Poemas de Rosa
Será que foi de propósito
que Deus fez a vida
sem propósito?
Foi o homem que inventou
o propósito da vida.
Por isso, não pode entender
que a vida é sem propósito.
E sofre assim sem propósito.
Eu sei que sempre foi meu Deus
Mas sei também
Que é o meu melhor amigo.
Eu sei que me perdi no tempo,
Mas sei que sou muito melhor contigo.
Só somos uma vez e nunca mais:
não há repetições na Natureza.
Não se confunda o som com o seu eco.
Os fantasmas são ecos que assombram
os ouvidos sensíveis da saudade.
Ninguém se sacrifica por fazer o que gosta.
Sofrer é fazer o que não se quer.
Para quem faz o que não quer, até uma flor é pesada.
Ilumina a paisagem como um girassol
Intrigante e possante como uma violeta
Com uma doce suavidade de um lírio
Belo como a margarida sob a borboleta.
O sentimento desabrocha como tulipas
Ou gerânios vermelhos de paixão
Terno e delicado como jasmim
As suaves gérberas choram de emoção.
Uma rosa não representa com esplendor
O encanto e a magia existente em nosso amor
Por isso não te dou somente uma flor
Mas o mais belo ramalhete segundo o floricultor.
(adaptado de Garotos Também Amam)
Raposa
Jovem raposa, quem é você?
A ti foi dada a chave de meu coração
Coração este sombrio, selado por espessos
cristais de gelo.
E agora você simplesmente abre-o e nele põe
uma chama viva...
Chama esta que em pouco tempo reaqueceu
o que antes era frio,
Chama esta que iluminou o que antes era pura
escuridão...
Como faz isto?
De onde vem?
A ti hoje confio de olhos vendados.
Como fez isso?
Como ganhou minha confiança em tão pouco tempo?
Tornou-se domadora de um lobo que antes, era selvagem.
Jovem raposa, quem é você?
Você realmente me assusta,
Mas me cativa.
Você literalmente me domina,
Mas me motiva.
Isso é o que chamam de amor?
Esta chama que plantaste em meu coração?
Se for, é a melhor de todas as coisas.
E quanto a ti, a mais sábia e bela de todas as
raposas...
Ninguém vai chorar por você,
mas pela falta que você fará,
a companhia e a presença,
o tempo compartilhado,
os espaços preenchidos,
seu ouvido disponível,
sua voz consoladora.
A morte destrói o corpo,
não o amor que ficou,
embora em dor e saudade.
Lembrança é quase pessoa,
vagando por toda a casa,
perfume de coisas órfãs,
gemendo em cada lugar.
Qual o peso e o tamanho
da saudade que sentimos?
Que distância é a saudade
entre as pessoas ausentes?
Qual o tempo da saudade
para doer na perda
das afeições mais queridas?
Qual o peso da saudade
no coração solitário?
Significa que posso não ter muito conhecimento e/ou experiência, porém desconfio de como as coisas sucedem já que possuo imaginação. (Riobaldo - Grande Sertão: Veredas)
Isso de entregar-se por inteiro às misérias de cada dia que passa é coisa inconcebível e intolerável para mim...precisamente um lutador é quem mais tem que esforçar-se para ver as coisas de cima, caso não queira encarar a cada passo todas as mesquinharias e misérias..., sempre e quando, naturalmente, se trate de um lutador de verdade...
No que vagueia os olhos, contudo, surpreende-se-lhe o imanecer da bem-aventura, transordinária benignidade, o bom fantástico.
Mas; também, cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta! (...) O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
O que leva o homem para as más ações estranhas, é estar diante do que é seu, por direito, e não sabe...Não sabe...Não sabe...
A história de um burrinho, como a história de um homem grande, é bem dada no resumo de um só dia de sua vida.
Sempre vem imprevisível o abominoso? Ou: os tempos se seguem e parafraseiam-se. Deu-se a entrada dos demônios.
