Poemas de Luto
O alvorecer é para ti felicidade
Compreensão com olhar de humildade
Mãos firmes que não prazem euforias
Olhar profundo de quem não se anuvias
Coração como um mundo fascinante
O léxico inebriante e preconcebido
Gentileza com o tom sempre constante
E o Amor que contagia indefinido
O ofício que se faz imprescindível
O fazer que não precisa ser insensível
De amar, de amar, de amar...
Tu és amável, mas alimentas sutil pudor
Quando sempre, de primazia, então agir
Não permitas que o cansaço do teu labor
se transforme em rancor dentro de ti
Pois amor é o que se vê em teu olhar
De tão voraz solta batidas caloroso
Mas é singelo e nobre silencioso
O silêncio ancoradouro de mais amar
(PIRES, F. A. Primor. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 18).
Onde está aquele amor
que busco e ele não vêm?
Será que está escondido
no coração de certo alguém?
No despertar das manhãs
Nas tardes, no anoitecer
Onde está aquele amor
que eu não consigo ver?
Será que está no perfume
da flor da laranja-lima,
no sonho fantasioso
do coração da menina?
Onde está aquele amor
por detrás das incertezas
dos sonhos que não se acabam
e não conhecem tristezas?
O amor está no ar:
na oxigenação,
na brisa da madrugada,
no sol quente do verão
As manhãs da Primavera
embelezam a estação
que estão em cada pulsar
movidos pela emoção
O amor é natureza
é beleza interior
é vida pra ser vivida
sem mágoas e sem rancor
Amor é essência da alma
plantada no coração.
Só vive um amor real
quem nasce para o perdão.
(COSTA, Benedita Lopes da. Amor, onde estás?. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 44).
Será que eu te amo?
Porquanto senti dentro do peito
alguma coisa assim roendo
que os meus olhos paralisaram
a uma distância de quilômetros
E o coração esmaeceu triste
por medo de te perder...
Porque procurei entender sobre a dor
Descobri, que para cada pergunta,
a resposta seria amor...
Porquanto, depois de perceber:
o Amor é belo para com ele viver
Fruto inesquecível que não apodrece
Porque me calo se você erra comigo?
Teus insultos me pisam em meus ciúmes
Mas te perdoo e te aceito,
Meu grande Amor,
Meu melhor amigo!
Sim, eu te amo!
Só agora descobri o que é amor
Que nem o ar, jamais quero te perder
Nosso amor é como flores
que desabrocharam dentro de mim
Eu só preciso cultivá-las
para renovar os frutos de você em mim
(MONTEIRO, A. L. Eu te amo?. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 29).
Queria ter, queria ser, quero…
Queria colocar meus sentimentos em versos
Queria saber me expressar com exatidão
Queria que o mundo tivesse mais progressos
Queria acalmar mais o meu pobre coração
Queria saber qual é o caminho da felicidade
Queria procurar um lugar que tenha paz
Queria ter mais espaço nessa pequena cidade
Queria ser um navio que estar no cais
Queria ser uma figura mais carismática
Queria ter aquilo que queria ter
Queria ter uma vida menos problemática
Queria se destemido e não me deter
Queria ir além daquilo que alcanço
Queria ter tudo que eu tenho direito
Queria ao menos um dia ter descanso
Queria que o sistema me tratasse com respeito
Queria poder falar com a pessoa que amo
Queria começar tudo novamente
Queria falar em versos, do jeito que declamo
Queria acreditar em mim, somente
Queria poder ser mais capaz
Queria mergulhar nas ondas do mar
Queria ir além dos padrões normais
Queria na filantropia me afogar
Queria não ter sofrido tanto
Queria um amparo para a minha mente
Queria um ombro pra enxugar meu pranto
Queria ser uma pessoa mais paciente
Queria ser uma pessoa inteligente
Queria ser ter um pouco de saudade
Queria ser sempre eficiente
Queria sempre ter novidade
Queria está no espaço interestelar
Queria não ser controverso
Queria do alto a terra contemplar
Quero explorar todo o universo.
Lua
Lua rosa e toda prosa
Faceira e orgulhosa
Deslumbrando alegria,
Das cores e brilho
Que seu amado lhe deu,
Eu olho pra ela, com saudades
De um alguém
Que não compreendeu
A minha poesia.
Outono
As horas do dia se foram
em seu ritmo bem ensaiado
folhas e flores outonaram
em seu destino traçado
Pela janela tudo percebi
na magia do por do sol
e fiquei à espera de ti
que sempre vem junto ao arrebol
Hoje não vieste e chorei,
algo, sei, aconteceu e triste
- que outono cinza, pensei,
pois sei que me esqueceste...
Pedacinho de papel,
Suporte para recados,
Até quando está vazio,
Tem muitos significados.
Aberto é matéria-prima,
Enrolado serve de embrulho,
Dobrado é guardanapo,
Escrito pode ser reciclado.
Solte a imaginação:
Origami vira diversão!
