Poemas de Fernando Pessoa -Salazar
saudades
Saudade é um sentimento profundo, que nos acompanha em cada lembrança e em cada canto da vida. Há cinco anos, recebi uma notícia que mudaria o curso da minha história, trazendo à tona uma saudade que nunca se apagará. Lembro-me da dor da perda, que se entrelaçava com a gratidão por ter tido a oportunidade de conhecer alguém tão especial.
Ela não foi apenas uma avó; foi uma mãe, uma melhor amiga. Louri Mendes, minha guerreira, sempre esteve ao meu lado, enxugando minhas lágrimas e compartilhando risos. As memórias que guardo são tesouros que aquecem meu coração: os churrascos que fazíamos, as conversas regadas a cerveja, e os momentos em que seus olhos brilhavam ao assistir a procissão de São José de Ribamar.
Recordo das noites em que esperávamos pela grande romaria, enquanto corríamos até o bar Dayane para tomar umas latinhas. A alegria era contagiante, e a fé que ela tinha em Deus, uma luz que iluminava nossos caminhos. Ela sempre pedia por todos da família, unindo-nos em preces e risadas.
Hoje, ao olhar para trás, sinto sua falta em todos os sentidos. A saudade aperta, mas também me lembra do amor que tivemos. Nunca poderei esquecer os momentos que compartilhamos, as lições que aprendi e o carinho que ela sempre demonstrou. Minha mãe, minha rainha, você continua viva em cada lembrança, em cada risada que ecoa na minha memória. A saudade é profunda, mas o amor que sentimos é eterno.
09/09/2024
abandono de mim:
"No silêncio da noite, me sinto só,
O abandono de mim, um vazio a me corroer.
Como um pássaro sem asas a voar,
Perdido no oceano, sem um porto onde ancorar.
Nos seus olhos, eu vi o adeus,
O abandono de mim, uma dor que não se esquece.
As memórias desvanecem, como areia no vento,
E o coração partido, em pedaços, lamento.
Eu era a luz que brilhava em seu caminho,
Mas agora, sou apenas uma sombra no escuro.
O abandono de mim, uma ferida profunda,
Que sangra em silêncio, sem ninguém para curar.
Como uma canção triste, ecoando no ar,
O abandono de mim, uma melodia a me acompanhar.
Mas vou me reerguer, como um sol que volta a brilhar,
Encontrar meu caminho, mesmo sem você ao meu lado a caminhar.
O abandono de mim, uma lição a aprender,
Que o amor nem sempre é eterno, como se costuma dizer.
Mas encontrarei a força para seguir em frente,
E no meu coração, a esperança sempre presente.
Então, adeus ao abandono, olá à minha libertação,
Encontrarei a paz e a felicidade em cada estação.
E mesmo que a solidão tente me consumir,
Eu renascerei, como uma fênix a emergir."
Meditação sobre a morte em 18/04/2021. Londrina PR
A quaresma é um período de introspecção e renovação, que nos convida a refletir sobre nossas vidas e relações. Durante esses 40 dias, afastamo-nos das distrações cotidianas para nos conhecermos melhor e buscarmos transformação.
Esse tempo nos lembra da importância da humildade e da compaixão. A prática da abstinência é uma oportunidade de nos libertarmos do que nos impede de viver plenamente, criando espaço para o que realmente importa: a conexão com os outros.
A quaresma também incentiva a empatia e a solidariedade, chamando-nos a olhar para as necessidades do próximo e a praticar atos de bondade. O jejum pode ser uma forma de renunciar à crítica e ao egoísmo.
Além disso, somos convidados a buscar a reconciliação, tanto com os outros quanto conosco mesmos. Perdoar e pedir perdão alivia o peso que carregamos e abre caminho para novos começos.
Por fim, a quaresma culmina na Páscoa, simbolizando renascimento e renovação. É um tempo de transformação, onde cada um pode ressurgir de suas dificuldades, renovando esperanças e sonhos.
FRANCA, Fernando (filosofia e teólogo)
Escolhas
Hoje você faz escolhas pelo seu filho(a), daqui alguns anos ele(a) fará suas próprias escolhas com base nas escolhas que você fez por ele(a) e após mais alguns anos, na sua velhice, quem poderá fazer as escolhas por você é o seu filho (a). Então, faça boas escolhas e de exemplo.
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Uma das formas de saúde é a doença. Um homem perfeito, se existisse, seria o ser mais anormal que se poderia encontrar.
Tão cansado de ter achado como de não ter achado. O fim e a soma do que somos, já o Pregador o disse: vaidade e aflição de ânimo.
O bem é um mal necessário. Se não existisse o bem, ou a ideia dele, não conheceríamos o mal, portanto o bem é ele próprio um mal, e é necessário (para conhecer o mal): um mal necessário. Q.E.D.
Se algum dia alguém deixasse de me achar ridículo, eu entristecia ao conhecer-me, por esse sinal objectivo, em decadência mental.
A coragem que vence o medo tem mais elementos de grandeza que aquela que o não tem. Uma começa interiormente; outra é puramente exterior. A última faz frente ao perigo; a primeira faz frente, antes de tudo, ao próprio temor dentro da sua alma.
Quando reflito sobre quão reais e verdadeiras são para o louco as coisas da sua loucura, não posso deixar de concordar com a essência da declaração de Protágoras de que 'o homem é a medida de todas as coisas'.
Um dos aspectos da desigualdade é a singularidade – isto é, não o ser este homem mais, neste ou naquele característico, que outros homens, mas o ser tão somente diferentes deles.
(Aforismos e afins)
"É talvez o último dia de minha vida. Saudei o sol levantando a mão direita, mas não o saudei dizendo-lhe adeus. Fiz sinal de gostar de o ver".
(Poemas inconjuntos - Alberto Caeiro)
O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser — pois tal é a natureza humana — vaidoso sem ser orgulhoso. É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência do nosso mérito para os outros, sem a consciência do nosso próprio mérito. Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma. Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a vaidade em acção.
É uma vontade de não querer ter pensamento, um desejo de nunca ter sido nada, um desespero consciente de todas as células do corpo e da alma. É o sentimento súbito de se estar enclausurado na cela infinita. Para onde pensar em fugir, se só a cela é tudo?
E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa: uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância – irmãos siameses que não estão pegados.
Há entre mim e o mundo uma névoa que impede que eu veja as coisas como verdadeiramente são — como são para os outros.
Sinto isto.
