Poemas de Loucura
Ser poeta,
é ser louco.
Ser poeta,
é entender sobre a vida.
Ser poeta,
é morrer de amor
muitas vezes.
[Verso] Eu vi um sonho louco meio ontem Você me traiu mas foi sem intenção Acordei suado coração a mil Percebi que eram só faíscas na ilusão
[Verso 2] Você me olha como se fosse fim Mas eu vejo algo brilhando em nós Mistura quente de prazer e dor Isso é amor ou só um jogo feroz
[Refrão] Seu toque acende faíscas na escuridão Beijos que queimam a imaginação Vem me desvenda mostra quem é Nessa noite só existe nós
[Ponte] Pensamentos voam tão longe daqui Desejos se encontrar em cada piscada Entre a traição e amor sem fim A linha é fina quase quebrada
[Verso 3] Nossos corpos se entendem sem falar Um abraço diz mais que mil palavras Caminhamos entre fogo e tentação Esse amor é mais do que promessas quebradas
[Refrão] Seu toque acende faíscas na escuridão Beijos que queimam a imaginação Vem me desvenda mostra quem é Nessa noite só existe nós
Composição Valter Martins 28-01-2025
Há quem diga que de louco todo mundo tem um pouco
Alguns indivíduos só têm a loucura dentro de si
Quando tiram ela não sobra nada ali
Fica apenas um vazio
Como um rio, só que sem vida
Existe algo pior do que não sentir nada?
O poeta não é frio, nem é quente
Não é bicho, nem é gente
Não é louco, nem normal
Não é singular, nem plural
... O poeta é o que ‘deverasmente’ sente.
Só sobrou uma casa vazia ...
E a companhia que nunca né deixa só ...
Por fim a loucura vai vencer e eu nem se quer lembrarei quem fui ...
É uma segunda comum...
De um dia comum...
De uma vida comum...
De um velho comum...
De louco comum...
A saudades é a mesma...
Já conheço bem, mais não me acostumo...
Ainda dói e ainda vai doer...
Bom dia!
Destino estranho destino! No hoje um corpo só a passar, no ontem um sonho louco, madrugadas a me amar, no amanhã para mim, o que será que tu serás?...
(Zildo De Oliveira Barros)
Não é paixão?!
Não, é saudades!
Se fosse paixão pode ter certeza que já teria feito loucuras
Loucuras loucas
Pois sou um louco falando loucuras.
Vivo uma loucura
Que poucos loucos procura
Por uma vida dupla
Sem ter personalidade única
Essa é a vida de alguém que estuda
Coisas absurdas
Como uma vida dupla
E desejando ter uma vida única
Mas não encontra saída alguma.
Entre ser chamado de gênio ou de louco está apenas a conquista ou não dos objetivos traçados e avocados para si.
20/06/2024- ao ler Hobsbawm
'SABOR: CIÚMES'
Me vi louco, debruçado sob o idoso sofá de alcatifa. Dia antes, você passara com outro à minha frente. Não tão de repente, meu coração disparou: pistola automática com tiros se reciclando ininterruptamente!
No sol de verão, em meio a multidão, a rua saborosa de
ausência, sinalizava dano. "Aperto de mãos". Não mais que isso! E já te imaginava minha. Te devorava nos meus olhos e você, você passou com outro!
Justo agora que te convidaria para um sorvete. Se bem que um de açaí, me tiraria daqui: zelo criado por mim! Detesto quando falam que sou acanhado! Dia desses, dei um soco num larápio. Sorte a minha que não acertou e saí aligeirado.
Mas você Rosalinda! A que seria mulher dos meus cinco filhos. A que ficaria atônita, esperando minha chegada, a quem eu amestraria para ser amada. Ainda obstúpido, fico a viajar nos meus mares, sem lugares, sem ares!
Ei! Agora lembro-me do calhorda! É seu primo Rufino! E eu que passei a noite às claras pensado você nos braços de outro. Pura quimera! São quase seis da manhã, daqui a pouco, tentarei criar coragem e te convidarei para um sorvete de açaí ou qualquer outro sabor!
'REENCONTRO'
Serei neurastênico ao vê-la. Esguichar-me-ei pelas ventanas como um louco paralisado pelos terremotos vivos. O relógio amordaçado falará aos quatros ventos enquanto ficarei na calçada ambígua.
Afundarei silente, ruidoso tal qual um quarto escuro, exceto pelo cintilar das insônias. Descobrirei textos frágeis e não sonharei palavras. Saudarei raios, trovões, penúria, chuva, sete mares.
A luz que nascera na maternidade se tornará rupestre, corpo celeste e o escalar das montanhas será avesso. O elo, com sofreguidão, irá distanciar-se do intermitente alvo. Dizer 'adeus' sempre foi atrito, dilema. Não mais que um bocejar: desconforto!
'AFOGO-ME...'
Afogo-me,
tal qual um louco falando de amor,
insano porque não há quem entenda-lhe os pergaminhos.
Desenho corações em linhas sinuosas,
mergulhado nas incertezas dos dias.
Sento-me sob à mesa.
Desonesto,
falando dos dias felizes...
O mar flamejante está à procura de marinheiros.
Soluto porque sou mar de desespero.
Não tenho amanhã,
nem cultivo.
Tampouco porto para ancorar-me nas ilhas incipientes criadas no manjedouro...
No dia a dia,
espero lentidão velada que sufoca-me.
Afoga-me nas substâncias de combinações não feitas,
rarefeitas no tempo sacrificando pulmões.
Sou expressões resultando incoerência,
dias sem sentidos.
Submergindo fracassos nas torturas,
acasos imperceptíveis,
procuras...
Quanto mais penso
Mais louco estou
Quanto mais fujo
As loucuras voltam
Eu parei de imaginar
Quanto eu quero
Quanto sonhei
Todas as vezes
Que tentei
Que não pude
Que imaginei
Seus olhos
A chorar
Por mais que eu pense
Meu medo me faz
Sempre parar
Agora não tenho coragem
De, pelo menos,
Dizer o quanto
Seria bom
Não consigo falar
Agora me sinto fraco
Tenho medo
De tentar falar
O que eu quero
Pois agora o medo
É meu
De saber
Que sempre
Vou te amar
O REFLEXO DO LOUCO
Não sou louco!
Perdi apenas a alma da minha criança.
Não tive infância.
Sou história da pele com cor.
Para que uns possam agora ser livres,
Eu sou dos que entregaram as suas vidas,
Para que o futuro desfrute dessa liberdade.
De dia, sento-me nesta bahia,
para ver o meu reflexo no céu.
Aos poucos vou perdendo o medo de partir.
Fui abençoado por Deus.
À noite, desperta a minha alma encurralada,
Presa nesta cabeça de memória farpada.
Sou monumento vivo de um conflito armado.
Mas eu não sou louco!
Sou dono para decidir o momento da minha viagem.
Vou ser uma estrela bonita e vou-te visitar!
Sem ordens de ninguém.
❤️
Filipa Galante in
Conversas com o "Louco" da Bahia de Luanda (2011)
PANDEMIA
Povo inteiro
Que nada
Parece metade
Asa quebrada
Sutil inimigo
Só cuida do umbigo
Loucura lá fora
Frieza por dentro
Infecção já faz horas
Com outras roupagens
Falta muita coragem
Admissão tardia
Injusta demora
Apatia do homem
Pandemia de agora?
