Poemas com Rimas de minha Rua
Estrelas que me lembram
Trago no sangue o ferro
que já foi coração de planeta.
E há, na minha espinha,
o cansaço milenar das galáxias.
Não nasci hoje.
Nasci quando Deus ainda aprendia
a escrever luz nos espaços.
Sou poeira antiga,
com nome recente.
Memória estelar em movimento —
não de um astro,
mas do instante em que o amor
acendeu o primeiro fogo.
O imediato me fere,
como quem tenta cortar o infinito
com o fio cego da pressa.
Há milênios dentro de mim.
Olho o eterno
porque só ele me reconhece.
Abri mão das receitas
para não abrir mão mim. Quando
percebi minha vida passando
sem me mostrar quem sou,
Disse:
- Basta!
Hoje só fico onde exista amor.
Podem até sujeitar meu corpo.
Mas na minh’alma
nunca ninguém mandou.
Fiz pacto poético,
chega dos ofícios de horror!
Quando vi minha vida passando
sem reconhecer quem realmente sou,
Disse:
- Basta!
Hoje eu só fico onde exista amor.”
“Toda vez que enfrento um dilema pratico o exercício de minha morte.
Na minha cabeça só assim se é possível enxergar as próprias vísceras.
A morte, ainda que encenada, me garante esse distanciamento necessário para não me deixar corromper com o objeto ou assunto por mim observado.
Só morto consigo ser imparcial.”
MINHA SAUDADE
"Ninguém é um saudosista da dor, a saudade só atesta o que foi bom.
A saudade é o território dos meus sentidos!
Ela é como escada rolante que me carrega imóvel, é a parte de mim que nunca será palavra."
“Deturpei meus sentidos.
Chamei de amor os meus exageros e de paz minha surdez. Tudo em mim era mentira...
Exceto pela dor, essa nunca me traiu.
Sofrer foi a única prova de que mesmo delirando eu estava existindo.”
"Construí minha casa na areia, desde então deixei de existir. Fui ludibriado pela beleza do mar. Quis tornar o transitório permanente, ter o imponderável todo dia a minha frente. Não cogitei que o mar não aceitasse concorrentes.
Notei que o mar na areia apagou meu passo. E qualquer rabisco ou rastro que faço, num toque das águas desfaço.
O desenho só durou até ser tocado. O castelo se desfez quando foi alcançado. Meu pedido de socorro foi encoberto ao ser encharcado. E nada que não existiu pode ser contado.
No mar é onde hoje jaz o meu legado.
O mar não perdoa ninguém."
A beleza da alma
"Toda vida busquei por coisas que embelezassem e nutrissem minha alma. Preferi registrar o perfume da flor do que sua foto. Um registro verdadeiro precisa mexer com todos os sentidos, não só o visual. Procurei viver, mas, viver a eternidade do momento presente. Me pareceu o correto a fazer.
Acreditei que um dia, talvez, depois de uma boa conversa com algum estranho ele diria:
- Nossa! Mais que bela alma você tem aí!
Tolo, hoje com essa necessidade visceral de viver e de registrar que se viveu, só para provar que se está vivendo, ninguém liga pra isso.
Daí pensei: Como me tornarei popular, se a alma não dá pra fotografar? Infelizmente não dá.
A beleza da alma só pode ser vista, quando observada atentamente, por olhos fechados e ouvidos abertos.
Talvez o problema não seja eu, talvez, seja culpa da dificuldade que a maioria das pessoas tem de fechar os olhos para o todo, e assim concentrar toda sua atenção apenas em quem está. Talvez o problema seja calar e abraçar quem está perto com os ouvidos.
A beleza da alma pode ser vista somente com o olhar pra fora de si. O espelho da alma é o outro. Talvez isso mude quando considerarmos o terreno alheio como sagrado, já que é na relação com o outro que vemos a nós mesmos."
Morta, acabada
É assim, que minha alma,
Vaga desesperada.
