Poemas Amor que Rima
UM NÓ
Sem dor do nó
De escrever um poema
Sem tremer na métrica
Com rima sem lima.
Não ser o poema
Um nó Gordio
Amarrado de fato
Seguro e apertado.
Ser uma lâmina de dor de amor
Um sentimento sem pele.
E assim descrever o mistério
De um poeta sem dó
E um poema sem nó.
SONETO ABARROTADO
Cá estou neste um lhano afável poetar
No estribo da rima, "eu te amo", tramo
Porque nos meus versos eu te clamo
E na poesia és meu constante venerar
Não deixes o encantamento no escamo
Nem no peito a fascinação então secar
Grite aos ouvidos desejos atirados ao ar
Pois uma paixão não resiste ao reclamo
E neste soneto abarrotado a sublinhar
Então poderei lhe dizer: - eu te amo!
Sem que o silêncio nos faça ultimar
Vim aqui fazer este breve invocamo
Onde cada sentido busca o teu olhar
Assim, firmar que no amor és reclamo!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Fevereiro de 2017
Cerrado goiano
SONETO DO FAZ DE CONTA
Agora vou fazer de conta que sou poeta
Hoje a melancolia, não terá a rima certa
O céu alvoreceu poético e com harmonia
E em meu dia tudo será somente poesia
A minha existência não é mais só o eu
Cada verso trará o laço, o meu e o seu
O que outrora era somente ociosidade
Agora, o som da vida, é pura realidade
O silêncio deixei na solidão, no canto
Não sabia onde estava, para onde ia
Eu só queria um sentido, algum valor
E na busca de um pouco de acalanto
Parecia que o fado, gargalhava e ria
Até tu chegar, com o generoso amor...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
11 de novembro de 2019 – Cerrado goiano
SONETO DESABITADO
Ao poema que roga, desesperadamente
De saudade, separado de sua rima ideal
Onde o coração sofre o afeto ali ausente
Nas desventuras em que se vê sem o qual
Não lhe basta um amador simplesmente
Nem só o gozo duma trova que seja a tal
Nem o simples desejo, deseja vorazmente
O compasso do beijo, num versar musical
E as poéticas inspirações que lhes somem
As quais quisera... paixão cheia de pureza
A esperança de quere-las lhes consomem
E os vazios do sentimento no seu cantar
Compõe solidão, em uma maior baixeza
Escrevendo dor, sem o amor para poetar
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28/02/2020, 18´12” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
SONETO OCULTO
Tua poesia veio a mim. Donde viera?
Que canto? Que harmonia? Encanto
Rima doce: - tão sossegada quimera
De leve compasso verso sacrossanto
Inspiração de furiosa paixão sincera
Magnetizando os meus olhos, tanto
Em cada estrofe, que o ledor espera
A todo a leitura, e a todo o recanto
Ai! eu nunca mais consegui esquecer
A fleuma das trovas que ali exalava
E em cada linha o sentimento eleito
E a emoção subiu ao peito sem conter
Os suspiros, que cada verso provocava
Ah! versar: terno, amoroso e perfeito!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
03/04/2020, 22’32” – Cerrado mineiro
Não sou poeta, mas "nua"
Aprendi a citar cada verso teu.
Decorei cada rima,
como um pintor decora a paisagem do céu.
Não sou artista, mas "despida"
Contornei cada linha tua,
Pintei cada traço e forma por outros esquecida.
Como um cantor toquei a tua melodia favorita na rua.
Não sou poeta, nem cantora,
Não sou atriz, nem pintora,
Mas se fosse serias a razão,
Para cada traço, linha e verso,
Serias a minha maior inspiração.
Quem é ele?
É a melhor rima
A mais forte melodia
É Rock and Blues
Jazz and Soul
É Luz Reluzente
Anjo Protetor
É persistente e Corajoso
Sábio e Bondoso
Coragem não lhe falta
Bravo Guerreiro
Altruísta e eloquente
Afável e Aventureiro
Essencial em minha vida
Verso Perfeito
Adorável e Poético
Sol que irradia
Puro amor
Fruto do meu ventre
Filho!
Filho da Lua.
Luan
Carta aos odiosos
Por vezes tentei transformar-te
Em poesia, verso ou rima
E ao fim de toda esta sina
Só não quero equivocar-me
Vejo sangue escorrer novamente
Uma ferida nunca curada
Numa fera intocada
Prometi libertar-te conscientemente
E numa tão crescente jornada,
Encontro-me aqui alheia a tudo e todos
Enlouqueceria aos poucos
Não fossem as doses de sanidade e ódio
Das quais me encontro agora colmada
Ao contrários dos dizeres nem tão sábios
O ódio nutre e alimenta
Fomenta, fermenta
Toma de mim palavras e lábios.
