Poemas de Cruz e Sousa
Aguardo por
você onde
a consequência
não se esgota,
e a paciência
também não,
Se quiser te dou
o meu sobrenome,
Não vais morrer
nunca de frio
e nem de fome.
Porque já tens
endereço fixo
no meu coração,
mesmo sem
os olhos terem
te visto,
O amor é
a explicação.
Aguardo por
você porque
de ti eu sei
que eu sou
o quê te faz
contente,
e de ti não vou;
pois a gente
se merece
e se pertence.
Agradeço
a vida
ter me jogado
no chão para
que eu não
nunca
mais tenha
forças
para correr
atrás de quem
não me merece,
não merecia,
não mereceu
e jamais há
de merecerá.
A ironia da vida,
e giro do mundo,
acabam unindo
o inimaginável
e o impossível:
o encaixe perfeito,
creio que na vida
tudo tem jeito,
e a nossa hora
vai chegar;
e o destino sempre
acaba brindando
quem no amor crê,
e recusa jamais
deixar de buscar.
Aos que jogam
com o amor
e com ele
se portam
mentirosos,
levianos,
ambiciosos
e injustos,
não preciso lançar
nenhuma maldição:
o destino é preciso
em devolver
a cada um
a compensação.
É imperioso dizer:
- Ninguém mais
contém o quê
é sobrenatural.
mesmo diante
dos quatro
atrasos
do que é
para ser,
e ninguém
mais há
de deter.
Rima para o teu
ombro curar,
sonho para te
devolver,
pelo teu povo
não desiste
de te libertar.
Como uma onda caixote
do mar que não foi devolvido,
vejo os pertences remexidos,
o drama do jornalista só
é apenas um recorte
do que tem acontecido.
A maioria não liga
mesmo para isso,
sou tratada como
imigrante em minha
própria Pátria,
assim sigo isolada,
todo o dia só cresce
o sentimento de ridículo.
Como o nó da garganta
da filha que não vê há
quatro semanas o Pai,
muita coisa já não
mais me distrai,
porque sou a Mãe
da Mãe que não
obteve resposta,
no meu coração
carrego mais de um
General e a tropa.
Desde que se apossaram
do mar da Bolívia,
Eu estava lá só que
ninguém me via,
Bem no meio antiga
da tropa eu havia
sido escrita e escondida.
Fui revelada só agora
que não vou me contentar,
Enquanto não me devolverem
o General, a tropa e o mar,
Não vou parar um só dia
de espalhar a minha poesia
por todo e qualquer lugar.
Nasci sul-americana
e nenhum de vocês
a mim não me engana.
Estou espalhada pelo ar,
nasci na serra e cresci
bem no meio do mar.
Dirijo-me ao grande pátio
da vida para dialogar
com a América Latina,
há muito tempo tiraram
o mar da Bolívia,
nós sabemos muito bem
que para dominar um povo
se começa enfraquecendo
o seu território
a defesa e a polícia.
Gostaria de ser iludida,
a visita dos advogados
do General foi suspendida.
Em prol do mar,
da tropa e do General,
fazendo poesia reunida
no raiar dos giras(sóis) da lida.
Segue Juan há trinta
horas desaparecido,
Lorent não foi esquecido.
Em nome da fé
e daquilo que acredito,
dou meus versos à multidão,
porque não quero o meu
povo escravo e vendido.
Quem pensa que eu deixei
O General escanteado:
Se afogou no engano,
Apenas estava em silêncio
Ético porque assim
Estava no meu plano,
Para deixar que outras
Vozes falassem por mim.
Se equívoca quem pensa
Que estou brincando,
É bom levar a poesia a sério,
Me tragam o General com vida!
Há muito tempo venho
Pedindo o mar de volta
Para o povo boliviano,
Mas minh'alma pode pedir
De forma audaciosa
Bem mais do que imagina:
O General, o mar e a tropa
Em nome da poesia reunida.
Nessa tríade poética
cheia de maravilha
e culpa por ter feito
autoritários tropeçarem
nas próprias pernas
e se desconectarem
das obscenas idéias.
Porque com a tropa
sigo presa mesmo
que não me vejam,
podem ir atrás,
estou como serpente
invisível entre as rejas.
Dessa culpa jamais
eu hei de me livrar,
porque eu não sou
o pastor que para no
meio do caminho só
para ver o tempo passar.
Dos paisanos que estão
presos também me
encontro com eles,
se os meus poemas
estão irritando,
aprendi com o povo
que eles estão indo
bem e funcionando.
A poética nasceu culpada
antes mesmo de nascer,
obcecada pela paz
sempre caminha livre
em territórios de guerra.
Quem tem um palácio
da paz interior em si,
possui o ânimo que ajuda,
e a lucidez que sustenta.
A firme e óbvia convicção
da inocência que faz
resistir a dureza do cárcere,
é evidente e absoluta.
Mesmo que não reclame,
sente a falta de cuidado
do seu corpo castigado,
resiste estoicamente
a insanidade de quem
engendrou a prisão
notoriamente imerecida,
busca mesmo em oração
a luz da justiça perdida.
