Poemas de Casa
A natureza é nossa casa, não nosso brinquedo...
Pois ninguém nasceu para ser ferido:
nem o homem,
nem o animal,
nem a própria vida.
Moro na Sua Saudade
Moro na sua saudade,
Moro na minha vontade.
Fiz do meu peito casa,
Onde o amor não parte.
Abro a janela bem cedo,
Pra ver se no vento você.
Mas me abraça o silêncio,
Que aprendeu a me conhecer.
Cada rua tem seu retrato,
Cada canto lembra nós dois.
O relógio anda pra frente,
Meu coração ficou pra depois.
Moro na sua saudade,
Como o rio mora no mar.
Sem saber se um dia a vida
Vai fazer você voltar.
Se o destino for bondoso,
Traga você outra vez.
Minha porta continua aberta,
Como deixei uma vez.
Cleide Regina Scarmelotto
Minha mulher de uns tempos pra ca tem falado aqui em casa o idioma Mandarim
que em português acho que significa;
"Mandarimim"
Não compre opiniões prontas,
Prepare as suas em casa
Porque uma hora chega a conta
E é você quem paga.
Ouço essa voz
Que corrói e retalha o que resta dessa pobre casa
Lembranças que caem dos quadros
E rolam na escada
Não quero mais lembrar
Me ajude a esquecer
Me leve daqui e não vamos olhar pra trás
Me faça sentir o oposto do que é a dor
- Casa Vazia
Fui casa caída, bandeira ao vento,
fui rua sem nome e jardim sem dono.
Mas reguei minha ausência com esperança,
e plantei amor até no chão do abandono.
Pettrulho. Pedro Soares Ribeiro
O aposentado sai na rua e é assaltado; fica em casa e é roubado pelos ladrões do INSS. Que vida doida meu Deus!
Benê Morais
Escravo do destino
O campo, o mar, a casa com chaminé e duas cadeiras postas na direção do horizonte, mas apenas uma está ocupada,
O medo as vezes se comporta como o guardião das madrugadas silenciosas,
Em meio a grande perda encontrei no céu nublado o peso das lágrimas que timidamente insistiam em não cair,
Rasos desejos, raros momentos, asas na superfície não dão âncoras a profundidade,
Sentado na cadeira a beira mar olhei fixo para o oceano e de tanto olhar vi que você deixou rastros de sentimentos espalhados pelas ondas,
Na minha penitência moral já escrevi mil cartas com pedidos de perdão e as lancei no mar para que através de garrafas navegantes elas pudessem chegar aquela que um dia foi minha e jurou não ser de mais ninguém.
Nunca te Esqueci
A Igreja ao fundo ao lado as muralhas do exército imponente,
minha casa com a vista de frente daquela praça, eram férias de verão, naquele dia acordei cedo fui a janela o Sol estava leve e radiante dando brilho aquela bela praça do interior.
Aconteceu ali, o amanhecer mais doce da minha vida.
Eu menino do interior, ela linda menina loira com traços de princesa recém- chegada da capital para passar suas férias.
Duas crianças, a inocência, dois corações ofegantes após o primeiro olhar.
Palavras, brincadeiras, toque suave nas mãos, nos divertimos sim, trocamos alguns selinhos, esqueci aquele dia que eu era muito tímido.
Quase um mês de felicidades, então veio o último abraço e um triste e doloroso adeus.
Conhecê-la foi a realização de um sonho, eu com o nome e jeito de Príncipe ela com o jeito de uma princesa e com o cheiro e nome de uma rosa.
Queria ter vivido mais um pouco o doce e inesquecível sonho de infância inocente.
As vezes is monstros vivem dentro da nossa própria casa.
Mas á quem fale ,que o monstro é gente boa,que não faz mau a ninguém.
Nunca acreditem nessa história, tentam sempre ver o lado que está falando.
As vezes a verdade aparecem,mais muitos não querem acreditar.
Estou fechando
Portas e janelas
Precavida
Limpando a casa
De poeira e teias
Me desfazendo
Das coisas velhas
E feias
Me confortando
Casaco e meias
Algodão nos ouvidos
Surda a tormentas
Não sou responsável
Por tempestades alheias.
Lori Damm
Sem uma reta uma casa cai.
Sem base, nada se constrói.
Sonho de todos
é uma escola em PaZ.
É o sonho do mundo
e também dos Pais.
Quando o Silêncio Aprendeu Meu Nome
A casa continuava inteira.
Era eu quem faltava nos cômodos.
Meu corpo atravessava o corredor, mas a alma insistia em permanecer na maçaneta da última porta que nunca tive coragem de abrir.
