Poemas do Século XIX

Cerca de 1395 poemas do Século XIX

“[A mocidade] É a idade da força e da beleza:/ Olha o futuro e inda não tem passado; / E encarando de frente a natureza, / Não tem receio do trabalho ousado.”

“[A mocidade] Ama a vigília, aborrecendo o sono; / Tem projetos de glória, ama a quimera; / E ainda não dá frutos como o outono, / Porque dá flores como a primavera”.

⁠O homem feliz é aquele que pode imitar o caramujo. O caramujo traz às costas a própria casa, não tem apólices, não tem dores de cabeça; e, quando viaja, vai dizendo alegremente: "omnia mecum porto!"

Olavo Bilac
Ironia e piedade (1916).

A Boneca

Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
Dizia a primeira : “É minha!”
— “É minha!” a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.
Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.
Tanto puxavam por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.
E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando a bola e a peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca ...

O cavaleiro pobre
(Pouchkine)
Ninguém soube quem era o Cavaleiro Pobre,
Que viveu solitário, e morreu sem falar:
Era simples e sóbrio, era valente e nobre,
E pálido como o luar.
Antes de se entregar às fadigas da guerra,
Dizem que um dia viu qualquer cousa do céu:
E achou tudo vazio... e pareceu-lhe a terra
Um vasto e inútil mausoléu.
Desde então, uma atroz devoradora chama
Calcinou-lhe o desejo, e o reduziu a pó.
E nunca mais o Pobre olhou uma só dama,
- Nem uma só! nem uma só!
Conservou, desde então, a viseira abaixada:
E, fiel à Visão, e ao seu amor fiel,
Trazia uma inscrição de três letras, gravada
A fogo e sangue no broquel.
Foi aos prélios da Fé. Na Palestina, quando,
No ardor do seu guerreiro e piedoso mister,
Cada filho da Cruz se batia, invocando
Um nome caro de mulher,
Ela rouco, brandindo o pique no ar, clamava:
“Lumen coeli Regina!” e, ao clamor dessa voz,
Nas hostes dos incréus como uma tromba entrava,
Irresistível e feroz.
Mil vezes sem morrer viu a morte de perto,
E negou-lhe o destino outra vida melhor:
Foi viver no deserto... E era imenso o deserto!
Mas o seu Sonho era maior!
E um dia, a se estorcer, aos saltos, desgrenhado,
Louco, velho, feroz, - naquela solidão
Morreu: - mudo, rilhando os dentes, devorado
Pelo seu próprio coração.

⁠Surdina (em Alma Inquieta)
No ar sossegado um sino canta,
Um sino canta no ar sombrio...
Pálida, Vénus se levanta...
Que frio!

Um sino canta. O campanário
Longe, entre névoas, aparece...
Sino, que cantas solitário,
Que quer dizer a tua prece?

Que frio! embuçam-se as colinas;
Chora, correndo, a água do rio;
E o céu se cobre de neblinas...
Que frio!

Ninguém... A estrada, ampla e silente,
Sem caminhantes, adormece...
Sino, que cantas docemente,
Que quer dizer a tua prece?

Que medo pânico me aperta
O coração triste e vazio!
Que esperas mais, alma deserta?
Que frio!

Já tanto amei! já sofri tanto!
Olhos, por que inda estais molhados?
Por que é que choro, a ouvir-te o canto,
Sino que dobras a finados?

Trevas, caí! que o dia é morto!
Morre também, sonho erradio!
- A morte é o último conforto...
Que frio!

Pobres amores, sem destino,
Soltos ao vento, e dizimados!
Inda voz choro... E, como um sino,
Meu coração dobra a finados.

E com que mágoa o sino canta
No ar sossegado, no ar sombrio!
- Pálida, Vénus se levanta...
Que frio!

Incontentado

Paixão sem grita, amor sem agonia,
Que não oprime nem magoa o peito,
Que nada mais do que possui queria,
E com tão pouco vive satisfeito...

Amor, que os exageros repudia,
Misturado de estima e de respeito,
E, tirando das mágoas alegria,
Fica farto, ficando sem proveito...

Viva sempre a paixão que me consome,
Sem uma queixa, sem um só lamento!
Arda sempre este amor que desanimas!

E eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,
O coração, malgrado o sofrimento,
Como um rosal desabrochado em rimas.

"Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade
Solto para onde estás, e fico de ti perto!
Como, depois do sonho, é triste a realidade!
Como tudo, sem ti, fica depois deserto!..."

__Olavo Bilac - Trecho - O Sonho

Pátria, latejo em ti, no teu lenho, por onde
Circulo! e sou perfume, e sombra, e sol, e orvalho!
E, em seiva, ao teu clamor a minha voz responde,
E subo do teu cerne ao céu de galho em galho!

Dos teus liquens, dos teus cipós, da tua fronde,
Do ninho que gorjeia em teu doce agasalho,
Do fruto a amadurar que em teu seio se esconde,
De ti, - rebento em luz e em cânticos me espalho!

Vivo, choro em teu pranto; e, em teus dias felizes,
No alto, como uma flor, em ti, pompeio e exulto!
E eu, morto, - sendo tu cheia de cicatrizes,

Tu golpeada e insultada, - eu tremerei sepulto:
E os meus ossos no chão, como as tuas raízes,
Se estorcerão de dor, sofrendo o golpe e o insulto!

