Poema sem Amor Madre Teresa

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⁠tempestade

Uma chuva de verão
no princípio do inverno
E a sã superstição
diz que vaga no Eterno

um espírito pagão
implorando por perdão
na entrada do inferno...

⁠Vinte e três de abril

Guarde a lança, cavaleiro!
No outro lado do alforje
vai a espada do guerreiro.
Eu não sofro mal algum!

Nem sei bem-dizer se Ogum
é devoto de São Jorge
ou Jorge é filho de Ogum...

⁠ode a odé

A imagem no andor
Sete flechas, dor serena
Na cabana, o benzedor
junta folhas de jurema

Na vontade de compor
sete linhas de louvor,
toda arte ainda é pequena...

⁠dois dois

É menino feito santo;
olha a luz dessa criança!
Escondido no seu pranto
um sorriso de esperança

Quando ouve o povo banto
entoar seu doce canto,
faz ciranda, grita e dança...

⁠zi fi

De visita a uma dama
que mexia com o além,
perguntei: como se chama
esse velho sem vintém?

Rindo, disse a tal mucama:
preto-velho não se chama;
se precisa, ele vem...

⁠⁠Maldição de Lilith

Detentora do crepúsculo
Seu cerne angustiante, fará dela meu abrigo
Presenteada com marca condenável
Desafiando a ordem, a natureza proclama
Lilith, a falha proclamada
Jaz solitária, escondida no lado negro
Até a minha porta encontrar, benção melhor não há
Semblante curiosa, a me observar
Com sua beleza macabra, o coração a palpitar
Sem necessitar de permissão para entrar
Desprovida da luz, busca a morte, sem importar

Jogada ao chão, sem nenhuma tensão
Fugaz choque a me vincular
Tentativas desesperadas adornada ao frio
Seu sucumbido corpo a quase ficar
Sem nada mais imediato para ofertar
Minha vida em prol da liberdade, eu desejar
Acionando extrema inquietude
Pois vida já não há
Em obsessão, rezas ao amanhecer, crédulo a ofertar
Amanhecer que nunca chegara
Amanhecer que nunca chega
Agora há de se mostrar
Pois sua maldição não mais jaz em mim
No corpo dela, há de retornar.

⁠AGENDA DE POETA:

Agradecer pela vida. Feito;
Cantar uma canção. Feito;
Desejar felicidade ao mundo. Feito;
Escrever um poema. Feito;

⁠As armas de um poeta:
são uma caneta e um papel
E com elas conquistamos
o nosso próprio céu

O poeta é aquele
que escreve a voz da alma
Como se fosse um dom...
Aquele dom que acalma

Ele fala da vida
de sonhos e de alegrias
Pois se não falar dos mesmos
dele o que seria?

Ele tem o seu mundo
repleto de fantasias
Mas é lindo, é belo...
E você entrando nele
Sair jamais deveria

Nesse mundo ele toca
Sua alma e coração
Sua vida interior
É tudo luz, é canção

Como também ele grita
chora como criança
Mas depois é tão incrível...
renasce sua esperança



(MARQUES, Iraci. Mundo-poeta. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 56).

⁠Sou filho: mas que filho sou?
Como nasci e como vou crescer?
Onde meu sangue está instalado?
Que lição na escola irei aprender?

Será que a vida me espera
com lápis e pincel pra eu pintar?
Com brincadeiras, musiquinhas
junto a colegas compartilhar?
E, se eu morar numa rua à margem
do coração desta periferia,
poderei contemplar a paisagem
do que hoje ainda é fantasia?

Tenho medo de ir à escola
e logo assumir responsabilidade
Mas quero conhecer o alfabeto
e outras proporções da cidade
para o meu futuro dar certo

Não, não! Não quero pensar!
Eu quero é me divertir.
Quero brincar no parquinho.
Quero cantar e também sorrir.
Quero fazer muitos rabiscos.
Quero meu mundo colorir.

