Poemas de Luto
DISSE-ME O CAPITÃO DO BARCO
Disse-me o capitão do barco Que eu navegasse
Sem a afoiteza dos que amam Mais do que
Intensamente.
Disse-me o capitão do barco
Que na direção ajuizada
Eu chego ao Mediterrâneo que tem ondas Que não batem tão
Intensamente.
Disse-me o capitão do barco
Que no mar do Japão
Não existe a salinidade exacerbada
Tal qual a desilusão que, indigesta, queima tão Intensamente.
Disse-me o capitão do barco
Que na escuridão do oceano
O farol se torna invisível
Aos que teimam em amar sozinhos e Intensamente
Disse-me o capitão do barco
Que a perda do amor eterno
Eterniza igualmente flutuada melancolia
Do marinheiro que embriagado há de afogar-se
Intensamente
O QUE FAÇO COM ESSA MENINA?
O que faço com essa menina que se acha feia?
O que faço com essa menina que, timidamente, diz aos quatro ventos que se encontra acima de seu peso?
O que faço com essa menina que disfarça o próprio corpo vestindo camisas largas e calças folgadas?
O que faço com essa menina que esconde o rosto porque acha que está demasiado flácido?
Devo eu dizer a ela que o seu sorriso é a maior das alegrias dessa minha vida?
Devo eu dizer a ela que apenas a sua sutil lembrança me aflige em desejo incontrolável?
Devo eu dizer a ela que a sua perspicácia transforma o planeta em um lugar mais habitável, mais inteligente e mais esperançoso?
Devo eu dizer a ela que o seu humor não apenas contagia a todos, mas vicia e entorpece o mais reticente dos humanos?
Como devo convencê-la de que é perfeita?
Como devo convencê-la de que é a cada dia mais apaixonante?
Como devo convencê-la de que hei de amar intensamente cada gesto e cada uma das palavras suas até o final dos tempos?
Como devo convencê-la de que morreria pleno e confiante ao seu lado?
Será mesmo que essa moça notará que jamais foi escrava de modismos de consumo e de estética?
Será mesmo que essa moça notará que ela é una e que intimida aqueles que se auto- denominam como audazes Casanovas?
Será mesmo que essa moça notará que tem o dom de arrebatar aquilo que deseja a todo tempo e a todo modo?
Será mesmo que essa moça notará que eu renegaria tudo para repousar silente e em calmaria, por entre as suas pernas?
Abra os olhos.
Eu lhe aguardo ansioso.
PERIPÉCIAS Nº2 - VIDA
nem sempre quem com você convive
quer você com vida
e nem sempre que te convida
quer que você envida
em vida, muita gente grita "viva!"
hora dizem-se suas amigas
hora dizem-se comovidas
mas tudo isso sem vida
na dúvida, não revida
apenas viva
PERIPÉCIAS Nº3 - A(COR)DAR
acordei as 6:00
e as 12:00 fiz um acordo
acordo que fiz de preto
a cor que dei como decreto
tentei um acorde as 14:00
e as 16:00 tentei um lorde
acorde que dei em lá
lá antes que ele acorde
o dia já dormia
e logo tinha que outra vez acordar
antes de tentar quem concorde
irei me contentar com mais uma dose de "orde"
as 5:00 Mi despertou
mas esqueceu de me despertar
o despertador despertou a dor
e me encarregou do dia eu a cor dar
a vida é uma estação
pessoas vêm e vão
mas nada é em vão
alma partida
a cada partida
metade de nós fica
e a outra se vai
dentre os vagões
carregamos no peito
lembranças
que não acabam mais
nos restando
apenas vestígios
do que ficou para trás
Caminhos Sombrios
Deabulando pelos fragmentos das minhas lembranças, eu retorno "mentalmente" ao lugar que o deixei.
Revejo-o sentado a beira de um caminho, um caminho sem fim e sem curvas, e o princípio da história se faz presente.
Quantos sonhos se perderam ao longo desta caminhada, quando a ideia inicial era seguir em frente. Nunca entendi o porquê ele entulhou tantos nós no coração, que nem as próprias mãos souberam ou se dispuseram a desatar. Erroneamente pensei ter poder para desatar esses nós, em quase todas as tentativas neste sentido, falhei.
Tentando transformar a utopia em realidade, por um momento sentei-me ao seu lado, minha alma inquieta, não me permitiu esperar.
O crepúsculo e o prenúncio da chegada da noite e o caminho já envolto em sombras, me convida a continuar.
Estendo-lhe a mão para seguirmos em frente, diante da sua indecisão eu lhe digo;
As cartas estão na mesa, não há mais nada a dizer, nenhum ás a mais a jogar. Não quero mais viver no seu mundo e não o quero passeando no meu.
Segui sozinha...
Não lamento o que perdi, não se perde o que nunca se teve.
Mas isso é uma outra história...
