Poemas Boca
O Último Espetáculo
A boca, que era um arco avermelhado,
Caiu em um traço de amargura.
O choro, antes tanto disfarçado,
Hoje transborda em linha pura.
Não há aplausos na lona vazia,
Não há piruetas na escuridão.
Atrás da capa da dita folia,
Bate um cansado e ferido coração.
O circo desfez sua lona de ilusão,
A piada perdeu a graça e o sentido.
Na solidão de sua própria solidão,
O palhaço não está mais sorrindo.
As roupas largas pesam como chumbo,
Os sapatos gigantes não sabem para onde andar.
Perdeu a graça, perdeu o rumo,
Só restou o silêncio para chorar.
Stefany meu amor
Stefany, tua boca é crime que me vicia,
Teu corpo é mapa, me guia e me inicia.
Você me olha e o juízo desafia,
Me chama e eu vou, sem freio, sem trégua, sem dia.
Teu beijo é chama que arde e alumia,
Teu toque é verso que o peito arrepia.
Se for pra ficar, que seja ousadia:
Te quero inteira, sem pausa, sem trégua, pura poesia.
Sou teu sem medo, sem rédea, sem guia.
Se for pecado, que seja alegria.
Stefany, vem cá, que hoje o mundo se arrepia:
Só nós dois, fogo, amor e fantasia.
Daniel Vinicius de Moraes
Morena linda
Tua alma brilha.
Teu sorriso encanta.
Tua boca me faz delirar.
Meu ego me deixou cego...
Você me fez ir além.
Das muitas vidas que vivi,
só a do teu lado me fez bem.
Trocaria todas as outras
só pra ter ela de volta.
Mas a vida é assim.
No final de tudo...
Tirou você de mim.
@Mammoth_Sal
Ela sempre foi movimento.
Casa girando em torno dela.
Mão que fazia, boca que orientava, olho que via tudo.
Era dessas mulheres que acordam antes do sol
e dormem depois da vida.
Sabia onde estava cada coisa.
Cada conta.
Cada remédio.
Cada problema.
Ela era memória viva da família.
Era calendário, era agenda, era conselho.
E agora…
O tempo resolveu brincar ao contrário.
O nome das coisas escapa.
Os rostos às vezes embaralham.
As histórias ficam pela metade.
Mas tem uma coisa que não foi embora:
a essência.
O jeito de segurar a mão.
O olhar que ainda procura cuidado.
A doçura que aparece em lampejos.
O Alzheimer não apaga quem ela foi.
Ele embaralha caminhos,
mas não destrói o que foi construído em décadas de força.
Existe uma inversão silenciosa:
quem foi porto vira mar aberto.
Quem guiava agora precisa ser guiada.
E dói.
Dói porque a gente lembra de tudo.
E ela… às vezes não.
Mas amar alguém com Alzheimer é aprender outra língua.
É repetir sem irritação.
É contar a mesma história como se fosse a primeira vez.
É segurar firme quando o mundo dela fica confuso.
Ela continua sendo a minha mãe.
Mesmo quando não sabe dizer seu nome.
E talvez agora o papel seja meu:
ser memória por duas,
ser paciência por duas,
ser colo por duas.
O corpo pode esquecer.
Mas o amor não desaprende.
E isso, ninguém tira dela. Nem de mim.
Mel
O nome dela escorre lento
tipo coisa que não se esquece fácil
gruda na boca, na mente
e pelo visto… até nos teus dedos.
Mel não chega, invade.
Vem com história torta, vida rasgada,
dessas que o mundo tentou quebrar
e ela devolveu com riso meio louco.
Tem gente que passa…
ela fica.
Nem precisa tocar direito
e já bagunça tudo por dentro.
Teu corpo entrega antes da razão,
teu pensamento trai qualquer juízo,
porque tem gente que não é paz…
é vício com nome bonito.
E o pior?
Você sabe.
Sabe do caos, do passado, das grades,
das vezes que a vida mordeu ela sem dó…
e mesmo assim, tá aí,
respirando ela como se fosse ar.
Mel não é leve.
É doce que queima.
É perigo que chama pelo nome
e ainda te faz sorrir enquanto você cai.
E você cai.
Com gosto.
De que serve a minha poesia
se a sua boca não me diz,
se o silêncio faz sangria
no que eu quiz fazer feliz
de que serve o verso escrito
com o peso da intenção
se o meu grito mais bonito
não alcança o seu perdão .
pois a rima se esvazia
e o papel vira desterro
de que serve minha poesia
se seu beijo é o meu erro.
A culpa escorreu pelo rosto do rapaz, que soluçava perante seu maior pecado.
(do conto A Boca do Coiote, livro: Entre um Café e as Palavras que Dançam)
Mistério da Gioconda
Monalisa, teu olhar é um mistério
Tua boca é desejada
Tua mão, linda e delicada
E esse sorriso então
Como posso decifrá-lo?
Quanto encantamento
E o mistério empregou
Mas que revelarás?
Embora teu sorriso seja misterioso
O que teu olhar esconde?
Um olhar fixante e enigmático
Mas quem realmente tu olhas,
Olha com devoção,
Quem é olhado, é olhado com admiração
Gioconda em olhos e sorriso.
A boca fala aquilo que o coração está cheio.
Se és amargurada transbordas amargura e aflição.
Se és amada o teu coração transborda amor e alegria.
Ninguém consegue ser ingênuo "a fio".
São poucas as pessoas que acreditam no amor.
Amar as pessoas que nos amam é tarefa fácil.
O difícil é amar quem não nos amam e não nos aprecia.
04/11/2017
Dicionário incompleto
Em português se diz: eu te amo.
