Poemas de Luto
Tietê-de-coroa
O Tietê-de-coroa
com poesia sobrevoa,
para ele peço e recebo
uma gentil carona,
Quero saber qual é
o seu desejo para agora,
Espero que diga
para mim sem demora.
Eu te trato com
toda a poesia,
E devagar está
me colocando
na sua folia,
Teu enternurado
olhar seguindo
a minha ginga
no coco de roda
com toda a magia.
Pelo quilombo eu sou
Caxambu espalhado,
bem tocado e dançado,
Poesia imparável que
nem mesmo o tempo
pode vir a capturar,
Estou presente aqui
e por todo o lugar,
Você pode ir por aí,
Mas sou eu o amor
que chegou para ficar.
Não nego o meu
sangue caipira,
A minha poesia
catira dança
do Centro-Oeste
ao Sudeste,
E deste coração
jamais se tira.
Disseram para mim
que o início na poesia
era muito difícil,
Eu respondi que
escrevo para chegar
a lugar nenhum,
Disseram que quem
escreve poesia
não faz História,
e eu respondi que
escrevo poesia
por pura preguiça
e para sacudir o pó dos dias.
Com as duas mãos vou
escrever poesia no ar,
Vou entrar na roda
de Dança das Pretinhas d'Angola
para o teu coração
de longe de vez capturar;
Os meus quadris vão se soltar
e com minha saia vou sarandear,
E você vai acabar se declarando
para mim quando menos pensar.
Pedir a Tupã um amor
de Ipojucã e Jandira
não é pedir demais,
e também não é poesia;
não tenho dúvidas
que é o maior voto
de rebeldia nestes dias.
É sonhar a eternidade
refletida quando eu
encontrar o espelho
d'água dos seus olhos
e neles mergulhar
com os meus sonhos.
É viver obstinadamente
como quem mergulha
na Cachoeira Amorosa
de uma vida inteira:
a entrega perfeita.
Insisto que não é preciso
de flores e de poesia
para vencer uma guerra,
Não é preciso de muito:
é só ver Vênus e Spica
no céu em frenético ritmo.
O Império saiu da mesma
maneira que entrou levando
o peso do fracasso esperado,
o mistério da fé fala por si
sobre a história de superação.
Dizem que o amor romântico
nesta Era foi derrotado,
construí a minha fortificação,
Porque na vida ninguém vive
sem sonho, sem motivação
e sem o coração apaixonado.
A partida do último soldado
e o enterro dos Impérios
me levaram para bem longe
do que foi convencionado
ao encontro da liberdade.
Sigo no sentido contrário
daquilo tudo que impõem:
sou a declarada rebeldia
- em total personificação -
O encontro de Lua e Vênus
inspirarão a aproximação.
Há quem tente mudar
a alma deste poemário
feminino, romântico e feito
de espera sob o céu austral;
e as oitenta e oito galáxias
estão para lá e para cá
ondeando em minhas mãos.
Nada pode apagar o quê
está escrito nas estrelas
o quê pertence a História
aos caribenhos ritmos onde
o Cruzeiro do Sul é o guia
mesmo num mar convertido
na salvação dos desterrados.
Das minhas mãos escapuliu
a Constelação do Boieiro
que guarda o nosso amor secreto
de Hemisfério a Hemisfério,
porque mesmo que eu olhe
para o céu onde as Galáxias
podem ser contempladas:
O teu amor por mim sempre
se encontrará onde as estrelas
serão sempre mais visíveis
e sem a necessidade de lunetas;
estou presente em todas elas,
e no prelúdio da madrugada
que nem o destino pode deter.
LXXXV
As revoadas de poemas
que vem desta cidade
para derrubar muralhas
alimentam a liberdade
onde quer que estejam.
Do estradão rumo
aos Caminhos do Frei Bruno
para muitos a paz sempre
acaba fazendo todo sentido.
Neste mundo que
ainda não se libertou
dos velhos hábitos da guerra:
O quê sempre se renova é
o amor que tenho por esta terra.
