Poemas de quem Deu um Fora

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⁠Para se ter um sonho
nenhum esforço
é necessário;
mas para realizá-lo
é preciso trabalho,
dedicação, persistência,
força, fé e entrega de vida

⁠Sinto-me como um um beija flor
Batendo minhas asas vou
e não deixarei que nada ou ninguém
Venha embargar meu vôo


Maria Francisca Leite

A maior ilusão que carreguei no peito foi acreditar que a intensidade de um sentimento bastava para segurar o mundo. Eu tive a chance de caminhar ao lado de uma mulher extraordinária; sua alma transbordava generosidade, os olhos sorriam antes dos lábios e a presença trazia uma calmaria que nenhum lugar do planeta conseguiu repetir. No entanto, caí na armadilha mais antiga do coração humano: a zona de conforto do afeto garantido.
Quando o destino coloca a pessoa certa na nossa jornada, a mente sabota a realidade fazendo parecer que o amanhã é eterno. Deixei de notar os pequenos silêncios dela. Ignorei os cansaços mudos, achando que o laço que nos unia era indestrutível. O erro cometido por quem ama demais costuma ser o orgulho bobo de achar que o outro suportará qualquer ausência, qualquer deslize, só porque fomos rotulados como almas gêmeas. O apego cega a percepção.
A vida pune severamente essa negligência. O universo não tolera o desperdício de milagres cotidianos. Em um amanhecer qualquer, a linha invisível que nos conectava simplesmente se rompeu, não por falta de carinho, mas pelo peso dos desencontros acumulados que a rotina disfarçou. Vê-la partir quebrou o espelho do meu egoísmo.

Aprendi da forma mais dolorosa que os encontros celestiais exigem manutenção terrena. Ficar longe de quem completa nossa essência transforma os dias em mera contagem de tempo. Hoje, guardo as lembranças como joias trancadas na memória.

Se o fio que prende você ao seu par ideal ainda permanece intacto, cuide de cada centímetro dele agora, pois o amanhã costuma ser um mestre cruel que ensina o valor do abraço apenas através da saudade vazia.

A tarde cai. O sol se põe.
Cenário envolvente
Espetáculo indescritível...
Mais um dia que termina.
Mais uma volta completa da terra...
Confusão de sentimentos
Melancolia...paz...
silêncio que cala fundo na alma.
É tudo muito rápido!
O sol que se vai
A escuridão que desce
Amanhã tudo estará novamente preparado
Para que o espetáculo se repita
Ande, venha ver o sol poente!

Olhos

Sumiu...
Como se fosse um sonho bom,
Ou aquela tarde em que choveu e todo mundo correu junto.
Sumiu;

Igual ao sono antes daquele dia,
O sopro antes da chuva,
O silêncio antes do estrondo,
Sumiu;

Como se fosse coisa da Minha cabeça,
Invenção do coração,
Igual lágrima que secou no rosto.
Sumiu.

Toda manhã recebo mais uma oportunidade de fazer diferente.
Um Recomeço.
Na oportunidade evitarei o erro.

Um beijo, uma carícia,
Um olhar penetrante,
O amor é uma delícia,
Que dispensa adoçante!
Vem amor, me sacia,
Me liberta dessa agonia!

Um beijo, uma carícia,
Um olhar é suficiente,
Vem assim com malícia,
Deixa meu corpo dormente.
Vem amor, me pega, me ama,
Me leva pra sua cama!

Um beijo que enfeitiça,
Um olhar malandrinho,
A tudo você cobiça,
E pra tudo tem jeitinho.
Confesso, isso me atiça,
Mas faça tudo com carinho!

Mais um beijo, não censuro,
Seu olhar revelador,
Quero tudo, eu juro,
Vamos amar sem pudor.

E depois de bem saciado,
Dormiremos lado a lado,
Na nossa alcova de prazer.
Mas que seja um sono curto!
Logo me acorde, pra gemer.

(Luxúria)

Teu corpo pode até
tocar outro corpo
e transformá-lo
em um rio de águas claras.
Tua voz pode até sussurrar
outro nome
e também ama-la intensamente.
mas transforma-me em um vasto oceano
que na sua loucura mais suave destroi tudo, inclusive a si mesmo.

30 de Janeiro - Dia da Saudade


Oh! Saudade!
És um sentimento nobre,
que nenhuma outra língua do mundo
consegue traduzir.


Morada de ausências vivas,
presença que dói e aquece,
fio invisível que nos costura
ao que foi,
e ao que nunca deixou de ser.


Saudade é amor que ficou
sem corpo,
memória que pulsa,
nome que o tempo não apaga.


É o silêncio que fala,
é o coração lembrando
aquilo que a vida tentou levar.


Oh, Saudade!
Às vezes,
és uma sensação contraditória
do meu ser.


Sinto-te
por aquilo que não tive,
não vivi e não fui.


Saudade do possível que não aconteceu,
dos caminhos abortados,
das versões de mim
que morreram antes de nascer.


