Poemas da Juventude de Paulo Coelho

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Os que têm tentado reformar os costumes do mundo, no meu tempo, com opiniões novas, reformam os vícios da aparência; quanto aos da essência, deixam-nos intactos, quando não os aumentam.

É falso que a igualdade seja uma lei da natureza. A natureza não faz nada igual; a sua lei soberana é a subordinação e a dependência.

Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer.

O avarento mais preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver.

O deleite imaginado é muito maior que o gozado, embora nos verdadeiros gostos deva ser o contrário.

A sabedoria é geralmente reputada como pobre, porque não se podem ver os seus tesouros.

Fica provado que uma inovação não é necessária quando se torna demasiado difícil implementá-la.

Há que, na medida do possível, prestar favores a todos: quantas vezes não precisamos de quem é menos do que nós.

Sem as ilusões da nossa imaginação, o capital da felicidade humana seria muito diminuto e limitado.

Considero a família e não o indivíduo como o verdadeiro elemento social (arriscando-me a ser julgado como espírito retrógrado).

A tortura é uma invenção maravilhosa e absolutamente segura para causar a perda de um inocente.

Na mocidade buscamos as companhias, na velhice evitamo-las: nesta idade conhecemos melhor os homens e as coisas.

A igualdade repugna de tal modo aos homens que o maior empenho de cada um é distinguir-se ou desigualar-se.

Despendo mais energia numa discussão com a minha mulher, do que em cinco conferências de imprensa.

Quem viu jamais um médico aproveitar a receita do colega sem lhe tirar ou acrescentar alguma coisa?

A variação quantitativa de tensão da realidade originária dá origem a todas as coisas.

Fazemos ordinariamente mais festa às pessoas que tememos do que àquelas a quem amamos.

Os acontecimentos políticos humilham e desabonam mais a sabedoria humana que quaisquer outros eventos deste mundo.

A ignorância dócil é desculpável, a presumida e refratária é desprezível e intolerável.

Há males na vida humana que são preservados de outros maiores, e muitas vezes ocasionam bens incalculáveis.