Poemas Curtos de Cecília Meireles

Cerca de 155 poemas curtos de Cecília Meireles
Cecília Meireles (1901-964) foi uma poetisa, jornalista e professora brasileira, considerada umas das mais importantes escritoras do país, com mais de 50 obras publicadas

⁠A palavra liberdade
vive na boca de todos:
quem não a proclama aos gritos
murmura-a em tímido sopro

Liberdade essa palavra, que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique, e não há ninguém que não entenda.

(Do "Romanceiro da Inconfidência)

Já não sei mais a diferença
de ti, de mim, da coisa perguntada,
do silêncio da coisa irrespondida.

"Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira”.

( do poema "Desenho", do Livro "Mar absoluto".)

O que amamos está sempre longe de nós:
e longe mesmo do que amamos - que não sabe
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor.

(do livro "Solombra".)

Herança
“Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto
pelo chão”.

(Trecho do livro “Viagem”, 1939.)

Tudo em ti era uma ausência que se demorava:
uma despedida pronta a cumprir-se.

Cecília Meireles
MEIRELES, C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.

Nota: Trecho de "Elegia"

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A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.

Cecília Meireles
Cecília Meireles: obra em prosa, volume 1. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

Entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação de meus desejos afligidos.

Ah! se nem eu sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém a gostar de mim?

O vento é sempre o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha. Somente a árvore seca fica imóvel entre borboletas e pássaros.

Alguns dos melhores momentos da vida a gente experimenta de olhos fechados, tudo o que acontece dá para imaginar… Tudo o que se imagina, pode acontecer.

É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.

Não venci todas as vezes que lutei, mas perdi todas as vezes que deixei de lutar.

De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças.

Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, não sei, não sei. Não sei se fico ou se passo.

Minha primeira lágrima caiu de dentro dos teus olhos.
Tive medo de a enxugar: para não saberes que havia caído.

Cecília Meireles
MEIRELES, C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.

Nota: Trecho de "Elegia"

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Chorei pelas gentes perdidas de loucura e orgulho. Depois por minhas visões, por meus gestos.
E, finalmente, por nós dois.

Os livros que têm resistido ao tempo são os que possuem uma essência de verdade, capaz de satisfazer a inquietação humana por mais que os séculos passem.

"Nunca tive os olhos tão claros e o sorriso em tanta loucura. Sinto-me toda igual às árvores: solitária, perfeita e pura."