Poemas de Ilusão
"A maior ilusão política é acreditar que alguns projectos falharam. Falhamos nós, pois o que chamamos de falha era desde o princípio a sua finalidade."
(Jasc)
"Nada é garantido: o presente é um sopro, o amanhã, mera utopia e o futuro, a ilusão da utopia."
(Jasc)
A Ilusão das Vitrines
"A vida dos outros é sempre um recorte escolhido, nunca a história completa. Não se perca na comparação com o que é feito para ser visto; foque no que você sente por dentro."
Lúcia Reflexões &Vida
O Amor e a Ilusão da Semelhança
Talvez uma das maiores curiosidades dos relacionamentos seja que raramente nos apaixonamos pelo desconhecido.
Quase sempre existe algo familiar no outro. Um jeito de enxergar a vida, uma ferida parecida com a nossa, um sonho compartilhado ou uma forma de sentir que reconhecemos sem perceber.
A semelhança aproxima.
Ela cria pontes, gera identificação e nos faz acreditar que encontramos alguém capaz de compreender aquilo que muitas vezes não conseguimos explicar.
Mas existe uma armadilha silenciosa nesse processo.
Depois de encontrar afinidades, passamos a desejar ainda mais correspondência. Aos poucos, deixamos de conhecer a pessoa que está diante de nós e começamos a compará-la com aquilo que esperamos dela.
Sem perceber, trocamos a descoberta pela expectativa.
O amor então corre o risco de deixar de ser encontro para se tornar exigência.
Talvez por isso os relacionamentos mais saudáveis não sejam aqueles em que duas pessoas se tornam iguais, mas aqueles em que aprendem a conviver com suas diferenças sem perder o respeito, o cuidado e a admiração.
Existem muitos tipos de amor.
Mas o amor que realmente transforma não é aquele que encontra alguém parecido conosco.
É aquele que nos ensina a acolher aquilo que é diferente sem desejar controlar, corrigir ou moldar.
Porque amar não é encontrar alguém que confirme quem somos.
É aprender a crescer ao lado de alguém que também está tentando descobrir quem é.
— Wander von Muller
A Ilusão das Respostas Definitivas
Existe uma inquietação comum aos seres humanos: a necessidade de encontrar respostas finais para tudo.
Queremos compreender o mundo, explicar os acontecimentos, prever o futuro e determinar com segurança o que é certo ou errado.
Talvez seja por isso que a dúvida nos incomode tanto.
Ela nos lembra que a vida é maior do que nossas conclusões.
Grande parte do sofrimento humano nasce da tentativa de controlar aquilo que não pode ser controlado. Queremos acelerar processos, mudar pessoas, corrigir caminhos e antecipar resultados.
Mas a existência raramente obedece às nossas expectativas.
A vida possui ritmos próprios.
As pessoas possuem tempos próprios.
E a verdade, muitas vezes, revela apenas fragmentos de si.
Talvez a sabedoria não esteja em acumular respostas, mas em aprender a conviver com as perguntas.
Porque algumas questões não existem para serem encerradas.
Existem para nos manter despertos.
Manifesto do Nadar
Bati de frente com a ilusão e me decepcionei.
Schopenhauer me mostrou o mundo sem filtro. Dói, mas é real.
Nietzsche me deu a chave: se não tem sentido pronto, cria o teu.
Libertar-se é parar de pedir permissão pro rebanho.
Sartre pesou essa liberdade.
Você é livre, sim. Mas cada escolha tua carrega consequência.
Ninguém vive por você, e você não vive por ninguém.
Bauman me ensinou a nadar entre os maremotos.
O mundo é líquido, caótico, sem chão.
Não parei a onda. Aprendi a não me afogar nela.
E quando achei que precisava explicar tudo, veio Clarice:
_Nem tudo pede explicação. É mistério._
Então eu sigo.
Sem ilusão, com liberdade, carregando a responsabilidade,
nadando no caos, e respeitando o que não cabe em palavra.
Filosofando com os filósofos
De Marcio Melo
O diabo não gasta flecha com quem já jaz caído.
Para os que se afogam na ilusão, ele oferece banquete e riso,
para que durmam tranquilos no berço da distração,
sem ouvir o eco da própria ruína.
