Poemas de Erico Verissimo 1910 a 9
Explode, feito fogos de artificio
foge um pouco à realidade
nunca será maldade
tampouco ilusão
mas é tanto,
que para o espanto de quem não sabe o que ele é
é a verdade e a simplicidade
de ser tudo,
onde no inicio, houve apenas um olhar.
E virão tempestades
dias impetuosos, lindos,
amores amanhecerão
e pássaros cantarão
da agonia à beleza da vida
e virão aniversários
tantos quantos a sorte e o cuidado puder repetir
saudades, mortes,
privilégios
lutas
e quando a estrada findar,
enigmas esclarecerão
que a paz e o amor eram as únicas coisas a serem conquistadas
e os verdadeiros vilões, os pensamentos ruins
mas ai,
poderá ser tarde demais...
Todas as portas trancadas e o sol brilhando lá fora
o sino da praça faz da anunciação,
uma declaração
mas ela não entende
e o silencio,
inóspito camarada ressoa o caos
visão perdida, adormecida
tempos que não voltarão jamais
segredos que serão confiados aos deuses
lágrimas que só o pensamento vê
paixão que sequer permitiu
saudade, verdade que insiste
e persiste para provar
que o amor a dois é lindo
entretanto será dor
quando somente em um, for capaz de germinar...
Não sou posse de ninguém
nem de mim mesmo
meus desejos
me levam onde querem
e só assim percebo
o que é de fato liberdade.
Enquanto sonho contigo
os dias passam
a vida esvai, como areia fina que não dá para segurar na palma
da mão
enquanto te espero (tenho a paciência do mundo)
vejo o impossível acontecendo
os milagres da existência se consumindo
e a esperança, cada vez mais longe
eu te amo e não tenho mais tempo a perder...
Há em todos os momentos, indecifráveis cores
amores que brotam das águas
vértices que povoam pensamentos
a vida pede passagem, corre a estrada
ensaia desejos, publica versos
e nós, seres mortais apenas cumprimos o trajeto
ora pedindo, ora doando
mas em todos os momentos
pintando uma tela, que um dia será chamada
saudade...
A poesia mente
o poeta é sedutor
a palavra engana
o poema ri
e o ponto de referência
é o porto que não se vê
mas está lá, ancorando corações
a poesia mente, mas faz um bem danado...
nenhum poeta é
porque poeta é feito do nada
e quem o constrói
não são os versos
são as almas que recebem
o nada transformado em poesia
O que tanto diz o silêncio
nada, nada
e assim sucessivamente
grita
para entendermos suavemente
certos nãos da vida...
" Que o seu dia seja santificado
não por alguma força do além
mas por você, que hoje
praticará o bem...
Com uma das mãos
você pode
acenar
doar
afagar
com esta mesma mão
também pode disparar uma arma
ou entregar flores
acariciar
com apenas uma das mãos
pode escrever " Eu te amo "
e ainda ir além
pode acenar
um gesto de adeus...
Eu te amo de uma forma tão intensa,
tão bonita,
que mesmo que esse amor esteja apenas aqui,
eu não me arrependo,
nada faz com que eu desista.
sabe por quê?
porque mesmo sendo insano,
uma verdade, um sonho,
ele não é cruel,
eu te amo!
sei que sem ele,
eu não seria o mesmo.
posso passar a vida assim,
com você aqui,
enfim.
só não sei como você pode,
viver sem mim.
isso é a tua história.
a minha é sim,
uma história de amor...
Por que tanto de ti?
se até a mim não vens
e se vens, transformas lembranças
num luzir de saudade cruel
por acaso o céu tem limites
ou o vento pode ser acariciado
não! como tu, tudo é encantamento
uma história sem fim
pois que de perder-te, custou-me
algo raro demais para entender
que sem ti tudo é lúdico, impreciso
mas contigo o mundo já não era mais o mesmo
enfim sós
eu do lado de cá
e tu do lado de lá
para sempre...
Para pescar, gosto de cedo levantar
para trabalhar não
trabalhar cansa
pescar não
pescar é um prazer
e nessa
só pescador consegue entender
as horas de espera
e os peixes que não vêm
porque tem o dia da pesca e o dia do pescador
mas é a paixão, o desejo
a liberdade e o segredo
segredo que se aprende com o pai
o primeiro amigo
aquele que teve a sabedoria de dizer
espera quieto meu filho
logo vc fisgará um grandão
grandão que até hoje povoa
a saudade dele, que já se foi
mas ensinou que esperando com paciência e sabedoria
a pescaria (vida), irá um dia recompensar...
Sorrir para espantar o tédio
eis aí um grande remédio
sopra sobre a alma
a calma
desabotoa paletós, destrava gravatas
ergue jardins
se for contínuo e sincero
será manhã serena, doce mistério
ave pequenaa deslizar no céu
páginas de um lindo momento
de cores e amores no firmamento
mas se o riso for contido
que pena o tempo perdido
negando a vida plena
que sacrilégio, apenas passar
como um rio que não emite sempre o mesmo sinal
às vezes rindo, outras chorando
sejamos alegria, por todos
por nós
porque sorrir é sim um grande ato
de amor
próprio...
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque, quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR, GREGÓRIO DE MATOS
Dai à obra de Marta um pouco de Maria,
Dai um beijo de sol ao descuidado arbusto;
Vereis neste florir o tronco erecto e adusto,
E mais gosto achareis naquela e mais valia.
A doce mãe não perde o seu papel augusto,
Nem o lar conjugal a perfeita harmonia.
Viverão dous aonde um até ‘qui vivia,
E o trabalho haverá menos difícil custo.
Urge a vida encarar sem a mole apatia,
Ó mulher! Urge pôr no gracioso busto,
Sob o tépido seio, um coração robusto.
Nem erma escuridão, nem mal-aceso dia.
Basta um jorro de sol ao descuidado arbusto,
Basta à obra de Marta um Pouco de Maria.
Buscando a Cristo
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa pra chamar-me.
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme
