Poemas de Deuses do Amor

Cerca de 273456 frases e pensamentos: Poemas de Deuses do Amor

⁠Agosto do desgosto

Um não sei desgosto, de onde?
Um olhar na sorte e não se vê
A perspectiva não se esconde
O amor renasce para quem crê

Conquanto a lenda cisma, por quê?
Se os dias ressurgem no amanhecer
Trazendo luz, início a nossa mercê:
Se lamento, angustia, vem do viver!

Acreditar? se nada muda, aí invente
Que o dia há de boa esperança vinda
Tente! E na dificuldade seja irreverente
E quando chegar, aí a apertura finda

Então, se contagie de fé e alegria
Nos longos caminhos recomece
Tenha o otimismo em leve romaria
Agosto do desgosto, não acontece!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
01/08/2014, 08’05” – Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SONETO SEM SONO

Tarde da noite. Ao meu leito me abrigo
Meu Deus! E está insônia! Que conversa
Morde-me o pensamento, e tão perversa
Numa flameja que acorda, tal um castigo

Meia noite. E o silêncio também versa
Tento fechar o ferrolho, e não consigo
Da espertina. E assim impaciente sigo
Olho pro teto, numa quietude inversa

Esforços faço, remexo, me envieso
Disperso, nada! O sono se concreta
E o meu fastio já se encontra farto

Pego no devaneio, e o olhar ali reteso
Arregalado, e nesta apertura secreta
Fico ancorado neste túrbido quarto

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05/08/2020 – Triângulo Mineiro
copyright © Todos os direitos reservados.
Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

Inserida por LucianoSpagnol

⁠A ESCULTURA (soneto)

Idealizada, em traços no pó de mármor
Num luzidio de inspiração e de talento
Nas minúcias de fêmea em movimento
Fixas em forma rara, de delicado primor

Transpirando volúpia, vida e portento
Do pó de pedra forjada com tenro amor
Surge a forma e, prostrada em fomento
Abrigo imortal, num cendal esplendor

Do albor da imaginação, dos desejos
Surge assim esquia e férteis latejos
Ante a estátua feita, minha ovação

E o espanto avido do meu espreitar
Põe a beleza e delicadeza no olhar
Dela, a escultura amoldada a mão

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/08/2020, 11’41” – Triângulo Mineiro
Inspirada na escultura de Eliete Cunha Costa

Inserida por LucianoSpagnol

Orquídea

⁠Essa flor misteriosa
e, exuberante
de significados, laboriosa
insinuante
bela, formosa
- as orquídeas, tão mimosas
que cada cor sua, poeta:
o amor, a flor, o poder
a sedução secreta
do desejo, a nos emudecer
diante da sua opulência profeta
- tão lindas de se ver!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Agosto de 2020 - Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠[…]pão de queijo
tem pra todo o gosto
gostoso como beijo,
grande, miudinho, simples, composto
e o cheiro, ah! exagerado por demais
janeiro, fevereiro, agosto
qualquer dia, mês, hora - são os tais!
de manhã e de tarde no café, disposto
é bão demais sô! Uai, é daqui das Gerais...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 de agosto de 2020 – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

A alma ganha essência
No entardecer do cerrado
Sabiás cantando em cadência
E João-de-barro sempre ocupado
Na obra de sua subsistência...
desenham o nosso cerrado!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
15/08/2014, 18'00" - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠A SERIEMA

Falam que a seriema, quando desata
O seu canto, no cerrado ali tranquilo
A viola do roceiro, chora, a segui-lo
Roncando esmorecimento pela mata

O retinir, longo, tal um sino de prata
Quando soa, longe, se pode ouvi-lo
Num tal solfejo, em aguda sonata
De um aristocrático canoro estilo

Quando a cantata, ressoa amolada
No coração do sertão, bem fundo
A saudade dói, e no peito faz morada

