Poemas de Amor que Chega Arrepia
"É quando a noite chega que eu tiro
as roupas de vida e visto as roupas
de sonhos..."
Haredita Angel
26.05.23
De tanto as folhas crescerem
Chega uma hora em que o galho desce
Já não existem mais escombros sob a sombra
Há paz e alegria de sobra
Só quem chora é a chuva
Mas ela nem chove agora
Houve um tempo em que sobravam dias
Agonias normais
De tanto ver cairem as folhas
Chega uma hora em que ninguém repara
E de tanto sobrarem dias
As horas, feito feras, só se maltratavam
Não havia ombro onde chorar
Tinha o ar, que se movia
Tinha a chuva que molhava, indiferente
E de tanto ver crescerem as sombras
Chega uma hora em que os olhos secam
Broncos, endurecem tanto quanto o pé de amora
Hoje, quando a chuva chora, as folhas verdejam
E o coração, na paz de um tronco, parece até que nem se molha
Agora, a tudo carrega dentro de si
De modo, que todo aquele que passa e que olha, não veja.
Edson Ricardo Paiva.
"Há dias
Em que aquela chuva
Que se toma com alegria
Chega a ser bem mais concreta
Que a fortuna bem arquitetada
Pois essa, sem amor
Não vale nada."
Edson Ricardo Paiva.
Não me alegra
Nem me traz alento
Chega e penso em me deixar
Não que isso seja uma regra
É só o preço da vida
Me contento
Tem dias que o pensamento carrega
Tem dias que é o vento
Sim, tem dias que venta ainda
Não me alegra, nem me alenta
Tem dias que arde o sol
Noutros caem folhas
E que a tarde cinza fica linda.
Edson Ricardo Paiva.
“ A melhor parte da vida,
é quando a gente chega na estação chamada ‘sabedoria’ e entende ,
finalmente,
que as respostas sempre estiveram dentro de nós mesmos.
E paramos de culpar os outros
pelas nossas mazelas existenciais .
E por mágica , elas desaparecem !
Aí vem a tão esperada e abençoada, plenitude !
É sorte? Não ! É aprendizado contínuo!
Somos seres humanos em evolução!
Carmen Eugenio
Quem não se
reconhece como
alma de gaivota,
não chega perto
nem de ser
como uma pedra,
porque neste
mundo não
há quem não
seja imigrante.
Rejeitar entender
o quê se passa
com Generais,
a tropa e o povo
que se encontram
num exaustivo
e asfixiante sufoco
que por astúcia
dos radicais
vem atingindo até
os entes queridos,
é o mesmo que
não amar e rejeitar
deixar a vida viver.
Nem de gente
pode ser chamada,
quem assim
não se enxerga,
não aprecia o som
do Rio Arauca,
não se comove
com o Rio Orinoco
e nem dança
com os pássaros
e a sua orquestra.
Chega de pouca
vergonha de quem
diz que não
pode pedir
antecedentes
de quem
pede pedir
para tirar foto,
Quase acreditei
também nisso.
Não se faça
de desentendido:
O povo deve
ser respeitado,
E você sabe
muito bem disso.
As Mães de
Tumeremo
andam com
medo dele,
e não deve
ser à toa;
Uma cidade
está vem
sendo destruída:
deve ser
tudo farinha
do mesmo saco.
Estão levando
o quê há
de melhor para
sempre embora,
Alguém tem
que parar
com isso agora.
Há queixas que
ele anda
intimidando
e tirando o ouro
todos os dias,
A gente está
sofrendo todos
os despojos;
Há quem dê
ouvidos cegos
ao autoproclamado
e os seus
'Los Rastrojos'.
Uma tropa que
deveria estar
em liberdade
e contendo
tudo isso,
Ela segue
um calvário
crescente
e um lento martírio.
O nome do General
que dizem
que o acusaram
injustamente
de rebelião
está sendo usado
para causar
inferno político,
E ele não tem
nada a ver com isso.
Chega um momento
que tudo o quê foi dito
a quem merece ouvir
não precisa ser repetido,
é melhor deixar o tempo
se encarregar de fazer
o papel de educar,
para que gente assim
não se sinta empoderada
para fazer ainda mais mal;
e a dor existencial
de ser ela própria não
castigar ainda mais
a quem não merece.
O anjo nas finas linhas
do destino ao povo assim
escreveu: "Não
esqueçamos
dos presos de consciência,
Não existem presos
de consciência de primeira
ou de segunda.
Todos sofrem o rigor
de pagar com a sua
liberdade de discordar
por suas idéias,
frente ao status quo;
quem não compreende
vai contra a história,
sobram os exemplos.
Lutemos pela LIBERDADE.".