Incolor, rabiscado, amassado ou dobrado,
Todo papel tem seu legado.
como se não bastasse
que já vivemos aprisionados pelo sistema do homem
em meio a tanto regresso e desordem
ainda somos conduzidos a viver mascarados
para nos lembrar do quão somos silenciados
como se não bastasse
que já temos um prazo de validade
que somos marcados e codificados
em nossas identidades
ainda somos sintonizados a assistir
a perda da nossa liberdade
a mentira travestida de verdade
a apatia desfilando na sociedade
a autocracia maquiada de constitucionalidade
e ainda se não bastasse
ter que nos acostumar a ver as pessoas partindo
somos obrigados a ver a natureza se destruindo
o mundo se dividindo
a humanidade sucumbindo
o amor se extinguindo
para nos lembrar que seguimos mungidos
Existe algo selvagem na possibilidade
Uma faixa de chegada que não se importa com os segundos,
Onde qualquer diferença mínima pode ser uma dádiva
Ou um abismo inalcançável.
as pessoas têm preguiça de ler textos longos,
têm preguiça de se dedicarem às relações,
têm preguiça de tudo que exige compreensão
e demande delas tempo e energia.
talvez por isso estejamos numa geração
de livrarias falidas e de gente vazia.
não se mergulha mais no amor,
não se absorve mais a poesia.
São duas as formas de amar.
A primeira é amor que nasce de dentro,
que brota como sentimento
e se expande para fora.
Já a segunda, é o amor que veio de fora
e ficou estampado do lado de dentro,
é o que reprime os sentimentos, mas que
apesar da diferença,
ainda continua sendo amor.
O primeiro, é considerado o amor verdadeiro,
o amor correspondido, duplicado,
já o segundo, é o amor do sofrimento,
ficou reprimido, o amor solitário, mas que apesar do contratempo,
ainda continua sendo amor.
Se não quiser sofrer,
que seja o amor compartilhado,
o amor interagido,
que é compreendido e que a morte não tocou.
Agora, se não der tempo,
que seja o amor estampado, padecido,
considerado o mais sofrido, cheio de lágrimas e dor,
mas que apesar do toque da morte,
ainda continua sendo amor
das linhas antes minhas
perdoai os versos dúbios,
as não-conclusões.
eu me afeiçôo
ao fervilhar das idéias;
induzo e vós deduzis,
insinuo e vós pensais.
ao fazer me desfaço,
ao escrever me despertenço
sobretudo, sobre mim,
instigo-vos.
o mundo vai além das minhas dúvidas.
há em mim ramagens estranhas.
diria, tenho nas entranhas,
todas as árvores do mundo.
admiro a possibilidade que sinto múltipla por ser simples
e, sorrio à que percebo complexa por ser única.
deram-me o amor para existir
e, no que amo, a existência suprema e lenta,
instala seu lume.
e só de plumas é o anjo que me pensa e sente
a jura de alegria com o soluço da mente na boca.
toda minh’alma é um lenço convulso por entre as folhas.
as coisas com que falo
têm a voz dos princípios e desertos,
têm todas as vozes dos perdidos,
e me seguem, ouvindo.
me aquieto no escuro
como quem foge ou se esconde
e, neste esconder, cubro-me
de um ser tão ínfimo para o mundo,
quanto é branda a calmaria das horas
a quem tem a eternidade para si.
quando a ausência de tudo está em mim,
sinto-me, em tudo, mais presente.
durmo, e não sei a tranqüilidade santa
de quem, verdadeiramente, dorme.
cada dia é um oráculo que circunda
e realça o sentimento, e na leveza que me enleva,
vislumbro a sombra que me inunda
e a luz que me sucumbe.
a felicidade é um esquecer-se,
um estreitar-se num segundo,
antes que passe.
o assédio sábio da lua
me investiga as emoções.
falta-me a exatidão de quando deixei de sorrir;
consigo supor
que o perdi na lentidão sucessiva dos dias e das noites.
também não atino quanto se passou de vida,
entre o sorriso perdido e a dor que aprendi a sorrir agora.
sou a liberdade que tem de si o gemido silente,
o gosto de cada passo no descompasso de tudo que vive.
de fato, sinto que existe
a nesga bailarina plena de vida
e, guardo-a num horto qual hóstia fosse
e, rezo-a, no sigilo da alma,
nos meus olhos de menina.
é tão indelével o que se tem da existência
que em tudo cabem inúmeros propósitos.
não fujo de falar comigo:
se é minha vontade entender-me, inicio por estudar-me.
29.10
Hoje eu me peço perdão
E me coloco no colo,
Quando eu mesmo me feri,
Eu mesmo que me consolo.
Hoje eu me peço perdão,
Pelo meu jeito errado,
Quando em meio ao furacão,
Me deixei abandonado.
Hoje eu me peço perdão,
Por ter sido tão mesquinho,
Mas não te preocupa não,
Não te deixarei mais sozinho.
Hoje eu me peço perdão,
Por coisas que eu suportei,
Por ter me soltado a mão,
Pelas vezes que eu me deixei.
Hoje eu me peço perdão,
Por às vezes não lembrar,
Da pessoa que eu sou,
E de onde eu posso chegar.
Hoje eu me peço perdão
E me coloco no colo,
Quando eu mesmo me feri,
Eu mesmo, que me consolo.
MEU QUERIDO AMOR DISTANTE
Meu querido amor distante,
Eu tenho te observado,
E nem podes imaginar
O que te tenho guardado.
Vi que gosta de ficção,
Romantismo, literatura,
O que é tudo é pra mim,
Que sou a poesia pura
Meu querido amor distante,
Nem podes imaginar,
Que eu faria de tudo,
Para em ti, poder chegar.
Tenho andado te olhando,
Vendo suas fotografias,
Não que tenha me inspirado,
Para fazer tal poesia,
Meu querido amor distante
Que distante pode seguir,
Você nem mesmo imagina,
O que estou disposto a sentir
O que eu não pude falar,
Em palavras, escrevi,
E torçer, que de algo jeito,
Meus versos cheguem até ti.
Meu querido amor distante
Que fico tanto a pensar,
Conseguirei chegar até ti,
Ou distante vou continuar?
