Poemas Anjos de Pijama Matilde Rosa Araujo
Nascemos em prisões. Não escolhemos as celas e, mesmo quando tentamos escapar, somos caçados até a morte.
Nascemos para viver como rosas naturais com espinhos, mas somos adestrados para viver como rosas de plástico e, no final, deixarmos a vida como rosas de papel.
Felicidade é um estado de contentamento. Somos felizes a partir do momento em que valorizamos o que temos e não o que tivemos ou o que teremos.
Nascemos com palmada no traseiro. Mais tarde, se nos portarmos conforme a sociedade deseja, tomamos tapinhas nas costas e, só ao final da existência, percebemos que passamos a vida levando na cara.
É preciso respeitar as vírgulas e considerar as pausas para não perder o fôlego antes de chegar ao ponto final.
Insensível, insensato e insano é o mestre que ensina o que não pratica e só é capaz de perceber o paradoxo quando alguém o repreende.
Você pode tornar-se uma rocha e ser inflexível ou como uma pedra de gelo e ter a facilidade de mudar para o estado líquido ou gasoso conforme o ambiente.
O ser humano passou a ser a extensão da tecnologia e das instituições. Nunca chegou a ser si próprio, nem alguém, mas se tornou alguma coisa.
Muitos querem ser heróis; tantos outros desejam ser alguém; poucos têm a pretensão de serem si mesmos.
Todos passam por problemas. Para o fraco, o conveniente é abandoná-los e repassá-los. Já o bravo tem a determinação de enfrentá-los e ultrapassá-los.
A felicidade deixa o espírito leve. Capaz até de escapar pelas mãos em segundos. O sofrimento, por outro lado, é pesado e possível de permanecer grudado nos ombros a vida inteira.
Quem tem o hábito de realizar ações por baixo dos panos, também costuma deixar a sujeira debaixo do tapete.
Quanto mais o sol se deita, mais as sombras se espicham para esconder-se na escuridão que se avizinha.
Seres humanos devem ser avaliados pelos valores que expressam, não pelo credo, raça ou classe social.