E o que mais neste canto se espanta
É que o canto de apenas um segundo
Na alma do sertanejo se agiganta...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
2020/agosto, Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Porque sempre adio meus sonhos?
Por que minha coberta é mortífera e minha cama é criminosa,me seduz e me mata.
Prefiro ficar horas com meu corpo esticado sonhando acordada e nada fazendo,do que correr atrás daquilo que posso conquistar.
Todos os dias a cama assassina e o cobertor criminoso me ilude...não me deixa correr atrás dos meus ideais.
A sepultura viva que me guarda atropela meus sonhos ilude minhas capacidades e mente pra mim.
É eu idiota e atrasada que sou deixo me manipular por uma doença que não sei o nome.
Agora mesmo estou escrevendo e sonhando com uma coisa que não existe ..mas que é muito boa pra mim...mas não passa de sonho, de imaginação conquistou mentiras e sonhos que não se realizam.
Que uma força maior me coloque em pé agora e me ajude caminhando comigo rumo aos meus sonhos realizados.Descobri que posso mas preciso de ser empurrada.

Inserida por Mileidi58

⁠A QUARESMEIRA

Pra Quaresmeira ser louvada, não basta
No cerrado, trovar os dotes do encanto
Tem de ter na poesia, o instinto tanto
Da magia e sensação que o belo arrasta

De um esplendor e uma tal delicadeza
Nesse sertão de diversidade tão vasta
Seu destaque de flor preciosa e casta
Do lilás dos cachos, adorno da natureza

Exaltação aos olhos, de florada ligeira
Chama da paixão, graça, poesia acesa
A essência sedutora da quaresmeira

Na admiração, um trescalar misto:
De funesto fase, reflexão e beleza
Em cortejo do martírio de Cristo!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18/08/2020, 09’43” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠ONDE O CERRADO MORA

Uma secura à beira de um barranco
No entorno: ipês, buritis, e o pequi
Por todo lado o agigantado céu rubi
No horizonte, um devaneio franco

O dia acorda na alva, num só tranco
Onde ouve o canto da brejeira juriti
E o passeio do solitário macho quati
Ali, alvoraçando a vida num arranco

À tardinha, em romaria, o regresso
A melancolia deitada na rede, espera
O entardecer mais bonito, confesso!

Se crês na quimera, ela existe, porém:
É no torto do cerrado de falsa tapera
Onde mora, que há encanto também!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18/08/2020, 15’17” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠AO PÉ DO OUVIDO

Eu fui confidenciar, lôbrego, o meu pesar
À velha lua, branca e nua, no céu viçosa
Na noite acordada, supondo que ao falar
Teria o trovar solto duma queixa amorosa

Não quis sequer atenção, então, prestar
No celeste ali estava e, ali ficava gloriosa
Mas, pouco a pouco, num súbito quedar
Vendo um ciciar, pôs a me ouvir cautelosa:

Entre soluços e suspiros eu narrava tudo
Ela comovida, pois, poética e apaixonada
Tal como é, romanceou o duro conteúdo

Com os olhos cheios d’água, sonhadora
Compadecida desta sofrida derrocada
Então, chorou comigo pela noite afora

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21 de agosto de 2020- Triângulo Mineiro
paráfrase Pe. Antônio Tomás

Inserida por LucianoSpagnol

⁠FIM DE TARDE

Cindindo a vastidão do céu do sertão
Do planalto, num entardecer encantado
Sulcando as nuvens com raios dourado
Devassando o espanto, e sedutora visão

E no horizonte sem fim do torto cerrado
Ei-lo purpureando em toda a amplidão
Abarcando o cenário com tal composição
De matizes, alumiado por dom imaculado

Brilha, e se eleva em busca do infinito
O findar do dia, no céu é manuscrito
Auroreando a inspiração, numa poesia

Cheio de escarlate, assim, a cintilar
Que se vê na fulgência deste lugar
Vai-se a luz, e vem a noite sombria...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
20/08/2020, 17’00” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠⁠Muito frustrante,ter que se desfazer de quem amamos ,por simplesmente dizer não a tantos maltratos psicológicos.
Melhor a distância saudável,do que a presença com riscos de morte do amor.
Os maus tratos psicólogos döi muito.Demais da conta.
Sangra a alma adoecida.