Que não tardando me chegue,
o que prevê a Lei do Brasil:
creches, praças, cinema...
Quando a Magna sair do papel
se fará nosso justo sistema


(MONTEIRO, A. L. Pensamento Infantil. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 33).

⁠O brilho das estrelas nos olhos de uma dama

O brilho que o sol traz no meu dia
Se assemelha ao brilho dos olhos daquela garota
Sua dança me lembra do balançar
Que o vento faz quando passa
Entre as folhas de um orvalho
No amanhecer de um belo dia
E no anoitecer me lembro desses mesmo olhos
Brilhantes como um feixe de luz
Em meio à escuridão
Esse brilho no olhar
Que me encantou e me fez pensar
No qual fascinante é a beleza humana
Aquele lindo brilho no seu olhar.

⁠Única Opção

O coração é enganoso,
te faz pensar que tudo é maravilhoso.
Decidi sair para viver,
e agora não sei pra onde correr.


Meu futuro está trassado,
porém me sinto abandonado.
É tão grande a minha dor
que pra mim, tudo perdeu seu valor.


Já estou sem opção,
não pode ser tudo em vão.
Vou me entregar e me envolver,
mesmo sem eu entender.

⁠O Meu Ser!

Eu era calado,
tinha algo guardado.
Meu coração era uma arma letal;
Feria qualquer um que se dizia leal.


Me recordo daqueles momentos,
até hoje eu carrego por dentro.
Fui julgado pela ação, pelo agir e no falar.
Agora comecei a não me importar.


Hoje, me preocupo em me preocupar.
Meus medos, tento afastar.
Possuo um arsenal dentro de mim,
ali estão os sentimentos em que tentei por um fim.


No amanhã penso em meus sonhos conquistar,
e o sacrifício me faz raciocinar,
que o orgulho é preciso abandonar.


Enfim tive uma conclusão!
Sou menor que um simples grão.
Lembro de algo essencial…
Eu sou um eterno mortal

⁠Bacanal

Quero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco…
Evoé Baco!

Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada,
A gargalhar em douro assomo…
Evoé Momo!

Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos…
Evoé Vênus!

Se perguntarem: Que mais queres,
além de versos e mulheres?
– Vinhos!… o vinho que é o meu fraco!…
Evoé Baco!

O alfange rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que não domo!…
Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!…
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos,
Evoé Vênus!

Manuel Bandeira
LIMA, Alceu Amoroso. Poesia: Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: Agir, 1983.

⁠Melancolia, tristeza, decepção e raiva me inspiram.
Me enchem de combustível para voar rumo a causa desses sentimentos como se eu fosse um míssil nuclear.
Mas transformo toda essa carga em algo menos letal para os outros, porém fatal para mim.
Vou guardando.
Guardando e aguardando, até que não haja mais espaço em minha mente e explodo em palavras e versos que só fazem sentido pra mim.
Que só importam para mim.
É tão injusto não devolver as desgraças que me jogam na cara.
E se eu devolver?
Ficariam eles chateados ou entenderiam minha licença poética?

Ela é de TOURO!

— É forte por natureza, extravagante, encantadora por sua beleza.
— Às vezes é rude igual rocha, e frágil como uma flor, seu coração é cheio de amor.
— Ela pode até ser calma, meiga, um amor.
— Mas pisa no calo, que vai conhecer seu furor.

— Não tem inclinação para o morno.
— Ou congela, ou pega fogo.
— A tempestade não a derruba, ela é acostumada a banhar na chuva.
— Às vezes doce como um limão, traz a calma do furacão.

— Ela é toda determinação, teimosa, mandona e ciumenta.
— Mas ela se sustém.
— Ela se aguenta.