Descobri tarde que o silêncio não nasce da ausência de vozes.
Ele nasce quando nenhuma palavra aceita morar na boca.
Há dias em que converso com as janelas.
Elas entendem o idioma das pessoas que olham para longe porque perto demais também machuca.
Não espero mais respostas.
Coleciono perguntas como quem guarda sementes sem saber se ainda existe primavera.
E, curiosamente,
foi depois de perder quase tudo
que descobri
que algumas ruínas também sabem florescer.
_Lucci Santz
Fui arrumar minha casa.
Mudei os móveis de lugar
Lavei o chão
Tirei a poeira
Separei os objetos que eu não usava mais.
Lavei a louça
Limpei a varanda
Sequei minhas lágrimas
Deixei de lado dores que não precisavam mais ser sentidas.
Resolvi voltar meu controle emocional para o lugar, pra perto de mim.
Decidi abandonar de vez hábitos
antigos.
O autocuidado deixei em um lugar visível, para não esquecer.
Ele ficou perto da autoestima.
A versão do medo, que alerta, coloquei na primeira gaveta
da estante. As vezes, preciso.
Já as outras versões que prejudicam joguei fora.
A coragem ficou à mostra, em cima do meu criado-mudo.
Os pensamentos desorganizados?
Hoje, eu consegui deixá-los cada um em seu devido lugar.
No novo tapete da entrada, está escrito:
Área sob proteção.
Quando terminei a faxina, sentei na varanda da casa
para sentir o vento no rosto.
Alivio.
Um pedido de desculpas
O coração não voltou a bater sozinho,
virou casa abandonada depois da tempestade,
janelas rangendo saudade,
esperando passos que soubessem chegar sem quebrar.
Eu ouvi um pedido de desculpas
como chuva fina em terra rachada,
não fez barulho, mas ficou,
penetrando devagar no que ainda era seco.
Entre escombros, te vi juntando cacos
como quem remenda um vaso antigo com ouro,
sabendo que as rachaduras não somem,
apenas aprendem a brilhar de outro jeito.
Hoje o peito bate como farol cansado,
não ilumina por excesso, mas por insistência.
Porque amar, depois do erro,
é navegar mesmo sabendo do mar.
A casa respira quando a noite cai,
paredes rangem segredos que ninguém contou.
O relógio bate horas que não passam,
e cada sombra parece saber meu nome.
No corredor, passos sem dono se repetem,
o espelho sorri quando eu não sorrio.
Há olhos no escuro, famintos de memória,
lembrando pecados que eu jurei esquecer.
Quando o silêncio finalmente fala, é tarde:
o medo não bate — ele já mora aqui.
E ao fechar os olhos, eu entendo o horror…
o monstro nunca esteve fora de mim.
Entre Linhas
Se eu pudesse escolher
um lugar pra morar,
não seria casa, rua ou cidade…
eu moraria no intervalo do teu riso,
onde o mundo esquece de doer.
Teu olhar tem algo de horizonte,
quanto mais eu olho,
mais longe quero ir.
E no silêncio entre um segundo e outro é teu nome que meu coração aprende a repetir.
Há em você uma calma rara,
tipo mar quando o vento decide descansar.
E quando tua mão encontra a minha,
até o destino parece parar pra olhar.
Se amor fosse tinta,
eu pintaria o tempo inteiro com você.
Porque desde que teu sorriso me encontrou, minha vida virou poesia
que só faz sentido…
quando rima com você.
Meu coração
Meu peito já foi casa cheia de ecos,
vozes antigas que o tempo não levou, mas desde que você tocou meu silêncio, até o vazio aprendeu
o que é amor.
Você chegou como quem não promete, mas fica…
sem pedir explicação,
e nesse espaço onde antes era ausência, plantou presença
dentro do meu coração.
Te amar não foi cura imediata,
foi processo lento, quase imperceptível, como luz entrando
por frestas pequenas,
até tornar o escuro algo impossível.
Se um dia eu fui feito de nada por dentro, hoje transbordo o que você construiu, porque onde antes só havia vazio, agora existe um “nós”… que nunca existiu.
Na porta da Sua casa
Estou ligando só pra te dizer:
Escolhe a tua melhor roupa,
arruma o teu cabelo,
Fica ainda mais linda,
porque hoje eu vou te levar
pra comer.
Ainda não sei qual camisa vestir,
nem que perfume usar.
Só sei que daqui a pouco
vou estar na porta da tua casa,
com o coração acelerado,
esperando você sair.
E quando a porta se abrir,
vou te entregar
um buquê de flores
e um olhar que diz tudo
semprecisar falar.
Que a lua guarde esse momento,
e o tempo escreva nossa história.