Inserida por Mileidi58

⁠Tamojuntos,misturados e amassados,
em qualquer situação,ocasião ou estação.
Tamojuntos,nessa vida que Deus governa,e também na vida eterna,semprejuntos.

Inserida por Mileidi58

⁠ESPERA

Ah! quem dera que as lembranças de outrora
Inda aromatizasse! Ah! e que assim pudera
O tempo de ontem fosse o tempo de agora
E não só este imaginar: - a outra primavera

Já não se tem mais uma extasiada aurora
No vetusto ser, tudo é igual, sem quimera
Onde a imaginação era de hora em hora
Agora, silêncio. Ah! como díspar quisera:

Debruçado nos sonhos, e o sonho recendia
O desconhecido, cheio de poesia intensa
No brotar do alvorecer duma nova hera

Ah! quem me dera que isto, fosse um dia
Uma razão, e não devaneios d’alma densa
De saudades, que poeta suspira e espera...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28/08/2020, 15’18” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol


VELHO CERRADO

Olha este velho cerrado, tão belo
De savanas cascalhadas e, antiga
Quanto mais desigual mais se diga:
- Triunfante na idade e no singelo

Buritis, ipês, horizonte no paralelo
Arranjam, livres, e o diverso abriga
Em sua melancolia e a árdua cantiga
Do vento nos tortos galhos em duelo

Não choremos, sertão, a tortuosidade
Admiremos cada traço, admiremos
Como obra prima deve ser admirada

Na glória do vário és tu, majestade
Governando o encanto que vemos
No mago fascínio da meseta velhada

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29/08/2020, 13’49” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠OUTRA RUA

Onde estou? Está rua me é lembrança
E das calçadas o olhar eu desconheço
Tudo outro modo em outra mudança
Senti-la, saudoso, no igualar esmoreço

Uma casa aqui houve, não me esqueço
Outra lá, acolá, recordação sem herança
Está tudo mudado do tempo de criança
Passa, é passado, estou velho, confesso

Estória de vizinhança aqui vi florescente
Pique, bola: - a meninada no entardecer
Hoje decadente, e conheço pouca gente

Engano? essa não era, pouco posso crer
Ela que estranho! Se é ela ainda presente
Nos rascunhos, e na poesia do meu viver...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Agosto de 2020, 31 - Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Morrer...


Termina a vida, morrer, com ela o viver
Vão-se as dores, homenagens com flores
Rezas, choros e suplicas pros pecadores
Depois, uma furtiva lembrança a prover
Aos amores e aos meus admiradores...
... para as lágrimas fingidas
Meu até mais...
Cheio de saudações garridas
E minhas retribuições iguais!


© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
02/09/2020, 17’00” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠CERTIFICADO

A velhice é um treco, dor e cansaço
O dia é um balanço, no vai e vem
o que resta, o mínimo que se tem
Se faço, com a dificuldade abraço

Devagar e no compasso, tudo bem
Se vou além? ... pergunte ao passo
Pois, da vagarosidade sou refém
No próprio eu não tenho espaço

Tudo me cansa, comove, maça
Se rio, o choro faz igualmente
E o tempo parece uma ameaça

Já, a própria inércia é ausente
Quase sempre sou sem graça
O reflexo não reconhece a gente!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/09/2020, 15’15” – Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Ultimar

E quando chegar a hora da partida, o choro deve ser de despedida. De um até breve. Num ato de fé, leve.
Pois entre a vida é a morte tem que existir a convivência com o amor, e a sorte de poder dizer nas lembranças que este foi o maior valor...
E que está levando na bagagem a honestidade e a solidariedade.
Só assim ficará a saudade.
Pois Jesus Cristo veio e nos transformou. Nos resta seguir seu ensinamento, para que possamos suplantar o sofrimento...
A única verdade o único caminho.
O bem maior... Nossas vestes de linho.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02/11/2015, Cerrado goiano
Finados

Inserida por LucianoSpagnol