Em poesia se diz: minha boca só sabe rezar o teu nome quando tenta dizer qualquer outra coisa.
E eu tentei traduzir isso pro silêncio,
mas o silêncio me devolveu tua voz.
Tentei escrever em outras peles,
mas meu dedo só desenha o mapa
de como chegar na tua cicatriz.
Eu te amo é pouco, é raso, é dicionário.
O que eu sinto é verbo que não conjuga sozinho.
É porta que range só quando cê encosta,
é chá que só esquenta se for dividido.
Então eu guardo esse "eu te amo" na gaveta,
junto com as cartas que nunca mandei.
Porque poesia não manda recado,
poesia sangra baixo,
e espera que você escute o barulho
do meu peito batendo teu nome.
Com o coração amedrontado, já perdi a minha liberdade, já não consigo abri a minha boca e dizer tudo aquilo que tenho vontade, dentro da minha alma, não sou digno, afinal, em meio a isso tudo, pra onde eu tenho olhado? Quais caminhos foram traçados? E por qual deles tenho seguido?
Hoje... As coisas não tem sido fáceis, a cada dia um novo problema... Peço a Deus que me tire daqui, pois tenho vivido, muitas vezes angustiado, minha alma sucessivamente tem se ferido, e Deus parece não me ouvir, até quando ficarei preso a isso? Embora, eu saiba que Deus não me abandona, porem não tenho visto o Seu agir em minha vida, tem sido complicado pra mim, não estou murmurando, apenas estou tentando abri meu coração, conversar, não com pessoas, que na maioria das vezes dizem coisas para simplesmente nos agradar ou agradar a si mesmos.
Deus tem misericórdia de mim, pois parece chegar à hora, onde direi: Eu não consigo, eu já não posso suportar, e a sua voz, não tenho ouvido, como posso ouvi-la? Deus tire-me daqui, muitos são os meus medos, quero vencê-los, mas não tenho forças, Pai em teus braços quero descansar.
Não carregue o peso de uma ofensa que não saiu da sua boca. Se alguém te feriu usando o nome do outro, o problema é de quem falou e de quem escolheu não perdoar. Eu não sou o depósito das mágoas alheias. Minha transparência me dá o direito de caminhar de cabeça erguida; quem quiser viver de passado, que caminhe sozinho. ✨⏳
@SerLuciaReflexoes
"O corpo grita o que a boca cala. Às vezes a dor na nuca é o peso de carregar mágoas antigas e palavras mal resolvidas. Solte o que não é seu, relaxe os ombros e entenda: sua paz vale mais. 🕊️🌻✨"
@SerLucReflexoes
Lavem a boca com a verdade antes de falar da minha vida; a hipocrisia de vocês não alcança a altura da minha superação."
"É fácil apontar o dedo quando se vive escondido atrás de uma máscara de perfeição. Eu sou real, e é isso que tanto incomoda vocês.
SerLucia Reflexoes
Com este teu sorriso e este teu OLHAR,
Não precisas nada FALAR,
Te dou minha boca pra BEIJAR,
E meu corpo em silêncio pra ti DELICIAR...
A poesia
Me dá azia
Deixa um travo
Na boca
De gosto amargo
Quem me dera
Ser poeta
Em outra era
Em que a verdade
Era sincera
Aquele alguém
Aquela voz forte, rouca que emanava daquela boca de dentes alvos, a pele morena como se queimada de sol e o cabelos grisalhos deliciosamente desalinhados, me tomaram de assalto os pensamentos, fazendo com que cada célula em mim vibrasse ao simples soar da voz.
Emudeci, pois a muito não sentia a vibração que emanou em meu corpo.
Não pude e nem quis fingir que não senti…
Me autorizo a ser, ter, fazer e sentir tudo que me faça bem ao coração e que me possa fazer expressar vida…
Tem gente de terço na mão.
Tem Bíblia na boca.
E tem ódio no coração
pra quem votou diferente.
Rezam "perdoai-nos"
e condenam sem perdão.
O céu confuso pergunta:
Que evangelho é esse
que não cabe no outro?
Van Escher
Eu escrevo porque não consigo falar.
As palavras se recusam a sair da minha boca,
então derramam-se no papel.
Queria poder me desfazer em teus braços,
encontrar neles um lugar onde o mundo
parasse de pesar.
Queria que cuidasses de mim,
como o Pequeno Príncipe cuidou de sua rosa.
Queria ser tua.
E, mais do que isso,
queria que escolhesses ser meu.
Não por obrigação,
mas por paixão.
Há quem me corteje.
Há quem tente conquistar meu olhar.
Mas de que me serve qualquer cortejo,
se o único que desejo
é o teu?
Se não tens intenção de permanecer,
tem a delicadeza de partir dos meus pensamentos.
Não é justo.
Toda vez que fecho os olhos,
és tu quem encontro.
Vejo tua postura ereta,
teus dedos ligeiros dançando sobre o teclado.
Revivo o nosso abraço,
o calor do teu corpo envolvendo o meu.
Vejo teus olhos por trás das lentes redondas,
e descubro, mais uma vez,
que teus óculos parecem ter sido feitos
para o contorno do teu rosto.
Então meu olhar encontra teus lábios.
E, nesse instante,
o mundo deixa de existir.
Filhinha
Deus não é severo mais,
suas rugas, sua boca vincada
são marcas de expressão
de tanto sorrir pra mim.
Me chama a audiências privadas,
me trata por Lucilinda,
só me proíbe coisas
visando meu próprio bem.
Quando o passeio
é à borda de precipícios,
me dá sua mão enorme.
Eu não sou órfã mais não.