Por saber que anjos
existem continuo a escrever os meus
poemas para lembrar que
as mil prisões políticas ainda
nesse século ao tempo resistem.
Eu já nem sei o que mata mais
Se o trânsito, a fome ou a guerra
Se chega alguém querendo consertar
Vem logo a ordem de cima
Pega esse idiota e enterra
Todo mundo querendo descobrir seu ovo de Colombo.
Os animais quando bem
tratados não traem,
Os homens embora nem
todos iguais não são
e nem chegam perto
da lealdade dos animais;
Prefira ser poeta que
mesmo até depois de morto
a sua poesia não deixa em paz,
O poeta dança com intimidade
as correntes da morte diária,
Em vez de sucumbir com
o que dizem ser de Humanidade,
Prefiro me encantar com a graça
da Corujinha-Sapo em liberdade.
Nenhum deles chega
perto da tua sutileza
e do tato das tuas mãos,
No sentido conotativo
venho me portando
como Alamoa o tempo
todo por bom senso
e autopreservação,
Porque em nossa jaça
secreta, atlântica e sagrada,
Tenho te esperado absoluto
para que ocupe com tudo
e sem o desejo de regresso.
17/09
Chega uma hora
que do espetáculo
não se deve buscar
o protagonismo
e nem o antagonismo,
E sim se posicionar
como espectador da cena
para ninguém te desconcentrar.
Tem gente que pensa
Que a gente quer um monte de coisas
Que no fim das contas
Nem chega a importar tanto assim
Uma hora você se pega pensando
Que se apegou a um enorme nada
Quando olha pros lados
Olha pro espelho
Pro passado
Pra si
As coisas que pareciam desimportantes
Tem um valor diferente
Então você percebe que queria mesmo
Era aprender a rir de piada sem graça
Um copo d'água na hora da sede
Um olhar despretensioso
Que lhe transmitisse a sensação
Que alguém sente alegria
Quando vê você
Um colher de xarope, na hora da tosse
Uma mão na testa, se acaso sentisse febre
Alguém que puxa um cobertor e te cobre
Alegria de festa sem motivo
Pois, muito mais do que se pensa
Todo mundo deseja apenas
Que a sua presença seja esperada,
desejada e benquista
A gente não quer requinte
Deseja um olhar atento
E um par de ouvidos bem ouvintes
Alguém que conte pra gente
Como foi a sua infância
E diga também da saudade
Que sentiu durante a distância
E o que foi que fez lembrar a gente
Em alguma coisa que viu pelo caminho
E no quanto doeu a nossa ausência
Mais importante que o diamante
É sentir
E Principalmente
Perceber que faz sentir
Saudade
Um certo orgulho bobo e sem razão
Confiança
Um olhar de lealdade na janela
Uma ida ao portão
Vontade de estar junto
Um amor sem explicação
Saudade do abraço
Desejo de respeitar
E um querer
Que sente um vazio quando quer
E quando quer
Não quer deixar de querer
São essas as coisas difíceis
de perceber a importância
Até que aqueles olhos
Azuis, castanhos ou verdes
Não mais sejam vistos
de manhã, de tarde, de noite
ou de madrugada
Nem mesmo à distância
Então você há de perceber
Que tudo mais
Não vale nada.
Edson Ricardo Paiva.
Falo alto
No intenso barulho
Tenho a voz abafada
Chega a parecer
Quase o mesmo que nada
Em menor intensidade
Eu me escondo no silêncio
Das verdades não declaradas
Na alegria que eu minto sentir
Faço igual a essas pessoas
Que apenas esperam
Todo dia o fim do dia
E depois anoitecem
Na esperança
Que não amanheça.
Edson Ricardo Paiva.
Quando a gente se sente só
E solidão é só o que se sente
Percebe que a solidão
Nunca chega só
Pois sempre vem junto a ela
Um frio suor nas mãos
Arrepiando a barriga
Na visão da janela fechada
Um rio de tristeza
Inundando o coração
Vem a inseparável saudade
E não vem mais nada
Solidão, quando é da boa
Faz ouvir a uma voz que ecoa
E é sempre uma só, somente
Causando um cortante frio
Daquele que dói a alma
Num vazio de não sei o quê
Pois a solidão
Não é só estar só
É estar diante do mundo
E não ver o chão
É querer voar, sem ter ter asas
É buscar ao odor do alecrim
Num jardim de malmequeres
Sem haver no final do dia
Uma casa pra voltar
E, sem ter aonde ir
A solidão vem dizer
Que não há no mundo lugar melhor
Nem na vida coisa pior
Pois qualquer lugar é lugar.