Thaylla Ferreira {Amores avulsos}
►A Fábrica Mágica
A Musa do Marinheiro
Chegou em primeiro
Tornou-se a mais favorita rima
Atualmente, a favorita minha
Ela é um pouco diferente das outras
Apesar de ser somente uma folha
Consegui escrever uma história
Consegui escrever, folclórica
Com uma presença mitológica
Pobre, pobre do marinheiro apaixonado
Por fim, foi levado para baixo
Para o fundo, onde ninguém jamais foi
E nas ondas, sumiram os dois
Me senti feliz pelo ponto final
A paixão do marinheiro era o tema principal
O desejo pelo beijo da morte era intencional
Acabou se tornando uma história surreal
A sereia era fenomenal.
Foi um belo conto que contei
Admito, algum tempo precisei
Um como esse jamais farei
Sei que irei tentar
Talvez poderei fracassar
Mas não custa nada experimentar
Peter Pan se assemelha
Antes que eu me esqueça
Porém não tenho a certeza
Que o mostrei com essa mesma beleza
Essa mesma delicadeza, sutileza.
No começo pensava em escrever para esquecer
Não sei bem, talvez se não colocasse na página
Não aconteceria tamanha mágica
Em minha mente abriu-se uma fábrica
Não de coisas metálicas
Comecei a escrever sem parar
Comecei, sentimentos, nos versos, depositar
Rimas e mais rimas, imaginar
Ao primeiro texto que fiz, um dia irei retornar
A primeira rima, apreciar
Daquela lembrança guardada nela, irei relembrar
Será que no dia irei gostar?
Vamos esperá-lo chegar, e me revelar
Meus sentimentos estão se esvaindo
Eles já não estou mais sentindo
Novos, então, necessito
É bom poder expressar em palavras
É bom, posso fazer com que não sejam claras
Como o enigma nas falas dos mudos
Como a definição dos sons dos surdos
Ao toque analista dos cegos
Conseguem entender esses versos?
Escrevo, escrevo, escrevo
Leio, vejo, creio
Não é um desespero
Imagino o que há atrás do espelho
De reflexos deves estar cheio
Existe alguém, espelho, que me deseja?
Não? Bom, que assim seja.
Tento escrever e só tem rima inocente
num papalvo poetar, sem a tal magia
e no complexo o inopinado ausente
Vendo que da mesmice ele não sairia
fico no comum e do belo pendente
e assim me conformo com sua amorfia
A rima salva vidas
QUANDO O POETA, DECLAMA SUA POESIA
FAZ RODA, NÃO FAZ FILA
MAS NÃO É A MAIORIA
DIA A DIA
A TIA
EU JÁ SABIA,
NA JANELA ZÉ-POVINHA A VIDA DA VIZINHA...
E O SOLDADO
PREPARADO ENGATILHA
NAS LINHAS AS RIMAS
QUE SAI DO POTE
E VOCÊ VAI PRO TRABALHO
OUVINDO NO SEU IPHOD
NEM NOTE QUE O NOT PEGA MUSICA FORTE
QUE SAI DO POTE
SEM TROTE IDEIA FORTE
Racionais DuRap Face da Morte
E O MELEQUE QUE VAI PRO CORRE
NEMGUEIM SOCORRE
NÃO OUVE IDEIA FORTE
QUE SAI DO POTE
A TIA QUE TEVE SORTE
SAIU DE PINOTE
CORRENDO DO BOTE
DO FRACO QUE FICOU FORTE
COM UMA ARMA NO SEU POTE
VOCÊ QUE TEVE SORTE
MENINO TOMA NO POTE
POR CAUSA DO SEU IPHOD
SUA MÃE CHORA SUA MORTE
MEU FILHO NÃO TEM IPHOD
NEM NOT
QUE ESTOU SÓ
UM FILHO CAI NO B,O
DEIXANDO SUA FAMÍLIA
SEM DIRAÇÃO
CONSTITUIÇÃO FORMANDO OPNIÃO
A MINHA JÁ TA FORMADA
POETA
SOM DE QUEBRADA
SEM PARADA ERADA
RIMANDO DE NOITADA
MADRUGADA
CAMINHANDO NA ESTRADA
NÃO É CONTO DE FADA
CÃO QUE LADRA
MORDE A LINGUA
E A TIA ZÉ POVINHA A VIDA DA VIZINHA
PERCEBIA NA QUELE DIA
QUE EM QUANTO O POETA RIMA
SEU FILHO NÃO ALI,
PARADO PEGA LADÃO
MENINO DE PÉ NO CHAÃO
JOGADO EM COVA RAZA
MENINO QUE NÃO RIMAVA
FAMILIA QUE NÃO NOTAVA
A RIMA LIBERTAÇÃO
O CORPO JÁ TA NO CHÃO
E TARDE NÃO TEM SAIDA
ESVAIDA AVIDA
DE QUINA SEM RIMA
RETRATO DA VIDA
SOFRIDA TARDIA
A TIA SABIA NO DIA
A RIMA SALVANDO
VIDAS
Saudade é um pote cheio d'água
Que transborda a pureza do meu ser
subestima minha rima, minha alma
e me deixas, só pensando em você
"Esta é uma divina conversa uterina
sei até que rima,
porque é a maior obra-prima
que Deus em sua magnitude
concedeu às mulheres em sua plenitude...
