Poemas D um Homem Perdidamente Apaixonado
Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em ralação a outras coisas importantes. Continuo aliás atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Tenho vontade de perguntar baixinho: você não gosta nem um pouquinho de mim? Nem sequer um tiquinho?
Não, a pior tragédia não é a que tomba inesperada, rápida, definitiva e única como um raio e que pode ser atribuída a castigo divino...Mas a que se arrasta quotidianamente, surdamente, monótona como chuva miudinha.
Há em todos um indivíduo que ascende por seus próprios esforços de sua posição anterior na vida para uma maior.
Lembro de quando eu acreditava em um mundo de super-heróis, de contos de fada, de princesas e naquele famoso ”felizes para sempre”. Nesse último, confesso: eu ainda acredito.
Tomarias ser livre e senhor de ti mesmo: para o que há um só caminho, que é o desprezo de todas as coisas que não estão na nossa mão.
Havia o medo e a timidez, todo um lado que você nunca viu. Outra criança adulterada pelos anos que a pintura escondia.
Envelhecer é bonito. Um casal que envelhece junto, então, mais bonito ainda. Acho lindo casais bem velhinhos de mãos dadas. Acho romântico ver o jeito que eles se olham, como se conhecem, quantas marcas trazem no coração, no corpo, na vida. Acho mesmo, de verdade. Quem casa é porque acredita no amor, acredita na união, na ligação. E um casamento pode dar certo ou não. O que não me conformo é ver duas pessoas, que antes se amavam absurdamente, acabarem se tornando estranhas. Como pode um dia você amar e no outro olhar para o lado e não reconhecer mais quem está com você? Eu sei que isso acontece, mas acho que é pura falta de atenção. Todo mundo muda um pouco todo dia. A vida faz com que a gente mude, se modifique, evolua de algum modo. E se você não presta atenção em quem está ao seu lado, não percebe isso, nem se percebe. Então, um belo dia, tudo mudou e só você não viu. Daí se pergunta: o que aconteceu? Olha, o que aconteceu é que você não enxergava, não via, não olhava. Tem gente que quando se dá conta disso senta e conversa. Tem outros que ignoram o fato e seguem em frente. Sou a favor da conversa, da aceitação, do entendimento. Ignorar não leva a nada. Seguir em frente sem juntar os pedaços do quebra-cabeça não leva a lugar nenhum. Ou leva. Porque a verdade custa caro. Nem todo mundo está preparado para ver.
Seja o exemplo de tuas palavras e haverá um momento em que não precisarás dizer nada sobre coisa alguma. Tuas atitudes falarão por ti!
Era noite e fiz um movimento descuidado dentro do sonho; virei bruscamente de mais a esquina e choquei contra a minha loucura.
E sempre há um perigo em que nós deixamos transparecer externamente que nós cremos em Deus, quando internamente não. Nós dizemos com nossas bocas que nós cremos nele, mas vivemos nossas vidas como se Ele nunca tivesse existido. Isto é o perigo sempre presente confrontando a religião. Isto é um tipo perigoso de ateísmo.
O amor me fere é debaixo do braço, de um vão entre as costelas, atinge o meu coração é por esta via inclinada
Nota: Trecho de poema presente no livro "Bagagem", de Adélia Prado. Link
Um dos mais tolos enganos que poderiamos cometer seria permitir que os povos conquistados do leste possuissem armas. A história ensina que todos os conquistadores que permitiram a posse de armas pelas raças dominadas prepararam sua própria queda ao fazê-lo
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe, perde o juízo por completo em nome de causas e paixões, sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas vezes incompreendido, tantas vezes provocado, tantas vezes impulsivo. Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
E quando o nó cegar, deixa desatar em nós, solta a prosa presa, a luz acesa, LÁ SI DÓrmi um SOL em MIm maior.
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior.
A felicidade é simples, e quando você descobre isso ela deixa de ser uma espera e passa a ser um minuto, um segundo. E é de minutos e segundos que se faz a vida.