Escutei o eco do meu
clamor por liberdade,
um canto suramericano,
muito além do oceano.
Canção do interior
que não passa
e jamais passará,
da dor do General
quer saber quando
alguém cuidará.
Epopéia é o nome que
deveria se dar
ao adjetivo de quem
suporta preso e quieto.
Inocência conhecida
vítima de uma dor
que também me dói,
a verdade ninguém corrói.
Quem dera
se ao menos
tivesse a sã
doçura manuelita
para tocar no coração
de cada Comandante
e convencer
a base da rima:
a me dar a mão,
a olhar nos
meus olhos,
resgatar
os sonhos cadetes
e comigo seguir
na pátria espiritual
da poesia
onde todos
têm a mesma
cidadania,...
Bíblia, livros,
cadernos e lápis,
Para distrair
o General
até o alvorecer
da justiça,
Para ele
é o ideal
enquanto
não houver
nenhuma
previsão de tal;
Não somente
por ele,
Mas por
quem tem
a responsabilidade
pela vida dele,
E porque sempre
há de ser ideal,...
Não só por ele,
mas por todos
que estão como
e na condição dele,
Porque acima
de todos nós é
reconhecido por
Declaração Universal,
Não quero que
me interpretem mal
e nem pensem
que é afronta ou
o coisa parecida,
Apenas versos nômades
que pedem para
resgatar a harmonia.
Manter-se jovem
por dentro é cultivar
o olhar de bondade,
e buscar nas palavras
a precisa serenidade.
O substantivo feminino
poetisa com aspas ou sem,
não me sendo negado
sempre estará tudo bem.
Manter-se poetisa
com letra inicial maiúscula
somente em alguns casos,
assim se mantém a grei;
porque a guerra em mim
nunca fixará residência e lei.
Só sei que poesia é mais
forte do que você pensa,
e ela não tem a ver com volta,
e sim segue adiante a rota.
Nos disseram que palavras
não mudam o mundo,
nos disseram também
que as guerras começam
sempre por elas;
a corda bamba da contradição
não serve de mordaça
para o verbo e nem intimidação.
Daquilo que me é caro,
não paro e não pararei;
se para você sou de Nárnia
do teu mundo jamais serei.
Lábios de Pitanga Vermelha
para te deixar marcar de amor,
Versos Intimista para inteiro
cobrir e conseguir o quê quero,
Ser o teu melhor destino eleito,
o paraíso e todo o teu Universo.
Pintei os meus lábios
com uma Pitanga Vermelha
para colar nos teus lábios,
Assim se fez um poema
sem nenhuma palavra
e com toda a entrega,
Ali no meio do mato,
com alegria poética
do peito que te venera.
Teu beijo de sabor
suave de Pitanga Amarela
me leva desta terra,
faz com que eu viaje
e com que esqueça de guerra.
Doces pitangas brancas
balançam sob Curupira,
que nasceu de calcanhares
para trás e andando
sempre em frente,
tudo é o jeito de falar
quando se trata de gente.
É preferível não julgar,
e outras coisas deixar
seletivamente passar,
em nome daquilo que
é para nos importar
ou deixar o vento levar.
Decidir que por pouca
coisa jamais buscar
com quem quer que
seja nos incompatibizar,
o importante é respirar
e a alegria cultivar.
Não precisamos com
razão ou mesmo sem,
rimar ou remar no rio
onde tudo nos dança,
e a palavra se faz lança
para quem sabe pescar,
buscar a rota e superar.
Se por acaso faltar espaço,
poesia ou entusiasmo,
silenciar é convite apropriado
porque não precisamos
falar sobre tudo e nem tudo
merece ou precisa que seja falado.
Aquela Iara com
um beijo de sabor
de Pitanga do Mato
capaz de te levar
e deixar-te enredado,
Num piscar de olhos
ficará apaixonado.
(Considere-se avisado).
Minha ancestralidade
sempre honrada,
Mani renascida,
eterna raiz sagrada.
Jamais esquecida,
louvada e adorada
com sabores e aromas
por mim recordada.
O coração sabe bem
quem é o seu dono,
e o seu espírito tem
o seu suave descanso.
Nunca precisei fazer
o caminho de volta,
aqui é minha terra
bela e sem adorno.
Nenhuma tempestade
estremece o amor
que é chama e refresca,
e não há quem me afaste dela.
Meus olhos se parecem
algumas vezes com
olhos de Mbaê-Tata diante
do ocultamento de alguns,
Só que não importa
a escuridão da noite,
é ali que eles são íntimos
e enxergam até as raízes,
Se esconder por
muito tempo é cavar
o próprio sepultamento,
O seu malfeito sem
esforço há de fazer por
mim a Lei do Retorno.
(O camarote da vida me pertence)
Seja de manhã, de tarde,
de noite ou de madrugada,
no lago do teu pensamento
a tal Naiá transformada
em flor do seu sentimento
e Jaci com todo o amor,
além do nosso tempo
dentro do peito embalador.
(O sentimento encantador).