Tu doês sem memória,
arde sem lembrança,
és falta sem rosto
e, ainda assim,
me habitas inteira.


Saudade é esse vazio cheio,
essa ausência que pesa mais
do que muitas presenças.


É o luto
do que nunca existiu,
mas insistiu em me sonhar.


✍©️@MiriamDaCosta

Ode à Vida


Oh! Vida!
És um enigma que nos desafia
a experimentar e enfrentar,
aprender e evoluir.


Oh! Vida!
És uma dádiva,
uma escola de multiplicidades,
onde a individualidade permite
a troca de vivências,
e, infelizmente,
nem sempre somos capazes
de sermos aprovados...


Oh! Vida!
És uma biblioteca de oportunidades
e opções de leitura ( sem releituras) e interpretações mutáveis ou não...


Oh! Vida!
Livro aberto e, ao mesmo tempo,
manuscrito indecifrável,
onde escrevemos com tinta
de escolhas
e apagamos com lágrimas
de arrependimento...


Oh! Vida!
És mestra severa e mãe generosa,
que embala e, por vezes, sacode,
que acolhe no colo da esperança
e lança ao deserto das perguntas
sem respostas óbvias e claras
ao nosso entendimento limitado...


Oh! Vida!
És travessia,
ponte entre o que fomos,
podemos ser e o que ainda
ousamos ou não ser...


Oh! Vida!
És o sopro
que acende nossos sonhos
e o vento
que testa nossas raízes...


Oh! Vida!
És palco e bastidor,
és riso
que floresce sem aviso
e silêncio
que amadurece na dor...


Oh! Vida!
És o instante breve
que insiste em parecer eterno
quando vivido com presença,
e eternidade inteira
quando guardado na memória
do afeto...


Oh! Vida!
Entre quedas e recomeços,
ensinas, sem palavras,
que existir
é verbo em movimento,
é semente insistindo
mesmo sob o peso da terra árida
do mundo...


Oh! Vida!
Que eu te leia com coragem,
que eu te interprete com verdade,
e que,
ao final de cada capítulo,
eu reconheça,
(mesmo cansada...)
a tua sagrada e indomável Poesia.
✍©️@MiriamDaCosta

O LUGAR DA TRANSGRESSÃO

Encontrei um sapo cochilando dentro de
Minha botina. Nunca me meti em botina
De sapo. Que liberdades são essas?

⁠Gente de alma bonita, e um coração bondoso.
E que sempre deixa amor por onde passa.
Essas quero ter sempre perto.

Um jeito ausente tão presente no olhar


Você chegou sem barulho, mas fez casa no silêncio.
Tem um jeito ausente tão presente no olhar... Corpo que foge pro mundo, olhos que ficam aqui, me achando em cada pausa.
Teu olhar não mente.
Diz "fica" quando você se cala. Diz "eu tô aqui" mesmo quando jura que foi embora.
E é nesse paradoxo que eu moro.
No amor que não faz alarde, mas permanece. Que me olha distraído e me encontra inteira.
No fundo, teu olhar é tua forma mais sincera de ficar.
E eu escolho morar nele.

Você tem um sorriso maravilhoso
e toda vez que você sorri
você trás as pessoas para perto de você.

Nada como um dia após o outro...
Segunda antes da terça....quarta depois da terça...
quinta antes da sexta....sábado depois da sexta e antes do sábado e domingo depois de sábado...
Nada como um dia após o outro...
Um dia após o outro, nada como com muito bom humor !

Um dia você descobre
que a vida não foi à toa
e que, apesar de não ser tão boa
não há dor que não se cure
não há dor que pra sempre dure
e que, infelizmente
não existe dor que não doa
o que existe realmente
é dor que se sente à toa
tem a dor que te consome
e a dor que sem pena te rói
mas a dor menos amena
é a dor que apesar de ser dor
você nunca sabe onde dói.

Hoje
Sem saber por quê
Fui lembrar
De um tempo que ficou pra trás
E vi alguém
Alguém que eu já não sou mais
Porquanto,
A despedida é uma constância
Só que quase que despercebida
E as fases da vida, tem prazo de validade
De vez em quando
Quase vemos isso, qual criança
A se rir de um medo bobo que não finda
Pra no fim da vida ter segredo
A saber-se o mesmo ainda... e ninguém vê
Pois, se conhecimento é uma conquista
A lista do que não sabemos permanece vasta
E é preciso ser um grande tolo pra pensar vencer
Vida, doce vida
Passa tão depressa
Quanto um lindo verso de lua cheia
O dia vem, pouca gente viu a lua
e o luar... ninguém
A gente segue, abandonando
Um medo ou outro ao longo do caminho
Como quem se despede de velha amizade
Mas que ainda existirão
Um dia após o fim da eternidade
Há um tempo a despir-se também
De todo e qualquer orgulho
Como espelho que se parte
Agora partimos
Sem fazer barulho, alarde ou ruido
Nem querer se fazer ouvido
Pois, quanto mais a gente cresce
Mais a gente se apequena
de tanto pensar, se pensa
E vê que não vale a pena.

