Poemas de Luto
Fome e sede
... e disseram: — foi bem feito!
Quem mandou roubar sua horta?!
Nunca mais esse sujeito
bate aqui na sua porta.
Uma dor me ardeu no peito:
— E do homem, que foi feito?
— Eu não sei, mas... Quem se importa?!
Da escrita somos vozes,
Da fala somos magia,
Dos olhos somos o brilho,
E do sonho a alegria.
Das trevas somos as luzes,
Da noite somos o dia.
E com a graça de Deus,
Da vida, somos poesia.
E ca estamos
Um final de uma pandemia, que abalou não só um país como um mundo inteiro.
A beira de um retorno à normalidade. Uma guerra avistada.
E a todos aqueles que ousarem infiltrar-se para chegar ao fim da guerra, receberá algo em vezes pior.
Não é só um país, é um mundo todo. O mundo não suporta mais tantas perdas, ou se quer um povo aos prantos de uma dor que sabe se la só, quando vai curar.
Feridas que ficaram sempre marcadas, sem a ideia da dor que aquilo um dia a de causar ao lembrar…
E ca estamos nós, não sabemos se oramos, choramos ou se continuamos. E assim eu adoraria dar um Adeus. Um último Adeus a todos que mesmo em complicados momentos ali estavam. As vezes certas perdas não vem ao a caso. As vezes as perdas servem de consolo, para que valorizamos cada dia mais, um dia após o outro, e que viver todos os dias como se fosse último, fosse uma excelente solução….
Para esta minúscula aventura, escolhi Andrés Segovia como pano ou pane de fundo.
Um piano ao cair da tarde, era um programa antigo de rádio.
Procurei uma lapiseira, questão de gosto, compõe o modus operandi do tagarela que não vos fala, mas agora escreve.
A cena é de certa forma bizarra, no mínimo pitoresca
Numa avenida, uma mulher, feliz pelo semblante, humilde pela vestimenta, passa... empurrando um carrinho de supermercado, dentro dele um cachorro, naturalmente pouco a vontade e sem nenhuma ação em comum com quem o carreia mundo afora.
Parou no canteiro entre as duas vias e conversava animada e afetuosamente com um conhecido ou amigo dela sobre o que não imagino, não consegui prestar atenção.
Isso durou alguns minutos, uma dezena de copos de cerveja e uma coleção de interjeições verbalizadas.
A impressão que eu tinha é que ela literalmente não se conectava com o mundo que eu via, era o mundo dela que valia a pena e talvez nem existisse outro...
Sim, foi um alívio ver que não foi xingada nem atropelada, ela continuava feliz...
Me dei por satisfeito.
Sorri como outros tantos que ali estavam.
Não sabia exatamente se podia definir aquela demonstração de afeto e puro “non sense”, acho que continuo sem poder, continuo sorrindo.
Não a vi mais, nem o cachorro...
Preciso fazer umas compras no supermercado.
Era uma vez um sonho
(O poeta e um anjo)
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um sonho de amor que eu sonhei
O poeta e um anjo
Uma história de amor que imaginei
Ela parecia uma princesa
Seu coração eu amei
Ela tinha a voz de uma sereia
Uma vez sonhei que a beijei
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um conto de fadas
Uma poesia de amor
Um anjo com suas asas
Que tocava uma linda melodia
Com o doce toque da harpa e da lira
No paraíso e em seus campos floridos
Eu olhava o brilho de seu lindo sorriso
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Um poeta que se apaixonou
Por um lindo anjo
O coração do poeta amou
E sonhou com um doce beijo
Daquela que era sua amada
Com o brilho de seus olhos ele sonhou
Mas foi tão triste quando acordou
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
Uma estrela que brilhava no céu
Uma rosa orvalhava amor
Uma noiva rumo ao altar, e seu véu
Do branco mais puro tinha a cor
Um doce sonho de amor o poeta sonhou
Mais doce que o mel era seu amor
Mas chorou quando seu anjo para longe voou
Era uma vez um sonho...
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
Era uma vez um sonho...
Exílio Nublado
O lençol me afaga a pele
Suave, mas é traiçoeiro
Ele me cura a angústia
Mas é na cura que ele me fere
E eu me levanto ao avesso
Triste, mas com esperança
De evitar o pedregulho
Que já me causou o tropeço
E eu insisto nas erratas
Ingênuo, mas já sabendo
Que o caminho que percorro
Já tem minhas pegadas
E eu não estou sozinho
Isto é, fora eu mesmo
E eu tento me abraçar
Mas eu sou só espinhos
Saudades da solidão
Prezo a ser refém da solitude
Pois só penso em o que pensam
Pois eles não pensam como eu penso
Desejo da intimidade venerável
Mas já foi discriminada a confiança
Estimando a voltar com quem tenho intimidade
Pois na confiança da solidão há integridade
Todos os dias acordamos para buscar,
Talvez o que chamamos de sucesso.
Mas será que ele existe?
Ou estamos a nos ludibriar?
O significado dele é muito particular.
O que nos deixa confusos.
