Poemas de Fernando Pessoa -Salazar
Pequenas epifanias " Extremos da Paixão"
No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira:compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe,berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.
O Estado de S. Paulo, 8/7/1986
Sintomas da verdade desmedida
O que adianta falar o que quero sem ninguem me ouve,
O que adianta ouvir se não posso me expressar como quero,
O que adianta ver se nem menos posso tocar,
E se deixassem tocar no que quero
Se ninguem ao menos me ouve,
Muito menos fala o que quero
De uma coisa sei,
Somente eu mesmo quero aquilo em que posso
Alcançar, tocar, falar e sentir.
Mas se for tão realista
Tornaria-me a ser um ilusionista
Pois tudo que é real
É uma mera ilusão!
Que tanto tentei
Quisera eu ter um sonho
Tornou-se objetivo, obcessão
Quisera eu ter antes visto a realidade
Tornou-se impossivel
Quisera eu ter já visto a realidade
Torna-se ainda sim meu sonho um dia
Quisera eu ter fé
Torna-se ela a esperança e a força da busca de meus ideias.
Se ainda não consegui,
Sei que a fé e a esperança não vou olvidar
Se tentei com ganas
Mas ganas posso alçancar
Ainda olhei no quarto escuro meu sonho que já havia se apagado,
Mas quando abri meus olhos, vi um novo horizonte,
Mesmo sem colinas,
Pois é apenas uma estrutura que ainda vou construir
Me perdi num só sonho,
Talvez tivesse uma bussola,
Que nada!
Perco de novo até objetivar,
Mesmo sem saber qual a rota
Que esta vou encontrar...
Manifeste-se!
Não seja omisso passar por aqui e nada de criticar, polemizar, estabanar, modernizar,
Alias, sei quando passou por aqui, sei a hora , o dia e o momento exato, só não sei quem tú és,
Não sei até quanto seu anonimato,
Não seja um rato ao se esconder, manifeste-se,
Não fique com seus pensamentos estocados, isso é doença!, Freud explica,
Adquira força para lutar, pense no bem , seja positivista,
Mas tenha cabeça no lugar, veja as possibilidades, veja tudo ao seu redor, pare o tempo...
Leia, escreva, critique, manifeste, assim como fez Platão, Aristóteles, Cícero, Maquiavel, Santo Agostinho, Willian Shakespeare, Von Lhering, Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Lock, Hobbles, Nietzche, Kant, Kelsen, Descartes, Sartre,Foucault Seneca, Sun tzu,Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Machado de Asis, Jorge Amado, Drummond de Andrade, Verrisimo, Raquel de Queiroz, Cecilia Meireles, Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues, Mario de Andrade, Monteiro Lobato, Ariano Suassuna, Manuel Bandeira, Mario Quintana, Ferreira Gular, Gabriel Garcia Marques...
Ufa!!
Todos estes nomes, fizeram parte de nossa cultura humana , assim como nossa contemporaneidade devemo-nos fazer também, fazer parte dela , mesmo aqueles que tem o dom ou não, alias, é um caso particular, é algo puro ingenuo, mas que deverá ser libertado , não no momento certo, mas sim, no momento , em que deve-se libertar a mente para novos aprendizados, para um novo estilo de vida, "dê valor ao seu tempo, valorize o dia...", como disse Sêneca em Aprendendo a viver, mas pense, não lei somente livros, pense, tenha intervalos, como nos ensina Artur Schopenhauer, "pense por si mesmo".
A VIDA, A ÁGUA E O VINHO
A vida é a correnteza, nos leva;
A água e o vinho, também
O primeiro é essencial,
O segundo nos traz a essência,
Portanto, um somos nós
O outro, o que queremos ser
São todos efeitos da vida.
A água é como se fosse nós quando nascemos,
Simples, puro, modesto, sem gosto, natural;
O vinho é como se fosse, ou será, robusto, ousado, complexo, perito, artificial
Mas são fases naturais, num mundo artificial, estético
Se comparar um e outro, vemos em sua essência, a água acima do vinho, hierarquicamente,
Porém, nada compara a vida em sua essência,
Seja esteticamente;
Seja intelectualmente;
Pois, ela se abstrata, desenvolve e perece
É abstrata porque nada é igual , seja a forma ou objeto
Se desenvolve porque segue sua evolutividade dinâmica
Por fim, se perece por que, assim como uma história, tudo e todos têm seu fim,
E quem escreve é o destino, seja feliz ou triste.
A água é vida ,
Vinho é água,
E a vida é o destino que nos cerca.
É triste quando os fiéis
Tornam-se infiéis.
Falam mal dos outros,
Para o bem deles próprios.
Eu sou diabo, mas busco sempre Deus.
Para poder antigir o paraiso dos céus.
É mesmo triste quando a bíblia é a vida das pessoas, considerados "ateus".
É mesmo triste quando Deus deixa de ser um juíz.
E passamos a ser julgados por um infiel, que quebra as nossas raízes.
Fica feio quando os irmãos em Cristo,
Ficam lutando em ser anti Cristos.
A minha nuca fica sempre encolhendo
Porque a minha vida vira um babado.
Yeah sinto muito ódio mesmo. Estou totalmente revoltado.
Se não há nenhum segredo que é eterno, também não há nenhuma verdade que não vêm ao planalto.
Eu sou um Africano Moçambicano, posso não ter casa porque conströe-se por dinheiro.
Posso não ter carro porque compra-se por dinheiro.
Mas o não ter mulher que só é preciso falar, seria um fetiço.
Se você tem:
Medo do futuro? Faça o bem!
Medo de adoecer? Faça o bem!
Medo da velhice? Faça o bem!
Medo da pobreza? Faça o bem!
Medo de perder pessoas queridas? Faça o bem!
Medo da opinião alheia? Faça o bem!
Medo de se arriscar? Faça o bem!
E por fim, se tem medo de morrer? Faça o bem!
Estamos todos sujeitos à lei inexorável de causa e efeito. Portanto, se você quer um porvir ameno, tranquilo e feliz na medida do possível, comece hoje, no aqui e no agora, a gerar boas causas. Isso mesmo, fazer o bem de forma sistemática, pois quando você trabalha no bem, mesmo que o medo permeie sua vida - o que é normal -, carregue uma certeza íntima de que, no final, o bem é um resultado natural e certo!
Às vezes o sol vai escurecendo
E o céu azul perde o sentido...
O que era certeza
Se transforma em incerteza,
Nublado desânimo,
E só resta a busca do amanhecer
Perdido...