Na esperança de um dia,
Encontrar a tal sonhada felicidade.
Mais uma vez você se foi.
Como água escorre pelos dedos;
Por falta de cuidado da minha parte
Você se foi…
Vou seguir a minha estrada.
De mãos dadas com esperança.
Vou à procura de paz.
Aquela que perdi, ao conhecer-te.
Por favor, siga seu caminho...Tem que ser assim.
Vou guardar-te na minha memória.
E visitar-te quando sentir saudade.
Perdão!
Minha Inspiração
Nos meus sonhos eu te vejo
No calor eu te desejo
Mergulhar no teu olhar
Nos seus braços navegar
Eu quero o céu
Eu quero o mar
Eu quero brilho desse olhar
Eu quero ter o seu amor
Eu quero o ar
Quero o meu chão
Minha inspiração
Eu quero ter você pra sempre
Dentro do meu coração
Eu e a minha desmotivação somos amigos tão íntimos
Intimidade que coloca a própria afeição por um fio
Quando a autoestima aparece para mim de bom grado, desconfio
Pois os meus sentimentos frequentam todos os anos o baile dos sismos
Esses provocadores do terramoto, jogadores de desiquilíbrio
Eu quis segurar no tempo e controlá-lo
Deixá-lo beijar a minha vontade
Eu quis matar o meu pensamento eternamente silenciá-lo
Deixar-me à deriva na calmidade
APENAS PENSAMENTO, PORÉM REAL.
Quando sinto a minha deslocalidade psíquica,
Delicio-me em meu sofrimento,
A seguir, dá-me tédio em ouvir vozes plangentes deste mundo de ilusôes,
Que provoca a ira de Deus.
Essa humanidade que pensa nâo mais precisar do Criador,
Devido as suas habilidades científicas,
Certamente desfrutará de seus próprios intrínsicos aborrecimentos...
3) Quando vejo o espetáculo da tarde que se agoniza no esplendor do horizonte, minha imaginação quase penetra nos mistérios de Deus!
Quando vejo os raios do novo sol, imagino no imaginável da Vida.
Não a vejo, contudo, envolver-me a alma,
Assim, permito-me controlar meus pensamentos para sentir um pouco de alegria orvalhada num modesto sorriso...
Como rechear minha árvore de natal:
Com pétalas de Amor Divino; com aromas de virtudes;
Com solidez da caridade; e finalmente acendê-la com a vida lotada de paciência, perdão e verdadeira amizade social !
Efeitos colaterais
Sonhei em esculpir
Seus traços em carrara
Para eternizar toda a
Minha imensa admiração.
Imaginei-me Bethoven
Por uns instantes
Para compor com suas nuances
A maior das sinfonias.
E tudo isso meio tardio
Eu confesso e reconheço
Pois já nem nos falamos mais
Nem nos olhamos mais.
Estou em luto
E quem faleceu fora eu
Não me vejo mais em teus olhos
E todo encanto se encerrou.
O que me restaram fora a esperança
E a pena para escrever estes tristes versos
Totalmente sem métrica e sem nexo
Efeitos colaterais da falta que sinto de você.
ESSENCIAL
Minha fonte de água cristalina
Meu ninho de paz e aconchego
Minha estrela de quinta grandeza
Hemácias presente em meu sangue.
Oxigênio em minhas artérias
Abelha rainha em minha colmeia.
Raio de luz em noite sem lua.
Menino Jesus, em vinte e cinco de dezembro
Ensino fundamental para o jovem
O trabalho para os adultos
A música para os músicos
E o pão para quem tem fome.
Anjo da guarda meu,
Presente maior que a vida deu
Dona do amor que nasceu
E insiste em crescer a cada dia mais.
Paz que se encontra após a guerra
Cais seguro para meu barquinho
Canto suave dos passarinhos
Patê fresco para os meus gatos
Inspiração para os meus atos.
Dona do meu amor de fato
Minha Deusa, meu coração.
Minha razão de respirar
E o motivo desta poesia.