A divina conversa uterina...
(Nilo Ribeiro)
- "Oi mamãe querida
obrigado por me dar vida
nesta barriga confortante
sinto de forma pulsante
o seu carinho constante"
- "olá filhinho amado
carrego-lhe pra todo lado
da forma mais amorosa
você é a "coisinha" mais preciosa
me faz a mulher mais gloriosa"
- "mamãe, tenho muita alegria
de senti-la todo dia
passando a mão na barriga
me cantando uma cantiga
me aliviando da fadiga"
- "meu filhinho carinhoso,
meu bebezinho mais gostoso
adoro cantar para você
é uma forma de prazer
fazê-lo assim adormecer"
- "minha mãe mais bonita,
mãezinha amada e bendita
a senhora é minha proteção,
é doce seu coração
é pura abnegação"
- "meu filhinho desejado,
meu fofinho adorado
para você vou cantar
uma cantiga de ninar
e o meu amorzinho vai relaxar"...
♪ ♫ ♪ "dorme neném, ♪ ♫ ♪
mamãe vai lhe ninar
tenho tempo pra você
♪ ♫ ♪ e pra sempre vou lhe amar" ♪ ♫ ♪
ÚLTIMA HOMENAGEM
Este derradeiro soneto te ofereço
Em versos últimos e tão penados
Na rima incerta a dor de adereço
Sufocando os hinos apaixonados
Segui aqui o final de um começo
E os sentimentos tão assustados
E neste cansaço o teu desapreço
Mais as culpas dos meus pecados
Foi um amor, passageiro, pouco
Pois no sonho inventado e louco
Eu e tu caminhamos para o fim
Assim, cada linha um dissabor
E também fica um doce amor
Crer que um dia doou pra mim
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23 outubro, 2021 – Araguari, MG
O resto é "mimimi"
saudades
rima com loucura
quando aperta
loucamente
quem sente
não fica de frescura
disfarçado ou
abertamente
dá um jeito
de demonstrar
se vira
procura..
RIMA PEQUENA...
Fascina-me a paixão de imposição serena
sensações quinhoadas são as mais bonitas
esboçada na emoção ... - tão mais infinitas
um desejo cercado de terna ventura plena
Como a satisfação de uma desejada cena
as sinas de amar, por certo, são escritas
nas estrelas, porém, são sortes benditas
do idear, onde o querer é vontade amena
Me prestaria tudo, assim, humildemente
a paixão livre do que uma falta condena
pra ter-te afinal no meu poetar presente
E, não te ter fosse, então, a minha pena
ter-te no silêncio seria dor eternamente
duma poesia carente e de rima pequena
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Araguari, MG – 12/08/2021, 09’58”
AQUI TEM
Não repararam agora? pela poesia
Nos versos, suave rima enamorada
Que canta a paixão tão encantada
Musicando o poema numa sinfonia
Que tenteia a sensação com euforia
Deixando a satisfação d’alma alada
Criando inspiração pela madrugada
Numa poética que pulsa com magia
O afeto, o sentimento, olhar atraído
O sentido. Aquele beijo tão dividido
- Enfim feliz! Acontecido, bom, vem!
Já, o poetificar - bem mais tagarela
Vai cantando e deixando mais bela
A prosa, de um amor, que aqui tem!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
22 agosto 2024, 05’33” – Araguari, MG
TER-TE EM VERSO
Ter-te em verso, em rima afeiçoada
em variado sentimento maravilhoso
cheiro, sussurro, um olhar malicioso
possuir, a ventura, alma enamorada
O amor, este, sem demandas, nada
que traga divisão, e sim um gostoso
beijo, e o fartar em abraço avultoso
deixando a poética toda encantada
Este versejar que busco do coração
na inspiração com suave sensação
com a paixão, a contê-la no acerto
A manter-se tão sentimental, forte
a emoção que traz ao peito aperto
a esperar avidamente pelo aporte.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
19/11/2024, 14’18” – Araguari, MG
PREDESTINAÇÃO
Imerso em versos dum sonho fundo
Com rima amável, tão simplesmente
Sublime, lia-se na poesia claramente
Que não era igual, era amor fecundo
Tinha na poética algo mais profundo
Aquele olhar sedutor de quem sente
Uma métrica enamorada, docemente
Singular, nobre, do coração oriundo
E neste rubro, e emotivo entardecer
Pra sempre se tornou um significado
Serenamente, no peito, doce abrigo
És então, definição, sentido, um crer
E a solidão uma toada do passado...
Agora, o predestinado amor comigo!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12 abril, 2024, 16’40” – Araguari, MG
