Poemas Fáceis de Decorar

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⁠EM MIM

Só agora, no fim, serei
O ser que não fui,
Porque errei no escolher
Da sorte, por não saber
Que ela só flui
A quem tem a coragem
De viver,
Sem querer entender
Se a vida é quadrada
Ou redonda
Como o mundo
Profundo
Entre a areia dourada,
A terra e o mar
E aquela onda malvada
Que nos arrebatou
E na tragédia nos levou,
Para um poço sem fundo.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-10-2023)

⁠SE

Se todos gostassem da minha poesia,
Jamais haveria
Paz no mundo.

O mar e as fontes secariam,
Os rios ao contrário correriam,
O ovo não teria gema
Nem o ovário
Seria berçário
De hormonas,
Neste meu mundo de sintomas
Da falta de teorema.

Seria o caos completo,
Tudo morreria
O absoluto e o obsoleto.

Por favor:
Para que haja paz no mundo,
Nunca leiam a minha poesia;
Podem até falecer de ironia,
Ou então ficar moribundo.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 12-11-2023)

A dor da saudade em mim, ordena-me silêncio, reflexão e as luzes apagadas.
Tudo no escuro...




Carlos De Castro

Um pé de conversa que cansa e onde não se sente a verdade, por maior que seja a fôrma que forme o sapato, terá somente o tamanho de um pé de criança para os que detestam, como eu, a falsidade.











(©Carlos De Castro, em 02-09-2025, publicado no site PENSADOR.)

O PAI E A SAUDADE


Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.


(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)

POESIA EM MEMÓRIA ÚLTIMA
(para ti, Avelino Fernando do Couto Ribeiro)
Rezaram-te a missa,
O solista cantou,
O órgão tocou,
Em premissa.
Eu assisti e rezei
Diferente, por razão
De fé ao Corpo
Do Homem morto
E Crucificado que eu sei.
Tanta gente caminhando
Em passo quase de tropa
Rumo ao campo sagrado
E eu atrás de todos pensando
Se a morte é vida ou pecado
Por ter a coragem de morrer
Antes do prazo aprazado.
Deus - que fria é a morte
Criada de nascente
A poente,
Sem norte.
Dois barrotes de madeira
Duas cordas na horizontal,
Uma cova funda na vertical,
Um caixão que desce anormal
De cabeça para baixo,
Abismal,
Um corpo quase vivo
Afinal,
Que se não fosse a terra
Que mais aterra e pesa
Na sua função de singeleza
Entre a definição da morte,
Quiçá, quando for da nossa sorte
Entremos de pés ao baixo
E de cabeça ao alto,
Sem sobressalto,
Ou suspiros,
Não vá, mesmo lá dentro
Do ataúde fatal,
Vomitarmos os diospiros
Ingeridos há tempo que tal.


(Carlos De Castro in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 06-04-2026)

POEMA PARA TI
AVELINO FERNANDO DO COUTO RIBEIRO
(ou quando a morte fardada de roupagens negras se transforma em cristais de lágrimas puras que nem o sol consegue secar. © Carlos De Castro)
Há poucas horas te via
Na madrugada passar,
À minha porta.
Ias cedo, para o pão ganhar
Cedo ou tarde não importa
Quando o coração tem vida
Na noite que vai parir o dia.
E sou eu nesta elegia,
Neste paradoxo sem fim
Que afirmo com precisão
Que a morte é tão cobarde,
Se não,
Era fogo que não arde
E levava-me só a mim.
Assim, fico sem tino
Sem vontade de seguir
Esta vida, Avelino.
Pode ser que ao Divino,
Já no Reino do Eterno,
Possas rogar meu menino
Para que eu amado primo,
Jamais desça ao tal inferno.


(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Trista Por Escrever, em 06-04-2026)

Você consegue ser feliz
por essa razão; não escute
pensamentos negativos.

Quer carinho? Peça a sua mãe!
O mundo é pai, ele te da oportunidades, desafios.
Ele te testa, te eleva ao seu limite.
Ele te força ser melhor.
Se não aguenta, corre pro colo da mamãe.

me achava infeliz até provar da infelicidade.
me achava corajosa até provar do medo.
me arriscando e me doendo aprendir sem me arrepender,de tempo ao tempo e ele provara a você que sempre esteve certo.
tudo pode mudar!
assinado:Rayuri de um dia.

meu dia prosperou quando acreditei que prosperaria.


A questão e de ter fé não importa o que faça!


principalmente a fé que você tem em Deus.


~tenha fé

como amei?
se nem a mim mesma amava, quase impóssivel de ser verdadeiro esse amor, por isso magoado foi.

aquilo que nem deseja a ti mesmo como desejas ao teu próximo?

O Soneto da Hora


A hora passa,
A vida em massa,
O tempo voa,
A alma à toa.
O relógio bate,
O peito late,
No silêncio,
Do momento.
A sombra cresce,
O dia esquece,
De quem ficou.
Na escuridão,
Só o coração,
Que não parou.

RUA




A rua mastiga os homens: mandíbulas de asfalto, argamassa, cimento, pedra e aço.


A rua deglute os homens: e nutre com eles seu sôfrego, onívoro esôfago.


A rua digere os homens: mistério dos seus subterrâncos com cabos e canos.


A rua dejeta


os homens: o poeta,


agiota, o larápio,


bêbado e o sábio.

"Por mais terras


que eu percorra


Não permita Deus


que eu morra


Sem que volte


para lá"

O Soneto do Fim


A luz se apaga,
A sombra vaga,
O dia finda,
A alma ainda.
O tempo corre,
A vida morre,
No chão de pedra,
Onde o mal medra.
É o fim da lida,
Noite esquecida,
Sem mais alento.
Na escuridão,
O coração,
Vira só vento.

O Soneto da Noite


A noite chega,
A luz se nega,
O medo vem,
Não há ninguém.
O vento frio,
No som do rio,
Traz o temor,
De um velho horror.
A sombra invade,
Pela cidade,
Todo o clarão.
Só a memória,
Conta a história,
Na escuridão.

Velocidade


Não se lembram do Gigante das Botas de Sete Léguas?


E


Lá vai ele: vai varando, no seu vôo de [asas cegas, as distâncias... dispara, nunca pára, nem repara para os lados, para frente, para trás...


Vai como um pária

O Silêncio


A luz apaga
O sopro para
O corpo cansa
A alma lança
Um voo leve
Tão breve.
O frio chega
A vida nega
A terra chama
Quem tanto ama
Fica a saudade
A eternidade
A dor profunda
A paz inunda.
mas que exista

GUILHERME DE ALMEIDA


Indiferença


Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto. E assim fazemos, como se com isto, pudéssemos varrer nosso passado.


Passo esquecido de te olhar, coitado! Vais, coitada, esquecida de que existo. Como se nunca me tivesses visto, como se eu sempre não te houvesse amado


Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos, se quando passo, teu olhar me alcança se meus olhos te alcançam quando vais.


Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos. Volta-nos sempre a pálida lembrança. Daqueles tempos que não voltam mais! Guilherme de Almeida


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Um sábio me dizia: esta existência, não vale a angústia de viver. A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero inventaria a morte. Uma célula orgânica aparece no infinito do tempo. E vibra e cresce


e se desdobra e estala num segundo.