Poemas de Luto
O SAL DA MINHA VOZ
Não reconheceram
Minhas palavras como ouro
Ou trigo,
Mas escutem o que digo:
Amanhã se levantará
Um grito
Que tropeçando se arrastou
Por toda a vida
Dentro de mim.
Mesmo o silêncio
Das pedras
Vai murmurar
Escandalosas ideias
Que escondi.
Peço ao mar
Que com o seu sal
E alento
Empreste à voz das sereias
Os poemas
Feitos à minha Deusa.
As camas todas
Rabiscadas por mim
Com o sangue e o gozo
Da minha vida.
Não cicatrize nunca
A ferida.
Meu sangue escorrerá
Sempre pelo mundo
Nas revoluções camponesas.
Na prece
Nos quartinhos de bordéis.
Nos gabinetes
O açoite do meu grito
Vai prosperar.
O sal da minha voz
Tirará lágrimas
De olhos cálidos
E fará brotar o amor
No meio da guerra.
O sal da minha voz
Vai temperar a paz
Entre as Coreias
Esquecidas.
BREGUEDO
PAIXÃO DOS CORPOS
Uma coisa é eu te beijar
Outra coisa é me perder
Nos teus olhos me encontrar
E teu coração pedir pra amar você
Não se sintas confiante
Meu corpo sabe o que quer
Tua pele implora pela minha
E você me faz mulher
Mas, é só paixão dos corpos
É loucura, é prazer
Nessa hora até te amo
Mas, depois vou te esquecer
A vida sempre é uma canção
notas timbradas a todo momento
ritmos que aos poucos se fazem
em alegres ou tristes lamentos
ABRAÇO DA ALMA
(05/05/2019)
Encontro meu ser,
E ele me fala de amor.
Um abraço que vem da alma,
Fonte da verdade e da emoção.
Não posso viver,
Sem ao menos sentir...
A beleza dos campos,
Assim como o vento em mim.
Também o mar e sua essência,
Dos quais me purificam.
Aberto quero estar,
Nesta terra dos sonhos.
Busco andar pelos caminhos...
Observando as noites e os dias,
Desejando bater as asas,
Para voar com toda a alegria.
Escrevo por amar!
Amar me faz tão bem.
O bem é meditar a felicidade,
Com tudo a qual tenho direito.
Encontro
Caminhamos por caminhos distantes
Cada um na sua trilha
Buscando no horizonte, um passeio estreito
Onde lado a lado e de mãos dadas
Seguiremos pela planície desconhecida
Onde pássaros flutuam no espaço eterno
E nós a desvendar um caminho de luz
Para em fim fincar os pés na paixão
Minha Alcatraz
Vê-se liberto da vida que se esvai
Fútil é a mentira que vos emana
Do berço da morte aquele que cai
Agora vives, tu não me enganas
Poesia de fogo fátuo que ressalva
Recesso infernal dilacera-te alma
Linha tênue que ninguém o salva
Do sofrer incabível que não acaba
Vinda ingrata da vida que te foges
A mercer de tribunas impiedosas
No surgir do turíbulo teus algozes
Caridade da esperança formosa
Observa em prantos teu sofrer
Apenas sinuosa, a vontade de morrer.
Vendaval
Uma tempestade se aproxima
Com ela um arrepio que lhe alucina
Águas tempestuosas que muito facina
É obra da natureza ou a alma feminina?
Dependente de conceitos sem muito ser
Futil na realidade que não pode entender
Dar-se valor a vida com medo de morrer?
Vive cada segundo esperando padecer..
Não faça com que vás sem te ver partir
A tempestade é forte não tente coibir
Faça dela a defesa mais bonita e deixe ir
Que a tripulação da alma venha emergir
Que suba até a mansidão de seus olhos
Levante a bandeira branca e sossegue
Descansem, e que o amor lhes entregue
Aquilo que os liberta e abre os ferrolhos
Entendam meus caros o que lhes digo
Palavras são amor, e para muitos abrigo
Não compareças se não for meu amigo
Ó tempestade, para onde for, irei contigo.
Escolha sempre o silêncio.
Não faça das redes sociais, muro de lamentações.
Dispense a plateia, problemas não precisam de palco.
Pela vida vais andando,
sigo-te e nem me percebes,
sou apenas uma leve sombra
que acompanha teu viver,
porém sou grande o suficiente
para nela descansares
quando o cansaço te abater
Amor é mais que uma sensível palavra de quatro letras...
Amor é viajar nas nuvens vendo o belo sorriso daquela que fisgou sua atenção...
Amor é enxergar com os olhos um rosto lindo, mas ver a singularidade nos majestosos olhos dela, a assaltante do seu coração...
Que o nosso amor esteja junto do ontem pro hoje e de hoje até o amanhã , que os nossos corações celebrem esse amor que terá mais que quatro letras, terá toda nossa história de amor, única e inteira...
