Poemas de Reflexão
Por muito tempo, confundi paixão com salvação. Descobri que, quando o nosso coração passa fome de cuidado e atenção, qualquer gesto genuíno de carinho vira um oásis.
Não me apaixono pela pessoa em si; apaixono-me pela sensação de, finalmente, ser tratada com a gentileza que sempre mereci. É dopamina, é carência de afeto guardado, é o eco de um vazio antigo. E quando alguém nos dá isso, a tendência é entregar o peito inteiro, com medo de que acabe
Mas o verdadeiro amor não deveria ser um resgate de emergência. Amar de verdade exige ver o outro por quem ele é, e não apenas pelo alívio que a sua presença traz para as nossas feridas.
Vamos repensar?
Nicolás Gómez Dávila:
“O homem moderno não acredita em Deus; acredita em tudo o que o substitui.”
Carlos Eduardo Balcarse:
“O homem moderno não abandonou a fé; apenas trocou o objeto da sua fé. Deixou de buscar o eterno para idolatrar o efêmero. Substituiu Deus pelo ego, a consciência pelo desejo e a verdade pela aprovação daqueles que também estão perdidos.”
Vamos repensar?
Albert Camus:
“No meio do inverno, descobri que havia dentro de mim um verão invencível.”
Carlos Eduardo Balcarse:
“O homem que encontra sua força interior deixa de depender das estações externas da vida. Existem pessoas cercadas de abundância vivendo em uma eterna tempestade, enquanto outras atravessam desertos carregando dentro de si uma fonte. O verdadeiro clima da existência não está fora; está na consciência.”
Vamos repensar?
Baltasar Gracián:
“Conhecer a si mesmo é o começo de toda sabedoria.”
Carlos Eduardo Balcarse:
“O homem moderno conquistou o mundo externo e perdeu o acesso ao próprio mundo interior. Sabe medir distâncias entre planetas, mas desconhece os abismos dentro de si. A maior ignorância humana não é não saber sobre o universo; é não saber quem observa o universo.”
“Pensar por si mesmo começa quando deixamos de acreditar automaticamente até em nós mesmos.”
Carlos Eduardo Balcarse
“Quando o interesse pensa por nós”
Gostamos de acreditar que primeiro pensamos e só depois escolhemos. Mas talvez, em muitos momentos, façamos o caminho inverso. Primeiro, algo em nós escolhe, e só depois o pensamento trabalha para justificar a escolha.
Interesse não é apenas dinheiro ou vantagem material. Pode ser o interesse em pertencer, em ser aceito, em manter uma identidade, em não decepcionar um grupo, em não admitir um erro.
Talvez os interesses mais poderosos sejam, justamente, aqueles que não reconhecemos como interesses.
Não se trata apenas de más intenções ou falta de caráter, mas de perceber o quanto o pensamento pode ser convocado para defender conclusões que nunca foram realmente examinadas.
Conhecimento, sozinho, não resolve isso. Uma pessoa pode ter muito repertório e ainda assim usá-lo para proteger conclusões que jamais permitiu serem questionadas.
Talvez por isso o diálogo esteja tão difícil. Não apenas porque faltam ouvidos, mas porque ouvir de verdade ameaça interesses que nem sempre estamos dispostos a perder.
Talvez a pergunta mais difícil não seja “o que eu penso?”, mas “o que, em mim, precisa que eu pense assim?”
Há interesses que não compram nossas opiniões. Eles apenas nos convencem de que elas são nossas.
Carlos Eduardo Balcarce
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
Discernir não é apenas decidir em que acreditar. É calibrar quanta autoridade cada informação, pensamento ou influência merece receber antes de participar da decisão.
Carlos Eduardo Balcarse
O problema não é apenas aquilo em que acreditamos, mas quanta autoridade epistêmica concedemos ao que acreditamos. Discernir começa quando o peso de uma convicção deixa de ser automático e se torna examinável.
Carlos Eduardo Balcarse
POR QUE LEMBRAR DE ALGUMA COISA NÃO SIGNIFICA QUE DEVEMOS ACREDITAR NELA?
A memória possui uma característica extraordinária. Ela consegue fazer o passado parecer presente.
Uma lembrança surge acompanhada de imagens, sensações, palavras e emoções. Quanto mais nítida ela parece, maior pode ser nossa sensação de que estamos recuperando exatamente aquilo que aconteceu.
Mas lembrar não é reproduzir uma gravação.
A memória humana reconstrói.
Isso significa que aquilo que recuperamos pode carregar elementos do acontecimento, interpretações posteriores, conhecimentos adquiridos depois e estados emocionais presentes.
Nada disso torna a memória inútil. Torna necessário discerni-la.
Existe uma diferença importante entre “Eu me lembro disso” e “Isso aconteceu exatamente como estou lembrando.”
A primeira afirmação descreve uma experiência presente. A segunda faz uma afirmação sobre o passado.
Entre ambas existe uma distância epistemológica enorme.
