Poemas de palavras
Há um garoto que me fascina,
talvez pelos olhos que não sei decifrar,
talvez pelas palavras gentis
que ainda tenho medo de acreditar.
Sempre o achei bonito,
distante demais para mim.
Até que seus lábios tocaram os meus
e o impossível chegou ao fim.
No começo, temi ser uma mentira,
uma brincadeira disfarçada.
Mas encontrei ternura em seus olhos
e uma timidez inesperada.
Desde então, carrego uma dúvida:
se aquele beijo foi só um instante,
ou se, em algum canto de nós,
nasceu algo pequeno e hesitante.
A linguagem sempre revela algo. Nietzsche dizia que as palavras são metáforas esquecidas. Então quando alguém fala “pobrema”, talvez não seja só erro — pode ser retrato de um sistema que nunca ensinou direito. E isso é um problema muito maior que o “pobrema”.
“Os brasileiros que mais tem problema são aqueles que vivem de ‘pobrema pobremas’ — porque às vezes o maior erro não está na gramática, mas na maneira de enxergar o mundo.”
Lamento de um Vampiro em Singelas Palavras
Guia-me na busca pelo meu próprio rastro sob o luar da madrugada,
pois sou mais solitário e desamparado
do que tua alma ousaria conceber.
Caminho onde até o vento parece guardar segredos antigos,
e cada sombra repousa
como a memória esquecida de um século.
Se teus olhos não podem desvendar-me na escuridão,
que meus gritos harmônicos rompam o silêncio
como sinos distantes chamando um destino adormecido.
Sou um cativo do sangue,
um refém da noite gélida,
um eterno amante daquilo que jamais poderei possuir.
Uma criatura moldada pelo breu
e pelo silêncio absoluto das eras,
onde até o tempo parece hesitar em seguir adiante.
Permita-me, então, trilhar o caminho escarlate de tuas veias;
consagra-te como minha Condessa,
minha única aliada no vasto vazio da existência.
Pois entre os homens aprendi um segredo curioso:
até monstros carregam saudades
e até a eternidade pode ferir o coração.
Vem, e deixa que nossas sombras se entrelacem
sob a lua pálida desta madrugada infinita,
como duas almas antigas que se reconhecem no abismo.
E se o destino for apenas um labirinto sem aurora,
que ao menos caminhemos juntos por seus corredores de silêncio,
noite após noite,
pela eternidade que nos consome.
“Se um dia você não conseguir encontrar palavras, não conseguir me procurar, não souber por onde voltar... ainda existe uma coisa que pode me alcançar"...
🎵
Histórias escritas
Existe um dom quase mágico
em transformar palavras em mundos.
Uma frase pode abrir uma porta,
um parágrafo pode atravessar séculos,
e algumas poucas linhas
são capazes de criar vidas
que jamais existiram...
Mas que, de algum modo,
passam a existir dentro de nós.
Escrever é possuir o infinito nas mãos.
É poder escolher outros caminhos,
inventar outros destinos,
dar aos personagens
as vidas que o mundo real lhes negou.
Em cada história,
nasce uma versão diferente da realidade.
Um universo onde o impossível acontece,
onde o tempo pode voltar,
onde encontros podem durar,
onde despedidas podem ser adiadas
e onde até o destino
pode ser desafiado.
Talvez seja esse o verdadeiro encanto
das histórias escritas:
não criamos apenas mundos.
Criamos possibilidades.
E enquanto houver alguém disposto a escrever,
nenhuma história precisa terminar de verdade.
Ela pode renascer em outra página,
em outro tempo,
em outro coração.
Porque algumas histórias
não são feitas apenas para serem lidas.
São feitas para nos lembrar
que também poderíamos existir
em outras versões de nós mesmos.
Tem gente...
Que semeia bondade
Que abraça com palavras
Que espalha amor, e mansidão
E faz esperançar...
O nosso coração!
Às vezes, as palavras...
podem machucar ou ferir você.
Mas quando elas têm poder...
costumam te manipular.
Basta prestar atenção!
Rita Simões
A poesia nunca foi um lugar para gente limpa.
Os que procuram perfume nas palavras deveriam comprar flores de plástico. Duram mais e não fazem perguntas.
Um poema de verdade chega cheirando a cigarro velho, sangue seco e cerveja derramada sobre um balcão onde ninguém acredita em finais felizes. Não nasceu para ser recitado em auditórios cheios de gente elegante. Nasceu para estragar o jantar de alguém.
As pessoas querem versos educados. Querem metáforas que façam carinho na culpa, rimas que embalem o sono, autores que peçam desculpas por existir.
Que se danem.
A poesia não veio ao mundo para ser simpática. Veio para arrancar o verniz das coisas. Para lembrar que existe mais ódio escondido atrás de um sorriso do que em um punho fechado. Mais luxúria atrás de uma oração do que em muitos quartos de motel. Mais mentira em um discurso bonito do que na boca de um bêbado.
Os melhores versos não conversam.
Eles entram sem bater.
Sentam na sua sala.
Bebem a última cerveja.
Acendem o último cigarro.
Olham nos seus olhos e dizem aquilo que você passou a vida inteira tentando esconder de si mesmo.
É por isso que incomodam.
Porque toda boa poesia é uma acusação escrita com tinta.
E toda acusação verdadeira deixa cicatrizes.
Se um poema termina e você continua exatamente a mesma pessoa, então aquilo era só tinta sobre papel.
Não poesia.
“A poesia não nasce quando encontramos palavras bonitas; nasce quando encontramos coragem para dizer aquilo que escondíamos de nós mesmos.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Se um dia minhas palavras sobreviverem a mim, talvez seja porque alguma parte da minha alma encontrou nelas um lugar para permanecer.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Há silêncios que não são ausência de palavras; são excesso de sentimentos.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22:39).
