Poemas de quem Deu um Fora

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⁠Gente de alma bonita, e um coração bondoso.
E que sempre deixa amor por onde passa.
Essas quero ter sempre perto.

Um jeito ausente tão presente no olhar


Você chegou sem barulho, mas fez casa no silêncio.
Tem um jeito ausente tão presente no olhar... Corpo que foge pro mundo, olhos que ficam aqui, me achando em cada pausa.
Teu olhar não mente.
Diz "fica" quando você se cala. Diz "eu tô aqui" mesmo quando jura que foi embora.
E é nesse paradoxo que eu moro.
No amor que não faz alarde, mas permanece. Que me olha distraído e me encontra inteira.
No fundo, teu olhar é tua forma mais sincera de ficar.
E eu escolho morar nele.

Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)

Cora Coralina
Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. São Paulo: Global Editora, 2014.

Nota: Trecho do poema Antiguidades.

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Nós


Areia e mar,


Céu e horizonte,


Os coqueiros e nós,


Um clima só.

"Um homem pobre sabe que é pobre.
Mas uma mulher pobre acha que só está com o homem errado."
@Suedson_Corey

O valor de um homem jamais será medido pelo tamanho da sua voz, mas pela firmeza silenciosa com que sustenta aquilo em que acredita. Há pessoas que fazem barulho para serem vistas, e há outras que permanecem em pé mesmo no escuro, sustentadas apenas pela força do próprio caráter. E muitas vezes, é no silêncio dos íntegros que mora a presença mais poderosa de todas.


- Tiago Scheimann

A vingança não é um prato que se come frio.
É um prato negado quando se está com fome.
E ambos os lados continuam famintos.

Descartáveis

Em tudo o que fazemos,
há um pedaço de nós.

Entregamos amor,
espalhamos pensamentos,
derramamos suor,
e, sem perceber,
vamos deixando a alma pelos corredores do trabalho.

Acreditamos que o mérito floresce
onde há dedicação.
Que o cuidado alcança também
quem cuida.

Mas, um dia,
o silêncio revela uma verdade amarga:
para muitos,
somos apenas peças.

Quando deixamos de ser prioridade,
quando o cuidado não nos alcança,
quando a técnica vale mais que a pessoa,
descobrimos que o descarte existe.

Trocam nomes.
Trocam rostos.
Trocam histórias.
Como se vidas fossem objetos
sobre uma prateleira qualquer.

Ainda assim,
há algo que nenhuma empresa consegue substituir.

Os amigos.

São eles que conhecem o peso das nossas lágrimas escondidas,
o cansaço por trás do sorriso,
a força necessária para continuar.

Se para o patrão somos números,
para quem caminhou ao nosso lado
somos memória,
abraço,
presença.

Porque o trabalho pode descartar um crachá,
mas nunca apagará
o afeto de quem dividiu conosco
o mesmo sonho,
a mesma luta,
e o mesmo coração.

Boa noite de sono.
Bom descanso.
Dorme bem.
Amanhã é mais um dia.
Um presente dado por Deus.

Falar a verdade a um amigo é uma perspicácia, e nem sempre lhe garante permanecer na amizade.

Nara Nubia Alencar Queiroz

A Oficina dos Dias

Somos retalhos de vivências
alinhavados pelo tempo, sem pressa.
Cada um carrega no avesso do pano
o mapa de uma guerra, o sal de uma promessa.

Não nascemos inteiros. Fomos feitos
na oficina de perdas e achados.
Um pedaço veio do primeiro tombo;
outro, do beijo que ficou calado.

Buscamos sinais no passado
como arqueólogos de nós mesmos.
Escavamos a argila da memória
para entender o molde do que tememos.

E o que achamos? Um baú sem chave,
onde o riso dorme ao lado do pranto;
onde o nome que não dissemos
ainda ecoa num quarto.

Reciclamos paixões, sim.
Somos mestres em alquimia tardia.
Pegamos a cinza de um amor que não vingou
e fazemos dela nova poesia.

Tiramos do mar do esquecimento
náufragos que julgávamos mortos:
uma carta, um cheiro, uma música antiga,
e o peito vira cais, vira porto.

Nos deleitamos com as lembranças
não por fraqueza de quem não anda,
mas porque toda raiz precisa
da água escura que a expande.

Guardadas na alma, elas fermentam:
são vinho velho em pipa de osso.
Quando a vida aperta a garganta,
um gole de ontem desfaz o nó grosso.

Injetamos vida no que foi
com a agulha da insistência.
Ressuscitamos instantes banais
e os coroamos de transcendência.

Porque viver não é linha reta:
é espiral que volta e avança.
O menino que fomos nos olha
e cobra do homem a mesma esperança.

Somos feitos de fins que viraram meio,
de adeuses que aprenderam a voltar.
Cada cicatriz é uma costura
onde a luz resolveu morar.

E se alguém perguntar do tecido
que veste a nossa humanidade,
responde: é colcha de mil histórias,
remendada com dor, com fé, com saudade.

No fim, quando o corpo cansar
e a linha da vida se romper,
que nos enterrem com essa colcha:
pois fomos tudo o que deu para ser.

O Enigma do Professor Números


Era uma vez, numa escola esquecida no fim da floresta, um professor que ninguém via envelhecer. Chamavam-no de Senhor Ângulo, e seus olhos brilhavam como giz sob a lua cheia.


Contam que ele trocara sua alma com uma bruxa por uma lousa mágica: quem errasse uma conta em sua sala, desaparecia entre os números, virando apenas um sussurro na equação.


Toda noite de lua cheia, o relógio da escola batia treze vezes, e o Senhor Ângulo abria a porta da sala 13 — que de dia não existia.