Edson Ricardo Paiva
Não basta fazer o ninho
Sob a soleira da melhor das casas
Se quando chega a primavera
O passarinho bate as asas
E ao raiar do primeiro dia
A sua ausência se torna alegria
Não basta a presença de um sorriso
É preciso sempre alguma coisa a mais
O melhor remédio
Também tem hora certa pra ser ministrado
E quando o momento passa
Pode acontecer de tornar-se um veneno
O passarinho simplesmente
Percebe
Que o ninho não mais possui
Aquela graça
Que o quis fazer ficar.
Edson Ricardo Paiva,
Aline
Margeando a sombra das lembranças
Sombreando as margens daquilo
Que te faz perceber a chegada
do vulto que divide tudo
Entre aquilo que ainda existe
e aonde a esperança não há mais
Um dia, numa linda tarde
haverás de olhar
As roupas coloridas balançando
ao sabor dos fortes ventos
que chacoalham seus varais
Esse vento haverá de trazer-te
Um longo, triste e doído lamento
E te fará lembrar
Coisas que fizeste e que disseste
e que deixaste cair no esquecimento
Perceberás então
Que a mágoa que sentias
Não possuia simplesmente
Fundamento ou razão de ser
Talvez tenhas nessa hora
Vontade de pedir perdão
e segurar um pouco a mão
de alguém que desprezaste
e deixaste partir
Sem pelo menos
poder se despedir
Enxugue suas lágrimas
Esqueça suas mágoas
Essa mão estará
Como sempre esteve
à sua disposição
Embora nesse dia
Não possa mais vê-la
Basta lembrar-se
dos motivos que a levaram
A não te balançar
nos primeiros anos
Assim como hoje
O vento balança o varal
Vindo de muito longe
Sentirás um beijo
Um carinho
E novamente
Outro pedido de perdão
Quem sabe outra estação
Um dia vai
Permitir que sejamos finalmente
Filha e Pai.
Amigo
Não é só aquele
Que chega dando voadora
em sua briga
Amigo de verdade
Também nem percebe
Se existe
diferença na idade
Amigo pode ser teu filho
Vizinho ou sobrinho
Pode ser até
Aquele cara
Que casou com tua filha
E que vai te suceder
Ao trazer mais crianças
pra tua família
E quando você já tiver partido
Será ele a trazer as lembranças
de dias passados
Amigo não precisa
Estar sempre ao seu lado
Amigo é aquele
Que mesmo na ausência
Haverá sempre de lembrar
e ser lembrado
Minha vida é igual
A uma folha de papel
Voando ao vento
Há momentos
Que chega bem perto do Céu
E outros
Em que é varrida
de outras vidas
Qual fosse uma folha morta
Que caiu da casa vizinha
Minha alma
É como uma pena de ave
E flutua suave
Chegando pertinho da Lua
Aquela Lua bonita
Que enfeita e ilumina
As noites quentes e tranquilas
Aquelas noites que parece
Terem existido só na infância
Folha ou Pluma
Vida ou Alma
Pouca gente se importa
Com sua importância
Hoje em dia
Ninguém mais tem tempo
Pra olhar estrelas,
Atentar para o brilho da Lua,
Pensar nas coisas do Céu
Ou algo assim.
Enfim
Vou seguindo sozinho
Livre e feliz
Contente com as coisas que fiz
Satisfeito
Com o jeito que eu as quis
Tenho a Paz de consciência
E sou uma daquelas pessoas
Que olha as Estrelas
Escreve Poemas pra Lua
Enxerga as coisa boas
Que há no mundo
Tomara que a minha alma
Flutuando
Passe um dia pela sua.
Chega a ser triste
Que tanta gente distante
Seja presença constante
No coração da gente
E a gente
de coração transbordante
Tentando fazer um ninho
Nos corações daqueles
Que estão a um passo da gente
Porque será
Que aqueles que nem ligam pra gente
Nos momentos
em que a gente mais precisa
São sempre os mesmos
Que precisam da gente
Quando finalmente
A gente está tão distante
Parece que o amor
É uma semente de mostarda
Que muito tarda a crescer
Por que será
Que a gente tanto reclama, descontente
da rotina e pasmaceira
Que às vezes a vida apresenta
E depois percebe
Mais descontente ainda
Que a vida já correu
Passou-se, quase que inteira
E a gente não teve tempo
Pra quase nada
O tempo correu
E a gente não está mais lá
E também nunca esteve aqui
A gente nunca está onde precisa
E nos lugares onde está
Ninguém precisa da gente
Por que será
Que naqueles momentos
Em que nos sentíamos
tão perdidos
Na verdade, foram os únicos momentos
Em que a gente realmente
Sabia onde estava?
Edson Ricardo Paiva