Desde o dia treze de março
do ano de dois mil e dezoito,
tenho escrito um poemário
sobre a História de um General
preso injustamente no meio
de uma reunião pacífica,
(Não me esqueço jamais da tropa vítima
de igual injustiça
e cito fatos da América Latina).
Cada verso que vem se
construindo pelos fatos
é de minha inequívoca
e total responsabilidade;
De olhar erguido assumo
porque sei que ainda há
vestígios vivos de crueldade.
Depois de mais de três anos
sem audiência preliminar,
Dos seis crimes que o General
foi injustamente acusado,
(Persiste o ar pesado
da semana passada);
Porque uma severa e falsa acusação
de instigação a rebelião militar
nela ainda persistem e insistem
abusivamente em aprisionar o General,
Sou poeta e não posso me calar;
escrevo para a História não se apagar
e para que não tentem a recontar.
Desta cidade
sou a poesia
que é para uma
tropa ferida.
Poesia a tropa
aprisionada,
que rima tinhosa
e incomodada.
Uma poesia
para a vida,
Poesia feita
para o século.
A poesia que
do General preso
injustamente
não tem notícia.
A poesia tem
pernas mais longas
do que você imagina,
e é bem mais veloz
do que a mentira.
Onde existe a poesia
uma mentira repetida
várias vezes nunca
será uma verdade.
Toda a poesia
tem a capacidade
de fixar residência
na sua cabeça.
O General continua
PRESO INJUSTAMENTE
sob acusação FALSA
de instigação a rebelião,
e o mundo inteiro sabe.
Poemário Nacional
Gostaria enviar todo
o meu amor pela Aviação
de Transporte para suprir
de tudo o quê te falta:
você me faz muita falta,
e a distância a cada dia
cada dia tortura e alucina.
Embalando um poema
sentimental para enviar
na segunda-feira graças
ao Correio Aéreo Nacional
confessamente aos olhos
de quem sabe ler: somos
intensamente apaixonados.
Gritaria para o mundo
quem é você no entanto
entre as galáxias e poemas
tu és a minha galáxia
preferida e eu o teu cinturão,
e amor para a sua vida:
o teu Poemário Nacional.
Não apenas escrevo
frases para redes sociais,
Eu sou poetisa que
escreve poesia contemporânea
para quem sente demais,
e não quer fazer da vida
um tanto fez ou tanto faz.
Dentro deste poemário
muitas histórias venho
contando enquanto
o General e a tropa
não forem libertados.
O General segue preso
injustamente acusado
falsamente de instigação
a rebelião desde o dia
treze de março do ano
de dois mil e dezoito,
Ele só pedia entre todos
o encontro, o diálogo,
a paz e a reconciliação.
Dentro deste poemário
ainda me lembro que
o Professor Carlos Lanz
continua desaparecido
e para uns este caso já
está encerrado e esquecido.
Dentro deste poemário
ainda registro o martírio
intermitente em vida
do velho tupamaro
vítima de brutal injustiça
e até agora não recebeu
nenhum direito requerido.
Os poemas da dupla fronteira
venezuelana e brasileira,
somente a mim pertencem,
No Maringma-tepui do Esequibo
Venezuelano os meus
versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros onze tepuis habitam.
Festa do Imigrante
De Rodeio para Timbó,
a poesia contemporânea
há uma biblioteca nos teus olhos,
Do Médio Vale do Itajaí
para o mundo inteiro,
há uma festa e muitos sonhos...
Nos teus olhos tenho o enleio,
nas tuas pestanas folheio,
Você é a minha melhor festa,
e eu sou a tua imigrante:
fazemos a Festa do Imigrante
e escrevemos o nosso romance.
(O nosso amor é grande
e é um acontecimento vibrante).
Iomerê
Nasceste Fachinal Branco,
e você sabe que te amo
(poesia contemporânea);
Iomerê originária, cabocla
e profundamente italiana,
o coração sempre te ama.
Plantaste a tua erva-mate
perfumosa no meu coração,
O teu milho foi a inauguração
e ergueste esta linda cidade.
Iomerê, minha clareira branca
ou campo branco em tupi-guarani:
o teu amor é único bem
que me fortaleceu e fez com
que eu chegasse por meio
dos ventos do Meio-Oeste até aqui.
