Poemas da Juventude de Paulo Coelho

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Embora possamos ser sábios do saber alheio, sensatos só poderíamos sê-lo graças à nossa própria sensatez.

Em matérias e opiniões políticas os crimes de um tempo são algumas vezes virtudes em outro.

Um homem que acaba de arranjar um emprego já não faz uso do espírito e da razão para regrar a sua conduta e as suas atitudes perante os outros: toma de empréstimo a regra do seu posto e da sua situação; donde o esquecimento, a altivez, a arrogância, a dureza e a ingratidão.

As pessoas importantes fazem sempre mal em se divertir à custa dos inferiores. A troça é um jogo, e o jogo pressupõe a igualdade.

Só se pode conversar duas horas com uma mulher quando se lhe diz sempre a mesma coisa.

Há muita gente boa e feliz, porque não tem suficiente liberdade para se fazer má e desgraçada.

Os homens geralmente preferem ser enganados com prazer a ser desenganados com dor e desgosto.

Os conselhos dos moços derivam das suas ilusões, os dos velhos, dos seus desenganos.

As obras de caridade que se praticam com tibieza e como que a medo, nenhum mérito, nem valor têm.

Os homens são sempre mais verbosos e fecundos em queixar-se das injúrias do que em agradecer os benefícios.

Parece, na verdade, que nós nos servimos das nossas orações como de um jargão e como aqueles que empregam as palavras santas e divinas em feitiçarias e em efeitos de magia.

A estirpe herda-se e a virtude conquista-se; e a virtude vale por si só o que a estirpe não vale.

Os empregos que por intrigas e facções se alcançam, por facções e intrigas se perdem.

A verdade é tão simples que não deleita: são os erros e ficções que pela sua variedade nos encantam.

Para não corar diante da sua vítima, o homem, que começou por feri-la, mata-a.

O apetite do privilégio e o gosto da igualdade, eis as paixões dominantes e contraditórias dos franceses em todas as épocas.

É tão fácil o prometer, e tão difícil o cumprir, que há bem poucas pessoas que cumpram as suas promessas.

É mais fácil cumprir certos deveres, que buscar razões para justificar-nos de o não ter feito.

Se não estás disposto a matar aquele a quem pretendes odiar, não digas que o odeias; estás a prostituir tal palavra.

O interior das famílias é muitas vezes perturbado por desconfianças, ciúmes e antipatias, e enganam-nos as aparências de satisfação, calma e cordialidade, fazendo-nos supor uma paz que não existe; poucas há que ganham em ser aprofundadas.