemos sempre os mesmos sentimentos, sem qualquer fluidez, sem possibilidade de mudança, de evolução, de leveza, de florescimento?
Se parar pra pensar vai ver que tem sorte e que já passou por momentos piores que o atual e veja como superou.
Tudo passa nessa vida!
O silêncio do sentimento e o riso disfarçado.
As pessoas não fingem depressão, elas fingem estar bem.
Muitas vezes disfarçam com risadas extravagantes, são muitos alegres e sorridentes para disfarçar a escuridão que a sonda por dentro.
Esses dias eu fiquei pensando: Ninguém vê a lágrima do palhaço, mas ele faz uma multidão sorrir.
As vezes é melhor disfarçar o que está sentindo para não contagiar o outro com a tristeza.
A depressão é tão silenciosa como tão intensa.
Como diz o cantor Frejat na música Amor pra recomeçar:
" Quando você ficar triste, que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom
Mas que rir de tudo é desespero."
Nem todo o palhaço é feliz!
Lágrimas silenciosas correm no meu rosto enquanto teu silêncio grita na minha alma.
Você meu mundo...
Eu pouco, eu nada, nem migalha.
1992
Desperte-a
Alma que dorme entre véus de silêncio,
Estás pronta para dançar na luz?
Te chamo com a brisa da manhã,
Te envolvo com o som do coração.
Desperta como flor que se abre ao sol,
Com coragem para ser essência pura.
Abandona os medos como folhas no outono
E respira como quem se lembra de quem é.
Eu sou o fogo gentil que te aquece,
Sou o espaço seguro onde podes voar.
Eu te reconheço — mesmo invisível,
Eu te abraço — mesmo imensurável.
Desperta, alma bela,
Teu tempo é agora.
Teus caminhos te esperam.
Teu brilho já nasceu.
A pedra é bruta,
mas a vontade é firme.
O silêncio é aprendizado, mas o propósito é construção.
Mas dentro de você há um mestre em formação.
Aprender será diário.
Crescer será inevitável.
Desistir… não é uma opção.
Você agora é parte da construção.
E com cada lição,
se aproxima da Luz que o Sol Reluz
Seja Luz!
Bem-vindo à Jornada.
Onde você se esconde...
À noite a solidão bate
Fico no meu quarto em silêncio
Com o pensamento longe
Procurando você, onde você esconde?
Menina onde você se escondeu?
Que mal eu te fiz, perdoa eu!
Não faz assim, esqueça o que passou volta pra mim...
(Autor: Edvan Pereira) "O Poeta"
Viver devagar
Esta noite eu escolhi...
Por viver devagar
Por ouvir o silêncio
Por enxegar no escuro da alma
Por alimentar lindas e sinceras saudades
Por conviver, amar, exaltar e me entreter com meu ser
Por agradecer pelos mistérios passados
Por aguardar pelos mistérios ainda tão bem guardados
Na noite eu me encontro com a calma, faço as pazes com a paz, eu escolho a paciência.
Pelo menos hoje, optei por viver bem devagar...
Este dia eu escolhi :
Por viver devagar
Por ouvir o silêncio e enxergar no escuro e profundo dessa alma leve e devassa.
Por alimentar belas, deliciosas, prazerosas e sinceras saudades.
Por agradecer pelas experienciações do passado.
Por aguardar pelos mistérios e vivências que ainda virão e estão bem guardados.
Neste novo amanhecer eu me encontro com a calma, faço as pazes com a alma, acolhendo toda a minha subjetividade.
Deixo o Lobo sedento adormecido, aguardando pacientemente seu despertar para o momento de suas andanças e vivências profanas.
Mas por hoje optei por viver bem devagar...
P Lopes
O som lá fora
faz tudo aqui dentro
parecer silêncio.
Tudo o que eu construí
parece durar
até o fim desse barulho
que não é meu.
Fadado a sobreviver
aos escombros,
minha covardia reza
para que da próxima vez,
façam barulho por muito mais tempo.