Mas aos que sangram de pé,
aos que seguram a fé como quem segura a vida,
a esses ele persegue.
Porque são os únicos que ainda podem escapar.
E é deles que ele quer roubar a alma,
arrastando-os para o brilho falso da sua festa.
A festa e o ilusionista
Por marcio melo
A vida é arquitetada para nos vender uma ilusão: a de que somos os protagonistas, os mestres no controle de nosso próprio destino. Mas a verdade nua e crua é que o controle pertence, unicamente, a quem tem dinheiro.
Para o resto de nós, a agência é uma farsa. Não temos poder real de escolha, não temos voz, não temos um lugar de fala que seja verdadeiramente ouvido. Nossa função no sistema é simples e brutal: existir, crescer e, acima de tudo, enriquecer uma minoria que monopoliza a vida que todos nós desejaríamos — ou melhor, que todos teríamos o direito de viver.
E, como insulto final, somos forçados a engolir o consolo barato de que "amanhã será um novo dia". Que mentira. Nunca há um novo dia. Há apenas uma nova data no calendário para repetirmos o mesmo ciclo exaustivo, enquanto nos iludimos com a sensação de avanço ao adquirir coisas supérfluas, conquistas vazias que não preenchem absolutamente nada.
Esses pequenos prazeres materiais, que nos oferecem um alívio fugaz, logo revelam sua total inutilidade. Então, em um raro momento de clareza, a verdade nos atinge como um soco: todo o dinheiro gasto nessas distrações deveria ter sido guardado para uma fuga. Para um destino desconhecido, um lugar para, finalmente, ESFRIAR a cabeça e talvez sentir, nem que seja por um único e miserável instante, a brisa do que a vida de verdade poderia ser.
Anjo
És tu ilusão da minha mente?
Projeção dos meus desejos?
Materialização das minhas carências?
Ou minh'alma que transcende?
És um anjo em minha vida.
És de fato o que vejo?
Fé da minha expectativa?
Ou o amor que tanto almejo?
Poema de verso e cânticos
Platônico amor romântico
Me criva na tua memória
E nesse universo quântico
Quando eu pensar no meu anjo
Que eu viva na tua história.
Reeditada em 16/7/26
Será que sou uma pessoa ruim?
A pergunta parte da ilusão de que exista algo fixo em mim — uma essência, um rótulo, uma verdade escondida esperando ser descoberta.
Mas talvez não haja nada por trás.Talvez eu não seja “bom” nem “ruim”, apenas um ser lançado no mundo, condenado a existir antes de se explicar.
A angústia não vem do erro, mas da liberdade:não há destino escrito, nem justificativa suficiente, apenas escolhas que se acumulam e depois parecem sentença.
E se não há essência que me defina,também não há culpa que me absolva por completo.
Resta o desconforto de ser aquilo que ainda não terminei de escolher ser.E a estranha responsabilidade de continuar — mesmo quando nada dentro parece pedir continuidade.
Pare de acreditar que as coisas vão melhorar por conta própria. Isso é ilusão e desencadeia atraso de realizações. A mudança começa quando você faz os ajustes necessários, alinha-se ao lado bom da vida, decide agir e faz acontecer. Seja obstinada e nunca desconecte a chavinha dos sonhos! Seja teimosa, inflexível e inabalável quando o assunto for “tudo o que você deseja para si mesma!”
(Aline M. Abdalah)
“Quando a ilusão caiu diante dos meus olhos,
finalmente enxerguei o horizonte sem fantasias.
E ali, entre ruínas e silêncios,
a vida começou lentamente a reconstruir
aquilo que o coração sempre soube ser verdadeiro.”
— Helaine Machado
Vivemos apenas no presente, no agora. O futuro é uma ilusão, e o presente é a transformação contínua. Os dias se transformam dentro do agora. O amanhã não existe, porque o amanhã é, na verdade, o agora. Criamos datas para nos organizar, mas isso não reflete a realidade, porque o tempo, como o entendemos, não existe. O que existe é a transformação constante – do recém nascido ao idoso, passamos por mudanças contínuas. Nascemos depois da morte, e nascemos para morrer. A vida está sempre no presente, no agora. Por isso, só podemos viver o presente, pois o antes e o depois são apenas interpretações do que está acontecendo agora.
