Poemas de Nelson Rodrigues

Cerca de 286 poemas de Nelson Rodrigues

Faz tempo que troquei as meias 3/4 por espartilhos. Maurício de Sousa por Nelson Rodrigues. Shakespeare por Almodóvar e Woody Allen.

Se Nelson Rodrigues sentia-se como o menino
que via o amor pelo buraco da fechadura
Eu me sinto como aquela dona de casa
que lava a gola da camisa do marido manchada de batom
enquanto o verdureiro traz banana pra ela fazer doce
O amor ainda me fascina feito garoto safado
que esconde suas revistinhas embaixo da última gaveta

... unanimidades
não são obrigatoriamente
'burras', como afirma Nelson Rodrigues;
narealidade, elas são precárias,paradoxais;
já que sempre apoiamos todo equalquer
manifesto por justiça e paz,desde
que não interfira em nossas
inclinações,nossos
vícios!


Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.

⁠Estava triste por ter perdido
Mas me toquei
Como eu poderia
Ter perdido
Algo que
Nunca tive?

"O brasileiro não tem motivos pessoais ou históricos para a autoestima."

O amor não morre - vivo eu dizendo. Morre o sentimento que é apenas uma imitação do amor, muitas vezes uma maravilhosa imitação do amor

Para mim, não há coincidência intranscendente, e repito: – qualquer coincidência tem o dedo de Deus ou do diabo.

Nelson Rodrigues
RODRIGUES, Sonia (org.). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

⁠Quando os amigos deixam de jantar com os amigos por causa da ideologia, é porque o país está maduro para a carnificina.

Nelson Rodrigues
CASTRO, Ruy. E aquela do Nelson? Folha de S.Paulo, 16 jul. 2022.

⁠Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.

Nelson Rodrigues
O óbvio ululante: primeiras confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

Nota: Trecho da crônica Os idiotas sem modéstia.

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A constante dos seres humanos é a burrice. Para um gênio há dez milhões de imbecis.

Nelson Rodrigues
RODRIGUES, Sonia (org.). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

Somos mais idiotas do que nunca. Ninguém tem vida própria, ninguém constrói um mínimo de solidão. O sujeito morre e mata por ideias, sentimentos, ódios que lhe foram injetados. Pensam por nós, sentem por nós, gesticulam por nós.

Nelson Rodrigues
O óbvio ululante: primeiras confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

Nota: Trecho da crônica Os idiotas sem modéstia.

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⁠Há sujeitos que nascem, envelhecem e morrem sem ter jamais ousado um raciocínio próprio.

Nelson Rodrigues
O óbvio ululante: primeiras confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

Nota: Trecho da crônica Oitenta milhões de vendidos.

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Na vida, usamos máscaras sucessivas e contraditórias. Só a morte revela a nossa verdadeira face.

Nelson Rodrigues
RODRIGUES, Sonia (org.). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

⁠Enquanto o homem não amar o outro para sempre, continuaremos pré-históricos.

Nelson Rodrigues
O reacionário. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

Nota: Trecho da crônica Saiu baratíssima a Apolo 8.

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⁠Cada um de nós está sempre a um milímetro da depressão, a um milímetro da euforia.

Nelson Rodrigues
O reacionário. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

Nota: Trecho da crônica A Perimetral Norte.

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Torcer para o Fluminense é uma maneira de você olhar para o seu vizinho e dizer: "sou melhor que ele".

Eu sou um pierrô romântico. Mas o romântico piegas. Não o romântico de grande estilo, não o wagneriano. E aí me veio essa vergonha de ser romântico e uma certa tendência para negar essa emotividade fácil e vagamente burlesca.

Da mesma forma que não existe felicidade sem tristeza, não há sentido na vida sem a morte.

"'Você é químico?' Não, sou Fluminense, respondi de pronto ao ser abordado por um vizinho que me viu brincando com alguns líquidos de diversas cores. Eu tinha apenas três anos de idade, mas com uma convicção clubística anterior ao meu nascimento, e, quem sabe, anterior ao útero materno".