Poemas de Luto
A cada dia que passa descubro que as únicas amigas que tenho de verdade são as lâminas, elas machucam bem menos do que um ser humano que você dizia ser seu amigo, que você confiava, que você contou todos os seus segredos ... Pra depois essa pessoa te machucar de verdade, deixa você sem chão, deixar você de coração espedaçado, isso machuca mais do que qualquer coisa :(.
Sempre agi como se as energias negativas de fora entrassem instantaneamente, sabe? Como se eu precisasse estar atenta o tempo todo, fugir o tempo todo, adivinhar, o tempo todo, quem é do bem e quem é do mal. Quem quer me ver sorrir e quem quer me ver chorar.
Mas eu não precisava. Nunca precisei, porque a maldade de fora não atinge um interior blindado.
Sempre terá alguém que valorizará o perfume, os seios,as suas formas, mas esses você pode usar tranquilamente, cuidado com os que valorizam sua alma, esses são os mais perigosos...
"" Você foi muito previsível, nunca me perderia
com alguém assim, se reinvente, pode ser que o mundo lhe dê outra chance...
A gente é jogado na parede, perde as pernas, deixa de respirar e toda a vida fica tão de ontem! É tão esquisito: o Amor, este canalha, se torna logo parecido com amizade quando deixamos de fazer planos para agradar."
" A separação não acontece por acaso, ela entra na relação muito cedo e só fica quem não tem coragem de olhar ao lado, abrir a janela da vida e ver que há muito que fazer para de fato tentar ser feliz...
Aqui, a maldade do mundo me pareceu normal.(...) É neste momento, quando passamos a achar trivial aquilo que consideramos incorreto, que está na hora de ir.(...) Estou batendo a porta e deixando alguns recados na geladeira, alguns tênis para você colocar nos pés e, algumas mochilas para que, quiçá, utilize para plantios. Vou levar aquele jarro belíssimo que deixou no canto da varanda. Afinal, sempre existem desses em todas as casas destroçadas. Mas eles só são esperança e motivo para ficar, quando o mal ainda é ruim, quando migalhas não são aplaudidas, quando quem dá o que não quer receber, ainda é desmerecedor. Quando o que é básico, não vira sinônimo de muito; quando o que seria morada, não vira sinônimo de estranheza. Quando o adeus não vira sinônimo de poder voltar – para casa.
Você se foi; despediu-se rápido, fora do tempo. Guardei lenhas, fiz o fogo, mantive a lareira aquecida para te deixar lá fora e fazer da minha morada interna um lugar mais aconchegante. Que venha a primavera, o recomeço. Mas fique tranquilo; guardei combustível, lembranças e livros suficientes para sua próxima visita.
(Victor Bhering Drummond, para o senhor Inverno).
Eu tenho coragem mas também conheço o perigo então se eu andar no escuro tenha a certeza de que eu fiquei cego.