Pois achamos que sempre precisar entregar,
Como o vizinho, que tem a grama mais verde.
Mas será?
O sucesso é complexo,
nem me atrevo a explicar
Mas posso te garantir,
Que se você entender o seu, vai se apaixonar.
E talvez começar a existir
De forma a aproveitar ao máximo
A vida
As pessoas
A si mesmo
Eu te pedi carinho, você me deu abandono
Eu te pedi empatia, você me deu estranhamento
Eu te pedi reciprocidade, você me deu indiferença
Eu te pedi dedicação, você me deu displicência
Eu te pedi verdade, você me deu mentiras
Eu te pedi amizade, você me deu hostilidade
Eu te pedi lealdade, você me deu traição
Eu te pedi amor, você me deu desprezo
Você pediu minha mão.....
Eu te dei meu coração
A cura da sociedade (Tá tudo invertido)
É preciso inverter a vida
Inverta todos os valores e conceitos ensinados
Esqueça tudo o que você aprendeu
Vire o (seu) mundo de cabeça para baixo
É preciso ser feliz consigo mesmo para amar, e não amar o outro para ser feliz
É necessário a felicidade para alcançar o sucesso
Não é o sucesso que permite você alcançar a felicidade
Do contrário, será apenas um sentimento vago, efêmero e passageiro
Como um pássaro viajante que pousa na janela, faz uma breve visita e vai embora
É importante morrer para viver
Quantas vezes for necessário
Quando você morre para você e para todos as crenças, regras e concepções absurdas que você acredita
É que você entende o valor da vida
Renasce todo o dia para o despertar do amanhecer
É importante virar a vida de cabeça para baixo
Começar do fim
E esse será o seu mais novo começo
Perder para conseguir ganhar
Muitas vezes, basta você entender o que vem com a perda, para que você viva com honra a plenitude de ser vitoriosa
Às vezes, é o lado mais sombrio que te faz conhecer a luz
Ele nem sempre é preciso
Porém, esse lado ilumina tão forte a sua alma que você nunca sentirá mais vontade de revisitar a escuridão
É o aprendizado mais puro e mais amargo
É o aprendizado mais duro, mas o mais honrado
A maneira mais humilde de conhecer a verdade
Por isso, abrace a vida sem ter medo das dores e das adversidades
Mas, ame também a capacidade de observar a riqueza da sabedoria nos pequenos detalhes
Tenha a coragem de se embriagar e se embebedar de várias doses da vida
É NOITE,OS GATOS SÃO PARDOS
É noite, e tudo é mentira
As poças d'água na rua
enganam os pés incautos,
o assobio engana o medo
dos fantasmas e dos fatos.
É noite,os gatos são pardos...
Os muros todos escondem
ladrões e policiais,
as amizades escondem
os "dedos-duros" fatais.
A noite já foi suave,
já foi ternura,seresta,
namoro,luar e festa,
conversa,banco;quintal,
mas,nesta noite de medo,
a gente nunca distingue
qual é o amigo sincero,
qual é o amor verdadeiro,
e qual a flor cujo cheiro
não é tóxico ou mortal.
As palavras são sussurros,
- as paredes têm ouvidos -
as verdades são traiçoeiras,
os amigos são temidos.
Quem fala palavras boas
pode ser falso ou vendido,
quem grita está insuflando,
quem cala está consentindo..
AS POMBAS
Dez horas!
Sol quase a pino.
Pombas brancas voam em todas as direções.
Corpos seminus bronzeiam-se estendidos sobre esteiras.
Por toda a praia, contrastes com a espuma branca do mar.
Um colorido sem igual!
Crianças brincam e correm, chego a acreditar na bondade dos homens.
Busco o momento oportuno para arquivar esta cena numa foto sensacional.
Os guarda-sóis coloridos parecem em festa.
As pombas vêm e vão ou aproximam-se de uma criança que lhes atira migalhas de pão.
Este é o momento que eu queria!
Uma criança, o azul, o mar, as pombas, um quadro infinito de paz....
Dúvida,
Não sei se me entulho...
Por esse atalho.
A resolver uma certa historieta.
Pior será o encalhe,
De os dedos se acovardarem,
Na ponta dessa caneta.
Os corações pulsam
sem controle
Quem me dera ser mais falso!
Em meus olhos marejados
Com esses nós,
Na garganta
Esses gritos em descompasso
No palpitar de palavras
Meu peito bate apertado!
Fujo da paixão?
Ou ela não me acha?
Talvez não queira ser encontrado!
Porque hoje meu peito
Não pode ser lançado
As asas estão podadas
Ganhei um peito desconfiado
Onde beijos não são promessas
E palavras podem ser mentiras
Quem me dera ser mais falso!
Ou mais inocente nas feridas!