Diziam as crianças que, se você resolvesse seu problema mais difícil, ganhava um desejo. Mas se errasse... seu nome sumia da chamada para sempre, e uma nova carteira vazia aparecia no fundo da sala.


Uma menina corajosa, chamada Alice, decidiu desafiá-lo. Resolveu a equação impossível sob a última página do livro proibido de fórmulas antigas.


O professor sorriu — pela primeira vez em cem anos — e sussurrou: "Finalmente, alguém quebrou o feitiço."


A escola inteira acordou de um sono de gerações, e o Senhor Ângulo, enfim livre, desapareceu como pó de giz ao vento.




Ficou bem mais tenebroso, com o professor como uma figura misteriosa e ameaçadora, sem muito foco em contas de matemática. Quer que eu deixe ainda mais sinistro, ou ajuste o final para deixar em aberto (tipo "ela ainda está lá...")?

"A biblía não é somente uma teoria. Na verdade, ela é mais que um guia."


—By Coelhinha

Um dia você me perguntou:
O que viu em mim?
Então eu respondi:
- Antes de amar seu
Coração,
Me apaixonei pelos seus
Defeitos!


Helaine Machado

Matança do Povo
Triste é um país
que mata o próprio povo
para saciar as luxúrias de poucos.
O egoísmo fala mais alto
do que qualquer honestidade.
Pensam ser os únicos dignos,
os únicos importantes.
Desviam investimentos
que deveriam melhorar
a vida da população,
para aumentar seus próprios bens,
mantendo o povo
preso à miséria.
São tantos desvios,
tantas rachadinhas,
tantos pix secretos…
No fim, ignoram justamente
aqueles que os colocaram no poder.
Enquanto uns passam fome,
outros fazem tour em Paris,
experimentando iguarias
que muitos jamais provarão.
São tantas covardias,
tantos egoísmos,
que muitos não conseguem
nem o mínimo para saciar o corpo.
E assim se revelam
as vergonhas da humanidade,
os extremos da desigualdade,
onde o egoísmo e a covardia
expõem a falência moral
da própria sociedade.
— Helaine Machado

Nas Mãos do Oleiro
Helaine Machado
Nas mãos do Oleiro somos como um vaso na roda, prontos para ser moldados.
Nossa matéria-prima é o barro, e é Jesus quem nos dá forma.
Quando Ele começa a nos moldar, ficamos felizes,
pois deixamos de ser apenas matéria
para nos tornarmos uma obra de valor.
Mas, quando o vaso entra na fornalha,
chega o momento da prova.
É um tempo que dói no corpo e na alma,
um tempo de purificação.
Depois, Deus nos coloca na prateleira.
É o momento de respiro, de misericórdia,
de descanso após o fogo.
Então vem a revisão de Cristo,
para ver se o vaso está perfeito
ou se ainda há algum defeito.
Quando o vaso está pronto,
Ele o leva consigo,
mesmo que o processo tenha causado dores.
Mas, se o vaso apresenta alguma falha,
o Oleiro o quebra
e começa novamente a moldá-lo.
Assim é a nossa vida
nas mãos de Jesus Cristo.
Deixe que Ele te molde,
para que um dia te leve
à vida eterna.
— Helaine Machado

Grande Amor
Helaine Machado
Dizem que, quando temos um grande amor,
se um dia ele resolver sair da nossa vida,
devemos deixá-lo ir.
Se em algum momento ele realmente nos pertenceu,
um dia irá voltar.
Mas, se partir para sempre
e nunca mais retornar,
é sinal de que, na verdade,
nunca foi nosso.
— Helaine Machado

Casal Imperfeito
Não somos um casal perfeito.
Nos desentendemos,
falamos palavras duras
que machucam nossos corações.
Quando a briga se torna mais intensa,
eu sempre digo:
— Vai embora!
Afasta-te da minha presença,
da minha vida...
Em meio à raiva,
digo palavras que não são verdade:
— Não te amo mais!
Faço de tudo
para tentar te magoar.
Mas, quando a tempestade passa,
quando o silêncio toma conta,
você simplesmente me abraça,
acalma meu coração
e me lembra, em silêncio,
que ainda me ama.

Saudade é amor que fica.


Você se foi
e levou um pedaço gigantesco de mim…
um desses que não se recompõe fácil.


Mas o amor
você esqueceu.


E ele ficou aqui,
ocupando tudo,
transbordando nos silêncios,
me atravessando nos dias mais comuns.


É por isso que eu morro de saudade.


Porque o que ficou
não foi pouco.


Ficou o que mais pesa,
o que não passa,
o que insiste em existir
mesmo depois da sua partida.


E eu escrevo
não para esquecer,
mas para dar lugar
ao que ainda vive em mim.




Aos meus pais 🤍

Tenho ânsia de te encontrar. Urgência de me abrigar em teus braços. Ainda que fosse apenas por um instante, por um cafuné, para repousar a tranquilidade entre o peito e o mundo.

Queria atender ao chamado do que me chama em teu olhar. Às vezes, queria trocar o relógio, vencer o tempo, rasgar a distância. Mas há o medo… ah, o medo. Esse que trava, bloqueia, bloqueia, semeia dúvidas. O receio de atropelar a forma certa e não deixar acontecer.

Mas existe forma certa quando o amor decide invadir? Existe medida exata para aquilo que chega tomando posse do que já lhe pertence?

Ah, a paixão… Ela me parece vir carregada de ímpeto e da bela insensatez dos destemidos apaixonados.

Então me pergunto: por que o amor conserva tanto pudor? Por que teme pisar em águas profundas, se ele, por si só, já nasce tão profundo?