⁠Oh, pele morena, tão bela e serena,
Boca carnuda que me seduz e envenena,
Teu sorriso perfeito, encanto sem fim,
Olhar marcante que me faz sonhar assim.
Imagino beijar teus lábios tão doces,
Em teus braços seguros, tão fortes e robustos,
Sentir teu calor, distante ou perto,
A chama que cresce, nos unindo em afeto.
Nosso encontro, marcado nas estrelas,
Breve chegará, como na mais bela novela,
Pois a distância não pode nos separar,
O destino nos une, sem hesitar.
E assim, nesse dia de promessas e amores,
Nossos corações, enfim, se encontrarão nas flores.

⁠Numa noite enluarada e estrelada,
O palhaço engraçado deu sua gargalhada,
Com seu nariz vermelho e roupas coloridas,
Arrancava risadas, muitas exclamações vidas.

Subiu ao palco com um jeito desconcertante,
Fez piruetas e acrobacias alucinantes,
As pessoas gargalhavam, lágrimas a rolar,
Não conseguiam conter, queriam mais um show.

Numa mão, um balde cheio de confetes,
Do outro lado, um sapato de malabares esperto,
Jonglou com bananas e bolas sem parar,
No meio do público, risadas não paravam de estourar.

Contou piadas engraçadas de fazer chorar,
Um elefante em cima de uma bicicleta a pedalar,
As pessoas rolavam de rir, não aguentavam mais,
O palhaço com sua graça, alegrando os mortais.

E os problemas do dia a dia se dissiparam,
Com as gargalhadas, as preocupações voaram,
O sorriso no rosto, a alma mais leve,
O palhaço cômico fez a felicidade nascer.

As crianças riam soltas, os adultos se divertiam,
O espetáculo era um sucesso, a plateia aplaudia,
E nenhum doutor com remédios de amargar,
Conseguia fazer a alegria que o palhaço fazia brotar.

E assim, no circo da vida, vamos todos celebrar,
A comédia que nos faz, por momentos, flutuar,
Não importa a tristeza, as lágrimas afogadas,
Basta um palhaço cômico para alegrar nossas jornadas.

⁠Foi um beijo...
Foi um beijo mentalizando na sua boca.
Só tuas mãos quentes me apertando e percorrendo pelo meu corpo!
Nada estava acontecendo programadamente mas a ansiedade que havia não era pouca...
Teu olhar ardia na minha alma e seus dedos perguntavam pra minha blusa
se meu corpo acolheria um delinqüente
descoladas as línguas um instante
minha resposta saiu um tanto trêmula.

🧠💭💭💭💭😘🍫

⁠Estamos no Halloween
Tudo pode acontecer
Se não queres ser apanhado
Vais ter que te esconder
Está noite é tão escura
Não há lua para ver
Lobisomens ou vampiros
A ganhar ou a perder
Esqueletos a dançar
E morcegos a voar
Está noite é tão estranha
Até já vi uma aranha

⁠Ah, se eu pudesse voltar!

Cair e rolar no chão
sem medo de se sujar,
correr no meio da rua,
não ter conta pra pagar.
Como era bom ser criança.
Ah, se eu pudesse voltar!

Comer goiaba no pé,
soltar pipa, pedalar,
jogar bola no campinho,
ir pra escola estudar.
Como era bom ser criança.
Ah, se eu pudesse voltar!

Ir pra casa da vovó
pra comer e engordar.
Ser sincero e verdadeiro
falando o que quer falar.
Como era bom ser criança.
Ah, se eu pudesse voltar!

Ser o futuro do mundo
e nem se preocupar,
brigar com um amiguinho
e ligeiro perdoar.
Como era bom ser criança.
Ah, se eu pudesse voltar!

Ter amor em seu sorriso
e bondade em seu olhar,
sonhar e ter a certeza
de que vai realizar.
Como era bom ser criança.
Ah, se eu pudesse voltar!

Querer que o relógio corra
fazendo o tempo passar
pra ser grande, ser adulto
e, quando a hora chegar,
dizer repetidamente:
Ah, se eu pudesse voltar!

Bráulio Bessa
Um carinho na alma. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.