Luz e cor
Estão esquecendo de tudo o que realmente importa
As estrelas no céu estão se apagando e brilhando cada vez menos
O mundo cada dia fica mais cinza e nublado
Às árvores antes, tão frondosas, não florescem mais
É o verde cada dia mais desaparecendo e dando lugar ao cinza
O céu que antes era tão azul
Os rios vêm ganhando uma cor escura, muito diferente do seu tom reluzente e cristalino
O mundo vem perdendo a cor
Muitos estão pálidos e sem luz
As pessoas estão se perdendo no caminho de volta pra casa
Da mesma forma que as crianças se perdiam da mãe do supermercado
Isso não mudou
Hoje, continuam se perdendo
Se perdem da sua criança interior
Um corpo cheio de luz é o que altera a sua cor
Solidão
Segura e viciante
O tempo tirou isso de mim
Tornando pesada e densa
Não há coloração em meu mundo
Eu pintei de minhas cores, para ver só a mim
Em meu casulo natural
Nenhum Sol a nascer por mim
Cavei minha felicidade bem abaixo de mim
Para afinal ser abatido pela minha dor
Garanti minha passagem vitalícia
No labirinto chamado eu
Numa busca imprestável
Eu sou meu escravo
Na infinidade de possibilidades
Eu fiz de mim a mais desgraçada delas
Atirei-me ao fogo, na intenção de sentir
Para afinal perceber, que havia fugido de mim
Em solidão
Como o ninguém que desejei ser.
Seja diferente
Seja estranho
Seja esquisito
Seja algo que as pessoas não valorizem tanto
Seja algo que está fora do comum e foge dos padrões
Seja antipático
Seja desagradável
Seja chato e mal-humorado
Seja fechado
Seja introvertido
Seja calado e não sociável
Seja sério
Seja melancólico
Nervoso e alterado
Seja e tenha quaisquer defeitos que as pessoas abominam
Não dê bom dia todos os dias
Não percebe que é irreal achar que todos os dias serão bons?
Deixe as pessoas se lembrarem de que ninguém é perfeito
Somos todos aprendizes, mas também somos humanos
Nunca alcançaremos o caminho final da perfeição
Se você não entendeu este poema ainda,
A lição apenas é:
Seja melhor, mas não seja cópia, uma ilusão ou utopia do que você deseja ser
Seja honesto com os outros e consigo mesmo
Decepcione o mundo se for preciso, mas não decepcione você
“Carta dos anos 90”
Houve um tempo que tudo tinha um envolvimento mágico, o namoro proibido pelos pais, o beijo roubado no portão, os bilhetes rabiscados com pressa, as músicas internacionais românticas que embalavam os corações apaixonados.
A menina ou o menino da escola que você gostava lembra? Que época boa, não existia internet não tinha telefone celular eu lembro que minha diversão depois de chegar da escola era assistir a sessão da tarde e passava uns filmes da hora! Quem nunca ficou acordado até tarde para assistir aquele filme que só passaria na sessão coruja! Lembro que pela manhã passava na TV o Programa da Xuxa e na programação tinha He-Man, Thundercats, Tartarugas Ninja entre outros.
Houve um momento na Tv brasileira que cachorros começaram a transmitir um programa, eu juro que por um bom tempo eu achava que era cachorros de verdade você acredita? Depois foi o momento dos dinossauros na TV, mas eles não estavam extintos!
Pois bem a carta dos anos 90 é uma reflexão sobre o tempo e a vida, o que você fez no passado não importa, o que importa é o que fará daqui para frente “o tempo é um senhor cruel” ele não se importa com a sua classe social ou com sua reputação, não se engane, nada na vida dura pra sempre, o passado não existe ele é apenas uma lembrança,
o futuro não existe ele é apenas uma possibilidade porem o presente o hoje ele sim existe e deve ser aproveitado intensamente, nunca se esqueça disso.
Credito do texto: Bertotti Filho 🙂
Em algum momento da minha vida
Eu me sentia como um parafuso que foi entregue ao um torneiro mecânico que me forjou e me modelou para me adaptar aquele momento da vida.
Talvez você hoje se sente igual a um parafuso velho torto e enferrujado, mas se você for apanhado por um bom torneiro e ele lhe forjar de maneira adequada poderá lhe fazer uma peça indispensável e desejável.
Da mesma forma que um bom torneiro mecânico consegue fazer de um pedaço de ferro velho e distorcido um lindo parafuso,
Deus consegue transformar uma pessoa que ninguém dar valor em algo extraordinário.
Liese
Nomeada Elizabeth
Eu a adoro como minha Liese
Imponente como a própria rainha
De seu cargo o mesmo não a merece
De indisputável nobreza
Ela vive se fechando em si mesma
Mas de meus olhos cansados
Tamanho fulgor de mim não foge
Na falta de palavras para descrever
O significado em si se contorce
A procura do par perfeito
Nas tentativas sussurrantes de possuí-la
A mascara enfim há de cair
Sob chão molhado, ela tenta pôr de volta
Sem sucesso, a adorável Liese
Se aceita sinceramente ao agora
Protegida em mim das facadas chuvosas
Abrigo suas feridas nas minhas próprias
Amparada sem mais nenhuma preocupação
As feridas de outrora, hão de cicatrizar
E viveremos alegres juntos
Se amando e se beijando
Observando sem nenhum pesar
O belíssimo luar a nos atravessar
Clamando para o raiar nunca chegar.
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