A maior prova de que o ontem e o amanhã não existem é o simples fato de que estamos aqui hoje.
Precisamos parar de acreditar na ilusão de que vivemos em uma verdadeira democracia. Na realidade, nunca fomos verdadeiramente uma democracia. O que temos é uma ditadura que favorece banqueiros e grandes empresários, onde somos, na prática, escravizados pelo trabalho. Trabalhamos por necessidade, porque, sem um emprego, não temos como garantir nossa sobrevivência. Uma verdadeira democracia, que realmente merecesse esse nome, não permitiria que qualquer pessoa passasse fome, vivesse sem abrigo, ou ficasse sem acesso à educação e saúde. As necessidades básicas de todos deveriam ser atendidas pelo estado, mas, em vez disso, somos forçados a trabalhar incessantemente para sobreviver.
Existem alguns privilegiados que, por sorte, conseguem trabalhar em algo que realmente gostam, mas a maioria de nós trabalha apenas por necessidade, para garantir o mínimo para a nossa sobrevivência. Nos tornamos meras engrenagens de um sistema que nos usa como escravos para sustentar banqueiros, mega-empresários e investidores — pessoas que controlam os bancos e as grandes corporações. Eles dependem de nosso trabalho para se manterem ricos, ostentando uma vida de luxo às nossas custas, enquanto nós, que sustentamos o sistema, vivemos na pobreza.
A maior ilusão é achar que existe ilusão na realidade, pois tudo é realidade, até a ilusão.
Logo, o que é irreal?
Vendo que tudo é real.
Mentalmente, toda ilusão negativa que acredito ter em mim, eu naturalmente vou sentir. Quando acredito que estou triste, eu sinto tristeza; quando acredito estar angustiado, eu sinto angústia; se penso que tenho ódio, vou sentir ódio; se acredito estar vazio, vou sentir esse vazio; e se acho que tenho problemas, vou sentir que eles são reais. Toda ilusão que eu acredito ter dentro de mim, se torna uma realidade que experimento.
Mas eu não preciso acreditar que estou mal, porque, na verdade, eu nunca estou mal. Quando me sinto mal, é porque estou acreditando em alguma ilusão que me faz sentir assim. E para deixar de me sentir mal, basta perceber que a sensação de estar mal é apenas uma crença, uma ilusão. Quando eu reconheço isso, percebo que o mal-estar é algo que criei na minha mente e posso escolher não mais alimentar.
Eu posso perceber que o que acredito ser tristeza, na verdade, é alegria dentro de mim, esperando para ser reconhecida; o que eu vejo como angústia, na verdade, é tranquilidade que eu ainda não percebi; o que penso ser ódio, na verdade, é amor disfarçado, esperando para ser entendido; o que vejo como vazio, na verdade, é paz esperando para se manifestar; e os problemas que acredito ter, na verdade, são simples quando os olho sem a distorção da mente.
Tudo que eu acredito ser ruim é, na verdade, uma crença criada pela minha própria mente. Ao perceber isso, posso começar a olhar para tudo com mais clareza, entendendo que o que sinto é fruto do que escolho acreditar.
Qualquer sentimento negativo que eu tenho é uma ilusão, e a maior prova disso, irrefutável, é o momento em que estou dormindo. Quando durmo, estou em paz. Se eu não estivesse em paz, não conseguiria dormir, é simples assim. Então, o que me faz sentir mal quando acordo? A ilusão que eu mesmo crio na minha mente. A ilusão desaparece assim que percebo que, toda vez que me sinto mal, na verdade, sou eu mesmo me iludindo com um sentimento que, no fundo, não existe. O sentimento verdadeiro e real é o de paz.
Quando tento reprimir, evitar ou bloquear essa paz, é quando sinto a ilusão de sentimentos negativos. No entanto, a paz é o único sentimento que realmente existe dentro de mim, tanto quando estou dormindo quanto acordado. Basta aceitar essa paz. Ela está sempre presente, mesmo que eu não perceba, e é nela que encontro a verdade do que sou.
Um sentimento vívido, uma ilusão frustrante que ativou meu amor como um vulcão adormecido.
Amo, mas não sou amado, talvez seja o preço que devo pagar dos meus erros do passado.
Entre sussurros e saudades, confidências de um amor incontido, como em uma relação que se perdeu no acaso.