Edson Ricardo Paiva.

NO INVERNO DA ALMA, O COBERTOR DA CARIDADE.
Há um frio que não pertence às estações.
Ele nasce quando o tempo se inclina sobre os ombros
e deposita ali a poeira das décadas.
Não é o vento que corta.
É a memória que sopra.
Sou como uma catedral antiga esquecida na névoa,
colunas erguidas pela esperança,
vitrais rachados pelo silêncio.
O eco que habita meu interior
não é o da multidão,
mas o da própria consciência
que se interroga diante do abismo.
Envelhecer é assistir à própria sombra alongar-se
sobre o chão das perdas.
É aprender que a carne se cansa,
mas o espírito insiste em vigiar.
É carregar no peito uma biblioteca de dias
que ninguém mais consulta.
E, contudo, há um pensamento
que me cobre.
Quando penso em ti,
não como figura distante,
mas como símbolo de ternura concebida,
sinto um calor austero,
uma chama discreta
que não consome,
apenas preserva.
Tu te tornas o cobertor da caridade
não porque salves o inverno,
mas porque o atravessas comigo
na imaginação que ainda respira.
A caridade mais alta não é a esmola do gesto.
É a permanência da presença
mesmo quando o mundo se ausenta.
É a capacidade de aquecer outro
com a simples recordação do que poderia ser belo.
Meu frio não é revolta.
É lucidez.
É o entendimento de que tudo passa,
exceto aquilo que se gravou
na camada mais funda do ser.
Se sou velho,
sou também arquivo.
Se sou fraco,
sou ainda sensível ao toque invisível
do pensamento que conforta.
E assim permaneço,
no inverno que me constitui,
envolto na ideia de ti
como quem segura a última brasa
numa noite interminável.
Porque há pensamentos
que não salvam o mundo,
mas impedem que o mundo nos apague.
E enquanto houver esse lume silencioso
ardendo na penumbra da consciência,
nem o frio mais severo
será capaz de extinguir
a dignidade de sentir.

"Livre-se do que não é seu de fato" é um convite ao desapego profundo, sugerindo que abandonemos cargas emocionais, expectativas alheias, crenças limitantes e bens materiais que não agregam valor real à nossa essência. Essa prática de "limpeza" interna e externa permite abrir espaço para o novo, trazendo uma vida mais leve e autêntica.

Aqui estão os aspectos fundamentais para realizar esse desapego:
1. Desapego Emocional e Mental
Expectativas dos Outros: Liberte-se da necessidade de satisfazer as expectativas de amigos, família ou sociedade. Viva segundo seus próprios valores, não os impostos por terceiros.
Velhas Dores e Rancor: Deixe ir a bagagem tóxica, como mágoas passadas, culpa e decepções. Essas emoções pesam e impedem a caminhada.
Necessidade de Controle: Acreditar que podemos controlar tudo é um erro. Aceitar o que não depende de você traz paz interior.

2. Desapego Material e de Hábitos
Coisas Materiais: Doe ou venda objetos que não utiliza mais. O acúmulo desnecessário gera desordem física e mental.
Hábitos Limitantes: Abandone rotinas ou vícios que não servem mais ao seu propósito de crescimento pessoal.

3. Mudança de Mentalidade (Mindset)
Ação > Informação: O conhecimento só tem valor se aplicado. Livre-se da mania de acumular dicas de desenvolvimento pessoal sem colocá-las em prática.
Aprender a Dizer "Não": Colocar as necessidades dos outros acima das suas pode sabotar seu crescimento. Aprender a dizer não é um ato de autovalorização.
Foque no Presente: Deixe ir o passado e o excesso de preocupação com o futuro para viver com mais clareza e leveza.

Ao soltar o que faz mal e não te pertence, você abre espaço para o que realmente lhe faz bem, tornando-se mais fiel a si mesmo.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

ECO DO ABISMO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Eu sou lançado ao mundo sem essência
Sou um grito sem resposta no clarão das horas
A realidade crua arde em meus olhos
E a luz que se derrama não me cede consolo
O universo não me prometeu sentido
Eu o encontro em cada passo que escolho
E cada escolha desgarra o eu de outrora
Até que nada fique além do meu próprio ser
Sou livre como a pedra que se quebra
Sou mais livre ainda como o vento que não encontra forma
E essa urgência de escolher devora minhas certezas
Não há desculpa nem refúgio
Nada antecipa a minha decisão
Nada transforma o vazio em abrigo
Aqui estou
Respirando a dúvida
Vestindo a solidão como veste o medo
E apenas no tremor de existir
Encontro o preço de minha liberdade
Que a angústia seja a lâmina que me forja
Que a liberdade seja o aço que não se dobra
Pois não há outro que escolha por mim
E sou eu — sempre eu —
Neste mundo que ecoa meu nome sem eco — sem fim.