Inserida por mangialardobr

⁠Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!

Olavo Bilac
Antologia de poesia brasileira - Realismo e Parnasianismo. São Paulo: Ática, 1998.

Nota: Trecho do poema A um poeta.

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Inserida por artista-eb

⁠Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Inserida por pensador

As serenatas rompem os silêncios !
É madrugada , Varela e Castro Alves ,
Líricos , após tragos e mais taças
De cervejas vão abraçados com

Duas donzelas ! Byronismo é lâmpada
De postes nas ruelas ! A Veneza
É um mundo à parte , eles estão
Na comarca de São Paulo , garoa

Bastante e nessa graça ambos os gênios
Declamam os versos na orla da cidade
Adormecida, ao sabor de Baco !

Os trôpegos passos, as mentes lúcidas!
Nos ocidentes, os faróis dos mares
Ascendem idéias na mocidade !!!

Ela é tão linda, que nem Manoel Bandeira a achou em Passárgada.
Porem Castro Alves em "Amar e ser Amado" Quebrou a Cara.
Até O Boca do Inferno se rendeu ao Anjo Bento, pois sua beleza é tão incomparavel e indecritivel.

Salve salve, Castro Alves!


eu de 14-bis para homenageá-lo singelamente
sentindo o climão com estes narizes pouco sutis
repetindo os rasantes de cor: liberal, doravante!
desenhando as pegadas nas mentes altaneiras:
“é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar”!
meu poeta maior, vivo da silva e extravagante!
quero expô-lo romântico tardio, mas não óbvio
e dizê-lo – redivivo – repetida e publicamente!

Em Paris


"Meu Deus! Quanta beleza..."
exclama o poeta Castro Alves...
Meu Deus! Quanta tristeza...
horror, indignação
achar que a solução está...
nas próprias mãos...
Ou... pior... achar que É a solução.

CASTRO ALVES

A forma que me informa, o tempo gasto a ler bons livros do escritor Castro - o Alves !Amigo íntimo, de escritas suaves... Que me prende e ostenta um ar de contentamento.Uma vez que o sentimento, que desperta em mim, a todo momento...Enquanto viajo entre a terra e o céu, no desnudo de um universo que pode ser traduzido num verso,
ou num texto bem elaborado, onde o escritor deixa o seu recado, fruto de um legado, digno de ser observado, comparado, admirado !
Quizera eu, pobre homen! Inculto, de pouco saber, também escrever:Belos textos, versos e poesias. Que embora leigo; me seduz e contagia...Não sou um Castro Alves, o mestre da escrita, dotado de saber e inspiração.
No entanto; sou prisioneiro da emoção...
- Que me prende e me domina;- Que me inspira e diz:"se vira!"E é assim! Que na veste de mero admirador
Faço jus, uma homenagem a um escritor
Que o Brasil conhece, respeita e reconhece:Ser dentre os mestres, aquele que mereceaplausos, a ser sempre lembrado
pelo bem deixado.
Obrigado! Castro Alves, meu caro escritor.O qe escreves... È fruto de seu amor.Jóia rara, de um grande educador.

Inserida por nilduarte

Não dar pra ser só proza.
Eu sei ser poesia.
Sou a métrica rica, decassílaba de Castro Alves
Sou também o fogo ardente de Camões.
Sou um soneto, maltrapilho, vestido de sensações

Inserida por Tigotss

Levantai-vos, Castro Alves
Do túmulo onde dormis,
Vinde já nesse momento,
Com vossa lira feliz
Permutar as Vozes d’África
Pelas de vosso país.

Inserida por cordel_na_rede

MINHAS SAUDADES

Eu já namorei jogando pedras
Na janela de minha amada.
E recitava Castro Alves,
Para chamar a atenção dela,
Mostrando-me um revolucionário
Um contra-ponto, nas ordens do dia.
Eu já namorei empunhando um violão,
Dando-me em segundo plano,
Pois ela prestava atenção
Mais as canções do que a mim.

Tempo, tempo, aonde vamos nós?
Tu apressado, nós correndo,
Pra onde?
Hoje eu tenho o meu amor,
Mas por mim ainda andava vagando
Nas ruas seguras da minha cabeça.
Ainda chorava, escrevia cartas
Com caneta tinteiro.
Ainda levava ao meu amor um cacho de jasmim,
E não saia te seguindo, tempo,
Me segurava abraçado ao peitoril da casa dela
Quando visse apenas uma ameaça de vento.
E ficava por lá, contando estórias,
Ouvindo os pássaros nas matas,
A começar pela madrugada
Quando devagarinho voltava pra casa
Como o coração cheinho de esperança.

Inserida por naenorocha

⁠Sempre foi por você;
Por seus olhos lindos e tristes como uma poesia de Castro Alves;
Por seu olhar aleatório para qualquer lugar, a fim de disfarçar sua timidez;
Por seu jeito doce de tratar as pessoas.
Por sua fé e sua paz que deixa qualquer lugar mais leve;
Por seu sorriso lindo que se mostra mais lindo quando está ao encontro do meu.

Inserida por EvaCordeiro