Poemas de Luto
Que luto é esse?
O que é pior?
Esquecer alguém que morreu
ou enterrar alguém vivo?
As lembranças vêm à tona o tempo todo…
Ele está ali.
Existe. Respira. Caminha no mesmo mundo.
Mas eu não posso vê-lo,
não posso senti-lo,
não posso tocá-lo,
nem ao menos ouvir a sua voz.
Que luto estranho é esse
que não tem velório,
não tem despedida,
não tem última oração?
É o luto de quem precisa
eliminar da própria vida
alguém que ainda vive.
Não apenas nas memórias,
não apenas nas fotografias —
mas vive, aqui, na realidade.
E o pior de tudo…
vive aqui dentro de mim.
Como uma presença silenciosa
que o tempo ainda não levou.
Luto Vivo
Lutar contra um luto vivo
não é tão simples assim.
São dores profundas
que atracam a capacidade de viver,
como âncoras pesadas
presas no fundo da alma.
Você se sente viva…
mas ao mesmo tempo
sente a própria pele
consumindo os ossos.
Porque a carne que ainda respira
vai se desfazendo lentamente
na angústia
e numa solidão devastadora.
E quando alguém aparece
com amor nas mãos
tentando te alcançar…
você o puxa também
para esse buraco escuro,
avassalador,
sem fundo.
Como se o vazio
engolisse tudo
que ousa se aproximar.
E assim, sem querer,
talvez você elimine
uma das poucas chances
de voltar
a ser feliz.
O luto e suas faces
Existe uma sensação boa que vivenciamos no luto e nem nos damos conta quão é boa a vida cotidiana, aquele dia que nada demais acontece, só um dia normal.
Quando estamos num processo de uma doença em casa, o normal é a correria de hospital, a espera dos diagnósticos, o medo dos exames, a lista de coisas que viram rotina.
Quando tudo acaba, você olha ao redor e apenas contempla o simples.
A pressa acaba, o medo cessa e a expectativa é apenas viver .
Por mais difícil que seja perder alguém, o dissabor dos hospitais nos mostra que, nada mais especial que apenas acordar e fazer coisas corriqueiras.
O luto tem esse lindo efeito colateral, apenas um dia comum.
Tenho medo de perder
Mais do que perdi
Da dor infinita
Da pior ida
Não quero outro luto
De mais uma partida
Não tenho mais lágrimas
De olhos que vazam
Apesar de moderna
Não consigo ser líquida
Espero que o agora
Seja só temporário
Porque não aguentaria
Outra dessas partidas.
Entre as mais importantes
Já perdi minha alma
Lamentei a esperança
Mas, mais uma dessas
Da luz mais brilhante
Da força que inspira
Seria perder quem é,
E sempre será insubstituível.
- Marcela Lobato
"Não desisto fácil, luto com todas as minhas garras
pelas pessoas que amo. As vezes caio, me machuco,
sinto dores, mais sempre continuo firme na certeza
de que a Luta por mais amarga e dolorida que seja
valeu cada passo, contruí pontes, aprendi. E hoje
mais madura sei exatamente por onde caminhar".
Os filhos nunca morrem
Não, para suas Mães...
Quando um filho se vai
A Mãe se veste de luto.
Seu universo se desfez
Os dias parecem morrer
As lágrimas parecem congelar
Também parou de viver.
Sua dor é lancinante
Estampada em seu semblante
Tatuada em seu olhar.
A morte levou o seu filho
Ela não pôde evitar
Mas seu amor infinito
Jamais mudará de lugar.
Viver o luto de entes queridos é como ser uma alma flutuante em um corpo oco
— totalmente sem direção.
Lu Lena / 2026
A ORFANDADE VIVA
(A pérola que se fechou em ostra)
Dizem que o luto é o preço que se paga pelo amor. Mas ninguém nos ensina a lidar com a estranha ausência de alguém que ainda respira. É uma despedida em vida, um adeus sem ponto final, onde a pessoa continua ali, mas o que nos ligava a ela parece ter sido desfeito por um laço de fita esvoaçante e silencioso.
Há quem, diante de perdas sucessivas, decida que o mundo já lhe arrancou partes demais de sua existência. Como resposta ao naufrágio, essas pessoas não nadam para a margem; elas se tornam ostra, deixam-se afundar e fixam raiz no fundo do mar. Fecham a concha com uma força que nenhuma mão externa, por mais amorosa que seja, consegue abrir.
O isolamento vira armadura, e o silêncio, uma forma de sobrevivência introspectiva e extenuante.
Ficamos nós, os "sobreviventes", na areia desse convívio interrompido, olhando para o horizonte e tentando buscar num suspiro a resposta em vão. Olhamos para quem habita o mesmo sobrenome ou a mesma história, sentindo uma orfandade estranha — às vezes compreensível, outras vezes não.
É o peso de uma presença que não se deixa tocar, de um colo que existe, mas não se oferece.
Se o outro escolheu o retiro absoluto para não mais sofrer, cabe a nós a tarefa árdua de honrar a vida que pulsa aqui fora. Já que não podemos invadir o silêncio alheio, transformamos o nosso próprio grito em outra coisa.
Criamos, escrevemos e resistimos. No fim, talvez a literatura seja isso: a válvula de escape para construir pontes de palavras para lugares onde o afeto físico não consegue mais chegar.
