Poemas sobre saudade para transformar ausência em palavra

Quando a saudade encosta no ombro, eu finjo firmeza para não desmontar, mas tem um pedaço de mim que não dorme só pra te esperar.

Quando a saudade nos alcança, ela não dá esperança, mas só dá pancadas, com o chicote das lembranças, a gente avança e com elas acumuladas.

Sou ausência tão presente que domina o espaço e pesa no ar. Quanto mais me apago, mais insisto em permanecer, pois até no último suspiro o fogo se lembra de arder em si.

Foi nas perdas que aprendi o real valor da presença, porque só a ausência revela quem realmente ficou por amor.

O amor não é ausência de dor, é persistência mesmo doendo. Amar apesar da dor é persistir na construção, mesmo quando o alicerce treme.

Vivi o silêncio de deus e vi que ele estava lá, ausência de voz não foi abandono, foi espera, no silêncio, aprendi que a presença persiste, mesmo calado, Deus se fez companhia.

⁠O paradoxo revela a dor de existir sabendo que a própria presença ou ausência não altera o curso do mundo. É a consciência da própria irrelevância diante de um universo indiferente, onde o desejo de significado colide com a certeza do esquecimento. A ferida nasce do conflito entre querer importar e perceber que, no fundo, o vazio permanece o mesmo.

Meu coração vigia mesmo quando o corpo dorme, pois sabe que a visão da ausência é a pior das tormentas no silêncio da noite.

A clareza não reside na ausência de complexidade, mas na ordem lúcida de suas partes.

O tempo não cura, ele apenas te obriga a conviver com a ausência e a transformar a falta em presença interna.

A resistência não é a ausência de dor, mas o ato de respirar fundo quando tudo pede que você desista.

A leveza não está na ausência de peso, mas na força inquebrável da coluna que aprendeu a suportá-lo.

A verdadeira cura não é a ausência de dor, mas a nova relação de respeito que você estabelece com ela.

O tempo não apaga a memória, mas ensina a conviver com a ausência sem perder a urgência do presente.

A paz não é a ausência de conflitos, mas a certeza de que a presença d’Ele é um escudo inquebrável.

A saudade da simplicidade é o luto por um tempo em que os problemas eram menores que a inocência.

A liberdade não é a ausência de correntes, mas a decisão de não se submeter à vontade de ninguém.

A humildade não é a ausência de força, mas a sabedoria de reconhecer que a vida é um empréstimo temporário, e que todo o sucesso material que alcançamos pode ser varrido pelo vento da impermanência em um instante, deixando apenas o saldo das nossas ações invisíveis, aquelas que nutrimos no silêncio do coração. O maior tesouro que um homem pode acumular é a lembrança de ter sido um canal de paz e auxílio, pois a verdadeira riqueza não está no que se guarda nos cofres, mas naquilo que se distribui sem alarde, e na leveza da alma que sabe que a mão que se estende jamais se sente vazia.

A saudade é um animal que corre em círculos pela casa. Não morde, apenas arranha portas que já deviam estar trancadas. Dentro do peito, a boca do animal é uma chama azul. Alimento-o às vezes, por não saber esperar o fim do fogo. Mas aprendendo, deixo o bicho dormir sem abrir a porta.

A saudade tem cheiro, tem peso, tem pulso, ela me abraça quando menos espero, e me faz lembrar que sentir é humano, só não deixo que ela me afogue, eu respiro fundo e sigo carregando memórias.