Poemas Anjos de Pijama Matilde Rosa Araujo
Mova-se da cadeira, tente, abrace o mundo, cuide de você. Voltando à frase do “cuidando do jardim...” cuide do seu. Faça as borboletas pousarem em você, e quando acontecer, vá com tranquilidade, não as espante, e tenha em mente: Borboletas têm asas, borboletas voam, voltam, pousam em outros lugares, já pousaram, irão pousar. Você é o presente. Você é o agora. É o que está acontecendo naquele momento. Então intensifique, mas tenha em mente que borboletas vivem somente Setenta e duas horas.
Ou é pelo menos o que dizem por aí...
Eu estava sentindo aquelas borboletas no estômago novamente, e era tão gostoso, era tão bom. Havia tanto tempo que não sentia aquela sensação gostosa de “É hoje que eu vou vê-lo!” ou aquela saudade de tudo aquilo que eu não havia vivido.
Mais uma vez eu havia colocado intensidade em uma viagem que não tinha combustível, nem estrada suficiente para chegar ao destino certo.
...uma forma um tanto maluca de fazer que você desista de mim, mas por dentro estou gritando: Não desista nunca, por favor!
Grandes amizades escorrem pelas mãos, e as novas brotam como flores de primavera. E eu tenho que aprender a me desprender do passado, do meu quarto, da minha cama, dos meus velhos amigos (que me deixaram) eu preciso. E eu penso: Também mudei, será que eles me enxergam assim também? Sei lá. Sei lá. Só sei que eu continuo voltando pra casa, farto de tudo, ando longe, ando pensativo, ando preso, ando solto, ando por aí. Continuo me sentindo fora, deslocado, desplugado. Continuo me sentindo um peixe. Um peixe fora. Fora do meu aquário. Que se não fosse meu, eu....
..."Como vai?" você disse. "Me desliguei em um gancho errado, cansado de bater na madeira, é assim que eu vou indo" Eu quis responder. Mas me afundo em seus olhos, dois poços de lamas escuros, invendáveis, envolventes, não sei definir com precisão, um sorriso avassalador, fascinante, que me mata. De saudade, vontade, de tudo.
- Da próxima vê se tira esse boné pra falar comigo, seu moleque! – Gritou Ana.
- Sua maluca! – Resmungou Pedro que logo em seguida deu partida no carro.
Me sento para lhe escrever, e de repente todas as minhas palavras se vão. Me sento para te falar o quanto eu realmente sinto, e o que eu realmente sinto, mas todas minhas palavras desvanecem. O meu tom se vai, e você permanece ali, intacto, me olhando com aquela carinha de cachorro sem dono que só você sabe fazer; aquela que me faz te levar pra casa todo o fim de noite, que me faz deitar ao teu lado e te dar abrigo, te aconchegar, de acobertar no nosso crime perfeito.
Você sorri, me beija, me chama de Rey, me coloca num trono. Eu fico feliz, e acabo deixando mais uma vez o eu te amo pro dia seguinte.
E às vezes nem é amor, é carência, é saudade, é entusiasmo, é falta. O amor acontece de diversas formas, e você está ali para ser atropelado. E como eu queria atropelar o meu Joãozinho, viu...
Até que o tempo, o fuso horário, os quilômetros de distância, e todos os meus defeitos (que são muitos) nos separe.
É estranho explicar, mas eu sinto saudades de quem eu fui. Não que eu esteja completamente diferente do que eu era, mas eu estou.
O tempo é a pior de todas as coisas desse mundo. Ele te devora. Não espera por você, tampouco volta pra você.
E daí se minha vida for um livro sem marcação de páginas que o vento bagunçou e revirou todas elas numa frequência só? E daí se não foi feito pra ser meu? E daí se eu perder, e daí se eu chorar? E daí, e daí?! Às vezes a vida engana, a gente mente, e ela nos rouba, mancha nossos sonhos, corrói nossos planos, e o que nos resta ao acordar é lavar o rosto e dá-lo a bater novamente, e começar tudo de novo. E daí se tiver que ser? E daí...
Lavo meu rosto, tomo meu café, jogo no lixo uma escova de dentes que sobrava no meu banheiro e percebo que era a sua, empacoto, tomo meu banho, me lavo, me seco, me escorro pelo ralo.
Acho tão legal quando você pergunta pro carinha "O que você curte?" e ele vem com uma lista de filmes, seriados, bandas, e músicas.
Nunca namoraria/casaria com um cara que de barriga tanquinho, turbinado de academia.Mas meu Deus, como eu os invejo!
