Poemas de palavras
As palavras que me consolam são simples e ásperas. Elas não prometem curas rápidas nem supostas verdades. Apenas nomeiam o que dói e pedem companhia. Quando as ouço, algo dentro acalma. E aprendo que companhia é forma de oração prática.
Há noites em que o céu me pede silêncio. Ele me julga sem palavras, apenas com vastidão.
Sinto minha pequena história diante do infinito. E a sensação é de humildade e alívio. Aceito o lugar que me deram no cosmos.
Se minhas palavras tocaram sua ferida, saiba que agora nossas cicatrizes conversam. Você não está só.
Escrevo porque a fala me trai. No papel, as palavras não tropeçam, elas me organizam, me protegem e me mantêm lúcido.
Minhas palavras são pedaços de um naufrágio que tento organizar na areia para que o próximo marinheiro saiba que aqui houve vida, luta e tempestade. Não são conselhos de autoajuda, são apenas as coordenadas de onde eu caí para que ninguém tropece no mesmo buraco.
O silêncio é o útero onde as melhores palavras são gestadas, mas é também o túmulo onde enterramos as coisas que nunca tivemos coragem de dizer. Eu vivo nesse intervalo entre o nascimento e o enterro, tentando parir frases que sobrevivam à minha própria morte.
Minhas palavras não buscam salvar o mundo, buscam apenas ser o espelho onde alguém possa se olhar e dizer: "pelo menos não sou o único que se sente assim". A validação da dor alheia é o maior ato de caridade que um escritor pode oferecer ao seu leitor cansado.
Cuidado com as palavras que você engole para manter a paz dos outros, pois elas acabam se transformando em pedras dentro do seu estômago e, um dia, o peso será tamanho que você não conseguirá mais caminhar em direção aos seus próprios desejos.
O silêncio mais pesado não é a falta de palavras, mas sim o de um coração que se cansou de pedir ajuda e decidiu endurecer.
Sou feito de silêncios mal resolvidos. De palavras que nunca tiveram coragem de nascer. De sentimentos que aprenderam a se esconder para continuar existindo. E, mesmo assim, dentro desse caos contido, há algo em mim que insiste em não desistir.
Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.
Há pensamentos que não cabem em palavras. Permanecem vivendo dentro de nós como universos inteiros condenados ao silêncio.
Existe um ponto da dor em que as palavras deixam de servir, e tudo o que resta é o silêncio contemplando as próprias ruínas.
Escrevo porque há dores que não sabem gritar, apenas se transformam em palavras. Sou feito desse homem que sofre, observa, reza, recorda e continua, convertendo abandono em linguagem e fragilidade em algo que o tempo não consegue destruir.
O silêncio nunca foi vazio, ele apenas aprendeu a esconder tudo aquilo que as palavras seriam pequenas demais para carregar.
O eco mais difícil de silenciar é aquele produzido pelas palavras que nunca tivemos coragem de dizer.
Eu tô me demasiando entre versos, me sentindo embriagado de palavras e reescrevendo meu mundo que eu mesmo criei para que ninguém o tire de eu.
O beijo inteiro é: as palavras molhadas que decidiram ser pele. É o instante que decide se o mundo interno continua igual ou começa de novo.
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