Lu Lena / 2026
Que Haja Luta antes que venha o Luto
Nunca se sabe quando é o último dia, o último abraço, a última despedida, o último momento de alegria ao lado daquela pessoa, a última melodia a ser ouvida, o último sorriso compartilhado, a última viagem, os últimos passos, e, devido à falta de tal sabedoria, cada um vai seguindo entre conquistas e adversidades.
Seguimos e não aproveitamos exatamente como deveríamos; ignoramos o fato de que as discussões muitas vezes são à toa e não nos trazem nenhuma serventia, que a vida não permite voltar no tempo, a não ser em pensamentos, e nem sempre vem aquele bom sentimento de nostalgia, podendo ser a porta para um grande lamento.
Quanto mais o bom senso passa a ser escasso, mais necessário ele se torna, pois não deve ser desprezado para que o viver seja bem praticado, o mais aproveitado possível, sem aquela prisão pelas perdas, dificuldades e outras formas de tristeza que tiram a liberdade de usufruir todas bênçãos e presenças de verdade.
Não quero que ninguém se entristeça lendo essas palavras, mas que possamos tratá-las como um alerta para que os últimos suspiros não venham a ser desperdiçados; peço que tudo seja conduzido por Deus, que o presente seja vivido antes que o passado seja saudades, que haja Luta antes que venha o Luto e o próprio mundo se perca na vaidade.
O pior luto é aquele de alguém que ainda está vivo.
Porque não existe enterro, despedida ou fim definitivo.
Só o silêncio ocupando o lugar das conversas,
a ausência disfarçada de presença,
e a dor de ver alguém existir no mundo…
mas não mais na sua vida.
Tem amores que não morrem.
Só deixam de voltar.
E isso destrói devagar.
O pior luto que existe, tchê,
é aquele de um amor que segue vivo,
mas longe dos teus braços.
Porque no fundo,
a gente fica campeando lembrança
igual quem espera cavalo voltar sozinho pra casa.
E dói…
dói ver que a pessoa ainda existe nesse mundo,
ainda toma chimarrão,
ainda ri por aí,
mas já não senta mais ao teu lado no fim da tarde.
Tem partida que não precisa de adeus.
O silêncio já faz o serviço de destruir tudo.
Bah…
tem saudade que nem mate amargo adoça.
O luto de um amor vivo é coisa triste, vivente.
Porque a gente segue andando,
sorrindo nas rodas,
arrumando o cabelo,
fazendo tudo certo…
mas por dentro o coração fica parado
na última vez que aquele amor olhou pra nós com carinho.
E pior que ele ainda existe.
Respira o mesmo céu,
anda pelas mesmas ruas,
mas já não pertence mais ao nosso abraço.
O luto de um amor vivo me mudou.
Antes eu achava que amar alguém
era permanecer custe o que custar.
Hoje eu sei:
amor bonito também é saber soltar
o que já não floresce.
Tem ausência que dói,
mas também acorda a gente pra vida.
E foi depois da tua partida
que eu aprendi a me escolher,
a cuidar do meu coração
e a nunca mais aceitar migalha
onde eu oferecia o mundo inteiro.
Sim, Muito Mais Além
do que se imagina,
o amor fica de luto sim.
O que mata o Amor,
não é a ausência
e sim o desprezo, mas,
Amor, Carinho Compreensão
fazem o mundo ser bom,
para quem pode ver e entender...
A noite veste o luto do meu erro,
E em cada estrela, vejo o teu adeus.
Um silêncio pesado, cruel desterro,
Onde a culpa reside e jaz nos meus.
O meu peito é um vazio que te implora,
Por um instante apenas de atenção.
A alma, em prantos, clama e a mente chora
O peso esmagador deste perdão.
Se a dor que causei pudesse ser medida,
Eu a beberia em um só gole, infeliz.
Devolve-me o sol desta vida
Que só em teu olhar encontra a raiz.
Perdoa, meu amor, este caminho errado,
Sou apenas um fragmento sem o teu calor.
Sem ti, sou um poema inacabado,
Um grito mudo de eterno e triste amor.
Por que guardar a dor, o luto, a mágoa?
Se o amor partiu, levou também a água
Que regava o jardim do nosso sonho vão.
Agora só há terra seca e solidão.
O coração, ferido, pulsa em câmara lenta,
Lembrando cada toque, a chama, a tormenta.
Mas o que foi, findou. Não volta a ser, jamais.
Deixe o tempo levar, para que haja paz.
O luto não enterra apenas quem parte,
ele também sepulta versões de nós que existiam naquele encontro,
deixando a alma vagando entre memórias e ausências,
até que a dor, cansada de sangrar, vire saudade habitável,
e o amor aprenda a continuar sem presença física.
A vida nos ensina a segurar as mãos, mas o luto nos ensina a segurar o coração de quem já não pode mais ser tocado.
Não perdemos as pessoas que amamos; nós as devolvemos ao mistério da vida, mas guardamos o perfume de sua passagem conosco.
SerLucia Reflexoes
O seu problema é achar que o meu silêncio é aceitação, quando na verdade é apenas o luto pela consideração que eu tinha por você.
SerLucia Reflexoes
Luto
Lembro com nitidez
Do dia que te vi partir
Do dia que pela primeira vez
Eu te vi longe de mim
Eu demorei a aceitar
Meus olhos não queriam chorar
Minha vontade era correr
Pra um lugar onde eu pudesse te enxergar
Pra um lugar onde não existisse esse sofrer
Não existisse a ausência de você