O problema surge quando a vivacidade da lembrança passa a funcionar como prova de sua precisão.
Sentimos a memória com tanta intensidade que lhe concedemos autoridade proporcional à intensidade da experiência.
Mas intensidade e precisão não são sinônimos.
Por isso, recuperar um conteúdo não deveria significar automaticamente autorizá-lo.
Essa distinção participa daquilo que venho desenvolvendo como desautorização epistêmica reconstrutiva.
O conteúdo recuperado pode ser acolhido sem ser imediatamente convertido em conclusão.
Podemos lembrar e investigar. Sentir e verificar. Reconhecer e revisar.
A memória merece ser ouvida. Mas ouvir não significa obedecer.
Nem tudo aquilo que retorna à consciência deve retornar com a mesma autoridade.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
O QUE DIFERENCIA TER UMA OPINIÃO DE TER RAZÕES PARA ACREDITAR?
Todos temos opiniões.
O problema começa quando confundimos o direito de ter uma opinião com a qualidade das razões que a sustentam.
Podemos acreditar em alguma coisa por experiência pessoal, tradição, intuição, autoridade, medo, esperança, evidência ou simplesmente repetição.
Essas origens não possuem o mesmo valor para todas as perguntas.
Uma experiência pessoal pode ser extremamente relevante para dizer como determinada situação nos afetou, mas insuficiente para concluir como a mesma situação afeta milhões de pessoas.
Uma autoridade pode ser excelente fonte dentro de sua especialidade e pouco confiável fora dela.
Ter uma opinião descreve um estado. Ter razões exige justificá-lo.
É justamente nesse intervalo que aparece a responsabilidade epistêmica.
Não precisamos possuir certeza absoluta para acreditar. Mas precisamos aprender a perguntar se a força da nossa crença é proporcional à força das razões disponíveis.
Essa proporcionalidade está próxima do que denomino calibração discernitiva.
Quanto mais frágeis as evidências, mais provisória deveria ser a conclusão. Quanto maior a incerteza, maior deveria ser nossa abertura à revisão.
O problema não é dizer “eu acho”.
O problema é transformar “eu acho” em “é assim” sem perceber a distância percorrida.
Toda pessoa tem direito à própria opinião. A realidade não tem obrigação de concordar com ela.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
A mente não precisa MENTIR para nos enganar; basta que acreditemos nela sem interrogá-la.
Carlos Eduardo Balcarse
Há ideias que carregamos e ideias pelas quais somos carregados; discernir é descobrir quem está levando quem.
Carlos Eduardo Balcarse
Não basta mudar de ideia; é preciso descobrir se fomos nós que mudamos a ideia ou se a ideia mudou quem somos.
Carlos Eduardo Balcarse
A ferramenta que facilita o fazer não pode nos impedir de descobrir se ainda sabemos FAZER.
Carlos Eduardo Balcarse
Quem aprende apenas a acertar pode nunca aprender a descobrir por que estava ERRADO.
Carlos Eduardo Balcarse
O aluno que sabe repetir uma conclusão ainda precisa descobrir se consegue reconstruí-la sem o autor, o professor ou a máquina.
Carlos Eduardo Balcarse
POR QUE ACREDITAMOS EM NOSSOS PRÓPRIOS PENSAMENTOS?
Pensar alguma coisa não torna essa coisa verdadeira.
Mas existe uma armadilha silenciosa: como o pensamento acontece dentro de nós, frequentemente tratamos sua origem interna como certificado de confiabilidade.
A mente produz.
O discernimento avalia.
Entre uma coisa e outra deveria existir uma pergunta:
Por que este pensamento merece ser acreditado?
Pensamentos podem nascer do medo, da memória, do hábito, da expectativa, do preconceito, da informação correta ou do erro.
Por isso, pensar por si mesmo exige algo aparentemente paradoxal:
Aprender a desconfiar de si mesmo sem deixar de confiar em si.
Autonomia não é acreditar em tudo o que pensamos.
É aprender a decidir quanto do que pensamos merece continuar pensando por nós.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
POR QUE PESSOAS INTELIGENTES TAMBÉM ACREDITAM EM COISAS ERRADAS?
Inteligência não imuniza ninguém contra o erro.
Às vezes, inclusive, nossa capacidade de argumentar pode ser utilizada para defender com enorme sofisticação aquilo que nunca examinamos com a mesma sofisticação.
Saber argumentar não garante saber revisar.
Conhecimento não elimina vieses.
Formação não elimina interesses.
Memória não elimina distorções.
E inteligência não elimina a necessidade de discernimento.
Talvez uma das formas mais perigosas de ignorância seja aquela capaz de construir excelentes argumentos para não reconhecer a própria ignorância.
Quanto melhor pensamos, maior deveria ser nossa responsabilidade de pensar sobre como estamos pensando.
Porque a inteligência pode construir argumentos.
Mas somente a revisão permite descobrir quando os argumentos começaram a construir a inteligência que os defende.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
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