"sonhe mais,
sonhe sempre,
sonhe grande,
sonhe com a gente
sonhe bonito
sonhe comigo
sonhe calado
um sonho banido."
Falando nisso, terminei o livro que você pediu pra eu ler
E só na página 70 entendi você
Naquela parte onde diz que o amor é fogo que arde sem se ver
O Rio
nasce na minha porta
- preenchendo toda aorta -
um rio
de água negra
e fervente
que corre alheio
corta ao meio
e quebra
a paz e jaz
o silêncio
enquanto segue selvagem
o veio pulsante
e febril
transborda a margem
a forte corrente
transpassa a mata
e mata
de repente
deságua em guerra
em um mar calmo
esse rio
- lágrimas da alma -
inundando cada palmo
invadindo a terra
a sala
o peito, a mala
me afogo dia a dia
no rio de minh’alma
Novos Conselhos para uma Vida Riquíssima
Espalhe gratidão enquanto houver amizade
E de ninguém deseje a piedade
Hasteie sua felicidade como uma grande bandeira
E diga a verdade de qualquer maneira
Distribua sua gargalhada entre os boçais
E tire para dançar os anormais
Tenha desprendimento pelo material
E leve sua cama para o quintal
Seja amor enquanto todos são razão
E aos sentimentos saiba dar vazão
Mostre o que vai além do espelho
E não se torne um jovem velho
Da arrogância não vista a fantasia
E não fique à sombra de uma relação vazia
Abrace seus sonhos com determinação
E enxergue com os olhos do coração
Seja como a chuva em um chão que agoniza
Faça brotar vida que você se eterniza
Isso é o Mundo Inteiro!
nessa lembrança meio dormente
onde deixei meu coração descansar
estranhamente firmou-se a paz
talvez seja algo que o vento trouxe
ou seu cheiro num sonho que não se desfaz
tudo vem tão rápido e tudo passa
simplesmente
suba em uma árvore e fume um paieiro
isso é o mundo inteiro
caminhamos por trilhas
andamos milhas
mas somos ilhas
não se distancie ao toque
peça, grite, soque
mas não se entoque
os maiores ausentes
estão sempre presentes
e compartilham com a gente
a poeira da serra pinta o céu
e o sol veste um vermelho véu
todo entardecer leva algo meu
em um horizonte que sempre foi seu
Sobre a Distância e Outras Coisas
todos os dias morrem em mim infinitas estações
veladas em um templo transparente e quebradiço
de ausência entre os segundos e todas as horas
há um certo terror pelos cálices que não te calam
e pelos beijos que não te banham os lábios
não acredita em distância o pássaro que voa alto
e nós também voamos alto, só que pra dentro
e igualmente fizemos da leveza libertação
mas deixe o pássaro, o passado e esqueça tudo
ainda longe posso acender a vela do teu coração
e reconhecer teu olhar descalço
a intensidade da voz e o calor da alma
e dizer bem suavemente em teu ouvido
que eu atravessei essa ponte em oração
sim, veio a destempo e passo a passo
hoje, tudo de ontem ficou sem graça
incendiou a casa, me empurrou do penhasco
rasgou as palavras pra falar em silêncio
sem artifício ou prenúncio
agora, percorrem minhas veias espaços sem retas
- me moldei em suas curvas -
sem dilemas e restos
apenas lembranças florescidas em pequenos detalhes
um afago adequado, um assanho ousado
o próprio despudor, tomado de assalto
e o amor, vestido de salto
A Minha Oração
Me guarde e me proteja, meu Senhor
Me faça um exemplo de fé e amor
E me dê o destino que eu for merecedor
Uma Réstia de Luz
Sou eu nada
Além de um pouco de tudo
Do que você me deixou ser:
Um deserto de horas intermináveis
Somente um pouco de tudo
Do que você me deixou ter:
Sua respiração esquecida e ritmada
No meu peito
De algum tempo
De algum lugar
Eu trouxe uma lasca de tua existência
Comigo
Uma réstia de luz do teu olhar
Um pedaço de tua alma
E agora
Ver-te já não basta
Você se tornou outro sol
E outra lua
E não há amanhecer
Ou entardecer sem a presença tua
Nos Teus Olhos
Nos teus olhos não há inverno
ou outono
ou tom
que não tenha prazer
e lágrimas de morrer
por um anseio secreto
Nos teus olhos é sempre primavera
e há sempre uma vela
acesa
com o desejo à mesa
servido antes do café
com toda a fé
ardente
no que não se entende
Nos teus olhos existem caminhos sem volta
há abismos e precipícios
profundos
de dois mundos
que buscam se encontrar
há minha sede de amar
e teu vício de estar
Amor Próprio
Por vezes caiu e se levantou, renovada.
Foi traída, enganada, subjugada...
Ela não se deixou destruir por nada,
pois por si própria era amada.
