Poemas de Erico Verissimo 1910 a 9
E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares,
Onde anda você?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
(...) Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
O fim
Indo e vindo, desgastando e abandonando displicentemente mas sem querer abandonar por completo,
coração vadio, carente das sombras, mesmo sem ser notado na rotação certa buscava o consolo insignificante naquele amor vazio,
na história contada do irrelevante, o invisível é a estrela protagonista,
coração doente, soberba em exposição, correria da razão, fuga dos sentimentos,
morre mais um amor inocente.
Este homem está morto. No entanto, seus dados neurológicos ainda estão acessíveis. Vamos pegar seu cérebro biológico e imprimi-lo nesse cérebro sintético, replicar a mente humana.
Somos a soma total do que nos aconteceu e o modo como o processamos. Isso é o que nos torna nós. É tudo neuroquímica.
O limite é uma fronteira que se cria e faz a mente fraca acreditar que existe ápice para a vitória. Porque uma vitória só será finita se você quiser.
A alma é uma porta vulnerável as influências negativas. Ela se fecha na presença de fé e a mesma se abre na ausência dela. Alimentar o espírito com Deus é sempre uma tranca inquebrável.
Nenhum sonho pode ser realmente válido se não houver pelo menos um terço de sacrifício para que ele se realize.
Perguntaram-me se existe ressaca pior do que ressaca de vinho, respondi que sim, a ressaca da saudade.
Não quero ceder mas também não quero perder, não quero ser presa mas quero prender! Prazer, essa complicação sou eu.
Meu amor, queria sentir o bastante para não te tirar da minha vida, mas algo está te puxando, te levando como numa correnteza, para longe de mim! Talvez você volte, mas você sempre irá, e a cada onda que bater, um resquício de você virá, mais fraco, quase imperceptível! Sinto muito em não sentir mais!
Agir no mundo é a única maneira de entendê-lo. Nesta vida, só a Deus e Seus anjos é dado o direito de serem espectadores.
Preste atenção. O Santuário dos Redentores no Penhasco de Shotover deve seu nome a uma grande mentira, pois há pouca redenção naquele lugar e ele tampouco serve de refúgio divino.
[…] Não que IdrisPukke tivesse, de forma alguma, uma visão alegre do mundo, no entanto, seu pessimismo era expressado através de uma alegria sagaz e uma disposição a se incluir no seu próprio cinismo espirituoso; […]
Este mundo é um inferno, porém, tente entender que os homens e as mulheres são, ao mesmo tempo, as almas atormentadas dele e os demônios que executam estes tormentos.
O coração de um homem é pequeno, mas deseja grandes coisas. Não é suficiente para alimentar um cachorro, mas o mundo inteiro não é grande o bastante para ele. O homem não poupa nada que vive; ele mata para se alimentar, mata para se defender, mata para se instruir, mata para se divertir, mata pelo prazer de matar.
A vida é uma viagem para gente como eu e você: uma viagem da qual nós nunca sabemos para onde estamos indo. Você vê um novo destino no caminho, depois outro melhor e assim por diante, até o local que pretendia chegar inicialmente cair no esquecimento. Somos como alquimistas que começam buscando por ouro e, durante o processo, descobrem novos remédios, uma maneira lógica de ordenar as coisas e fogos de artifício: a única coisa que não descobrem é ouro!