Essas palavras soam simples até que nos deparamos com o verdadeiro sentido de amar: dar-se por inteiro.
Amar o próximo não é apenas sentir compaixão — é escolher permanecer mesmo quando dói, é perdoar quando o coração sangra, é servir sem esperar retorno. É o amor que se mede não por conveniência, mas por entrega.
Jesus viveu esse mandamento até as últimas consequências. No Getsêmani, o amor O fez suar sangue — hematidrose, a dor física de uma alma em total agonia, mas ainda disposta a amar. Ele não apenas falou sobre amor; Ele o encarnou.
Amar “nem que custe a hematidrose” é um chamado radical:
é amar quando a cruz pesa, quando o silêncio do outro fere, quando o mundo não entende.
É amar como Cristo — não até doer, mas até transformar a dor em amor.
✍🏼 Bispo Ederson Dantas
As palavras nunca são apenas sons; elas carregam o peso da intenção de quem as pronuncia e deixam marcas em quem as recebe. Talvez, se as pessoas compreendessem o poder de uma frase dita no calor da emoção, escolheriam o silêncio antes de transformar o respeito em ferida.
Dizer a alguém: "Cada dia quero mais distância de você" apenas porque essa pessoa não concorda com um erro que você defende revela mais sobre a intolerância do que sobre a verdade. Discordar faz parte das relações; humilhar é uma escolha.
Quem valoriza o diálogo não teme opiniões diferentes. Mas quem prefere o orgulho ao entendimento acaba afastando pessoas que apenas tiveram coragem de ser sinceras. No fim, as palavras passam, porém as cicatrizes que elas deixam podem permanecer por muito tempo.
A verdadeira sabedoria não está em vencer uma discussão, mas em preservar a dignidade do outro, mesmo quando pensamos diferente.
As palavras são entidades poderosas e sedutoras.
As palavras curam e libertam, mas também oprimem e aprisionam.
As palavras podem ser luz e esperança, mas também podem ser trevas e escuridão.
As palavras!...
As palavras são livres como o vento e se desprendem com facilidade da língua. Por isso, é essencial utilizá-las com sabedoria e equilíbrio, para produzir os melhores efeitos e, ao mesmo tempo, atrair e é Maná sobre si mesmo toda a força e o poder que delas provêm.
Há uma força e um poder silencioso nas palavras. Descubra-o e faça dele o seu melhor aliado em todos os momentos e circunstâncias da sua vida. Logo perceberá o quão preciosas são as palavras e que elas são também fontes de cura e de libertação, tanto para quem as profere quanto para quem as recebe!
Seja o profeta de si mesmo e, com a força e o poder das palavras, mude o seu ser e o seu viver!
NÃO TE VOU DIZER ADEUS
A porta já tinha batido. As lágrimas já tinham secado. As palavras, aquelas palavras, já não tinham mais sentido. Nada mais faria sentido, pois já não estavas ao meu lado.
Que outras palavras diria, se para ti tudo estava acabado? Não te disse adeus, aliás, nem me despedi. Olhei apenas nos olhos teus, que marejados de lágrimas falavam para os meus, em palavras, meu Deus, que no peito tanto senti.
Não te quis dizer adeus, talvez por não acreditar que essa despedida fria fosse para sempre ficar. Deixei a porta aberta, a luz do quarto acesa, a tua foto à minha frente e o nosso jantar, ainda quente, esquecido sobre a mesa.
Espero ainda até hoje, esperarei todos os dias, enquanto o coração quiser. Pois o amor às vezes esconde-se, no entanto, nunca foge. E o nosso, não era um amor qualquer.
Por alguma razão não o disse, pois li nos olhos teus. Desde então, eu sei que esse amor ainda existe. Por isso não me despedi, chorei apenas, e não te quis dizer adeus.
¤¤¤¤¤¤¤¤¤¤ curvas de um sentimento.¤¤¤¤¤¤¤
O silencio sufocou as palavras,
O sentimento foi quase um instante.
A vida ensinou o que precisava,
E assim como uma nada, nada bastou.
Sentimento perdido esqueceu do que foi.
Caminhos de beijo, jornada sem paixão,
atalhos que contornam o coração.
são tantas palavras criando um texto
que por mais verdade que seja
existe um coração, um sentimento,
uma emoção que transborda a vontade de dizer :
É isso que sinto.
O Retrato das Aparências
Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, mas raramente nos dizem que as palavras que ela oculta são as mais importantes. Vivemos em uma era de vitrines, onde o brilho do cenário é projetado para cegar o observador, impedindo-o de enxergar as sombras nos cantos da sala.
Muitas vezes, o que chamamos de "família perfeita" é, na verdade, um monumento erguido sobre alicerces de renúncia e silêncio. O sucesso, quando medido apenas por números e status social, pode se tornar uma prisão dourada, onde o sorriso é uma farda obrigatória e a felicidade real é sacrificada no altar da conveniência.
Olhamos para o outro e desejamos sua moldura, esquecendo que não conhecemos o peso da tela. O dinheiro compra o fotógrafo, o cenário e o traje, mas é incapaz de comprar o brilho genuíno nos olhos de quem não quer estar ali. No fim, a vida real não acontece na fotografia que enviamos aos outros, mas nos suspiros que damos quando a câmera finalmente se desliga.
Não sei ficar quieto
Falo além da conta,
Por isso sou poeta
Sigo gastando palavras
Vou contando histórias,
Assim aliviando a alma
Do que pesa dentro de mim...
Mente falhando,
Memória curta,
Palavras desaparecem,
Lembranças se distorcem,
A visão se embaraça.
E o medo...
Já não sei mais quem sou.
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