PERIPÉCIAS Nº4 - CAUSOS
já emergi de cabeça
e vitorioso no final imergi
já cedi meu no lugar no trem
pra cedo sair
já cacei lobos
e feito um corrupto fui cassado
e já tive tanto caso
que por acaso terminei casado
mas como todoocaso há uma condição
já cedi meu coração
como sede de visitação
e com sede fiquei de validação
Bela por palavras sempre verdadeiras
Que nem Platão poderia imaginar
Sua Beleza é absoluta
E pessoas como você é fácil admirar
Sortudo foi quem te teve
E pôde te admirar
Por muitos dias, meses e muitas noites
Ouvindo suas palavras ao acordar
Não tive e não terei a oportunidade
Que seria um dia te ter
Mas encontrará o mais puro e belo homem
Que eternamente amará você
Quero que as características de aquariana
Sempre esteja no seu coração
Que muitos e muitas pessoas vejam
E lhe tenham como uma inspiração
Para: Leide
[A nossos filhos]
talvez seja mais importante
mostrar que há
força na fragilidade
do que supor que há
fragilidade
na [pretensão] de se forçar.
teu sorriso é um buril de corações
teus lábios um poço de tentações
olhos que transmitem emoções
corpo que emana vibrações
enquanto falarmos de violência
ela irá existir
enquanto cultivarmos ódio
mais ele irá nos destruir
enquanto falarmos de preconceito
ele persistirá expandir
enquanto brigarmos por paz
mais bombas irão explodir
na guerra que você começou
na reação que o igualou
o tempo passou
e mais discórdias você comprou
e uma vítima, sangue derramou
criaram dias para conscientizar
marchas pra nas ruas protestar
matam
denigrem
prendem
oprimem
toda uma vida pra outras preservar
presenteiam-se com hidras de lerna
onde lobos e cordeiros com tacapes governam
uns clamam por paz
outros guerreiam por ela
lutam por direitos
enfatizam mais preconceitos
nascem inocentes
e morrem indecentes
fazem justiça com suas próprias correntes
religiões
culturas e nações diferentes
lamentam com a mesma dor
em nome de uma cor
falando de diferenças para mais surgir
de racismo para mais ressair
cortando a pele para se ferir
não entendem que o preconceito só irá se extinguir
quando o coração também evoluir
Sob os labirintos do pensamento,
uma mente inebriante.
Percorrendo caminhos tortuosos;
Em meio ao mar de possibilidades.
Sob a maré das ideias,
vem a sua inspiração.
Na alta, os versos fluem.
Na baixa, uma escassez sem fim.
O tempo um mero detalhe,
quando se fala da poesia.
Criar, pensar, escrever...
Sob a tinta da caneta,
sentimentos que ganham voz,
nas palavras de uma vida.
Metáforas inebriantes;
contagiantes
Enaltecem o amanhecer de um novo dia
Transformando o imaginário em realidade
querem simplificar
mas só complicam
querem generalizar
mas só conflitam
qualquer divisão gera distinção
distração da percepção
extinção da paixão
de que toda raça é teu irmão
nomeiam-se
classificam-se
eis aqui a desigualdade da liberdade
tua identidade diz mais sobre você
que teu coração na sociedade
onde todos não percebem
que coragem não é cor
e cor não faz a humanidade
SENTIR SAUDADE
Saudar um passado marcado p'la positiva
Secundando, com boas lembranças, o presente
Simplesmente co a vonta'de reviver algo patente
Soado em nossa mente de forma tempestiva
Suavemente que vale a pena sempre sentir!
Alicerce
Uma paixão?
Escrever...
Mas quando você me olha
Sou
apaixonada em te ler!
Porque em seus olhos posso mergulhar
Encontro o sol e até mesmo o luar
Posso me perder, ainda assim me encontrar
Seus olhos é como a intensidade do mar
Parece calmo, mas quando mergulho;
Cada vez mais me puxa para o seu profundo
Mas, o único perigo é de viciar
O castanho dos seus olhos
É o horizonte dos meus
E eu me entrego querido
Porque viver é construir
caminhos no coração de alguém
Poema autoria #Andrea_Domingues ©️
Todos os direitos autorais reservados 30/01/2021 às 22:40 hrs
Manter créditos de autoria original _Andrea Domingues
Caminhando pelo sítio
Admirando a natureza
A criação tranquila
O céu azul refletido
Nas águas
Da pequena represa
O cri cri dos grilos
Borboletas a voar
Pássaros a gorjear
Enquanto a bicharada
Livre e solta
Pelo quintal
Fica a vaguear
editelima
10/2020
escrevo para desafogar a alma. para espantar as peraltas. para matar a ansiedade e jogar do precipício toda acidez que me abraça.
para silenciar o peito que grita. para me livrar da culpa. para curar as feridas e, aos sentimentos renegados, fazer visita. para compensar as palavras não ditas e ao que ainda vive engasgado. para mergulhar nas minhas imundícies e no caos que havia guardado.
para me libertar das amarras, para expelir meus pensamentos e microfonar os sentimentos.
para dar voz ao coração como forma de oração e dar vazão a toda intensidade que jaze dentro do meu universo; refletido neste verso ou em minha imensidão.
escrevo para revelar minha identidade como forma de liberdade.
escrevo para quebrar as correntes do conformismo e da realidade.
escrevo para ser ouvido.
para tocar e ser sentido, mas sobretudo, para não fazer sentido;
mesmo que seja preciso me despir para traduzir,
interpretar e reluzir.
escrevo para falar de amor e para fazer amor.
para dar cor ao céu cinzento e, para você que estiver lendo, dar alento.
escrevo para me aprofundar e navegar nos meus oceanos mais obscuros. escrevo para existir. escrevo para me encontrar.
escrevo para me salvar de mim mesmo e me reencontrar.
